Sobre jornalismo

O bom jornalista pegaria a entrevista de Jarbas Vasconcelos na Veja e a usaria como ponto de partida para mostrar até onde o senador tem razão.

O mau jornalista cruza os braços e diz que o senador tem que apresentar provas.

Coincidentemente é o mesmo que afirma o governo e o PMDB.

Lembro de outra entrevista, de um irmão do presidente. Alguém pediu provas a ele? Ou foram atrás destas evidências?

Não é que de lá para cá o jornalismo brasileiro tenha caído tanto. É apenas uma questão de interesse. Collor era um deles, precisava ser derrubado. Lula e seus aliados não! O PMDB está com o governo e tem a máquina na mão, inclusive financiando boa parte da imprensa brasileira. Jornalista no Brasil, em geral, gosta de duas coisas: uma boquinha e convicção ideológica.

Uma ideologia que afasta o homem da verdade.

Se tratanto de imprensa, o estrago é considerável.

Começou

Celso Amorim já começou o processo. Disse ontem que a decisão venezuelana é um exemplo de democracia, de respeito à decisão popular. Claro que não fala que o apoio se resumiu a pouco mais de um terço dos eleitores. O que aconteceu domingo é uma ampliação de reuniões sindicais em que uma reunião com minoria aprova uma resolução qualquer. Os imbecis argumentam que se o povo não queria, bastava comparecer e votar contra.

Como se um trabalhador pudesse comparecer a uma renião de sindicato e expor livremente uma crítica! Acham que a perseguição política que acontece na venezuela com expulsão de jornalistas, fechamento de emissoras de tv, a perseguição a funcionários públicos que não façam campanhas chavistas não impedem o eleitor de dizer “não”.

Nada disso é anti-democrático para Celso Amorim e o governo do PT. Lembrou novamente da ex-primeiro ministra inglesa para defender o fim da re-eleição. O que Amorim esquece de dizer é que um primeiro ministro tem um contrato de risco, pode ficar 10 anos no cargo ou pode ficar alguns meses, e mesmo assim é chefe do governo, não chefe de estado. É bom lembrar que o brasileiro rejeitou o parlamentarismo todas as vezes que foi consultado. Não gosta que limitem o poder de seus monarcas.

Podem anotar: o plebiscito chavista é apenas o início. A liberdade ainda vai sofrer muito na América Latina.

Vai se espalhar

Não se iludam, não era apenas o destino da Venezuela que estava em jogo, mais uma vez, ontem. O fim do limite de re-eleições vai se espalhar pelo continente; nem mesmo os americanos estão livres.

Outro dia o New York Times publicou um editorial pedindo o fim do limite para os prefeitos. A democracia se perde assim, aos poucos. Vencido o princípio, tudo fica mais fácil. A liberdade se perde sem sentir, uma etapa por vez.

Chávez provou que a insistência faz parte da estratégia. Em 2007, perdeu por pouco. Com um pouco mais de organização, é possível tentar novamente. Por organização, entende-se pressão sobre o eleitor, com ameaças e tudo.

Não vai demorar muito para outro país da América Latina começar a se animar com o assunto. Caiu a primeira peça do dominó.

Quando parar de ler um artigo

Uma das coisas que Aristóteles ensinou, vou a relação entre premissas e consequências. Pela lógica, uma argumento só é válido se a consequência for verdadeira sempre que as premissas também forem. Se uma das premissas for falsa, nada se pode falar sobre a argumentação.

Noblat reproduz um artigo do economista Vander Mendes Lucas que começa com a seguinte afirmação:

Muito se discute sobre o retorno e a necessidade da presença do Estado na economia, através de programas de incentivo ao consumo, para fazer frente à crise financeira internacional que assola a economia mundial.

Retorno do Estado? Deve estar de brincadeira! Um dos mitos desta bagunça toda é que o Estado estava fora da economia, o que é uma grande mentira. A origem da crise está na interferência do governo americano no mercado imobiliário.

Diante da premissa errada, nem me dei ao trabalho de ler o restante do artigo. Lucas me perdeu na primeira frase.

Voegelin afirmou uma vez que se existe uma verdade no mundo contemporâneo é que o Estado sempre aumenta seu poder, nunca diminui. A crise econômica é o pretexto que os políticos precisavam para aumentar o poder do Estado.

Sob aplausos do que serão esmagados.

