Material de Defesa e transferência de tecnologia

O Ministro da Defesa disse ontem que haverá uma mudança no patamar da relação bi-lateral dentre Brasil e Estados Unidos, que o Brasil só comprará dos americanos se houver a transferência de tecnologia.

A questão não é tão simples como pode parecer a primeira vista. Claro que seria importante a transferência de tecnologia, mas é bom o ministro ter em mente que isso significa aumento dos preços. Temos recursos para tanto? Ou melhor, teremos recursos para tanto?

Outra pergunta. Terá o governo americano interesse em vender toda sua tecnologia? Se for o único detentor desta tecnologia, caso mais provável para que não deseje vender, qual a alternativa? Faremos nosso próprio desenvolvimento? Teremos recursos para isso?

Desenvolvimento de tecnologia militar exige tempo e dinheito. Dispomos dos dois? Haverá incovenientes em ficar sem equipamentos de última geração enquanto desenvolvemos tecnologia nacional?

O Exército e a Aeronáutica forma os melhores engenheiros do Brasil. Por vários fatores, dentre os quais destacam-se salários e falta de valorização, boa parte destes engenheiros deixam as Forças Armadas. Muitas vezes deixam a própria engenharia em busca do conforto e do salário da burocracia estatal. Como reverter este quadro?

São questões que o ministro tem que pensar muito bem. O que não pode é achar que tecnologia se transfere de graça e por ato de boa vontade. Não é assim que o mundo funciona.

Voltando

Nos últimos dias estive envolvido com uma intensa atividade de trabalho, não sobrou muito tempo para postar.

Pelo que andei lendo, o mais relevante desta semana foram:

  1. A alta do dólar
  2. A boa polêmica de Reinaldo Azevedo sobre a educação sexual nas escolas públicas.
  3. O presidente da república usando a palavra “sifu” em um discurso oficial e sendo posteriormente censurado pela própria imprensa oficial.
  4. Os primeiros sinais de recessão se aproximando
  5. Hugo Chávez tentando avançar o máximo na ditadura antes de perder sua sustentação com a queda do preço do petróleo. É agora ou nunca.

Petrossauro e o último refúgio dos canalhas

Lula ficou bravo com as críticas aos empréstimos que a Petrobrás conseguiu com a Caixa Econômica e o Banco do Brasil. Gabrieli, o petista que comanda a Petrobrás e não gosta de dar explicações sobre a empresa, idem. Quando Lula e Gabrieli ficam bravos ao mesmo tempo, é porque tem fogo.

Roberto Campos cunhou o termo petrossauro para referir-se à Petrobrás. A empresa tem um estigma de inquestionável, de acima do bem e do mal. Falar mal da Petrobrás é o mesmo que falar mal do país. Uma vez quase fui escorraçado porque, pasmem, defendi a privatização da empresa. O principal argumento contra mim era que eu não era um patriota.

Tentei argumentar que a privatização da empresa poderia ser sim um ato patriótico, mas o que adianta? Eu estava vendendo o Brasil ao capital estrangeiro, abrindo mão da nossa soberania e etc. Engraçado que esta mesma pessoa defendeu a tunga que a Bolívia deu na petrossauro. Uma noção meio relativa de soberania, não? Eu, o antipatriota, defendia que o Brasil fosse duro com Evo Morales. Esta pessoa, patriota, defendia que cedessemos, que deveríamos sempre buscar a paz.

Quando o barril de petróleo estava lá nas alturas, os custos da empresa se tornaram irrelevantes. Agora com a queda do ouro negro, o aparelhamento e uso político da empresa começa a ficar um pouco mais claro. Por isso o mercado está começando a desconfiar muito da empresa. A petrossauro está perdendo a confiança, mais uma cortesia do petismo.

