Debate sobre cotas raciais

Um interessante debate sobre cotas raciais foi feito no Estadão entre o geógrafo Demétrio Magnoli e o administrador de empresas Hélio Santos. O primeiro posiciona-se contra as cotas e o segundo à favor. Já li um livro de Magnoli, O Grande Jogo, onde já esboçava sua posição sobre o assunto. Atualmente estou utilizando mais dois livros de sua autoria para estudar Geopolítica. A Veja desta semana também toca no assunto (ainda não li a matéria). Parece que esta semana haverá discussões sobre o assunto, o que é sempre bom.

Segue link:
http://cantodojota.go2net.ws/DebateCotas.html

Eterna vigilância

O editorial do Globo de hoje toca em um assunto que tenho pensado bastante ultimamente, o enfraquecimento do poder Legislativo.

O periódico lembra que este enfraquecimento tem sido acompanhado por um fortalecimento excessivo do poder Executivo e, coloca como uma das causas, o carisma do presidente da república.

Lembra que a multiplicação de cargos de confiança nas mãos do poder central constitui um poderoso instrumento “para cooptar adversários ou indiferentes“.

O risco é uma “nova e poderosa versão de populismo“. O Globo lembra que é muito pouco provável que cheguemos ao quadro venezuelano, principalmente devido à complexidade política e social do Brasil.

Mas a situação argentina já constitui-se um modelo mais próximo, onde “o presidente governa de olho nas ruas, por cima dos partidos“.

Um agravante é o gigantismo do Estado brasileiro, que “abocanha parcela despropositada da riqueza nacional“.

Conclui lembrando que, em períodos recentes, o Brasil distanciava-se dos demais países latino-americanos em termos de construção institucional; o cenário atual, demonstra que o caminha para a modernidade é ainda longo e que o preço da democracia “é a eterna vigilância“.

Mais um absurdo ideológico

Ano passado li um texto muito interessante da jornalista Mirian Macedo, que retirava a filha de um celégio devido ao que viu em seu material didático. A jornalista publicou uma carta aberta no site www.escolasempartido.org. Pois o sistema COC após utilizar o direito de resposta do próprio site abriu processo contra a jornalista e todos os sites que noticiaram a carta. Abaixo o texto da jornalista para que reflitam um pouco sobre a situação atual do Brasil.

Acabei de tirar minha filha, de 14 anos, do Colégio Pentágono/COC (unidade Morumbi – São Paulo) em protesto contra o método pedagógico “porno-marxista” adotado pela escola no ensino médio este ano. O sistema COC, que começou como cursinho pré-vestibular há cerca de 40 anos em Ribeirão Preto-SP, está implantado hoje em mais de 150 escolas em todo Brasil, atingindo cerca de 200 mil alunos. O Pentágono – que, além do Morumbi, tem colégios em Alphaville e Perdizes – é uma das escolas-parceiras.
As provas de desvio moral-ideológico são incontáveis. Numa apostila de redação, a escola ensina “como se conjuga um empresário” e, para tanto, fornece uma seqüência de verbos retratando a rotina diária deste profissional:

“Acordou, barbeou-se… beijou, saiu, entrou… despachou… vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou… convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou… despiu-se… deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou… saiu… chegou, beijou, negou, etc., etc.”.

A página 4 da apostila de Gramática ostenta a letra de uma música de Charlie Brown Jr, intitulada Papo Reto (Prazer É Sexo O Resto É Negócio) – assim mesmo, tudo em maiúscula, sem vírgula. Está escrito:
“Otário, eu vou te avisar:/ o teu intelecto é de mosca de bar/ (…) Então já era,/ Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer”.

Noutro exemplo, uma letra de Vitor Martins, da música Vitoriosa:
“Quero sua alegria escandalosa/ vitoriosa por não ter vergonha/ de aprender como se goza”.

As apostilas de História e Geografia, pontilhadas de frases-epígrafes de Karl Marx e escritas em ‘português ruim’, contêm gravíssimos erros de informação e falsificação de dados históricos. Não passam, na verdade, de escancarados panfletos esquerdejosos que as frases abaixo, copiadas literalmente, exemplificam bem:
“Sabemos que a história é escrita pelo vencedor; daí o derrotado sempre ser apresentado como culpado ou condições de inferioridade (sic). Podemos tomar como exemplo a escravidão no Brasil, justificada pela condição de inferioridade do negro, colocado (sic) como animal, pois era ‘desprovido de alma’. Como catequizar um animal? Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira? Aos comerciantes do tráfico de escravos e aos proprietários rurais. Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador. A história pode, dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes em uma determinada época”.

Sandice é dizer que a Igreja legitimou a escravidão. Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos ‘índios e as mais gentes’. Dizia o documento, aqui transcrito em português da época que “com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão”.