Vale a imagem que Orwell fazia em 1984 sobre o Estado: uma bota esmagando um rosto humano…

Liberação das Drogas

Novamente o tema surge entre políticos brasileiros. Digo políticos porque esta é uma questão que a grande maioria da população brasileira tem uma opinião bem diferente de FHC e Temporão. Aqui cabe algumas dismistificações.

FHC não defendeu a liberação das drogas, defendeu a descriminilização do consumo, o que já existe. Temos uma das legislações mais liberais neste sentido. Um legislação que vai contra a vontade popular, mas que é fato. Ninguém vai preso no Brasil por estar fumando maconha ou cheirando cocaína. Embora sejam financiadores do crime organizado, mensagem que o filme “Tropa de Elite” trouxe para irritação dos liberais brasileiros que não querem lembrar de responsabilidade moral dos nossos atos, até porque abominam este negócio de moral.

Temporão pegou o mote e já começou nova campanha. Anteriormente havia sido o aborto, a educação sexual para crianças em escolas públicas usando pênis de borracha para ensinar meninos e meninas a colocar camisinha. Tudo contra a vontade da maioria dos pais. Mas como disse o presidente uma vez, a vontade dos pais não importa nestes casos.

Temporão a tempos tem feito de tudo para transformar o Brasil nos Estados Unidos no campo das políticas liberais do partido democrata. É pior ainda o fato de ser o ministro da saúde. Muitas das suas idéias atingem justamente o sistema que é responsável.

Qual o impacto da liberação das drogas para o sistema de saúde? Uma das leis econômicas diz que as pessoas reagem a incentivos. Liberando as drogas, o preço cairia automaticamente. Será que a facilitação do acesso a drogas tornaria o país melhor? Acho que não.

Tanto FHC quanto Temporão batem na tecla que o combate ao tráfico de drogas é um retumbante fracasso. Sim, gasta-se milhões para enfrentar este mal que assola a humanidade, mas as perguntas deveriam ser outras. Se não houvesse este enfrentamento, a coisa ficaria melhor? Quando se gastaria em saúde com um aumento significativo no consumo?

Muitos se iludem, achando que com a liberação das drogas a violência vai desaparecer. Traficantes não possuem nenhuma paixão por sua mercadoria. Estão no seu negócio porque a perspectiva de lucro, por ser uma atividade ilegal e arriscada, é gigantesca. Liberando as drogas, não vão se dedicar a fabricar brinquedos no dia seguinte, vão para outra atividade criminosa.

A droga é um fragelo, a piora a cada dia. Não é a toa. O uso de drogas está intimamente ligado com a escolha de seus consumidores, com a questão moral. A sociedade moderna cada vez mais se afasta de qualquer consideração ética de seus atos, procurando sempre racionalizar seus próprios erros. Não sei quanto tempo vai levar para percebemos que tomamos um caminho errado, o afastamento de Deus e da religiosidade. A negação de Deus, o ateísmo, é o afastamento da verdade, é a imersão em um beco sem saída. Dostoievsky estava certo.

Se Deus não existe, tudo é permitido.

Sem Pudor

Acabou qualquer pudor do apedeuta. Montado sobre uma popularidade recorde, passa por cima de toda contrariedade.

Propaganda antecipada? Não quer nem saber. Parte inaugurando promessa de obra com Dilma sempre ao seu lado. Afinal, terá a justiça coragem de enfrentá-lo agora?

Imprensa? Distribui pontapés e afagos a vontade. Sabe que para cada afago pode dar 10 pontapés depois que os jornalistas não se importam. Querem mesmo essa relação de cachorro vira-lata, felizes em servir ao seu dono.

Responsabilidade fiscal? As favas, como se viu no encontro dos prefeitos.

O problema de um presidente forte é o rebaixamento das outras instituições. O congresso, que deveria fiscalizar o executivo, está totalmente submisso. O judiciário, que deveria aplicar a lei, está cada dia mais isolado, transformando-se em um inimigo da salvação nacional, como seu viu no caso Daniel Dantas.

Tudo isso contribui contra a democracia e contra a liberdade de todos os brasileiros. Que o leigo não consiga compreender isso é razoável, mas que os que deveriam mostrar o caminho aceitem felizes esta situação é lastimável.

A Brasil é a prova viva que a teoria da evolução do darwin não se aplica à sociedade. Ainda voltaremos a andar sobre quatro membros.

