Entrada da PF

A Polícia Federal vai investigar o vazamento de trechos de um dossiê com dados sobre as despesas da família de Fernando Henrique Cardoso produzido na Casa Civil em fevereiro. A confecção do dossiê não é, inicialmente, alvo da apuração.
As informações sobre FHC, Ruth e ministros tucanos foram coletadas por servidores sob o comando de Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma Rousseff. (Folha)

É claro que o discurso de Tarso Genro é delinqüente. Diz ele que a PF deve investigar apenas delitos e a criação do dossiê é uma “situação política”. Não é. Seria se tivesse sido construído por dados públicos, disponíveis a todos, mas não foi assim. O dossiê foi montado por dados sigilisos coletados por funcionários públicos. É crime sim.

É características da esquerda dizer uma coisa quando é exatamente o oposto. Genro disse que “graças a Deus” __ impressionante como esta gente usa Deus nas suas lambanças __ a Polícia Federal não é uma polícia política. Pois se tiver sua investigação restrita, com o único objetivo de descobrir uma fonte, é sim.

Mas é melhor a PF, mesmo que restrita, no caso do que sem ela. Tudo porque uma investigação não se sabe quanto termina e pode acabar fugindo ao controle, como aconteceu no caso do dossiê de 2006.

A oposição está certa ao gritar. É preciso que se pressione a PF a cumprir sua obrigação, que a chame nos brios. O problema é que há diversas facções dentro da corporação, mas muita gente boa também. Que a parte boa faça o trabalho que a parte podre não quer.

Onde estão os humanistas?

Claudio Humberto:

O médico Helver Rodríguez Cruz, que esteve a serviço das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e foi capturado há duas semanas perto de Bogotá, confirmou ser grave o estado de saúde da ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt. As informações foram divulgadas pela agência argentina Telam. O médico disse ter atendido Betancourt, que está em poder das Farc há seis anos. A refém, segundo ele, sofre de dois tipos de malária e um deles teria provocado um agravamento no fígado, situação que poderia levar a ex-parlamentar a um colapso hepático. Ela apresentaria ainda problemas como acidez gástrica, desnutrição e cólon irritado.

Onde estão os humanistas brasileiros que consideram as FARCs uma expressão legítima de um movimento social? Betancourt está presa na selva há 6 anos! Eu conheço a selva amazônica. Em situação precária, participando de exercício de sobrevivência, fiquei 6 dias. 6 dias! E não consigo nem imaginar esta senhora passando seus dias acorrentada em árvores por 6 anos. E querem colocar este absurdo na conta do governo eleito democraticamente da Colômbia.

Onde estão MAG, Chávez, Lula, Oliver Stone, e tantos outros que se misturam com este bando de animais. Esta gente me dá nojo.

Barack Hussein Obama

Outro dia perguntaram minha opinião sobre Obama. Estou aos poucos lendo sobre as eleições americanas e por enquanto não encontro nada que me leve a confiar neste senhor. E não estou nem falando de proposta concretas, pois parece que não as tem. Sua campanha está montada em um discurso de esperança, superação da política tradicional, uma nova visão do mundo.

No fundo quer um cheque em branco. Votem em mim, elejam-me, e terão uma grande surpresa. Seus discursos são descritos como maravilhosos e sua figura como empolgante. Mais um motivo para minha desconfiança. Desconfio sempre de políticos que falam bem.

Em Apologia de Sócrates, logo na abertura de sua defesa, o filósofo adverte que seus acusadores só disseram mentiras sobre ele, mas que acatava uma única advertência: deveis ficar alerta para não serdes enganados pela minha habilidade de orador.

Depois acrescenta, não se considerava um bom orador no sentido que seus acusadores o retratavam, mas sim no sentido de falar com a verdade.

Considerai se o que digo é justo ou não. Essa, de fato, é a virtude do juiz; do orador, o mérito é dizer a verdade.

