Meu Deus!

O Ministro Jorge Hage em seu depoimento na CPI dos cartões corporativos disse que o gasto do ministro dos esportes só ganhou notícia porque se referia à tapioca, se fosse um hamburguer do MacDonalds teria sido ignorado, trata-se, portanto, de um preconceito contra a tapioca.

Só tenho uma coisa a dizer depois de um depoimento destes: Meu Deus!

É esse o homem que tem a incumbência de investigar as irregularidades na administração federal.

5 anos de ocupação no Iraque

Editorial da Folha de hoje:

Já se mostrou à exaustão que a aventura foi uma catástrofe humanitária e um fracasso político que encalacrou o Pentágono numa ocupação militar sem perspectiva de solução. Verifica-se agora que foi também um desastre financeiro.

Gostaria de saber o que a Folha define como “catástrofre humanitária”. Que a ocupação militar foi um fracasso político e financeiro não há dúvidas, os Estados Unidos erraram, e feio, o cálculo. Na cabeça de seus estrategistas teriam uma operação militar rápida, o que ocorreu, e depois ocupariam com poucas tropas pelo tempo suficiente para devolver o poder aos próprios iraquianos.

Mas que iraquianos? Rapidamente descobriram que não  bastava apenas destituir o ditador sanguinário (e não os são, todos?) mas era preciso reconstruir as instituições, uma coisa que leva tempo. A situação é ainda mais delicada quando o país é dividido em xiitas e sunitas. O erro americano custou caro, logo os grupos terroristas perceberam que as forças de ocupação não sabiam o que fazer e começaram a atuar.

É preciso entender que a guerra destes homens não é contra os Estados Unidos, mas contra o mundo ocidental. A ONU recusou-se a dar aval para a guerra, mas não escapou de dois atentados ainda em 2003. Em 19 de agosto, morreram 22 pessoas na seda da missão em Bagdá, incluindo Sérgio Vieira de Melo. 27 de outubro, atentado à sede da Cruz Vermelha Internacional, 11 mortos. O terror existe de fato e não vai desaparecer apenas por tentar esquecê-lo. Os Estados Unidos e a Inglaterra parecem ser os únicos que perceberam isso.

Nos últimos meses a situação tem se acalmado, o ritmo de atentados e mortes tem diminuído bastante. O principal fator foi o aumento do contingente militar americano que começa a efetivamente colocar ordem no caos. Aos que defendem a saída imediata das tropas é bom lembrar que no dia seguinte começaria a real “catástrofe humanitária”. Não é possível a saída enquanto não houverem instituições iraquianas em condições de manter a ordem e evitar a guerra civil. Não é coisa para amanhã, leva tempo.

Um bom livro para entender a questão, e ler uma opinião contrária ao lugar comum que se instalou na mídia é “Sobre o Islã”, de Ali Kamel. É um daqueles obrigatórios.

Já vai tarde

Paulo Henrique Amorim foi demitido do site IG. Já não era sem tempo, o que fazia não podia ser chamado de jornalismo. Acho que tem toda a liberdade de escrever o que quiser, mesmo com toda sua falta de coerência. Agora receber para isso já era de profundo mal gosto. Se Lula não tivesse tanta antipatia por ele acabava colocando-o na TV Lula, o que parece ser seu grande sonho.

Primeiro o embate de Diogo Maynardi com Franklin Martins. Resultado, o segundo perdeu o emprego na Globo e acabou mostrando que a suspeita de Mainardi sobre sua falta de isenção jornalística era mais do que verdadeira ao virar ministro da propaganda do governo.

Agora foi a vez do embate de Reinaldo Azevedo colocar PHA em seu devido lugar. Se foi a causa de sua demissão não sei e nem me importa. Mas o primeiro continua firme e forte como blogueiro da maior revista do país.

Ah… ainda falta um!

Anti-americanismo e o verdadeiro problema do mundo contemporâneo

Um dos assuntos que me despertam o interesse é o anti-americanismo, principalmente aqui no Brasil. Reinaldo Azevedo costuma dizer os americanos são mais odiados em São Paulo do que Bagdá. De certa forma é por aí.

