Como se faz um "sábio"…

Sexta feira o Presidente da República ficou de joelhos diante da chantagem feita pelos controladores. A imprensa aparelhada pelo petismo partiu em socorro do Nosso Guia classificando sua atitude na crise como de um autêntico líder. Sim, Lula cedeu a todas as exigências, mas debelou a crise. Se feriu a hierarquia, paciência. Na política não se pode agradar a todos, bradaram.

Vejam o que escreveu Kennedy Alencar:

Apesar da série de atitudes equivocadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao longo da crônica crise da aviação civil, foi acertada a decisão de negociar com os controladores de vôos militares que se amotinaram na sexta-feira (30/03). (…) Entre preservar uma hierarquia militar que já estava mais do que quebrada e colocar fim o mais rápido possível ao caos, Lula não hesitou (…) E a hierarquia militar? Ora, os militares têm quebrado essa hierarquia desde a criação do Ministério da Defesa no governo FHC. Boicotaram todos os seus chefes civis (…) Existe até um lado positivo na desautorização do comandante da Aeronáutica. Ainda que não tenha tido esse objetivo, a decisão de Lula quebrou de vez o tabu do fantasma militar numa hora simbólica: véspera do aniversário de 43 anos do golpe que instaurou a ditadura de 1964.

Parte da mídia adotou esta linha. Lula tinha “enquadrado” os militares e reforçado o comando civil sobre as Forças Armadas. Mais um exemplo da sua genialidade.

Só esqueceram que o Ministério Público Militar é independente. E o MPM tomou a atitude que devia ter tomado. Oficiou o Comando da Aeronáutica para abrir o Inquérito Policial Militar para apurar o crime. Mas Lula não tinha se comprometido a não punir os controladores? Tinha, mas não tem poder, graças a Deus, para evitar a ação da Lei.

Mas o presidente (com “p” minúsculo mesmo, faço questão) soltou mais uma carta da manga. Disse que nunca tinha se comprometido com os controladores. Quem se comprometeu foi Paulo Bernado, Ministro do Planejamento. Ah… bom.

Novamente a petralhada soltou a nova versão. Lula teria na verdade “enganado” os controladores para resolver a crise. As manchetes agora são que ele “recuou” no que tinha cedido. Não recuou um milímetro. Apenas está pegando carona numa atitude do MPM como se fosse sua. Nisso ele é mestre. E os jornalistas “companheiros” tem que trabalhar dobrado para novamente provar a genialidade de seu “mestre”.

O controle aéreo no Brasil não é feito apenas por militares. Existem também civis, que inclusive possuem sindicato. Na página do Sindicato nacional dos Trabalhadores na Proteção do vôo pode-se ler, entre outros, o que se segue:

O capitalismo
Vivemos numa sociedade capitalista.
Na sociedade capitalista, existem muitas desigualdades. Basta ter olhos para ver. Uma minoria de pessoas concentra grande quantidade de bens materiais em seu poder: dinheiro, propriedades, mansões, carros, muita fartura e luxo. Por outro lado, a maioria das pessoas tem apenas o mínimo, e às vezes menos que o mi¬nimo, para sobreviver. Vivemos apertados em matéria de alimentação, casa, roupa, transporte, escola, saúde e lazer etc. Vemos também tantas conseqüências trágicas desta sociedade: subnutrição, mortalidade infantil, doenças endêmicas, menores e idosos abandonados, desemprego, prostituição, analfabetismo, crimina¬lidade, acidentes de trabalho, favelas . . .
É verdade que entre os dois gru¬pos existem camadas médias, que costumamos chamar de “classe média”. Mas esta “classe média” não é uma classe fundamental, quer dizer, não é ela que determina a natureza da sociedade capitalista.

A mercadoria e seu valor
Na sociedade capitalista, vivemos rodeados de mercadorias. Alimentos, roupas, eletrodomésticos, arte, diversões, e até as próprias pessoas estão aí para ser comercializadas.
Mas como é a natureza da mercadoria? Como é que mercadorias que são tão diferentes entre si, como, por exemplo, arroz e sapatos, podem ser trocadas umas pelas outras, em certas proporções?
A mercadoria, antes de tudo, é um objeto que tem um duplo valor: o valor de uso e o valor de troca.
O valor de uso se baseia na qualidade própria da mercadoria, depende da necessidade e até do gosto de cada pessoa. Por isso, o valor de uso não dá para ser medido.
Acumulação do capital
Para conseguir taxas de lucros maiores, interessa aos capitalistas pagar salários baixos e aumentar a produtividade dos trabalhadores, além de evitar despesas que melhorariam as condições de trabalho e de vida dos operários (segurança, salubridade etc.). Evidentemente os interesses dos trabalhadores são contrários a estes. Então há uma luta constante entre as duas classes.
Vimos que o capitalista está sempre interessado em obter lucros, isto é, em extrair mais-valia do trabalhador. Mas para quê? Acima de tudo para ACUMULAR CAPITAL.
Claro que ele vai tomar uma parte do lucro para atender às suas necessidades, confortos e caprichos. Mas não é este o objetivo principal do capitalista, e sim a acumulação de capital, que além de ser um desejo dele, é também uma necessidade de cada capitalista, visto que se trata de uma sociedade de rígida competição

A Luta dos trabalhadores
Já vimos que há uma luta permanente entre burgueses e proletários, porque seus interesses econômicos são antagônicos. Os burgueses lutam para aumentar sua taxa de lucro. Para isto procuram, sempre que podem: rebaixar o salário real dos proletários; aumentar a produtividade pelo aumento da jornada de trabalho pelo aumento do ritmo do trabalho e também pela introdução de novas tecnologias; explorar, ainda mais, o trabalho da mulher e do menor; evitar despesas com a melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores etc.

