Economia em tempos de Obama

Uma das coisas que estou aprendendo em meus estudos de economia é que impostos encolhem o mercado. Essa é uma verdade que não é suficientemente dita, embora tenhamos uma vaga noção dela. Se o governo deseja limitar a poluição, por exemplo, uma medida é taxar fortemente a gasolina. Com o tempo, o consumidor dará preferência a carros econômicos, álcool ou mesmo o transporte público. Uma das medidas que os governos usam contra o cigarro é a taxação. O mesmo vale para o pão, material escolar, etc. Quando se taxa um produto, ele aumenta seu preço e menos pessoas estão dispostas a pagar por ele.

Ao mesmo tempo, é uma constatação que o estado sempre aumenta seu poder tem tempo de crise. Principalmente pelo medo que se espalha na sociedade. Medo de perder o emprego, perder a aposentadoria, das pessoas pararem de comprar. Em tempos de pânico, indivíduos e empresas olham para o estado como uma espécie de salvador. O que não percebem é que o estado muitas vezes é parte do problema.

Juntando estas duas constatações, temos o pacotaço do Obama. Um trilhão de reais para estímulo da economia. Redução de impostos? Ao contrário, eles aumentam. O que o governo americano pretende é tirar dinheiro da sociedade para ele próprio estimular a economia.

Ninguém conseguiu ainda ler todo o pacote (tem mais de mil páginas, cheias de tecnicidades), que foi aprovado assim, como se os Estados Unidos fossem uma república bananeira qualquer. O que se conseguiu perceber, é que no meio do pacote, existe uma grande previsão de gastos sociais puro e simples; trata-se de uma autorização para implementação de políticas sociais dos democratas sob uma roupagem de incentivar o consumo. O pacote corresponde ao aumento do tamanho do estado e seu poder sobre os indivíduos. Com o apoio dos chamados “republicanos reformistas”.

Estas idéias não deram certo na década de 30 quando Roosevelt implantou o New Deal, embora tenha sido bastante popular. Nem no governo Johnson, nem em 1979, e muito menos agora. Nenhum governo substitui a capacidade da sociedade em estimular sua economia. O melhor estímulo agora seria mais dinheiro nas mãos dos consumidores, o que  seria possível com redução de impostos.

O presidente Obama solicitou autorização do Congresso para aumentar a dívida pública para 1,7 trilhões. Surgiu assim o “ato de responsabilidade”. Não sei o que pode ter de responsável em se gastar mais do que arrecada (leiam 1984, novilíngua!). Deveria se chamar lei da irresponsabilidade.

Uma coisa parece certa, o governo vai aumentar e o indivíduo vai encolher. Os competentes terão que pagar pelos incompetentes, e as gerações futuras terão uma pesada herança para lidar. É questão de tempo.

E a CNBB

Comentando sobre a execução de quatro seguranças pelo MST no fim da semana passada, esqueci de fazer referência à defesa feita por bispos da CNBB ao movimento e a condenação à Gilmar Mendes, que lembrou que o estado não pode financiar um grupo fora da lei. Os bispos que fazem a defesa de assassinos são cúplices morais desses assassinatos e atingem mortalmente a fé que dizem professar. Bento XVI deveria olhar com atenção o que acontece aqui na América Latina e começar a expurgar sua Igreja desses que abraçam o mal.

Ou a Igreja Católica se afasta definitivamente do socialismo ou vai acabar engolida por ele. Não há meio termo.

Vermelho e azul com Marcos Nobre

Marcos Nobre publicou um artigo na Folha que merece um vermelho e azul, no estilo do mestre Reinaldo Azevedo.

A nova direita

NÃO FAZ MUITO tempo, a esquerda tinha conseguido estabelecer alguns sólidos pontos de partida do debate político. Aplicar pena de prisão não diminui a criminalidade, porque o crime não é apenas ação de um indivíduo, mas falha de toda uma sociedade. O desemprego não é culpa do desempregado, mas de um sistema econômico que produz injustiça. O progresso material só significa progresso social e político se houver uma justa e solidária distribuição da riqueza. E por aí vai.