Na verdade se confunde muita coisa, é muito lugar-comum e desinformação. Palavras de ordem substituem o pensamento; pouco se reflete apenas seguem-se correntes. Costumam personalizar tudo que é ruim, ou considerado ruim, nos norte-americanos. Será?

A primeira coisa que associam é com o capitalismo selvagem. Como se eles o tivessem criado e exportado pelo globo. Não é verdade, o capitalismo foi criação européia, assim como sua forma mais perversa, onde se passou do mercantilismo para a capitalismo através da industrialização. O momento em que pode-se dizer que o capitalismo foi realmente selvagem foi na industrialização européia, particularmente na inglesa. Foi este capitalismo que foi criticado por gente como Dickens e o próprio Marx, embora este não tenha sido capaz de visualizar que o sistema poderia evoluir e eliminar muitos de seus males.

Ortega Y Gasset afirmava ainda na década de 20 que os Estados Unidos não traziam nada de novo; sua cultura é essencialmente européia. Foi construído pelo que transbordou da Europa.

Outra associação é com o consumismo. Também não foi criado lá e imposto pelo mundo, mais uma vez é uma criação européia. Foi fruto do extraordinário avanço da ciência no século XIX e com a técnica que cresceu junto com a revolução industrial. A Europa foi o berço do extraordinário aumento das possibilidades do homem, também descritas por Gasset. Antes dos Estados Unidos alcançarem a posição hegemônica que teria a partir da guerra fria, o pensador espanhol já denunciava o consumismo europeu. O DNA do “Americam Way of Life” é europeu, e não o contrário.

A  maior criação americana foi a filosofia do pragmatismo e sua moral utilitarista. Isso os afastou de buscar as verdades absolutas e da tradição clássica de Aristóteles e Platão. Depois de 100 anos seguindo uma teoria que coloca o interesse apenas no que é útil não é surpresa descobrir que o americano tornou-se um ser vazio, sem valores que seja capaz de defender. E aí está o verdadeiro problema do mundo atual. Os próprios europeus seguiram o exemplo e se afastaram de sua própria tradição baseada no tripé formado pela filosofia grega, direito romano e na tradição judaico-cristã.

Não é o capitalismo ou o consumismo em si que resultam no quadro atual, é a perda dos valores morais mais elevados que levam ao consumismo e a procura do enriquecimento ilícito e imoral. O capitalismo é um sistema em que vigora a liberdade das pessoas que realizam transações comerciais de qualquer espécie. Não é o capitalismo que está doente e precisa ser reformado, são as pessoas! Sócrates, Platão, Aristóteles, Jesus, Gandhi, todos esses alertaram sobre o mesmo ponto: é preciso reformar-se intimamente.

Muitos defendem que isso é impossível, uma utopia. Pois digo o contrário, impossível é tentar tornar o mundo mais justo sem que as pessoas mudem. Isso não se dá por leis ou pela força cada vez maior do estado, mas pelo convencimento, pela educação, pela reflexão.

O problema do mundo não são os americanos, chineses, ou seja lá o que for. O problema são as pessoas, estas precisam ser reformadas, mas por si mesmas, intimamente. Já tentaram várias vezes fazer esta reforma por coação e o resultado foram verdadeiras catástofres sociais. É trabalho para gerações, mas primeiro devemos nos afastar dos falsos profetas, aqueles que dizem ter as soluções para tornar o mundo mais justo.

A solução está em cada um de nós.

Novidades do domingo…

Passei o fim de semana longe do computador. Pelo que vi em uma rápida passagem pela net é que os dois principais fatos deste domingo foram:

  1. Kassab subiu nas pesquisas e já enfrenta de igual para igual Marta Suplicy no segundo turno. É uma pensa que Alckmin esteja forçando a barra e dividindo uma eleição certa para tentar fugir do ostracismo. Devia pensar grande; o DEM está louquinho por um candidato à presidente para poder concorrer em 201o. Alckmin seria um bom nome. Largaria esta barca furada que se tornou o PSDB, deixaria Aécio brigando com Serra, e se lançaria por um dos  dois partidos que estão efetivamente fazendo oposição ao governo atual (o outro é o PPS). Ainda me pergunto, por que os institutos não simulam pesquisas para 2010 com Alckimin concorrendo? Seria uma boa medir o recal do ex-candidato. Se até Lula consegui aprender com suas derrotas, por que ele não poderia? O Brasil precisa romper esta polarização PT-PSDB. Afinal trata-se da esquerda e da direita…. da esquerda! Está na hora de surgir um partido que defenda o conservadorismo, pode se surpreender com a reação…
  2. McCain emparelhou com os democratas. É um feito e tanto se considerarmos a percepção altamente negativa do governo Bush, principalmente na economia. Não sei se seria uma boa vencer as eleições com um candidato republicano que não é lá muito republicano. Mas não deixa de ser interessante para mostrar que o pensamento conservador nos Estados Unidos ainda está de pé.

Luso-tropicalismo

Assisti ontem uma palestra sobre o período joanino no Brasil. Foi muito interessante e com bons pontos para reflexão.

A imagem de D. João VI está aos poucos, não sem dificuldades, sendo resgatada no Brasil. O “fundo do poço” foi o filme Carlota Joaquina de Carla Camuratti. Só no Brasil um filme como este seria patrocinado pelo Banco do Brasil, justamente criado pelo monarca. A Globo depois foi na mesma linha com uma minisérie em que é retratado como um fraco, sem decisão, covarde, glutão.

Napoleão uma vez afirmou que apenas um homem tinha conseguido enganá-lo, e este homem era D. João VI. Foi uma estratégia perfeita. Sem nenhuma condições de resistir às tropas francesas, em completo segredo, foi elaborado um plano de mudança da corte para o Brasil. Não foi uma fuga como se conta, basta apelar à lógica. Como se poderia transportar 15 mil pessoas, com os arquivos necessários para manutenção da burocracia do estado, no completo improviso? Foi a constatação que a mudança foi planejada e executada com sucesso que deixou o imperador perplexo.

Mas a principal mensagem que ficou da palestra foi a defesa da herança portuguesa na formação da nacionalidade. Os índios e negros a enriqueceram, mas nossa nacionalidade deve-se principalmente ao português. Nossos hábitos e costumes são muito mais próximos do europeu do que da África ou dos indígenas. Somos herdeiros da tradição judaico-cristã européia. Sérgio Buarque de Holanda mostrou isso em Raízes do Brasil. Gilberto Freire cunhou a expressão luso-tropicalismo para nos definir.

Muitos não aceitam esta constatação. Querem forçar algo que não existe. Não deixa de ser curioso um país com mais de 95% de cristãos mostrar aos visitantes ilustres que aqui chegam o candomblé como nossa expressão cultural. Ou um show de mulatas. Ou um espetáculo indígena. A verdade é que devemos muito mais ao branco cristão europeu do que aos negros e índios. Queiram ou não, somos herdeiros de Camões, e nossa língua é uma prova disso.

