Autor: guersonjr
Pensamento
A luta armada não deu certo e eles agora pedem indenização? Então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento.
Detalhe
Um detalhe chamou atenção na manobra do governo ontem. Quando a sessão da CCJ foi interrompida por causa do início da ordem do dia, a oposição julgava impossível o reinício da mesma pois os trabalhos durariam a noite toda, se empenhariam para isso. Para tanto propuseram analisar as medidas do PAC que estavam travando a pauta. O governo solenemente ignorou e esvaziou o plenário. Mais que depressa Picciani reuniu a CCJ para aprovar o relatório em que, ignorando sua posição de presidente, ajudou a articular.
Que fique registrado: para impedir a instalação da CPI o governo recusou votar as tão importantes medidas da PAC. Um claro indício do que é realmente relevante no planalto.
Vitória do Governo, derrota da democracia
O governo conseguiu enfim aprovar na CCJ o relatório de Colbert Martins do PMDB-BA (guardem o nome) que não viu “fato determinado” para abertura da CPI do apagão. O processo vai agora para o plenário da câmara onde, novamente, o governo tem maioria. Os governistas trabalham com pressa para derrubar a CPI antes da decisão de Celso de Mello no STF. O raciocínio é criar a preocupação no juiz de não intrometer em outro poder da república, pois a CPI seria uma questão interna do Legislativo e teria sido derrubada em plenário.
Pior que o caso em si é o precedente. As CPIs futuras estariam virtualmente derrubadas, bastante para isso que o governo mantenha sua maioria simples. A minoria parlamentar perderia o seu principal instrumento para fiscalizar e investigar o governo. Acusam o governo FHC de enterrar CPIs, mas esquecem de falar que as CPIs não instaladas não tinham um terço dos votos. A própria oposição, comandada pelo PT, não conseguia articular seus próprios aliados.
É de interesse da democracia que Celso de Mello interfira sim no Legislativo para impedir esta afronta à constituição. O regimento interno das casas não podem ser utilizadas (como foi na CPI dos bingos) para impedir um processo previsto na lei maior do país.
Com ministério não se brinca…
CPI do apagão
Governo e oposição travam batalha na CCJ da Câmara sobre a instalação da CPI do apagão aéreo. A CPI chegou a ser instalada pelo presidente da casa mas um recurso do líder do PT jogou-a para a CCJ. Luis Sérgio argumenta que não existe fato determinado e que a crise do setor já está sendo investigada pelos órgãos oficiais. Trata-se obviamente de uma manobra política. A CPI é um direito da minoria, que precisa de 1/3 de assinaturas para sua instalação. Ao jogar para a CCJ, o governo passa a atuar por maioria simples, o que tem com sobras.
Argumentam que a CPI só serve para dar palco para a oposição atacar o governo. De certa forma é verdade, e é assim em qualquer ponto do mundo. Como é também a máxima de que o governo governa e a oposição fiscaliza. E seu instrumento principal é a CPI. Não existe fato determinado? Mas só tem fato determinado! Tem uma avião derrubado ao que tudo indica por falha no controle aéreo, caos nos aeroportos, denúncias de super-faturamento em obras da Infraero…
Pois voltamos a situação da caos nos aeroportos. Novamente o governo convoca uma reunião de emergência. Pois estamos a meses em situação de emergência! E o ministro continua onde sempre esteve: completamente perdido. Um retrato do governo a que pertence.
A CPI é legítima e o argumento governista serve, em tese, para evitar qualquer CPI em qualquer governo. É um absurdo. Espera-se que o STF tenha mais bom senso do que a tunga à constituição que está sendo armada justamente no colegiado do Congresso que deveria defendê-la.
Mais sobre o papa
Em artigo, o bispo Dom João Bosco Oliver de Faria tocou na lambança da tradução oficial do vaticano para o pensamento de Bento XVI sobre o divórcio. É impressionante que após tantos dias apenas um religioso católico tenha vindo a público esclarecer a trapalhada. Talvez se os padres brasileiros pensassem um pouco mais na fé do que nos “problemas sociais”…
O bispo de Patos de Minas(MG) levanta que os tradutores confudiram a palavra italiana “piaga“. Piaga significa “chaga” em português e não “praga” que no italiano é traduzido por “peste“. Parece bobagem mas não é.
O religioso lembra que o processo de divórcio geralmente é doloroso para as partes e, principalmente, os filhos. Segundo ele “a caneta que assina o divórcio tem como tinta a lágrima dos filhos“. Mesmo que a separação busque uma melhor situação ela acompanha a frustração de um amor que não deu certo.
Pois Bento XVI comparou o processo a uma chaga, que significa dor. O Aurélio define como: “ferida aberta; cicatriz deixada por essa ferida“. Tanto é esse o sentido que o papa utilizou que acrescenta a recomendação que os sacerdotes “ajudem espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados“.
Portanto, podem discordar quem quiser de Bento XVI, mas não se pode colocar como palavras suas o que não foi dito.
Ponto G
"Plaga" do Papa
“Por isso, é mais que justificada a atenção pastoral que o Sínodo reservou às dolorosas situações em que se encontram não poucos fiéis que, depois de ter celebrado o sacramento do Matrimónio, se divorciaram e contraíram novas núpcias. Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos. Os pastores, por amor da verdade, são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados”.
Esta é a tradução oficial em português do discurso do papa no site do Vaticano. Pois os tradutores oficiais da Santa Fé precisam estudar mais para não errar desse jeito.
O papa utilizou o termo “plaga” em latim para caracterizar o segundo matrimônio. Pois o significado correto é “chaga, ferida, lesão” conforme o Dicionário Latino Português, de Francisco Torrinha. A própria tradução do discurso para outros idiomas no referido site confirma que era este o pensamento do religioso.
Pois a mídia brasileira resolveu cair de pau em Bento XVI por ter comparado o segundo casamento a uma praga. Até a OAB resolveu botar o bedelho na estória, o que não é novidade já que entidade se considera agora representante do povo brasileiro.
Pois Bento XIV é o líder maior da religião católica e cabe a ele orientar o pensamento de sua igreja segundo a moral que sua religião defende. E acabou. Fui católico até cerca de vinte anos e não me considero em condições de ficar criticando a orientação do papa. Suas palavras são dirigidas a seus religiosos e fiéis. Ninguém é obrigado a ser católico.
A Folha de São Paulo de hoje consegue a proeza de comparar o casamento ao futebol. Diz o periódico: “É como se seu time fosse vice-campeão de um torneio e, algum tempo depois, o campeão fosse declarado inexistente porque violou as regras do jogo.”
A Igreja considera o matrimônio um sacramento sagrado, baseado nas palavras de Jesus: o que Deus uniu não cabe ao homem separar. Quem quiser que interprete as palavras de Cristo como quiser. O papa tem o direito e o dever de dar sua interpretação aos seus fiéis.
O fato é que o casamento foi realmente banalizado na sociedade moderna. Não acho que facilitar ou dificultar a separação seja a solução, mas acho que as pessoas devem pensar mais ao tomar esta decisão. E é sim uma questão que cabe reflexão moral e, sobretudo, de moral religiosa. Seja católica, evangélica, judaica ou espírita.