Não sei porque estes esquerdistas são tão obcecados em usar o termo nova direita, mas tudo bem, vamos ao artigo. Primeiro parágrafo quase perfeito. Nobre conseguiu resumir bem algumas das principais teses da esquerda, apenas errou no tempo verbal da primeira frase. A esquerda conseguiu estabelecer, e não “tinha conseguido” como escreveu. Estes conceitos estão bem estabelecidos entre intelectuais e formadores de opinião.

Essas posições foram desafiadas e derrotadas. Nos últimos 30 anos, enquanto movimentos e grupos sociais reivindicavam mais liberdade, uma esquerda tradicional respondeu de maneira tradicional: liberdade só com igualdade primeiro. Recusou-se a ver que havia ali um problema real, que a promoção da igualdade não produz automaticamente pessoas autônomas. Ao invés de aceitar o desafio de pensar uma nova relação entre liberdade e igualdade, boa parte da esquerda perdeu-se em discussões bizantinas como a das causas da queda do decrépito bloco soviético.

Pelo contrário, estas posições estão mais vivas do que nunca, o que pode ser observado pela reação contra o filme “Tropa de Elite” que ousou tocar na responsabilidade do usuário de drogas pela violência associada. Aliás, ao observar o bandido baiano, fica difícil imaginar que se a droga fosse liberada ele se transformaria em alguma espécie de empresário. A esquerda não perdeu-se, ele está mais organizada e cínica como nunca, principalmente por ter se livrado da necessidade de defender o criminoso estado soviético. Para ficar melhor ainda, a China adotou a economia de mercado e seduziu os capitalistas ocidentais que fecharam os olhos para a opressão política.

Enquanto isso, a direita se apresentou em nova roupagem, como paladino da liberdade e mãe da democracia -quando se sabe que a democracia de massas foi em larga medida uma conquista do movimento operário contra a direita, que entrava em pânico só de pensar no voto universal secreto. A nova direita ocupou um a um os espaços disponíveis nos meios de comunicação de massa e na esfera pública, em um combate cotidiano contra as teses de esquerda então dominantes. Venceu e transformou a sua vitória em poder institucional.

Não há nova roupagem nenhuma. A direita sempre defendeu a liberdade individual e, em consequência, a democracia. É a esquerda que questiona seus fundamentos ao não aceitar a existência de oposição e transição de poder. Não é verdade que foram os operários que conquistaram o regime democrático, ele foi uma conquista burguesa contra a centralização do poder da aristocracia. Esta vitória da direita só pode ser um delírio do articulista, as teses da esquerda ainda são dominantes, principalmente na intelectualidade e na grande mídia. 9 em cada 10 jornalistas são de esquerda.

O resultado foi uma guinada nos pontos de partida do debate político. O que se pede hoje de todos os lados é mais prisão, mais responsabilização dos indivíduos, mais progresso material puro e simples. E por aí vai. É nisso que consiste a atual hegemonia da direita.

Aqui a quantidade de alfafa foi exagerada. Guinada? Se o que se pede mais alguma coisa é porque ela existe de menos. Aqui evidencia a intolerância do esquerdistas, não se pode nem pedir, é preciso aceitar a doxa socialista. Interessante que Nobre parece defender, na ordem: menos prisão, não responsabilização dos indivíduos, menos progresso material. Hegemonia da direita? A velha tática de acusar o adversário do que é praticado pelo próprio acusador. Vivemos uma era de hegemonia cultural da esquerda.

A nova direita vê a forma atual da democracia como imutável, como o “fim da história”. Avalia toda tentativa da esquerda de transformar a democracia como um ataque à liberdade. Mas, ao mesmo tempo, não vê problema em aceitar -como fez a Folha a propósito da ditadura militar brasileira- o revisionismo histórico e gradações no autoritarismo.

Vejam que Nobre acusa a Folha de ser de direita. Só pode estar de brincadeira! Daqui a pouco vai dizer que o New York Times e a CNN são veículos conservadores…

A atual crise econômica pode alterar esse quadro. Esse é o maior temor da nova direita hegemônica. Mas isso só tem chance de acontecer se a esquerda for capaz de fazer o combate de ideias no espaço público sem continuar a pressupor que seus pontos de partida seguem inquestionáveis. Convencer pessoas que já estão convencidas é puro conformismo.

