Autor: guersonjr
Assalto ao segundo escalão
Chega a ser desanimador ler todos os dias nos jornais a briga entre PT, PMDB e demais partidos aliados pelo chamado “2º escalão”. De segundo só tem o nome, pois envolve o comando das estatais. Nossos abnegados homens públicos, interessados em ajudar a administração pública, guerreiam __ e não é metáfora __ por cargos de presidente e diretoria de instituições como Banco do Brasil, Petrobrás, Eletrobrás, Infraero, etc. Aparentemente estão fora a Saúde e Educação porque, estas, o nosso guia disse que não era para brincar. Quanto maio o recurso gerido pelo cargo, maior a cobiça.
Esta é uma das questões que nos colocam onde estamos. A confusão do público com o privado, tão bem descrito por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Ao ser nomeado para um cargo seu novo ocupante só quer saber do proveito pessoal que pode tirar. Como ele pode fazer o loteamento dos cargos de confiança, o quanto ele pode gastar para seu proveito (e nem estou falando de corrupção), as mordomias, etc.
Recentemente a esposa do ministro da Propaganda (sim, agora temos um) questionou Diogo Mainardi sobre qual cargo ela poderia ocupar, depois de ter mostrado toda sua qualificação profissional. Mainardi foi seco, qualquer um que não seja comissionado. Mas aí ela disse que seria capacho de político, era inaceitável.
Pois temos aí um estado em que funcionário de carreira, que entraram por concurso são reduzidos a meros capachos de políticos. E apesar de toda qualificação da Sra Martins, ela ocupa cargo comissionado não por seu currículo, mas pela sua certidão de casamento, pois ninguém nomeia no Brasil para cargo “loteado” um profissional por sua competência.
Como explicou a mais de 50 anos Sérgio Buarque de Holanda.
Enquanto isso, em Bagdá, quer dizer, no Rio…
11 mensaleiros réus
Finalmente foi aberto o primeiro processo penal no STF no caso do mensalão. São agora oficialmente réus no processo figuras ilustres como o ex-presidente do PT José Genuíno, o ex-tesoureiro Delúbio Soares e Marcos Valério. Entraram também nesta toda o bando do BMG e da firma do carequinha, inclusive sua esposa. Até uma condenação a distância é longa e tem tudo para prescrever antes disso. Mas não custa ter esperança e pelo menos as pessoas começam a receber o título que merecem. São reús agora, nem mais, nem menos. E vem mais por aí.
Profeta?
Armas de fogo
Dado que eu não sabia. Em 2005, ano do referendo, foram vendidas no Brasil a inacreditável marca de 37 armas de fogo. Por este dado podemos concluir que o Brasil é um exemplo de paz social não é mesmo?
Pois recente relatório da ONU coloca o país como o segundo maior na lista de mortes com armas de fogo por 100 mil habitantes. Perde apenas para a Venezuela do companheiro Chavez. Nosso índice é mais do que o dobro dos Estados Unidos, onde armas legais e baratas podem ser compradas em qualquer esquina.
Visitinha
Mais uma tragédia americana
Sinceramente não sei o que pensar destes desequilibrados que vez por outra aparecem nos Estados Unidos. Ontem aconteceu mais um destes momentos que mostram a humanidade em seu pior momento. Trata-se da tragédia na Virginia, onde um homem matou 32 alunos da universidade antes de se suicidar.
O que leva um ser humano a este ponto ainda é um mistério.Estão especulando sem parar e como sempre não chegarão a lugar nenhum. Haverá um inquérito, que é o lugar apropriado para tentar determinar o que aconteceu. E talvez tenhamos algumas respostas.
O Globo parece que ainda não aceitou a derrota no referendo do desarmamento e colocou como manchete principal a questão das armas. Dá até impressão que a arma dispara sozinha, ou que não se consiga comprar uma no mercado negro. O jornal carioca pegou carona de forma lamentável num acontecimento muito triste. Oportunismo barato.
A compulsão de alguns americanos à atirar em seus semelhantes vai muito além do acesso às armas. Jovens desequilibrados e angustiados existem no mundo todo, mas é espantoso que estes casos extremos se concentrem na América. Não há nem um padrão, acontecem em grandes e pequenas cidades, em escolas ou praças públicas, por doentes de todas as classes sociais.