Outra pérola do samba do crioulo doido, extraída da apostila de História:
“O progresso técnico aplicado à agricultura (…) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher”.

Ok, feministas. Agora, tratem de explicar a importância e o poder das inúmeras deusas na mitologia dos povos mesopotâmicos, especialmente Inana/Ishtar, chamada de Rainha do Céu e da Terra, Alta Sacerdotisa dos Céus, Estrela Matutina e Vespertina e que integrava, com igual poder, a Assembléia dos Deuses, ao lado de Anu, Enlil, Enki, Ninhursag, Nana e Shamash. Na Suméria,”tanto deuses quanto deusas eram patronos da cultura; forças tanto femininas quanto masculinas estavam envolvidas com a criação da civilização. A realidade dos papéis das mulheres dentro de casa estava em perfeito acordo com a projeção destes papéis no mundo divino”. (Tikva Frymer-Kensky em seu livro de 1992, In the Wake of Goddesses: Women, Culture and Transformation of Pagan Myth. Fawcet-Columbine, New York.

Mais delírio marxista de viés esquerdológico:
“Estas transformações provocaram a dissolução das comunidades neolíticas, como também da propriedade coletiva, dando lugar à propriedade privada e à formação das classes sociais, isto é, a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais – daí as classes sociais – e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado”. (Definição de propriedade privada, classes sociais e de Estado, em sentido marxista, no neolítico, nem Marx!).

Calma, não acabou: No capítulo sobre a Mesopotâmia, a apostila informa que o deus Marduk (grafado Manduque) ordenou a ‘Gilgamés’ que construísse uma arca para escapar do dilúvio. (Gilgamesh é, na verdade, descendente do Noé caldeu/sumério, chamado Utnapishtin/Ziusudra. É Utnapishtin que conta a Gilgamesh a história da arca e do dilúvio. Há versões em que Ubaretut, filho de Enki, é que é o verdadeiro Noé; Utnapishtin apenas revela a história do dilúvio a Gilgamesh).

Outro trecho informa que o “dilúvio seria enviado por Deus, como castigo às cidades de Sodoma e Gomorra”. (Em Genesis (19,24), lê-se: “O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra”. Além disto, a destruição de Sodoma e Gomorra nada tem a ver com Noé e sim, com o patriarca Abraão e seu sobrinho Ló).

Outros achados:

“Diz a tradição que Sargão era filho de um jardineiro, o que nos faz pensar que, nesta época, como era possível alguém das chamadas camadas baixas da sociedade, ter acesso ao poder?”. (Que reflexão revolucionária! E que estilo!).

No capítulo “Geografia das contradições” lê-se: “Uma das graves contradições relaciona-se à economia: na sociedade capitalista quase todos trabalham para gerar riquezas, mas apenas uma minoria burguesa se apropria dela (sic) (…) Por outro lado, é necessário compreender que a sociedade foi e é organizada por meio das relacões sociais de produção. Entre nós, e na maioria dos países, temos o modo de produção capitalista, em que a relação básica é representada pelo trabalho. Nele encontram-se os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores que, não possuindo os meios de produção, vendem sua força de trabalho”. (Marxismo puro, simples assim).

O mais grave é que estas apostilas, de viés ideológico explícito, vêm sendo adotadas por um número cada vez maior de escolas no País. Além das escolas próprias, o COC faz parcerias com quem queira adotar o sistema, como aconteceu este ano com o Colégio Pentágono, onde minha filha estuda desde o primário. Estas apostilas têm de ser proibidas e as escolas-parceiras e o COC têm de ser responsabilizados. É a escuridão reinante.

Sobre Renan

O discurso de Renan no senado foi uma das cenas a serem esquecidas da política brasileira. A Veja apresentou matéria acusando o senador de pagar uma pensão de 12.000, mais aluguel de 4.500 para uma filha e a mãe desta. Até aí seria um problema de foro íntimo de Calheiros. A questão é que o dinheiro estaria sendo pago por Cláudio Gontijo, da construtora Mendes Junior. Gontijo e o advogado da jornalista beneficiada confirmaram a estória, e o primeiro chegou a afirmar que só podia dizer que o dinheiro não era dele e nem do senador…

Pois o presidente do senado levou a esposa e armou um dramalhão de quinta categoria em discurso na casa. Afirmou que sua intimidade tinha sido invadida. Posteriormente acrescentou que estava enfrentando um calvário, e que o faria sozinho.