Discurso de Jarbas Vasconcelos: nada a reparar

Estamos passando por uma fase no País em que o Presidente da República faz tudo, muito mais do que fizeram, em regime de exceção, os generais ditadores. A sessão de anteontem, portanto, não poderia passar sem um registro de nossa parte.De forma que essa sessão de ontem não poderia passar, Sr. Presidente, Srs. Senadores, sem um registro da nossa parte. Eu não tenho papel de liderança aqui, sou um dissidente do meu Partido, o PMDB, mas não poderia deixar de registrar o meu repúdio, a minha indignação a esse comportamento. A medida provisória, por si só, já proíbe, já não permite uma discussão. E, aqui, a liderança do Governo, por porta de travessa, arrumou um expediente, dentro desta Casa, para restringir, ainda mais, o debate, estabelecendo número de oradores para se discutir a medida provisória presidencial, que criava a TV pública nacional. É realmente inconcebível, é intolerável, engolir isso, passar-se pela tarde de anteontem, e pela madrugada de ontem, sem um protesto – e um protesto veemente – pela insanidade cometida, aqui, no plenário deste Senado.Nós tivemos, como chamou a atenção a atuante Senadora, por Tocantins, Kátia Abreu, um final de ano, aqui, no plenário do Senado, que chamou a atenção de todo o País. A Oposição com um mínimo de organização, conseguiu derrotar a renovação, mais uma vez, da CPMF. E a maioria dos Senadores que, aqui votou – essa maioria que votou – votou para reduzir a carga tributária. Naquele momento, não se estava votando contra o Presidente Lula; não se estava votando contra o PT; não se estava votando contra quem quer que fosse. Estava se votando, de forma clara, bastante transparente, a favor da redução da carga tributária. O Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Cresce, como está crescendo, e cresceria muito mais, se o Presidente cuidasse da infra-estrutura do País. Estamos exportando, mas se exportaria muito mais, se tivéssemos estrada-de-ferro, rodovias, aeroportos, portos. aeroportos, portos. Não temos nada disso e o País consegue o milagre ainda de ter uma pauta de exportações bastante saudável. Nossa luta se deu no sentido de redução da carga tributária.

Acabou o ano, Sr. Presidente, com a promessa solene de Sua Excelência o Presidente da República e a Liderança do Governo aqui de que não haveria substituto para a CPMF. O Governo tinha absorvido a derrota, reconheciam alguns setores do Governo que a carga tributária estava excessiva e que o Governo ia procurar entrar 2008 sem aumentar impostos. Mentira! Tudo mentira! Começou o mês de janeiro e o Presidente da República anunciou aumento de novos impostos. O Ministro Guido Mantega teve a desfaçatez de ir à televisão para dizer que aquela promessa era até o dia 31 de dezembro, que, a partir do dia 31 de dezembro, o Governo estava livre para arrumar um substituto, algo que substituísse a ausência da CPMF.Mas vejam V. Exªs, Sr. Presidente, Srs. Senadores, algumas manchetes:
O Estado de S.Paulo, de 27 de fevereiro deste ano: “Receita cresce 20% após fim da CPMF. O fim da CPMF não afetou o desempenho da arrecadação de impostos e contribuições federais”.

Valor Econômico, jornal específico sobre assuntos econômicos: “O impressionante salto das receitas federais em janeiro”, um editorial de três de março do corrente.

Outra matéria: “Gastos e carga tributária elevada são mantidos”.

Sr. Presidente, a impressão que se tem é a de que o Presidente da República quer fazer o País de tolo, de bobo e a população, de idiota. As instituições não são respeitadas. Recentemente, tivemos uma agressão ao Judiciário na pessoa – nada mais, nada menos – do Presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Ministro Marco Aurélio Mello, que pode até ter provocado um equívoco de estar se antecipando, dando opiniões sobre processos que não lhes chegaram ainda às mãos, mas nada merecia o ataque que foi deferido, no Nordeste, pelo Presidente da República, de forma desmoralizante e contra um dos poderes. Eu não estou falando de órgãos, estou falando do Poder Judiciário.
Sr. Presidente, os assuntos aqui – assuntos menores – andaram tomando conta disso e o Presidente foi poupado de uma análise maior do Plenário do Senado Federal. É verdade que vários Senadores abordaram o assunto – que aconteceu num final de semana – e denunciaram, mas esse assunto passou ao largo. Porém, no dia 1º de março, ele mereceu um editorial – não é uma opinião política, é um editorial – da Folha de S. Paulo, com o título “Território invadido”. “Ataques do Presidente Lula a um Ministro do Supremo são espetáculo constrangedor de descontrole e truculência. Quem entrou em cena numa cerimônia realizada, anteontem, em Aracaju, foi um Presidente da República desequilibrado e truculento, vociferando do palanque despropositadas provocações a um Poder autônomo da República.”

É a Folha de S.Paulo, não é nenhum colunista. É o Conselho Editorial que orienta a fazer o editorial. Quero que faça parte integrante da minha fala esta opinião da Folha, com o título: “Território invadido”.

