CPI do apagão

O editorial de hoje do JB trata de um assunto que vem sendo meio que ignorado pela grande imprensa brasileira: a manobra do governo para abafar a CPI do apagão.

A própria oposição se assustou com a reação governista. Oposição que diga-se de passagem tem muito pouco a ver com esta CPI, apesar de ter sido proposta dor um deputado do PSDB. Das 261 assinaturas, simplesmente 243 pertenciam à base de apoio do planalto.

Os parlamentares pretendem além de levantar as responsabilidades pela crise no setor, radiografar os problemas de segurança, defesa do consumidor e erros de companhias aéreas.
O JB levanta que o governo teme que a CPI chegue rapidamente a conclusão que a GOL e TAM juntas não dão conta do vazio deixado pela Varig, e com isso resolvam investigar a falência da empresa. E daí para os lobbies do processo final da ex-gigante brasileira é um pulo, o que provoca calafrios no planalto.

Do jeito que está a questão vai acabar no STF, que a exemplo da CPI dos bingos deve obrigar a Câmara a abrí-la.

A oposição que assiste meio distante o desenrolar dos acontecimentos começa a ficar mais curiosa.

Mais sobre acordo Brasil-EUA

Blod do Cláudio Humberto

O senador democrata Barack Obama, que disputa com a senadora e ex-primeira dama americana Hillary Clinton a indicação à presidência dos EUA, condenou o acordo de cooperação assinado ontem por Lula e George W. Bush, em São Paulo. “Ameaça nossa segurança energética, prejudica o nosso país substituir petróleo importado por etanol”, advertiu em discurso no Senado, na véspera, o candidato Obama, estrela em ascensão na corrida presidencial americana. Disse ainda que “quem embora bem intencionado advoga substituir nossa produção de biocombustível pela importação de etanol brasileiro está não só confundindo o desafio de nossa segurança energética a longo prazo, mas também ignorando uma valiosa opção de polítca externa. Os EUA precisam expandir dramaticamente a produção doméstica industrial de combustível renovável e não aceitar um acordo de curto prazo que desencoraja investimentos na expansão interna deles (combustíveis renováveis)”, acrescentou Obama, que poderá ser o primeiro presidente negro nos EUA.

Para aqueles que acham que um governo democrata é melhor para o Brasil…

Visita do Bush

Os jornais brasileiros apresentam em primeira página que Bush se negou a baixar taxas para importação do álcool. Durante o encontro dos dois presidentes Lula reiterou o pedido e Bush negou.
Tratava-se, evidentemente, de demagogia pura.

Primeiro porque o Brasil consome praticamente toda sua produção. Não tem quase nada a ganhar com a redução destas taxas. Muito cuidado nesta hora para nosso produção não se transformar em exportadora e deixar o mercado interno à míngua.

Segundo porque ao contrário do que pensa o brasileiro comum, o poderoso presidente americano não dispõe de poder para baixar taxas. Qualquer que seja. Lá não existe medida provisória, a competência de legislar é exercida pelo Congresso que não abre mão de suas prerrogativas. Se fosse dominado pelos republicanos ainda haveria uma tênue chance de conseguir algo neste sentido, como a maioria é democrata, sem chance nenhuma. Os democratas são bem mais protecionistas do que os “malditos” republicanos.

Pelo que dizem as pessoas mais sérias a viagem foi altamente produtiva para o Brasil. O acordo de cooperação tecnológica é altamente positivo para nós e a entrada americana no jogo também. Existe um amplo espaço para investimentos para o futuro. Deve ser verdade, ainda mais que o nosso Ministro das Relações Exteriores anda quieto. E como se tivessem dito a ele: não abre a boca que agora é sério. Vê se não atrapalha!

Sobre a fala do presidente brasileiro acho de profundo mal gosto e ridículo. Tem gente que acha que não tem nada demais, que é um ato de “coragem” a forma que o molusco tem feito ultimamente para falar de sexo. Eu tenho ponto de vista diferente para este tipo de palavreado, que evito na frente dos meus filhos. Falar de sexo está a mil anos luz da baboseira que foi dita ontem.

E quanto ao Bush, também ficou ridícula sua visita a uma ONG e a tentativa de se mostrar preocupado com a pobreza. Não pega bem e não convence. Populismo rasteiro e muito mal feito. Fica bem melhor num Chávez, que não é para ser levado a sério, do que no presidente americano. Totalmente dispensável.

Chega a ser ridículo

Em 2005 ficamos sabendo que uma organização criminosa assaltava o Estado brasileiro de dentro do círculo mais fechado do poder. Um a um caíram os homens fortes do governo Lula, todos com acusações fortes (e com confissões) de corrupção. Nenhum protesto organizado.