A esquerda sempre cresce em tempos de crise. O que Nobre defende nas entrelinhas é que a esquerda seja ainda mais efetiva em esconder o que realmente pensa. No fundo deste discurso todo está a constatação que a sociedade como um toda é mais conservadora em seus valores do que se deseja; por isso uma atuação constante da esquerda em destruir estes valores, e o estrago após décadas de mentiras socialistas é grande. O bom esquerdista é eficiente em esconder do povo o que realmente pensa. O direitista padece de não consegui transmitir o que realmente defende, até porque a hegemonia cultural socialista tomou conta da linguagem, deixando o direitista permanentemente na defensiva.

O artigo de Nobre é um exemplo claro de que não existe hegemonia de uma nova direita, apenas a cada vez mais profunda socialização da sociedade. Como diz um amigo, a esquerda já venceu a disputa. Quer agora evitar qualquer tentativa da direita moribunda de tentar virar o jogo. No fundo, todo esquerdista quer a unanimidade.

Nossos humanistas

Sempre que os humanistas brasileiros abrem a boca eu já espero de tudo. Menos defesa das pessoas honestas, claro. Isso fica para… para… bem, para estes direitistas desumanos. Humanista mesmo preocupa-se com terrorista e bandido, esses pobres infelizes massacrados pelo poder coercivo do estado.

Estes últimos dias foram bem didáticos.

O Movimento dos Sem Terra executou (prestem atenção no verbo utilizado) quatro seguranças de uma fazenda invadida. Sabem como é, esquerdista gosta mesmo é de uma boa ação covarde. A coragem desta gente se mede pela incapacidade da vítima em se defender. O Chê, outro humanista, especializou-se em executar prisioneiros políticos, tudo sem perder obviamente a ternura.

O mais surreal disso tudo é que o governo patrocina o movimento. Parte do dinheiro pago por nós vai para o cofre de um grupo liderado por bandidos que promovem o terrorismo. O presidente do STF ousou afirmar que é ilegal o estado financiar grupos fora da lei. Uma ousadia e tanto! Os humanistas da imprensa, a raça mais covarde dessa gente, já protestou. Parece que não cabe ao presidente do supremo defender publicamente a lei!

Pressionados pela covardia praticada, os humanistas oficiais, pagos com nosso dinheiro também (humanistas adoram dinheiro público), pediram moderação no trato com o MST e… revisão da lei da anistia! Para todos? Claro que não. Apenas para os militares. Os terroristas da ditabranda podem ficar tranquilos. os humanistas sempre estarão em sua defesa! Aliás, saber que os humanistas defendem a prisão de militares só mostra quem estava do lado certo da luta, independente de abusos.

Os humanistas brasileiros sempre que pressionados gostam de evocar a mantra da ditadura militar brasileira. Curioso, porque não gostam de falar da verdadeira ditadura das américas, a cubana? Aliás, porque até hoje prestam reverência ao maior assassino de todos os tempos do continente americano, Fidel Castro?

Para fechar os últimos acontecimentos, o humanista mor de direitos humanos do governo, afirmou hoje que não teria problemas em receber no Brasil os terroristas presos em Guantânamo. Não surpreende. Quem é capaz de dar asilo político a um crápula como Battisti, não poderia recusar estes estrumes, não é verdade? Só para registro, nenhum país ocidental aceita recebê-los, mesmo uma das pátrias morais dos humanistas, a França.

O Brasil se torna cada vez mais parte do lixão do ocidente. Infelizmente.

A desição do TRT é absurda

Até onde eu sei, posso estar enganado, pelo menos oficialmente, o Brasil está inserido no livre mercado. Este livre mercado significa inclusive a lei de oferta e procura nas relações de trabalho. As empresas representam a demanda por trabalhadores, os trabalhadores ofertam seu trabalho. A partir do salário mínimo, ambas as partes negociam livremente o salário e as condições.

Durante o período de expansão da EMBRAER, a empresa contratou para fazer face ao mercado aquecido de aviões comerciais. Muitos foram beneficiados não só com bons salários mas com empregos. Quando uma empresa está em expansão, conquistando mercado, todos são beneficiados. Seus donos (os acionistas), seu empregados e compradores.