Pois Hussein Obama é considerado um grande orador. Mas em que sentido? No sentido dos acusadores de Sócrates e dos sofistas que tanto combateu ou no sentido de falar sempre com a verdade?

A única coisa que eu tinha achado interessante em seu discurso era que se recusava a tratar de raça e colocar-se como um candidato negro para vencer os brancos. Mas isso durou até o momento em que a proteção da mídia cedeu e pela primeira vez teve que se defender. Foi direto ao discurso racial, como se fosse um Martin Luther King moderno.

Não tenho absolutamente nada contra um negro presidente, desde que não seja eleito justamente por ser negro. Nem contra uma mulher presidente, desde que não seja eleita justamente por ser mulher. Cor da pele e sexo não deveria fazer a menor diferença para se escolher uma pessoa para qualquer coisa, ainda mais para a presidência da república.

Que trabalho?

Claudio Humberto:

Os deputados da CPMI dos Cartões Corporativos acreditam que a criação de uma CPI para investigar o mesmo assunto, exclusiva do Senado, não vai prejudicar os trabalhos que já estão em andamento.

O povo quer saber, que trabalho? Talvez o deputado esteja se referindo ao imenso trabalho de rejeitar pedidos de depoimentos.

Qual é o time de Alckmin?

Depois de jogar fora uma eleição presidencial que estava lhe caindo no colo, o ex-governador está conseguindo outra senhora proeza: ressuscitar Marta Suplicy, e olha que não é tarefa fácil! É uma pena, tinha tudo para bagunçar o coreto de 2010 com uma candidatura fora do eixo PT-PSDB, mas resolveu comprar briga com o partido errado. Uma lástima.

BBC?

Primeiro âncora da TV Brasil, o jornalista Luiz Lobo, 42, afirma que o Palácio do Planalto interfere no jornalismo praticado pela TV pública federal, lançada pelo governo Lula, em dezembro, com a promessa de que não seria uma emissora chapa-branca. “Existe, sim, interferência do Planalto lá dentro. Há um cuidado que vai além do jornalístico”, afirma.
Lobo foi demitido na última sexta-feira, segundo ele, por ter resistido às interferências. Afirma que o Planalto controla o conteúdo das reportagens por meio da jornalista Jaqueline Paiva, mulher do também jornalista Nelson Breve, assessor de imprensa da Presidência da República. Lobo era também editor-chefe do “Repórter Brasil”, primeiro e único, até agora, programa da TV Brasil. Jaqueline ocupa o cargo de coordenadora de telejornais.
Lobo diz que a “pressão” aumentou nas últimas duas semanas, quando a crise dos cartões corporativos atingiu a ministra Dilma Rousseff, com o vazamento de um dossiê, elaborado pela Casa Civil, de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e de sua mulher, Ruth Cardoso.
“Não podíamos falar em dossiê, mas em “levantamento sobre uso dos cartões”. Depois, a orientação era falar “suposto dossiê'”, relata Lobo.

Tudo isso já era previsto e piorou muito com a forma como foi aprovada a TV Brasil no Congresso. E os defensores da extrovenga afirmavam que o modelo era a da BBC…

Lulo-platonismo

Fernando de Barros e Silva:

Horas antes de a ministra falar, Tarso Genro, o Rolando Lero da Justiça, dizia que a PF não poderia investigar o dossiê porque “dossiê é conceito, não fato determinado”. Assim, o bacharel do submarxismo oficial inventou o lulo-platonismo.

Na semana passada critiquei este articulista por seu ataque gratuito e sem qualquer fundamento aos jornalistas “de direita”. Hoje elogio. Seu artigo sobre a entrevista da comissária Dilma está excelente, mas foi o trecho acima que chamou-me a atenção, especialmente a expressão lulo-platonismo.