No mesmo ano o Ministro da Fazenda utilizou todo o poder do seu cargo contra um humilde caseiro que tinha cometido o crime de falar a verdade. Uma campanha para difamá-lo foi orquestrada, com participação de uma revista, para colocá-lo contra a parede. Foi utilizado tudo que tinha ao alcance do Estado. Polícia Federal, Receita, Caixa Econômica, Ministério da Justiça e Fazenda. Para sorte do caseiro não havia lastro nas acusações e ele tinha como comprovar sua situação financeira. Nenhum protesto organizado.

Em 2006 um grupo de vândalos terroristas destruíram um instituto de pesquisa no Rio Grande do Sul e depredaram o Congresso, em tese a representação do povo. Nenhum protesto organizado.

O presidente da Bolívia invade e privatiza uma empresa brasileira. A bandeira nacional é retirada como se fôssemos alguma espécie de invasor ao invés de investidor. O governo brasileiro cede a todas as chantagens e aceita até propostas que o próprio cocaleiro boliviano achava que eram fortes demais. Um importante embaixador denuncia que o Itamaraty está utilizando preferências ideológicas como critério de promoção. Nenhum protesto organizado.

Às vésperas das eleições em primeiro turno um grupo de petistas é encontrado com milhões de reais em dinheiro vivo para fabricar um fato contra uma candidatura. O mesmo periódico do caseiro já estava na campanha para ajudar. Até um diretor do Banco do Brasil estava no meio. Nenhum protesto organizado.

Mês passado um menino de 6 anos foi arrastado por 14 km preso a um cinto de segurança. Os assassinos se divertiam pois segundo eles estavam malhando um boneco de judas. Foram presos mas até hoje não mostraram nenhum remorso. Nenhum protesto organizado.

George Bush visita o Brasil. Vêm tratar de um possível acordo que tem tudo para nos beneficiar e muito. Resultado?


Por isso não acredito nas esquerdas, movimentos sociais e a maioria das ONGs. Os jornais, no supra-sumo da mediocridade alardeam que Bush causou engarrafamento na cidade. Pode até ser verdade. Um presidente americano sempre será um alvo ambulante. Mas é ridículo utilizar esta chamada para caracterizar a sua visita. Nem de perto causou mais transtorno do que a passeata na Av Paulista.

E nem de perto causa mais atraso ao país do que as pessoas por trás desta manifestação. E continuamos caminhando em nossa mediocridade rumo a um futuro que só pode ser caracterizado de… medíocre. Por motivos óbvios.

Maiores fortunas

Divulgada a lista Forbes de maiores fortunas do mundo:

1- Bill Gates, 51 anos, Microsoft, EUA – US$ 56,0 bilhões
2- Warren Buffett, 76 anos, Berkshire Hathaway, EUA – US$ 52,0 bilhões
3- Carlos Slim, 67 anos, telecomunicações, México – US$ 49,0 bilhões
4- Ingvar Kamprad, 80 anos, Ikea, Suécia – US$ 33,0 bilhões
5- Lakshmi Mittal, 56 anos, Mittal Steel, Índia – US$ 32,0 bilhões
6- Sheldon Adelson, 73 anos, cassinos, EUA – US$ 26,5 bilhões
7- Bernard Arnault, 58 anos, LVMH, França – US$ 26,0 bilhões
8- Amancio Ortega, 71 anos, Zara, Espanha – US$ 24,0 bilhões
9- Li Ka-Shing, 78 anos, diversos, China – US$ 23,0 bilhões

A moral sexual do molusco

– “Vamos fazer o combate à hipocrisia no País. Preservativo tem que ser doado e ensinado como usar. Sexo tem que ser feito e ensinado como fazer, somente assim teremos um País livre da aids”;
-“Não tem como carimbar na testa de um adolescente quando é momento de começar a fazer sexo. Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta, é uma necessidade orgânica do ser humano, portanto o que nós precisamos fazer é ensinar”;

Estas duas frases do atual presidente me deixaram sem fala. Pelo que entendi somos escravos de nosso apetite sexual e nossas escolhas individuais nada contam. E que a relação sexual agora deve ser ensinada nas escolas.

Temos um sistema educacional totalmente falido, em que nossos professores não conseguem ensinar português e matemática. Nem mesmo o aluno a ler criticamente um texto. Mas ensinar a fazer sexo (usando o palavreado do presidente) pode e é a solução para prevenção da Aids entre as mulheres.