Infelizmente a crise atingiu o setor e as encomendas caíram por tempo indeterminado. A empresas tomou a decisão que cabe em uma perspectiva dessas, demitiu funcionários. É ruim perder o emprego? Claro que é. Do mesmo modo que é bom conseguir um quando a economia está crescendo. São leis do mercado, as únicas que garantem eficiência econômica.

Quanto a justiça se mete onde não deve, tornando ainda mais difícil a demissão ela acaba por prejudicar os trabalhadores em geral. Tanto a EMBRAER, quanto qualquer outra empresa, ficam ainda mais cuidadosas na hora de contratar. Quando se torna mais difícil demitir, também torna mais difícil contratar. Gostem ou não, esta é uma realidade. O excesso de proteção ao trabalhador torna sua vida a longo prazo bem mais difícil.

Legislações trabalhistas excessivamente protecionistas como a brasileira torna o tempo de desemprego bem maior. Legislações mais flexíveis pode tornar o desemprego mais frequente, mas o tempo de desemprego é bem menor. Qualquer sinal de recuperação já coloca as empresas contratando, coisa que não acontece com uma legislação como a nossa.

A empresa e os trabalhadores são entes privados e fizeram um acordo através de um cartório. Existe na legislação brasileira previsto a demissão sem justa causa. O TRT deve se preocupar menos em assumir a defesa de um setor e mais em cumprir a lei.

Quando juízes querem mostrar justiça ao invés de serem justos a segurança jurídica começa a ser ameaçada; justamente por quem deveria estar defendendo-a.

Lula conseguiu unir… a Itália!

Finalmente o governo brasileiro fez alguma coisa para unir a sociedade ao invés de dividi-la! Só que na Itália.

Simplesmente todos os deputados italianos, da direita para a esquerda, repudiaram o refúgio concedido pelo Brasil ao criminoso Cesare Battisti. Nem os comunistas italianos querem saber do bandido.

Enquanto isso, Suplicy se empenha em ser seu porta voz. Tem gente que acredita ainda que nosso senador seja uma espécie de “petista light”.

Tá bom.

Daqui não passarás!

Ainda sob efeito da entrevista de Jarbas Vasconcelos, eis que o PMDB já está novamente nos noticiários, desta vez pela disputa do fundo Real Grandeza de Furnas.

Uma pista para entender a confusão é o controle que o PT tem, desde antes de assumir o governo, dos fundos de pensão via sindicatos e FAT. É o maior eixo de apoio econômico ao petismo e não vai mudar mesmo se vier a perder em 2010.

Para conseguir a sustentação política para atropelar os adversários no Congresso __ alguém lembra do PT denunciando o centrão na constituinte? Ou o rolo compressor do governo FHC? __ o partido tratou de comprar o PMDB com ministérios e verbas. Só que havia uma linha bem nítida: os fundos de pensão. Como Gandalf diante dos Orcs, o petismo disse aos prostitutos: daqui não passarás!

Mas o PMDB tem tentado e sejamos sinceros, tem feito por merecer! O voto do partido, e a atuação dos líderes do partido, tem sido fundamental para garantir que as medidas provisórias __ forma de legislar da República das Bananas __ sejam aprovadas sem contestação.

Com a aproximação das eleições de 2010, a pressão do PMDB só vai aumentar. A legenda está apenas começando seu leilão.

Um pouco sobre a crise financeira

Desde que a bolha imobiliária estourou e a crise financeira tornou-se evidente, evitei de tirar conclusões e assumi minha total ignorância. O que não quer dizer que tenha me refugiado nela, muito pelo contrário. Comecei a ler sobre o assunto, nas mais variadas fontes.

Ficou evidente neste processo, que me faltava uma base de conhecimentos econômicos para entender bem o que estava se passando. Por isso comecei a ler livros de introdução à economia. Estou no meu terceiro, este bem mais completo do que os outros dois. Trata-se de “Introdução à Economia”, de Mankiw. O livro tem mais de 800 páginas, estou na 250. Pretendo terminá-lo até o meio do ano.