O Globo também não ficou atrás, e aí não mais por meio de editorial, mas da palavra do seu colunista Merval Pereira, que diz: “Lula revela todo o seu autoritarismo e presta um desserviço à democracia quando, fazendo política de palanque, investe publicamente contra o Judiciário”.

São coisas que têm que ficar registradas no plenário, Sr. Presidente, Senador Alvaro Dias, porque, por exemplo, tive uma experiência, lá atrás, de combate à ditadura. E quanto mais forte e exorbitante a ditadura, quanto mais ela gritava, quanto mais ela matava, seqüestrava, mais nos dava ânimos de lutar contra o seu fim, de ver o seu fim.Para mim pouco importa se Lula tem 70% ou 80%, se, no meu Estado, Estado natal dele também, ele tem 80%, porque quando ele disputou a Presidência da República, eu votando contra ele, tivemos votações quase que assemelhadas.Então, isto não me causa nenhuma inquietação, nenhuma mossa: o Presidente da República estar num patamar muito elevado de popularidade.

Mas ele não pode continuar desmoralizando o Judiciário; não dar a mínima atenção ao Tribunal de Contas da União; passar a mão na cabeça de corruptos, como fez e como faz constantemente; dizer que uma Ministra, que se atrapalhou com o dinheiro público, que fez compras em free shop, nada deve e que ela deve sair de cabeça erguida. E a própria Procuradoria-Geral da República incriminar essa Ministra e mandá-la devolver o dinheiro.Essas coisas, Sr. Presidente, têm que ter um fim e têm que ser registradas aqui. O Presidente da República não leva mais em conta o Judiciário. O TCU para ele não vale nada, é um lugar de políticos aposentados, segundo voz corrente dentro do Palácio do Planalto. Uma tentativa clara e transparente de desmoralização do Congresso Nacional. A Câmara não precisa se desmoralizar porque vive completamente manietada pelo Palácio do Planalto; o Senado, que tem uma maioria escassa com relação ao Governo, o Presidente Lula tenta calar e tenta desmoralizar.

Portanto, se não formos para o enfrentamento, os partidos de Oposição – o PSDB, o DEM e outros partidos – se deixarmos a coisa eleitoral de lado… Porque a coisa eleitoral está sendo colocada pelo Presidente da República, que usa um avião pago por todos nós e está disposto a sair toda semana, duas vezes, para fazer comícios no interior. Está registrado hoje em todos os jornais que ontem foram distribuídas cinco mil marmitas aqui, foram convidadas não sei quantas pessoas ali, o Presidente leva dinheiro, enfim. E se esta Casa fica calada… Porque a mídia, que tem tido um papel altivo, a Presidência da República não leva em nenhuma consideração, em nenhuma consideração: Estado de S. Paulo – por meio de seus editoriais –, O Globo, a Folha S Paulo, o Jornal do Brasil – para ficar nos maiores jornais em nível nacional. Ou seja, a mídia não tem sido levada em conta em coisa nenhuma pelo Palácio do Planalto; o Judiciário desmoralizado, o TSE mais ainda, porque quem foi atingido foi o Presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

Eu quero saber, Sr. Presidente, onde é que vamos parar com isso. Um Presidente com uma formação autoritária, uma formação que exorbita a toda hora e a todo instante, que quer porque quer fazer com que a opinião pública entenda que quem trabalha é ele e este Congresso não trabalha. É verdade que se discute muito aqui e se vota pouco, mas se vota pouco porque as medidas provisórias trancam a pauta desta Casa. E não é, Sr. Presidente, por intermédio de medidas provisórias que se cria – para voltar um pouco atrás e falar novamente – uma TV Pública Nacional. Isso é um desrespeito não somente ao Senado, à Câmara, ao Congresso Nacional, mas também um desrespeito a todo o Brasil. Sobre isso já falou aqui, hoje, com muita competência, o nosso Senador Pedro Simon.
Com relação ao episódio que envolveu a Colômbia há cerca de dez dias, o Brasil teve um papel vergonhoso. Eu disse isso ontem ao Ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, na mesma hora em que o Congresso estava reunido para apreciar o Orçamento. Disse a ele que a aparição dele e do Governo da República na televisão foi um desastre. A coisa ficou pela metade. O Brasil insistia que a Colômbia tinha que aprofundar, fazer um novo pedido de desculpas. Tudo bem, se o Itamaraty não estava satisfeito com o pedido de desculpas que foi formalizado pela Colômbia, então deveria pedir a Colômbia para aprofundar aquele pedido de desculpas.Mas não dar uma palavra sobre uma organização que já teve uma luta ideológica, mas que hoje são um agrupamento de criminosos, de assassinos, de seqüestradores?