Segundo a teoria que Platão desenvolveu em seu Mundo das Idéias, tudo que existe no mundo é um cópia imperfeita de objetos perfeitos, as idéias. Quando vemos cavalos, vemos a representação do conceito de cavalo. Existe um molde de um cavalo perfeito que fica neste mundo especial, o das idéias, que serve de base para os seres e as coisas.

Para Tarso Genro, o dossiê não existe na prática, apenas no mundo das idéias. Assim, não cabe à PF investigá-lo. É ou não é uma contribuição inusitada do lulismo? Agora temos o lulo-platonismo, uma corrente filosófica inédita liderada por nosso ministro da justiça.

Uma boa notícia

Dentro de poucas semanas a idéia poderá materializar-se num projeto de lei para instituir cinco Fundos Nacionais de Formação Técnica e Profissional (Funtep), um para cada setor. Eles passariam a receber 60% daquela dotação, ou R$ 4,8 bilhões. Além disso, as entidades do sistema S seriam obrigadas por lei a destinar estes recursos à formação profissional em bases diversas das atuais. (Folha)

O sistema S é aquele formado por SENAI, SENAC, SENAT, etc. Com o crescimento da economia brasileira, surge o problema da falta de mão de obra qualificada em diversos setores, um dos gargalos para o desenvolvimento. A idéia do Ministério da Educação é boa pois introduz a competição no sistema.

Pelo projeto, a distribuição de recursos seria proporcional ao número de alunos de cada unidade. Assim, a unidade que conseguisse baratear seus custos e efetivar um número maior de matrículas, receberia mais. Um benefício adicional seria a transparência da aplicação destes recursos e o levantamento do custo por aluno.

É claro que surge a preocupação com a queda da qualidade do ensino, mas a situação atual de hoje é a de falta de mão de obra. Neste contexto é preciso universalizar o mais rápido possível a formação técnica para que se consiga atender a demanda por profissionais. Depois, em uma segunda etapa, pode-se começar a pensar na melhoria da qualificação. Além do mais, só no Brasil que custo de formação é confundido com qualidade.

É um bom passo do Ministro Haddad e espero que idéias como esta se estenda para a formação das carreiras tecnológicas a nível 3o grau, os chamados cursos profissionalizantes de 2 ou 3 anos.

Mais sobre Ziraldo e Jaguar

Um pouco mais sobre os novos beneficiados da “bolsa ditadura”.

Os dois ganharam rios de dinheiro fazendo oposição ao governo militar; depois, como o fim do regime, caíram no ostracismo pois eram incapazes de fazer humor contra a esquerda, que passou a ditar o rumo cultural do país. Podem ter sido perseguidos, mas isto não os impediu de serem extremamente beneficiados pela “ditadura”, o que mostra que a censura e a perseguição não era do tamanho do que tentam nos vender hoje.

Se antes riam dos milicos, agora riem da nossa cara. Somos nós que pagamos a conta deste absurdo de indenizações absolutamente imorais que estão sendo pagas a qualquer um que tenha perdido um emprego durante o regime militar. Parece que não havia incompetência no período, apenas “perseguição ideológica”.

A alemanha pagou perto de 6 bilhões de dólares à Israel pelos crimes do holocausto. Nós já pagamos perto de 2 bilhões pelos 424 mortos atribuídos à ditadura, ou seja, tivemos um terço de holocausto por aqui e nem percebemos! Fico imaginando se tivessem morrido 1 milhão, qual seria esta conta? Talvez bem menor, não? Por isso tem gente que afirma que o grande problema da ditadura foi ter matado gente de menos. É um pensamento que tem lógica, e mostra o ponto em que chegamos.

Ziraldo e Jaguar são mais dois exemplos que todo aquele discurso socialista não resiste à possibilidade de colocar as mãos em uma bufunfa paga pelo povo. Caráter e dignidade não vale nada para esta gente, o que importa é dinheiro. E tem gente que acha que lutavam (lutavam?) por uma sociedade mais justa…

Está aí a sociedade justa do socialismo.