Obama: o que a mídia anda escondendo

A mídia americana começou mal a cobertura do governo Obama; o que era de se esperar tamanha foi a torcida por sua eleição. Por torcida entenda-se toda uma organização para que o candidato fosse jamais questionado e uma campanha difamatória contra a chapa republicana que envergonha a liberdade de imprensa (se é que isso ainda existe).

A mídia resolveu que só vai divulgar números favoráveis ao candidato. Assistindo a CBS, ABC, NBC, CNN e etc, o americano não vai saber que:

  1. A decisão do presidente de liberar fundos para entidades que promovem o aborto como forma de planejamento familiar foi apoiada por 38% dos americanos e rejeitada por 58%.
  2. O fechamento de Guantánamo foi aprovado por 44% e rejeitado por 50%.
  3. Apenas 38% dos americanos acham que o plano de ajuda econômica de Obama deve ser aprovado do jeito que está.
  4. A aprovação de Obama como presidente caiu de 83% para 63% em e semanas.

Um presidente não deve se pautar pelo humor do eleitorado, mas não cabe a mídia esconder a percepção do povo sobre as decisões do governo. Parece que os americanos estão tendo lição de como não fazer jornalismo com seus colegas brasileiros.

O fato é que a grande mídia americana apostou sua reputação na Obamania. A idéia de que podem ter apostado em uma canoa furada deve estar começando a incomodar as redações. O que for possível fazer para proteger Obama do Obama será feito.

Custe o que custar.

A metamorfose

Quem leu o primeiro número de Dicta e Contradicta deparou-se com um excelente artigo sobre como ler o Eclesiastes, de autoria de Luiz Felipe Pondé. Ontem o autor apresentou na Folha um artigo sobre o pessimismo. Pondé enfrenta o otimismo progressista e nos apresenta pérolas como essa:

Eu penso que o Iluminismo é que é regressivo porque caminha sobre fantasias enquanto os homens caminham sobre tumbas. Nós modernos somos a raça mais covarde que caminhou sobre a Terra. Não escrevo para tornar a vida do meu leitor melhor. Escrevo e leio para não me sentir só. Quando olho os “avanços” da nossa minúscula história, penso: como nos verão em mil anos? Como a decadência do século 17? Rirão de nós porque demos direitos aos ratos, enquanto fizemos dos bebês lixo reciclável pelo direito de gozar mais?

A íntegra aqui.

Santa ingenuidade…

Editorial da Folha:

Uma “détente” entre a Casa Branca e o regime dos aiatolás, que acumulam 30 anos de ruptura e hostilidade, seria um acontecimento capaz de desarmar espíritos ao longo do chamado grande Oriente Médio. O Irã incentiva e patrocina grupos e milícias fundamentalistas que fustigam Israel -caso dos xiitas do Hizbollah, no Líbano, e do Hamas nos territórios palestinos.
Uma distensão entre Irã e EUA também ajudaria a consolidar a transição política no Iraque, de maioria xiita como o Irã.
A normalização das relações entre Washington e Teerã depende sobretudo de como as duas partes vão lidar com o tema do programa nuclear iraniano. O Irã, signatário do Tratado de Não-Proliferação, sustenta seu direito de desenvolver um projeto para fins pacíficos.

Comento:

  1. O espírito do Irã não está armado por conta dos Estados Unidos, é exatamente o contrário. Quando a imprensa entenderá que o oriente não vive de reagir ao ocidente? O que os muçulmanos compreenderam, e muito bem, é que a secularização havia começado a penetrar em sua sociedade. Esta é a verdadeira guerra do islã. A guerra contra os valores ocidentais, ou melhor, contra a falta de valores do novo mundo civilizado.
  2. Seria cômico… se não houvessem tantos morrendo. Fustigar? O editorial acerta ao relacionar o Irã com o terrorismo, mas quando diz que o hamas apenas fustiga Israel é uma falta de vergonha tremenda. Tudo em nome de uma falta isenção, de um equilíbrio que evita que o jornal condene o terrorismo. Entre a democracia e o terror, a Folha prefere ficar no meio.
  3. Fins pacíficos? A folha poderia explicar por que um país montado sobre petróleo precisa tão urgentemente desenvolver um programa de energia nuclear. Principalmente se levarmos em conta que trata-se de uma nação não industrializada, com poucas necessidades energéticas.