Experimentem digitar “vergonha nacional” no google. O primeiro site apresentado é o “senado.gov.br”.
Realmente uma vergonha.
Experimentem digitar “vergonha nacional” no google. O primeiro site apresentado é o “senado.gov.br”.
Realmente uma vergonha.
Do ex-blog do César Maia:
-O PROBLEMA, PREFEITO… É BRASÍLIA!
1. Em dezembro de 1996, o prefeito do Rio recebeu um pedido de audiência, do ex-deputado, ex-líder do governo JK, ex-ministro do regime militar, Armando Falcão, que queria conhecê-lo. Foi marcado um almoço. O ex-ministro chegou com uma ótima aparência que lhe dava uns dez anos a menos.
2. Iniciado o almoço deu-se um “branco”. O prefeito quebrou o “gelo” e para agradar o ex-deputado, disse que o parlamento nos anos 50, quando ele foi líder de JK, era de melhor qualidade do que o atual. E perguntou por que.
3. A resposta veio pronta: -O problema prefeito… é Brasília. Quando a capital era no Rio, um grande advogado, médico, professor… vinha para cá e aqui continuava sua atividade profissional. E até independiam materialmente da política. Hoje, em Brasília, todos ou quase são profissionais da política. Uns porque se afastam do que faziam e se profissionalizam em Brasília. Outros porque só são, desde a origem brasiliana, profissionais da política. Com isso a política perde a política. E os mandatos são privados e não representativos.
O processo contra Renan Calheiros pelo menos revelou-me que (mais uma vez) joguei um voto no lixo. Trata-se de meu voto no senador Francisco Dornelles nas últimas eleições. Não votei por convicção, mas diante de uma adversária comunista votei neste senhor. Por princípio não voto vermelho. Hoje, na mesma situação, anularia meu voto. O papel de Dornelles nos últimos dias foi simplesmente revoltante. Segundo ele o fato de Calheiros não ter renda para pagar a pensão não constitui falta de decoro, apenas uma questão tributária. Aproveitou para ameaçar os demais senadores: uma condenação implicaria que todos eles poderiam ser alvos do mesmo processo.
Trata-se de uma falácia sem tamanho. Questão tributária é você sonegar um imposto. Fazer despesas sem renda é outra coisa. Significa pura e simplesmente dinheiro ilegal. E os valores que o senador movimentou apontam uma grande ilegalidade. Em entrevista Dornelles afirmou:
FOLHA – Por que não cassar Renan Calheiros?
FRANCISCO DORNELLES – Não há nenhuma prova de que os recursos para pagar a jornalista eram da Mendes Júnior. O Conselho de Ética diz que o Renan não provou que tinha renda para fazer os aportes. O problema seria crime contra a ordem tributária, que só pode ser apurado no âmbito de processo da Receita.
Pior viria a seguir:
FOLHA – Mas quebra de decoro é um processo político…
DORNELLES – Depende. Se o sujeito tirar a roupa e entrar aqui nu, é um decoro parlamentar, um problema político. O sujeito estuprar uma menina dentro do Parlamento é uma coisa política. O processo tem de ser político para ações políticas. Mas como você vai incluir um crime contra a ordem tributária no campo político?
Mais um ponto em que me diferencio do petista-lulista. Não morro abraçado ao meu voto e não faço meus julgamentos baseados em relativismo. O papel do senador que votei foi vergonhoso e lastimável. Nunca mais terá meu voto. Simples assim.
A “absolvição” de Renan Calheiros causou muitas reações na sociedade. Muitos a encararam como uma derrota da mídia, bem ao estilo do pensamento do militante petista. Afinal a mídia é o verdadeiro inimigo; o senador foi perseguido pela imprensa. Como se a incapacidade do mesmo em se defender não tivesse importância. Grande parte da população assistiu a tudo sem entender bem o que aconteceu. Queriam a cassação, mais por entender que era um político corrupto em julgamento do que qualquer outra coisa; seriam incapazes de apontar onde teria sido quebrado o decoro. Por estranho que possa parecer, não vêem nada demais em pagar pensão com dinheiro de um empreiteiro. No íntimo sabem, que se pudessem, fariam a mesma coisa. E outra parte entendeu as verdadeiras razões que exigiam a condenação de Renan Calheiros: a promiscuidade do público com o privado.
Muitos deste último grupo têm infestado a rede com mensagens condenando a decisão do senado. O que me chama a atenção é que muitos ajudaram a re-eleger Lula e condenaram as vaias que sofreu recentemente. Comemoraram as eleições dos mensaleiros e derem ao atual governo um cheque em branco para continuar conduzindo a nação depois do que fizeram no primeiro mandato.
Por que Renan pode ser condenado por falta de decoro e Lula não? O que faz um melhor do que o outro? A origem humilde que não cansa de repetir? Ou a velha máxima de Maquiavel: os fins justificam os meios. Sim, o PT roubou e comprou o parlamento, mas foi por uma causa nobre: a justiça social. Aí está o relativismo que tantos males provoca. O governo Lula colocou toda sua força para absolver Renan Calheiros, participam do mesmo plano de poder.
Querem que o senado faça o que não fizeram nas urnas em 2006. Recusaram-se a colocar para forma um governo que assaltou o estado e tenta, diariamente, destruir todas as instituições da república.
Infelizmente o senado não é melhor do que a sociedade brasileira. É apenas mais uma de suas expressões. E mostra que esta sociedade esta doente.
Terminou ontem mais um capítulo da ópera bufa que se tornou o processo por quebra de decoro em que era acusado simplesmente o presidente do Senado e do Congresso Renan Calheiros.