Não vou me tornar um economista em três livros, mas pelo menos começo a tomar consciência de minha própria ignorância, o que é sempre o primeiro passo para a compreensão da realidade. Como dizia Sócrates, só sei que nada sei.

Durante este tempo tenho lido, sempre que possível, artigos sobre a crise financeira. Os economistas e analistas discordam sobre as causas e efeitos; muitas hipóteses surgiram para explicar o que aconteceu. Na maioria das vezes, estas hipóteses são colocadas como certezas, parece que todo mundo sabe o que está acontecendo com o mundo.

Os comunistas dizem que é o fim do capitalismo. A sede de lucro está na raiz de todo o problema, é o sistema se auto destruindo como previa Marx, embora com um certo atraso. Para eles a solução é a de sempre. Acabar com o lucro e a propriedade privada, estatizar a economia. Só o planejamento centralizado seria capaz de deixar o mundo livre das crises econômicas e financeiras.

Os sociais democratas, liberais americanos e outras versão “lights” do socialismo, acreditam que o problema está no neo-liberalismo. Eles estão convictos que a economia estava funcionando totalmente livre, sem a presença do estado, e aí estaria o problema. Banqueiros passaram a emprestar dinheiro irresponsavelmente criando uma bolha que agora estourou, fruto também da busca pelo lucro. Durante a bonança, os banqueiros lucraram sozinhos, agora eles querem o socorro do estado. Eles defendem a estatização de parte da economia e uma regulação mais dura com a finalidade de diminuir as margens de lucro e aproximar o mundo econômico do mundo financeiro.

Eles também criticam a sociedade de consumo. Os amaricanos teriam entrado em uma febre consumista sem precedentes e a capacidade de continuar comprando teria acabado, pois a fonte de recursos do sistema financeiro finalmente secou. A busca por lucros combinado com o consumismo teria provocado uma bolha especulativa que finalmente teria explodido na cara de todos.

Os economistas liberais conservadores argumentam no sentido oposto. Seria o excesso de regulamentação do estado que teria provocado a crise. Quando o estado intervém no mercado, gera desequilíbrios na lei da oferta e demanda, colocando a economia em perigo. Eles negam que o mercado estivessem trabalhando desregulado. Lembra que as empresas americanas que estavam no epicentro da bolha imobiliária eram fortemente controladas pelo governo americano que as levaram a emprestar dinheiro para pessoas sem capacidade de pagamento em uma espécie de política afirmativa aplicada à economia.

De maneira geral eles defendem que o governo corte impostos e reduza custos. Mais dinheiro nas mãos das pessoas significaria mais consumo e aquecimento da economia. São contra o pacote de Obama que teria o efeito de prolongar a crise causando uma depressão, mais ou menos como dizem que aconteceu na Grande Depressão da década de 30. Defendem também uma menor interferência do governo no mercado.

O misterioso Spengler, do Asian Times, defende que o problema está relacionado com a redução do número de filhos na população americana. Sem filhos, ou com apenas um, a geração do pós guerra teria investido no mercado imobiliário como forma de guardar suas economias para o futuro, já que não teria quem cuidasse deles na velhice. A valorização dos imóveis teria sido um grande atrativo para este fim, e a bolha imobiliária teria encontrado nos americanos em via de aposentadoria o combustível para seu crescimento.

Spengler defende que famílias constituídas, com vários filhos, gastam ao invés de investir. Este gasto mantém a economia funcionando dentro das leis de mercado. Além de cortar impostos, o governo deveria tomar medidas para incentivar a constituição das famílias como maiores reduções no imposto de renda por dependentes, subsídio para hipotecas de famílias com filhos e mesmo a revisão da lei do Aborto.

Bento XVI, em 1985, já apontava que o sistema financeiro entraria em colapso em função da degeneração moral da sociedade. Argumentava que o capitalismo precisava de uma base ética para funcionar, a partir do momento que esta base ruisse a economia caminharia junto. Segundo ele, as leis econômicas garantem a eficiência do mercado, mas são incapazes de garantir o que seria melhor para a sociedade. A dissociação da ética da economia através da secularização crescente das sociedades ocidentais deveria ser combatida, a economia precisaria desta base de valores para funcionar.