É inconcebível, Sr. Presidente! É inconcebível porque o Brasil nunca adotou a posição de um Presidente da República influenciar a política do Itamaraty, não permitindo que o Brasil, em uma nota clara, dura, transparente, condenasse a invasão do espaço aéreo do território equatoriano e, com a mesma dureza, com a mesma ênfase, a ação criminosa das Farc. Está aqui, Sr. Presidente, inclusive um artigo de Clóvis Rossi, que não é apenas um colunista, S. Srª pertence ao conselho editorial da Folha de S.Paulo. Diz o artigo: “O Brasil pode e deve ser neutro entre dois vizinhos, mas não pode nem deve ser neutro entre o Governo colombiano legítimo e as Farc, um grupo delinqüente.”

E as contradições não são só essas, Sr. Presidente. O Ministro Celso Amorim disse que as Farc não tem status porque o Governo brasileiro não reconhece. Não é verdade, porque, enquanto S. Exª disse isso, esse falastrão que vive lá no Palácio do Planalto, o tal do toc-toc-toc, perguntado pelo Le Fígaro, em Paris, no dia 4 de março desse mês – há apenas 12 dias –, também disse o seguinte sobre a relação do Brasil, do Governo brasileiro, com as Farc: “Lembro-lhe que o Brasil tem uma posição neutra com relação às Farc. Não as qualificamos como grupo terrorista, nem como força beligerante.” É esse homem que dita a política internacional, a política exterior do Brasil, não mais o Itamaraty.

Então, são essas coisas, Sr. Presidente, que temos que enfrentar, que a Oposição tem que enfrentar – e enfrentar como tem enfrentado –, agora, com mínimo de organização, temos que ser organizados.
Não posso dar pitaco dentro do meu Partido – porque não me deixam –, mas quero dar pitaco dentro da Oposição, onde eu me sinto inteiramente à vontade.É preciso que nos organizemos e que mostremos – quando o Presidente vai para o interior do País, faltando com a verdade, nos acusando de fazer um desvio eleitoral – os jornais do dia.

Esse, Senador José Agripino, é O GLOBO de ontem, do dia 12: “Em clima eleitoral, ataques à Oposição”. Aí diz: “Num evento com ar de campanha, com discursos inflamantes, transporte gratuito e distribuição de comida, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, na inauguração de um projeto de irrigação, que seus adversários só pensam na sucessão presidencial de 2010”.Pode um negócio desses, Sr. Presidente? Existe uma coisa dessa natureza, a pessoa fazer e nos atribuir o seu feito? Não pode! Não podemos continuar tolerando, aceitando isso todos os dias. Alguém tem que passar por esta ou por aquela tribuna, para denunciar isso.O País não pode ficar imaginando que a Oposição foi contra a TV Pública Nacional, porque era contra TV Pública. Não sou contra a TV Pública Nacional, sou contra a forma desmoralizante como foi criada, por meio de uma medida provisória.