O uso da camisinha previne a contaminação, isto é fato. Acredito que deva ser disponibilizada à população. O que não concordo é fazer do uso do preservativo o norte da política anti-AIDS no país. Os últimos comerciais fazem a apologia do sexo inseguro, com uso da camisinha claro. Uma coisa é um política de saúde que garanta acesso ao preservativo, outra é estimular às relações sexuais, mesmo que usando a camisinha.

Existe um outro meio de evitar a contaminação que ninguém fala. Chama-se abstinência sexual. Poucos a seguem. Mas tem outra que funciona quase tão bem: a monogamia. Nunca vi uma campanha que explore este tema. A monogamia como prevenção às doenças sexualmente transmissíveis. Parece que ninguém acredita na capacidade do ser humano de fazer uma escolha responsável.

Mas tudo bem, é uma opinião. Cada um tem a sua. Só acho que não cabe ao Presidente da República tratar o tema de forma tão rasteira como tratou ontem. A grande maioria da população brasileira é cristã, seja ela católica, evangélica ou espírita. Pois Cristo ensinou que não somos escravos de nossos desejos, que temos a capacidade de distinguir o bem do mal. A verdade é que a grande maioria dos casos em que a mulher contrai o vírus é do marido infiel. Este claramente não fez a escolha correta e além de ter se tornado portador ainda transmitiu a doença para a própria mulher. Por que este caso não é explorado? Por que não chamar à responsabilidade estas pessoas?

A verdade é que não se acredita no ser humano. Acha-se que a sua tendência natural é escolher o caminho errado. Pode até ser verdade, admito. Mas ainda acho que a escolha deva ser sua, com todas as orientações e sobretudo com educação. Não apenas da escola mas sobretudo dos pais e da religião que possui sim o dever de orientar seus fieis para as escolhas morais corretas. Quem sabe não sejamos surpreendidos com os resultados?

Quatro mitos da escola brasileira

O artigo de Gustavo Ioschpe sobre a realidade educacional brasileira publicado na revista Veja desta semana é daqueles de causar polêmica. Ioschpe afirma que os males da escola brasileira não têm relação com a falta de recursos e muito menos com os baixos salários, mas sim do despreparo dos docentes para o exercício da profissão.

No artigo ele apresenta 4 mitos sobre a educação no Brasil:

  1. O professor brasileiro é mal renumerado. Os professores não podem ser comparados com os professores estrangeiros, sobretudo em países cuja renda seja dez vezes maior do que a brasileira. A comparação correta é com a média nacional de salários. No Brasil os professores recebem em média 56% a mais do que a média salarial do país. Nos países mais ricos a renumeração dos professores é 15% menor. Afirma ainda que a jornada de trabalho dos professores é menor do que a da maioria das profissões.
  2. A educação só vai melhorar no dia em que os professores receberem salário mais alto. Não há respaldo para esta afirmação nem na experiência internacional nem na brasileira. Com a implantação do Fundef em 1997 houve uma significativa melhora de salário para os docentes. No entanto as notas dos alunos nos exames nacionais despencaram. O que mais prejudica a performance dos docentes é o desprezo pelos talentos individuais e a idéia equivocada da maioria dos professores que “formar cidadãos conscientes” é prioridade em relação a “proporcionar conhecimentos básicos”.
  3. O Brasil investe pouco dinheiro em educação. Os próprios dados oficiais desmentem esta afirmação. O Brasil investe 3,4% do PIB nas escolas básicas. Nos países da OCDE (Europa + EUA) o investimento corresponde a 3,5%. No ensino superior é 0,8% (para 20% dos jovens que chegam às universidades) contra 1% (para 50% ). Relativamente investimos mais no ensino superior do que os países desenvolvidos. A Coréia do Sul revolucionou seu ensino com 3,5%. O que falta é qualidade no gasto.
  4. A escola particular é excelente. Os resultados de exames realizados por estudantes das escolas públicas e privadas só permitem concluir que as escolas privadas são um pouco melhor que as públicas. A superioridade da escola privada deve-se mais ao nível sócio-econômico dos alunos, que encontram melhor ambiente para estudo, do que pela qualidade das próprias escolas. Ambas sofrem do mesmo mal: seus professores passaram por escolas ruins e cursaram faculdades precárias.

Gosto de artigos embasados que tentam quebrar os lugares comuns que lemos todos os dias na imprensa. Em geral precisamos elevar o nível das discussões no país, e para isso é fundamental o contraditório. Se discordam do Sr Ioschpe que apresentem argumentos. O normal é saírem acusando-o de preconceito contra professores e etc. É o típico de argumento que não enriquece o debate.