Este é um resumo das várias explicações para a crise financeira mundial. Algumas são bastante conflitantes, outras nem tanto. A busca da verdade é muitas vezes difícil, mas deixar de procurá-la torna o homem um prisioneiro das opiniões dos outros, um homem massa. Tenho estudado e observado para tentar chegar nas minhas próprias conclusões, tentar entender o mundo real e não ficar preso ao que temos na cabeça. Só a verdade liberta.

Falta de valores

Um dileto amigo uma vez me questionou porque eu não passava à ação. Ele defende que no processo de avanço do socialismo no Brasil, não há outra possibilidade que não seja enfrentar o inimigo, que não seja assumir uma atitude de enfrentamento. Ele possui um blog e mobiliza blogueiros dentro deste espírito, de combater o mal que se instala no Brasil dentro dos planos do Foro de São Paulo.

Ele sempre argumentou que só chegamos a este ponto porque somos uma sociedade de covardes, que não reagem à violação que estamos submetidos todos os dias neste país. Acredito que tenha toda razão, a passividade da sociedade brasileira permite o avanço das forças que pretendem submetê-la. Mais do que isso, aceitam esse destino de bom grado. Desde que tenham pão e circo.

Lendo o livro de Benda1, compreendi que nem todos devem ser homens de ação, nem todos devem procurar a aplicação prática de suas idéias. Existem aqueles que devem procurar a verdade. E neste grupo que pretendo, dentro de minhas imensas limitações, procurar abrigo. Eu não quero ter razão, eu quero procurar a razão. Aliás, gostaria que a maioria das idéias que tenho hoje fossem falsas, seria bem melhor para meus filhos e para a própria humanidade. Minha angústia é que cada pequeno acontecimento deste mundo de imperfeições mostra que posso estar certo em minhas suposições.

Isso não quer dizer buscar a tal isenção, ou o equilíbrio entre diversas opiniões. Deploro este tipo de atitude. Não acho que deva existir, por exemplo, um meio termo entre marxismo e capitalismo ou entre totalitarismo e democracia. Quanto mais eu reflito e estudo, mas me convenço que o socialismo é um gigantesco erro e que nosso futuro estará comprometido em função de uma socialização da humanidade, um processo bem maior do que o Foro de São Paulo.

A grande batalha que vejo sendo disputada no tabuleiro mundial é a conquista da alma humana. O homem convenceu-se que é seu dever reformar o próximo e ensiná-lo o que pensar; que o indivíduo deve se submeter ao bem da coletividade que cada vez mais estaria refletido no Estado moderno e na chamada sociedade organizada. Um movimento de capturação de mentes em um projeto nacional que evolui rapidamente para blocos de países e futuramente em um tão sonhado governo mundial. Uma sociedade em que o homem perderia um de seus direitos fundamentais: o direito de errar.

É a comprovação que minhas idéias estão certas a minha maior fonte de angústia. Queria sinceramente que estivesse errado. Por isso busco a verdade, quem sabe ela me mostrará que tudo o que está acontecendo no mundo resultará em uma humanidade melhor? Estou empenhado em trocar muitas de minhas certezas por dúvidas. As exclamações por interrogações. Tudo pode ser questionado, já ensinava Sócrates. Quer dizer que duvido de tudo? Não. Algumas certezas carrego comigo, fundamentais para compreender meu próprio pensamento. São elas:

1. Deus existe, é soberanamente justo e bom. Toda a vida na Terra tem um propósito na ordem da criação.

2. Jesus Cristo foi o modelo do homem na terra. Ele veio para nos ensinar como proceder, para guiar nossos atos.

3. O homem é livre. Não existe um determinismo de nenhuma espécie, histórico ou religioso, que determine com antecedência as decisões dos homens. No momento que faz a sua escolha, faz na posse de seu livre arbítreo, e por ele será cobrado.

4. A vida não termina com a morte. Nossa vida aqui é passageira e com uma finalidade principal: nos reformarmos. O homem está na terra para evoluir, para se depurar, para se tornar melhor.