Agora Lula e Gabrielli aparecem para dizer que questionar o empréstimo concedido é anti-patriótico. Vale como nunca a máxima de Johnson:

O Patriotismo é o último refúgio do canalha.

petrossauro

Conta para ajuda à Santa Catarina

Hoje fui informado de uma conta no Banco do Brasil para ajuda à defesa civil. Não vejo a necessidade de mobilizar a população brasileira para isso. Afinal, o governo está doando milhões para Cuba e o Haiti. Hoje mesmo existe um navio da marinha carregando alimentos para estes dois países, além do dinheiro que o governo liberou, por medida provisória, para o ditador cubano.

Estamos a caminho, também, de doar uma hidroelétrica para o Haiti. Coisa de algumas centenas de milhões de dólares. Longe de negar ajuda a este país, que fez a opção pela democracia, a mais importante que poderia fazer.

O fato que quero evidenciar, mais uma vez, é que não falta dinheiro ao governo. Não temos uma das maiores cargas tributárias à toa, as arcas estão sempre cheias. Onde está este dinheiro todo afinal? Como podemos ver a sua aplicação? Ele está chegando na ponta da linha?

A resposta do apressado é rápida: corrupção. Sim, existe muita corrupção no Brasil. O problema não é só esse. Temos outros muito mais graves envolvendo projetos políticos ideológicos e a opção por um assistencialismo que nos leva á estagnação. E nem estou falando do bolsa família, este é até barato. Estou falando do regime previdenciário, da política do salário mínimo que não é mínimo, do combate à atividade produtiva, enfim, dos modelos errados que adotamos, tão bem descritos no livro de Giambiaggi 1.

É válido toda a ajuda dos brasileiros, mas a mais importante deve vir do governo, que tem se preocupado mais com o problema dos outros do que com seu próprio povo.

Calote à caminho

Depois do Equador, é a vez de Paraguai, Bolívia e Venezuela anunciarem que irão rever as respectivas dívidas externas. Isto inclui empréstimos feitos pelo BNDES. Mais uma vez se evidencia um dos grandes problemas de bancos públicos, a sua utilização por partidos políticos.

O BNDES transformou-se em uma instituição a serviço do PT, dentro dos objetivos propostos pelo Fórum de São Paulo. Na prática, procura colaborar com os governos companheiros, os governos de esquerda. Não vejo nenhuma surpreza no futuro calote, embora muito ainda se dependa da capacidade do brasileiro de se indignar em ver um banco público brasileiro financiando projetos políticos dos amigos do presidente da república.

Particularmente não acredito muito nesta indignação. Estamos satisfeitos com o pão e circo.

Para quem pensava que o inimigo era Bush

Por Thomaz Favaron, Veja

A mensagem mais clara deixada pelo ataque é assustadora: o terrorismo na Índia assumiu uma nova fase, a do estilo Osama bin Laden. Esses atentados têm a característica de ser cometidos por militantes islâmicos bem treinados, dispostos a morrer, e o objetivo de causar a maior quantidade possível de vítimas civis. Os atacantes de Mumbai nem sequer apresentaram uma reivindicação que pudesse ser negociada pela polícia em troca da libertação de reféns. Um dos hóspedes que conseguiu escapar do hotel Taj Mahal contou que os terroristas estavam procurando pessoas com passaporte americano ou britânico e também os judeus.
Comento:
Existe uma delinqüência intelectual que circula pelo mundo é que o terrorismo islâmico seria uma reação ao bushismo, ignorando o que começou primeiro.
Quando o 11 de setembro foi planejado, o governo ainda era do liberal Bill Clinton, um espécie de pop star internacional. Bush assumiu e era ridicularizado pela imprensa, retratado como um grande bobo. Bin Laden foi claro em sua mensagem: o inimigo era o ocidente, eram os ditos valores ocidentais.
Bush comprou esta briga, até porque não tinha outra escolha depois de ter sido atacado no coração de seu país. Infelizmente ficou praticamente sozinho. A maioria das democracias ocidentais resolveu virar as costas e considerer que era um problema apenas dos americanos. O governo espanhol foi de uma covardia ímpar. Diante de um atentado que vitimou seu povo cedeu aos terroristas. Talvez um dia pague caro por isso.
Pois Obama ganhou, foi saudado nos quatro cantos do planetas e muita gente acha que estará entrando em um mundo mais seguro. Acho exatamente o contrário. O tempo dirá quem está certo. Particularmente, torço para que eu esteja errado. Embora não ache que esteja.