O fato de ter tido uma amante, uma filha e pagar uma pensão é realmente problema única e exclusivamente dele. O problema não é este. Por que utilizar um Gontijo para levar o dinheiro? Se o dinheiro não era dele qual a origem? São perguntas fáceis de serem respondidas quando existe um motivo plausível. Por que sempre em dinheiro vivo? Qual o problema desse pessoal em fazer tranferência bancária? Será que nossas autoridades não confiam nos serviços bancários?

O que ninguém perguntou ainda é que pensão é esta de R$ 16.500,00? O senador é agora Mick Jagger? E porque não desmentiu Gontijo? Pelo contrário, afirmou que é um amigo de mais de vinte anos….

Lembrou-me de Palocci em duas ocasiões. Na primeira, ao negar as acusações de Buratti foi perguntado se o ex-acessor então estaria mentindo; disse que “não poderia afirmar isso…”. Quando se descobriu da mansão em Brasília que freqüentava em companhia de bicheiros disse também que estavam invadindo sua privacidade…

Os senadores correm em sua defesa. Por trás da confusão pode-se observar as mãos do planalto no fazamento controlado de informações para a mídia. Não é à toa a campanha para enfraquecer o presidente do senado.

Existe um método e existe um grande beneficiado. Não é companheiro?

Os números da USP

Aos poucos começa a ser aberta a caixa preta da USP, algo que com certeza os baderneiros profissionais não desejavam.

Para começo de conversa um dado de Gustavo Ioschpe: a média de renda familiar do alunado que entrou na universidade em 2007 é de R$ 6.000,00. Que país é este onde um assalariado ao comprar pão e pagar o ICMS ajuda a subsídiar este privilegiado? E dentre estes alunos existem muitos que nem se dão o trabalho de estudar, como pode ser visto na recente ocupação. O próprio Ioschpe definiu bem em seu artigo na Veja desta semana: é o deboche dos privilegiados da USP.

E não trata-se apenas da gratuidade do ensino. Contam também com subsídios para alimentação, moradia, estacionamento e até xerox. Pagamos impostos para ajudar estes coitados a comer. Eles pagam 1,50 e nós 8,00. É ou não é uma graça? Na definição do Reinaldo Azevedo a USP é a maior máquina de cocô subsídiado do planeta.

A relação de funcionário técnico-administrativo é de 1 para cada 5 alunos. Contra 1 para 23 das particulares. E geralmente com melhor atendimento. Professor aluno? 1 para 15. Na França, pai do iluminismo e do Maio de 68 é 1 para 32.

Os universitários do estado de São Paulo representam 3% do total de alunos paulistas do sistema público. E ficam com 25% dos gastos. E isso porque pela constituição a prioridade de educação no estado deveria ser o ensino médio. O estudante universitário custa 11 vezes mais para o governo estadual do que o aluno do fundamental. Nos países do OCE a relação é de no máximo 3,2 vezes.

O Brasil investe mais em relação ao PIB em educação do que o Japão e a Alemanha. Dá para falar em falta de dinheiro para o setor?

20% do orçamento da USP vai para os “programas sociais” dos alunos. O foco da universidade claramente não é tecnologia e pesquisa, mas promover justiça social. Se é assim é melhor fechar os cursos e fazer apenas estas políticas. Dá mais retorno e é mais eficiente.

Os privilegiados defendem a ampliação destes números. Querem educação superior de qualidade, gratuita e para todos. E assim vão debochando de quem paga os impostos e aos poucos vamos descobrindo porque os nossos melhores cérebros vão para o exterior e porque não temos nenhum prêmio nobel.

Um dia ganharemos um. Com o título de como transformar dinheiro em m…

A democracia se perda a cada dia

Chega a ser inacreditável que em pleno século XXI, quase vinte anos após a queda do Muro de Berlin, ainda tenhamos que ver um governo fechando um canal privado de telecomunicações pelo simples motivo de que lhe faz oposição. Tal fato só mostra o quanto as coisas ainda andam atrasadas em relação ao mundo na América Latina.

Chega a ser inacreditável, mas não surpreendente. Este é o padrão do socialismo quando chega ao poder. A cada dia tira-se uma casquinha da democracia de modo que a perda seja diluída no tempo. Basta ler a magistral obra “A Revolução dos Bichos” de Orwell.

No fundo está a impossibilidade de convivência do socialismo com o contraditório. É uma ideologia, e como tal se coloca como a perfeição da humanidade, como uma espécie de bondade coletiva. Ser contra o socialismo é ser contra a evolução humana. Outro dia li uma carta de um estudante de artes da USP definindo a direita como a “representação do egoísmo humano”. E ainda apontava a solução para este tipo de gente: a fogueira.

Pois este é o problema das ideologias. Só pode continuar existindo quem a segue. Não há como existir democracia quando um lado se julga dono da verdade absoluta. Por isso não acredito na vocação “democrática” do socialismo. E a história me deu razão até hoje.