5. Atentar contra a vida humana é um crime, em todas as formas. Mesmo que esta vida for a própria, ou principalmente se esta vida for a própria. Não cabe ao homem decidir até quando vai viver ou tirar a vida do próximo. O homem é um fim em si mesmo, não meio para atingir determinados fins.

Dentro destas premissas, procuro organizar meu pensamento e buscar a sabedoria, buscar a verdade. O que retorno à questão da razão prática.

Não creio ser meu papel convencer o próximo que estou certo e ele errado, até porque não tenho esta convicção. Mas posso sim expor o que acredito e o que duvido. O que ele vai fazer com minhas considerações não me pertence, está além de minha pessoa. Inclusive o direito que qualquer um tem de ignorar completamente o que seu semelhante pensa.

Quando vejo a situação do mundo, fico cada vez mais convencido que o Giovane Reale2 está certo em seu insight. A raiz dos problemas do mundo está na deturpação completa dos valores, no niilismo que a sociedade moderna abraçou. Isto nos afetas em todos os campos, na religião, política,ciências, filosofia e até mesmo na economia, como apontou Bento XVI3. O homem moderno afasta-se de Deus cada vez mais, por isso os problemas da humanidade só tendem a piorar. Enquanto não nos convencermos que fizemos a aposta errada, no homem, não teremos uma verdadeira evolução humana.

A cada dia a humanidade investe contra o divino. O paradoxo maior é que ao mesmo tempo que coloca o homem com centro da existência, torna a vida mais insignificante. Umas das coisas que constato neste mundo de horrores é a completa desvalorização da vida humana, o combate incessante ao milagre da vida.

Basta ler os jornais, assistir a televisão. A vida humana vale cada vez menos. O aborto se tornou um método contraceptivo e uma afirmação de um direito. A sexualidade transformou-se em um imenso jogo sem regras e um mercado bilionário. Os homens passaram a decidir quando uma pessoa deve continuar vivendo e quando deve “descansar em paz” ou “abreviar o sofrimento”. O homem aceitou até ter sua vida transmitida pela televisão como se fosse um animal em um zoológico, e é. Queremos até criar a vida humana e decidir como o ser humano deve ser, uma versão politicamente correta da eugenia nazista.

O ocidente transforma-se em uma imensa sociedade sem valores e é esta constatação que enfurece os fundamentalistas islâmicos. Eles não combatem os valores do ocidente, eles combate a falta de valores que penetra em sua sociedade. O islamismo se tornou uma radical chande do homem de preservar e denfender valores, por isso talvez se espalhe no mundo com tanta rapidez.

Voltando ao meu amigo, depois de todo este desvio. Eu não posso lutar ao seu lado contra o comunismo pois não vejo no comunismo o verdadeiro inimigo. O inimigo está na alma humana que se afasta de Deus e se torna cada vez mais niilista. É nesse vácuo que se forma em nossa alma que as ideologias totalitárias avançam, que seduzem. O homem tem necessidade de Deus. Ele está morto. Seu lugar está sendo ocupado por diversas forma de intolerância e assim continuará até que o homem entenda que deve se guiar por valores morais profundos. Quando isto acontecer, não restará espaço para o mal.

O socialismo avança no Brasil não por causa da covardia de nosso povo, mas de sua falta de valores verdadeios. O brasileiro não cultua sua própria liberdade, seu direito de errar ou acertar. Quer que alguém decida por ele. Não quer impor limites ao seu próprio comportamento, quer que alguém imponha ou, melhor ainda, que ninguém imponha. É por afastar-se de Deus que estamos nos afundando. Tivesse o brasileiro crença em valores absolutos como a vedade, a justiça e a razão, não estaríamos sendo governado por seres tão amorais.

A minha torcida, portanto, não é pela derrota do comunismo. É pela salvação de nossas almas. Nada é mais eficaz contra o totalitarismo do que os valores universais tão bem defendidos pelos gregos na antiguidade e por Jesus Cristo. É quando nos afastamos deles que abrimos nossos corações para o mal. O comunismo não é a origem do mal, é sua conseqüência.

O homem semeia sua própria iniquidade.


1: A Traição dos Intelectuais
2: O Saber dos Antigos
3: Economia de Mercado e Ética