Pesquisas eleitorais estavam erradas

Pois é, as pesquisas erraram feio. O que chama atenção é que o erro era normalmente favorável aos cadidatos governistas.

Em São Paulo apontou um 34 x 28 para Marta. Deve acabar com os dois praticamente empatados.

Em Belo Horizonte ainda se discutia se Lacerda venceria no primeiro turno. Seu adversário parecia sempre distante, a boca de urna apontava 42 x 31 para o híbrido tucanalha. Ficou em 43 x 41.

No Rio ainda se falava em empate entre Gabeira e Crivela. O bispo ficou 6 pontos atrás de Gabeira.

Em Porto Alegre se falava em outro empate, entre a petista e a muza. A petista enfrentou seu partido para sair candidata, venceu com folga a que já era apontada como revelação das eleições.

Ibope e Data Folha erraram muito. Novamente afirmo, chama atenção que os candidatos de Lula saíram das urnas pior do que os institutos apontavam.

0%

O valente Ivan Valente está quase chegando no 1%! Força! Fico lembrando do debate na Record e todas as vezes que falou “se eu for eleito…”

O mesmo vale para Reichman, Ciro e outras nulidades.

Chega de espaço para eles, já foi mais do que os votos que conseguiram…

Começa a apuração!

Agora é a pesquisa que vale, a enxurrada de votos eletrônicos começam a chegar. Lembro de uma época onde passávamos a madrugada acompanhando os boletins do TSE, alguns resultados só se confirmavam nas primeiras horas da manhã seguinte. Era mais arcaico, mas era mais emocionante.

Hora de ver quais foram as escolhas do eleitor. A alegria dos vencidos, o choro dos derrotados. Enfim, é a democracia com todas as suas mazelas.

Só que a humanidade não encontrou até hoje um modelo melhor.

É hoje!

Enfim chegou o dia das eleições municipais. Depois de semanas de pesquisas e porcentagens chegamos na pesquisa que importa, aquela feita pelo elitor. É um pena que ainda estejamos obrigando o brasileiro a comparecer e votar; ainda temos muito que avançar em termos de democracia. Amanhã vai ter ministro do TSE dando entrevista e exaltando o comparecimento recorde às urnas.

Foram várias semanas de demonização do voto. Independente da obrigatoriedade é hora do eleitor manifestar sua preferência. O voto iguala ricos e pobres, cada homem um voto; a democracia pede passagem.

Não acredito em soluções mágicas para nossas mazelas políticas, acho que o caminho é lento e passa pela capacidade do eleitor em fazer suas escolhas. O quadro atual não é animador, eu sei, mas é o quadro que temos, é o retrato da sociedade brasileira.

Ah, este blogueiro não vota. Mora em uma cidade que não tem eleições municipais. Um bom voto a todos e como diz Aloizio Amorim: fogo nos botocudos!

Avante Kassab!

Segundo o Ibope, Marta aparece com 35% das intenções de voto contra 34% do Datafolha. Kassab no Ibope tem 27%, enquanto o Datafolha aponta que o prefeito tem 28%.

O Datafolha também fez simulação para o segundo turno. O prefeito e candidato à reeleição venceria com 50% enquanto a petista teria 41%. O Ibope não divulgou a simulação do segundo turno.

Comento:

Não é minha eleição principal, mas festejo o resultado parcial de Kassab! Avante! Minha alegria poderá ficar completa com a vitória do prefeito no segundo turno.

E de McCain em novembro.

Avante!

Veja não é conservadora

Existe uma tendência de se considerar a Veja como uma revista de direita. Não é e nunca foi. Basta ler as reportagens da revista sobre comportamento humano, as idéias da maioria de seus jornalistas são progressistas. A religião é demonizada constantemente, o aborto defendido, fez campanha pelo desarmamento. Sim, existem Reinaldo Azevedo e Diogo, mas estes escrevem artigos de opinião, não fazem reportagem.

Qual a diferença? Muita. No artigo de opinião o autor é dono de suas idéias, opina livremente sem a interferência da redação. O dia que não for mais de interesse para a empresa, o autor  é afastado, tudo dentro da liberdade de imprensa e mercado.