É isso, Senador José Agripino, que tem que ser enfrentado, porque se não é enfrentado amanhã vem o arrependimento de que deveria ter dito isso, deveria ter ido à tribuna. Um presidente da república que não leva em conta o Judiciário, que desmoraliza o Judiciário, que pega o Congresso Nacional e o manda trabalhar, como se ele fosse um presidente trabalhador, que não tem o menor respeito à mídia, que tem uma equipe com estrelosos e aloprados. Quando existe alguma coisa com um estreloso desse ou com o aloprado, ele passa a mão na cabeça porque a força dele é de tal natureza na cabeça do Presidente da República que basta a palavra dele para se confrontar com o Judiciário, Tribunal de Contas da União não vale nada e, como disseram dentro do Palácio do Planalto, é um acampamento de políticos aposentados e por aí vai levando. Até quando isso vai chegar ninguém sabe.
Então, é preciso que não se deixe o Presidente fazer – estou falando de 100 dias para cá. Derrotamos a CPMF, o Presidente decretou aumento de impostos em janeiro, disse que não ia fazer mas fez, a arrecadação subiu, diz para os concursados do Brasil que a responsabilidade de não fazer concurso e nem chamar os concursados é da oposição. Lorota, lorota para não dizer mentira. Os concursados podem ser chamados porque a arrecadação está sobrando, o dinheiro sobrou.Basta ler os jornais sobre o excesso de arrecadação já em janeiro e da previsão de uma arrecadação maior ainda em fevereiro e em março.

Então, tudo isso, Senador Mão Santa, tem que ser feito, como V. Exª por dever de justiça tem feito aqui, mas tem feito sozinho. Tem feito é sem dentro de uma orientação. Tem feito sem dentro de uma organização, daqueles que relutam, não é?, e querem enfrentar essa situação que está se criando no País.

Eu não tenho posição de liderança dentro dessa Casa, pertenço a um Partido dissidente, mas não vou ficar calado. Vou me inscrever agora em todos os horários que dispuser e que tiver ao meu alcance para denunciar. Pouco importa para mim se ele já desmoralizou o Judiciário, não liga para o TCU, se ele quer investir contra o Senado, se ele não leva em conta a imprensa, se ele cria uma tevê pública através de medida provisória, não me importa. Nós vamos para o enfrentamento para depois não estar aqui choramingando pelos cantos ou dentro de casa dando satisfações aos familiares e aos eleitores de que ele devia ter feito isso e não fez.

O Presidente da República tem uma formação autoritária, altamente autoritária, tem extravasado essa sua formação autoritária e o Senado não tem por que calar nem tem por que colocar o rabo entre as pernas. Tem que levantar a cabeça, gritar, protestar, pouco importa de que isso vá, o eco disso seja pequeno. É pequeno nesse momento, mas depois cresce.Eu me lembro, eu era Deputado Estadual no Recife, só tive um mandato de Deputado Estadual, e uma vez vi uma pesquisa com Garrastazu Médice, o pior dos Generais, o mais contundente dos Generais, com 84% de avaliação política no meu Estado. Deu no que deu, uma figura repudiada, que hoje… vivia até pouco tempo dentro de um apartamento e de lá saiu para a sua… para o seu túmulo.

De forma, Sr. Presidente, que a gente tem que enfrentar essas coisas porque não é possível que CPMF, ataque ao Poder Judiciário, posição dúbia com relação ao episódio de condenação da Colômbia. Recebe, aqui, um falastrão – o Presidente do Equador – que chama de canalha o Presidente de um Estado e não recebe, aqui, nenhuma repreensão do Itamarati. Vai dizer isto para o seu povo lá no Equador mas não no Brasil, um País que tem a tradição que o Brasil. Por que ele se sentiu à vontade para dizer isto aqui? Porque deu uma declaração pela metade: o apoiou, condenou a Colômbia e exigiu nova desculpa da Colômbia nas não enfrentou os seqüestradores, os bandidos, militantes e freqüentadores da Farc. Por isto é preciso que se diga sempre isto, mesmo que não ecoe de forma maior ou num volume maior como quisermos mas tem que ser enfrentado.

Por isto, Sr. Presidente, agradeço a tolerância de V. Exª e quero, apenas para ajudar o corpo taquigráfico, pedir que faça parte do meu pronunciamento – foi um pronunciamento de improviso – as coisas que aqui me referi.Deixo aqui os documentos. Se a Taquigrafia tiver alguma dúvida, poderá me procurar depois. Eu deixo esses documentos aqui e peço a transcrição desses editoriais, tanto da Folha de S. Paulo como a Coluna de Merval Pereira do O Globo e, também, o Editorial do Estadão.

Muito obrigado, Sr. Presidente.