Encontrar estas respostas é muito difícil. Geralmente os atiradores cometem suicídio e não permanecem para respondê-las. O ato começa covarde no assassinato de pessoas indefesas e termina da mesma forma, com a recusa de responder por seus atos.
Temporão no Roda Vida
O ministro da saúde está neste momento no programa Roda Viva da TV Cultura. Como não poderia deixar de ser a primeira questão levantada é o aborto. O ministro defende a discussão da matéria através do plebiscito.
Não entendo porque depois de tomar toda uma linha de raciocínio em defesa da liberação do aborto se recuse veemente a se posicionar à favor do aborto. Por que? Qual o medo de manifestar claramente sua posição?
Seu principal argumento são os estimados 1,1 milhão de abortos no Brasil. Afirmou que não é teólogo e nem filósofo e que portanto sua opinião é unicamente de médico sanitarista.
Reconheceu, no entanto, que a necessidade do aborto decorre de uma série de outros fatores como a falta de informação, educação, fornecimento de anti-concepcionais e preservativos. Disse que o aborto é uma realidade no país e que pílulas abortivas são vendidas em camelôs no centro do Rio.
Pois o que o ministro descreveu foi a total incompetência do governo em prover política de saúde e educação no Brasil. Diante da falta de governo que provoca a ineficácia da lei, defende a supressão da mesma. Ou seja, remover o sofá da sala.
Será que o estado não pode fazer um esforço real para, dentro da lei existente, reduzir esta quantidade absurda de abortos no Brasil antes de propor a liberação do aborto? O próprio ministro, talvez em ato falho, admitiu que o aborto deve ser discutido (e liberado) pela incompetência do governo, que nessa hora é chamada de estado.
Outro ponto que fiquei curioso é como este mesmo estado, incapaz de distribuir preservativos e anti-concepcionais, irá, em caso de liberação, dar conta desta quantidade monstra de abortos na rede pública de saúde?
Se no campo filosófico e religioso sou totalmente contra a prática, a parte sanitária ainda não me convenceu da necessidade do aborto. E por enquanto não chegou nem perto.
Ainda assisti o segundo bloco, em que o tema central foi a dengue. Neste o ministro se saiu muito bem. Afirmou que defende que a administração pública seja feita por profissionais de carreira e que nomeou apenas técnicos no ministério. Reconheceu falhas em sua pasta, o que é raro em se tratando do atual governo. Admitiu também que a gestão do PSDB na pasta foi boa e que por isso manteve os programas iniciados no governo anterior. Segundo Temporão, a política de saúde no Brasil constitui-se política de estado e não de governo.
Enfim a primeira coletiva
Parece que o presidente resolveu finalmente dar sua primeira entrevista coletiva, já passados 3 meses do segundo reinado, digo, mandato. Claro que será nos seus termos. Entrevistadores selecionados(algo como Cruvinel, Noblat, Paulo Henrique Amorim, os “neutros” de sempre), perguntas limitadas e, principalmente, sem direito à réplica. Se tem uma coisa que Lula odeia é ser contraditado. Talvez porque não tenha respostas.
Só para ter uma idéia, já que gosta tanto de comparar com seu antecessor, FHC deu 16 coletivas. Todas com direito à tréplica. O “brucutu” George Bush dava sua vigésima-primeira ao mesmo tempo que “nosso” presidente dava a primeira. Volto à dizer, esta coletiva deveria ser obrigatória e mensal. É o presidente prestando contas à nação, e não concedendo um favor.
Aliás, no primeiro debate com Alckmin, o então candidato-presidente (ou presidente-candidato) perguntou, diante dos ataques do PCC, o que teria dado errado na gestão tucana no governo de São Paulo. Pois ficamos sabendo agora que o único presídio federal construído pelo atual governo e inaugurado com a pompa tradicional, mesmo com 141 presos (capacidade de 208), já está sob o controle de Beira-Mar e do PCC. Será que algum jornalista “neutro” poderia fazer a mesma pergunta ao supremo mandatario? O que deu errado presidente?