Já na reportagem as matérias são mostradas como parte da revista, não existe o teor pessoal de uma artigo de opinião. André Petry é um progressista, tinha seu artigo de opinião do meio da revista. Até aí tudo bem, fazia o contraponto aos colegas conservadores. O problema é quando sai do espaço da opinião e passa a comandar reportagens dando a suas opiniões a roupagem de consenso.

Quando a Veja escalou-o para chefiar a cobertura das eleições americanas eu já apontava neste humilde espaço que a tendência seria totalmente a favor do Obama. Pois Petry não tem decepcionado. Não escreveu uma mísera linha que trate com alguma imparcialidade o processo eleitoral; em seu mundo os democratas representam o bem, os republicanos o mal.

O artigo desta semana tem só um objetivo: destratar a escolha de Sarah Palin. Ele simplesmente repete tudo que está sendo dito nos blogs democratas americanos, chega a dizer que perto dela Bush é Sócrates. Virou um papagaio de gente como Michael Moore. A campanha vergonhosa de difamação chegou às páginas da Veja, com o concorde da redação da revista.

A Veja é em geral uma boa revista, tanto que a assino. O que não concordo é que fiquem bradando por aí que ela é uma revista de direita, o que é uma mentira. A eleição de Lula em 2002 foi tratada com extrema simpatia em suas páginas, seu início de governo foi muito elogiado. Durante muito tempo era comum ver a revistas em mãos de petistas no Congresso.

O problema é que o governo atual é um mar de corrupção e erros desastrosos. A revista, graças a sua independência econômica, faz as críticas que devem ser feitas. No geral, entretanto, defende os valores progressistas que encarnam na figura messiânica de Obama. Basta observar a defesa vigorosa que fez do pacote de Bush, que apesar de vir de um presidente republicano segue o DNA democrata.

Petry não pode perdoar Sarah por ela não aceitar como permissíveis o direito ao aborto, o casamento gay, que uma mulher possa ser simplesmente uma mulher e não aquela versão andrógina que surge na figura de feministas como Hillary Clinton. Não há uma mísera linha em seu texto sobre o festival de besteiras de Joe Biden ou a retórica oca de Obama. Para ele trata-se de uma inexperiente. Engraçado que não tenha o mesmo juízo de Barack Obama que passou sua vida como chefe de ONG.

Não defendo aqui censura de imprensa, de forma alguma. Os jornalistas da Veja são livres para defender o que quiserem, inclusive besteiras como dizer que a religião não é uma fonte válida de moral como fez há duas semanas. Como eu sou livre para um dia deixar de lê-la se me der na telha.

Infelizmente o fim da Primeira Leitura deixou um vácuo. Não há uma publicação no Brasil que faça a defesa dos valores tradicionais da civilização ocidental. Uma pena. Através do contraponto se faz um debate produtivo de idéias. O monopólio da opinião faz um grande mal a uma sociedade. Cuidado Veja!

o Pacote dos EUA

Por: José Nivaldo Cordeiro

O mundo está mirando o fundo abismo, bem de cima de um Everest de dólares emitidos. A oferta abusiva de dólares vem de muitos anos, mas esse pacotaço é o que podemos chamar de pôr gasolina para apagar o incêndio. US$ 850 bilhões, uma cifra realmente inacreditável, gigantesca, alucinante. Ela dá bem o tamanho da irresponsabilidade dos homens a quem coube administrar a crise.

Deu-se as costas à razão, à moral natural e à ciência. Qualquer pessoa minimamente desintoxicada do esquerdismo – keynesiano assim como o marxista – sabe que o que está sendo feito é uma perfeita alucinação. Mas como resistir ao moderno Baal e ao seu bezerro de ouro, agora chamado de dólar? Como não escutar seus sacerdotes, os economistas intervencionistas? Como aceitar que a economia natural é a mais salutar e que o Estado não tem nenhuma coisa a dar a ninguém, muito menos solução para a crise? Que o Estado *é* a própria crise e o grande perigo contra a humanidade? Que a normalização da vida, não apenas nos EUA, mas no mundo inteiro, demanda a desinflação do Estado, sua redução a proporções humanas e que a humanidade passe a enxergá-lo como o que de fato é, um mero instrumento para organizar a vida prática e não o salvador do mundo? A criatura não pode ser maior do que seu criador.