Dinheiro para a picaretagem

Folha:

O Ministério da Saúde deslocou R$ 2,8 milhões, previstos no Orçamento deste ano para apoio à educação permanente de trabalhadores do SUS (Sistema Único da Saúde), para financiar a “Caravana Estudantil da Saúde” organizada pela UNE (União Nacional dos Estudantes), que contou com realização de debates, apresentações teatrais e exibição de filmes em universidades.

Comento:

E não digam que está faltando dinheiro para a saúde! Não contente em forrar de dinheiro esta coisa detestável chamada UNE através da farra das carteiras estudantis (que permite a um endinheirado pagar meia entrada para ver o novo filme do 007 a título de cultura ao mesmo tempo que obriga um trabalhador assalariado a pagar pela meia gratuidade do primeiro, coisas de Brasil), nosso brioso Ministério da Dengue, quer dizer, do aborto, quer dizer, da violação psicológica de menores, quer dizer, da Saúde, resolveu agora passar 3 milhões de reais do contribuinte para os picaretas que ainda acham que Marx é uma solução para alguma coisa.

Que país!

Mais orçamento engessado

O Globo:

BRASÍLIA. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem proposta de emenda constitucional que vincula parte do Orçamento da União, de estados e municípios à área de segurança pública. Pelo texto aprovado, 5% da receita dos impostos federais e 9% da arrecadação aferida com impostos estaduais e municipais vão compor um fundo permanente de segurança pública. O projeto segue para a apreciação do plenário, onde o governo deverá pôr obstáculos à aprovação.

Comento:

Governo para que? Daqui a pouco não vai sobrar mais nada para administar. Isso se as vinculações não passarem de 100%…

Correndo atrás

O Globo:

Longe do cenário da tragédia até ontem, Lula interrompeu sua agenda no Rio para ir a Santa Catarina. Diante do presidente russo, Dmitri Medvedev, com quem se encontrou no Rio, Lula anunciou que iria ao estado:

– Saio daqui correndo para Santa Catarina, para prestar solidariedade a um povo que vive uma tragédia por conta da quantidade de chuva nos últimos meses naquele estado – disse, no meio do pronunciamento no Palácio do Itamaraty, no Rio.

Logo em seguida, Medvedev, antes de se despedir do Brasil, abriu o discurso prestando solidariedade aos parentes dos mortos pelas chuvas.

Lula só decidiu ir para Santa Catarina na manhã de ontem, depois de conversar com os ministros Luiz Dulci (Secretaria Geral), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Guido Mantega (Fazenda). Segundo assessores do presidente, ele não foi antes ao estado porque não poderia desmarcar compromissos com chefes de Estado estrangeiros.

Comento:

Dizer o que? Que o presidente só resolveu se movimentar e hipotecar alguma solidariedade depois de alertado por seus lacaios que estava pegando mal?

Precisa?

Os custos da ABIN para realizar uma atividade ilegal

grilo

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) reconheceu ontem ter gasto R$ 381 mil na participação de seus agentes secretos na Operação Satiagraha, da Polícia Federal. O valor se aproxima do custo oficial da investigação divulgado pela PF (R$ 466 mil), que em documento enviado ao Congresso classificou a operação como a mais cara de sua história.

Comento:

Meio milhões de reais para fazer serviço sujo para os petralhas. A ABIN realmente meteu a mão na lama. Como alegar desconhecimento? Como dizer que não sabia da participação destes agentes? Quer dizer que mais de oitenta agentes foram utilizados, R$ 400 mil reais de gastos e a cúpula da instituição não sabia de nada?

Aprenderam bem com o mestre. E deixaram nosso serviço de inteligente como um motivo de piada nos quatro cantos do planeta.