Não faltaram provas para demonstrar que o senador usou dinheiro de uma empreiteira para pagar pensão para uma ex-amante. Também ficou evidente que a mesma empreiteira foi beneficiada na distribuição de dinheiro público. Se isso não é quebra de decoro, o que seria?
Renan só conseguiu se complicar em sua defesa. Partiu para o ataque à mídia, especialmente a Veja, acusando-a de conspiração para derrubá-lo. Depois partiu para ameaças a senadores fazendo acusações ao ar. Os senadores não se intimidaram e exigiram, em plenário, que Renan fizesse a acusação que deixava subtendido. Fez-se de desentendido. Finalmente partiu para a ameaça ao governo. Mandou mensagens explícitas que não cairia sem atirar caso a base e, principalmente, o partido do governo não o salvasse da degola.
O PT ainda ensaiou uma liberação de votos no início da semana, chegou até a flertar com a cassação. Mas quando as ameaças do senador chegaram fortes ao governo, Lula colocou suas digitais. Escalou um general de sua tropa, Mercadante, para controlar a votação. Não precisava nem defender o voto pela absolvição, bastava-lhe a abstenção; a maior das covardias em um processo desses.
Renan foi absolvido, contanto para isso com as providenciais 6 abstenções. A seção foi uma vergonha. Secreta, com varreduras e seguranças na porta, parecia uma reunião de bicheiros e não uma de senadores da república.
E assim o senado chegou ao ponto mais baixo de sua história. Uma semana depois do STF dar uma esperança à nação, a mais alta câmara brasileira produziu esta vergonha. Com as 9 digitais do presidente da república, a quem muito interessa a desmoralização do parlamento.
E agora? Agora nada. Duvido que os outros processos cheguem ao plenário, ficou com cara de assunto requentado, apesar de não sê-lo. A oposição deve marcar sua posição e começar a fazer algo que não quis fazer nestes 5 anos de lulismo: política. E o primeiro passo e derrubar a CPMF, cuja única finalidade é engordar os cofres públicos para o assalto petista.
O senado rachou literalmente e é onde a oposição tem hoje seu melhor palco para atuação. Está na hora de honrarem seus votos.
A Veja desta semana traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com Piquet Carneiro, presidente do Instituto Hélio Beltrão, organização que visa propor iniciativas para ampliar a eficiência da administração pública e reduzir a interferência do governo nos indivíduos.
Piquet aponta que nunca o Brasil teve condições tão ideais de reduzir a burocracia. Baseia-se no fato de que as contas públicas estão equilibradas como nunca estivera. Seria a hora de uma mudança a favor do contribuinte. A realidade é que poucos conseguem estar em dia com as normas tributárias e a resposta da sociedade é a informalidade. Criou-se uma cultura da desconfiança. “O poder público não confia no cidadão, que aceita isso e se torna submisso aos caprichos do estado”.
Questiona a necessidade de ir ao cartório e colocar um carimbo para provar que a cópia é igual ao original e de se obter certidões para provar que nada deve. Em conseqüência, o governo mantém uma grande quantidade de funcionários públicos para conferir estes documentos. Outra é a existência de um enorme mercado de intermediação cartorial.
Aponta que “a preocupação em arrecadar mais impostos foi tamanha que o atendimento ao cidadão deixou de ser importante. O cidadão, sobretudo aquele que caminha na legalidade, é punido duplamente: paga mais tributos e vê diminuir a qualidade do serviço público”.
Afasta a herança ibérica como causa da burocratização no país. Tanto em Portugal quanto na Espanha já é possível abrir uma empresa em um único dia. Existe o conceito de quanto mais negócios forem abertos, mais se cria riquezas.
Sobre a carga tributária afirma que a carga é tão alta que expele o contribuinte do sistema. Uma pesquisa aponta que 70% das empresas em cinco municípios do Rio de Janeiro são informais. Oito em cada dez empresas no país possuem pendências tributárias.
Conclui afirmando que a reforma tributária no Brasil é uma ilusão pois começa com as melhores intenções e acaba com aumento de impostos. E cita, como exemplo, a instituição do IPMF no governo Itamar Franco.
“Gostaria de ver o burocrata sendo perseguido com o mesmo rigor com que persegue o contribuinte. Não sobreviveria um único dia.”
“Ponha-se na presidência qualquer medíocre, louco ou semi-analfabeto e vinte e quatro horas depois a horda de aduladores estará à sua volta, brandindo o elogio como arma, convencendo-o de que é um gênio político e um grande homem, e de que tudo o que faz está certo. Em pouco tempo transforma-se um ignorante em um sábio, um louco em um gênio equilibrado, um primário em um estadista. E um homem nessa posição, empunhando as rédeas de um poder praticamente sem limites, embriagado pela bajulação, transforma-se num monstro perigoso “.
(Olympio Mourão Filho, Memórias: A Verdade de um Revolucionário , Porto Alegre, L&PM, 1978, p. 16.)
Como pode ser visto não é só a mídia que demonizou o movimento Cansei.
Na passeata que se denominou A Grande Vaia, o Bispo Odilo Scherer impediu que se realizasse uma missa na Catedral da Sé pelo movimento; tratava-se de um protesto contra a corrupção e a impunidade. O religioso não quis conversa: movimento político não pode.
Pois o mesmo Bispo vai realizar uma missa amanhã, no dia da Independência, como parte de uma manifestação do MST. Como a questão agrária está resolvida no país, segundo seu próprio líder, e não pode protestar contra o governo, achou um para protestar contra, para variar, FHC: a re-estatização da Vale. Mais político do que isso impossível.
E nem fica vermelho!
Aliás, fica. Literalmente.