Pois é essa “cathiguria” que vai controlar o espaço aéreo brasileiro. Os controladores merecem, ou mereciam, salários melhores do que recebem. Mas sou contra a tese que com bons salários a baderna termina. O sindicato deixa bem claro que está lutando contra o capitalismo e os “burgueses”. Usam termos como “proletários”, e apoiam-se numa interpretação rasteira do CAPITAL. Vão fazer greve e balburdia seja com que salário for, principalmente se o governo não for de “companheiro”. É só aguardar.

Esta história está longe de acabar

Blog do Cláudio Humberto

O Ministério Público Militar já se pronunciou sobre a punição aos controladores de tráfego aéreo, que fizeram greve na sexta (30), parando os aeroportos do País. Apesar do acordo que pôs fim à greve, firmado entre a Aeronáutica e o governo, o Ministério Público pode continuar o processo para que os eles sejam punidos pela Justiça Militar. O procurador da Justiça Militar Giovanni Rattacaso declarou que o MPM é independente das Forças Armadas, e é obrigado a investigar quando há alguma infração. Para ele, houve quebra de hierarquia e do código militar. O MPM vai abrir inquérito para identificar os controladores que participaram da greve. O procurador chegou a afirmar que o movimento grevista foi um motim. Uma vez aberto o inquérito, os grevistas podem ser punidos mesmo que os controladores de tráfego aéreo passem a ser civis.

Afinal o MPM se pronuncia. O que aconteceu na sexta feira foi crime militar, devidamente tipificado no respectivo código. Nem o Comandante da Aeronáutica nem o Presidente da República podem fazer qualquer acordo que passe por cima de uma lei, no caso uma lei penal. E a justiça não pode ficar a mercê de possíveis desdobramentos do caso. Se o processo judicial causar paralisia no tráfego aéreo do Brasil, que pare. O que não se pode admitir e jogar a lei às favas para garantir uma situação de aparente normalidade.

Fico imaginando

Fico imaginando o que acontecesse se o apagão de energia ocorresse no governo Lula. Se não consegue colocar ordem em 300 controladores militares fico imaginado o que os patetas de plantão faria com uma crise muito mais séria. Estaríamos no escuro por quanto tempo?

Não há motivo para pânico. O governo trabalha com a informação que haverá um apagão elétrico. Mas só no próximo governo. Medidas antecipatórias? Fala sério! Este é um verdadeiro governo da pírula do dia seguinte…

Pior solução Possível

O governo mostrou mais uma vez toda sua incompetência ao lidar com o caos de ontem. Além de aceitar passivamente que um grupo de sargentos paralisassem o país, desautorizou o Comandante da Aeronáutica e cedeu a todas as exigências da rebelião. Mais uma vez afirmo, não existe greve no meio militar, existe rebelião.

O que aconteceu ontem foi crime militar, tipificado do respectivo código. Pode ter resolvido a situação de ontem, mas as conseqüências maiores ainda hão de vir. O presidente conseguiu levar a sindicalização para dentro das forças armadas e nada de bom pode vir daí.

Não se enganem com a desmilitarização. É bom só para o atual governo. Por que? Porque passando para controle civil poderá se sindicalizar oficialmente e entrar no guarda-chuvas da CUT. Enquanto o PT estiver no governo tudo bem, mas saindo a CUT volta a seu estado padrão: infernizar o governo. E já aprendeu que terá uma excelente arma nas mãos.

Mais uma vez afirmo, as Forças Armadas são as guardiãs do que existe de mais letal em uma nação. Uma greve da Polícia pode ser enfrentada por elas, como já foi. E uma greve do Exército? Quem enfrenta? A ONU?

Há cerca de vinte anos atrás o Brasil assistiu estarrecido um simples Capitão, que eu conheci, tomar a prefeitura de Apucarana com uma tropa de blindados. Já vivíamos o governo Sarney. O que aconteceria num movimento mais amplo?

A solução de ontem teria de começar necessariamente pela prisão dos líderes do movimento. No mínimo. E isso não é decisão de governo, está no código penal militar e deve ser cumprida. A partir do momento que se permite que militares façam rebeliões a situação fica fora de controle. Questão de tempo. Mais um presente do Lulismo-petismo ao país.

Tudo resolvido

Lula, dentro do avião que segue para os EUA, foi avisado do agravamento da crise. Foi duro. Quer uma solução. Pronto, nada mais a preocupar. Fico imaginando quanto tempo vai levar para colocar a culpa no FHC. Um lembrete. Existe um relatório da Aeronautica de 2004 alertando para os problemas do setor. Foi ignorado, como quase tudo no desgoverno que temos.

Não há mais apagão aéreo. Agora é crise.