Meu caro leitor, quem pisou em alguma escola de nível superior no Brasil, e acredito que no Ocidente inteiro, aprendeu que o Estado tem o suposto poder de resolver o drama da existência humana. Da ordem política e jurídica, até a Saúde, a Educação, a aposentadoria, a economia pessoal de cada um. Teria ele o suposto poder de eliminar o risco existencial. Só a primeira afirmação é verdadeira (prover a ordem política e jurídica), todo o resto é uma falsificação e uma miragem. Uma fuga da realidade como ela é.

O que os governantes dos EUA fizeram foi precisamente isso: alargar o passo e dar as costas à realidade, fugindo dela em desabalada carreira. Uma completa loucura, um atirar pedras na lua. O vaticínio se impõe: a nação norte-americana deverá mergulhar numa inflação alucinada, mas não conseguirá voltar ao status quo ante. Aquela vida a crédito, que dependia da valorização dos imóveis e da crença alucinada de que o preço dos ativos (imóveis assim com ações) estaria maior amanhã para todo o sempre, simplesmente acabou. A realidade agora se impôs, a despeito da montanha de dólares gerada no pacote.

O populismo dos políticos, diria mesmo sua crença vital irracional, é de que seria possível um voltar atrás, um retorno ao tempo em que toda a gente desconhecia o cassino financeiro em que os EUA se tornaram. Em que os zumbis felizes pagavam suas contas com a artificial valorização dos ativos. Esse cassino permitiu vida farta e prosperidade para um conjunto muito grande de pessoas, que literalmente viveram de crédito por longo período. Uma vida artificial dessa não poderia se manter e mesmo o governo emitindo essa montanha de dólares ela nunca mais voltará.

Sem obter o retorno ao status quo ante, para que o pacote? Para manter o sistema político montado na fraude populista, em primeiro lugar, pois é o combustível dos demagogos. Em segundo, para dar a impressão de que o governo está fazendo alguma coisa, quando na verdade nada deveria fazer, ou melhor, deveria tomar medidas para desinchar e preventivamente agir para que a inflação do dólar não comprometa a liderança mundial dos EUA. Em terceiro, para dizer às massas estúpidas que o deus-Estado está, como sempre, cuidando delas como um fazendeiro crias porcos: para devorá-los. O monstro estatal é o maior matador de homens que já surgiu no planeta. O paralelo com a crise de 1929 se impõe e nunca devemos esquecer que o ciclo daquela crise só se fechou com a II Guerra Mundial.

Eu me pergunto o que acontecerá politicamente nos Estados Unidos quando essa imensa classe média, que vivia ricamente, sem trabalhar, comprando e vendendo ações de seu computador pessoal, instalado em sua poltrona, descobrir que a brincadeira acabou. The game is over. Quando ela, a classe média, descobrir que seu imóvel não vale nada, que não tem comprador para ele, mas a sua hipoteca continua valendo. Essa gente vai entrar em desespero e toda vez que a classe média entra em desespero temos o caminho semeado para as tentações totalitárias. Nada de bom acontece quando a classe média se desespera e ela só pode escapar ao desespero quando os demagogos são desacreditados e os verdadeiros líderes assumem o comando da situação. A democracia só poderá sobreviver sob a liderança de gente moralmente superior. Onde estão esses líderes? Onde estão os homens egrégios? Não os vejo, vejo apenas demagogos falar à multidão.

Essa crise poderia ter acontecido anos antes. A dádiva do grande aumento da produtividade associada às inovações tecnológicas, no campo da informática e das telecomunicações, retardou o ajuste, que finalmente chegou.

Leia agora na revista Veja que acabou de chegar às bancas: “Com a aprovação do pacote de ajuda, Tio Sam salvou o mundo do colapso e será possível, primeiro, medir o tamanho do estrago e, em seguida, empreender a caminhada de volta na reconstrução dos mecanismos americanos e globais de produção de riqueza”. Nessa frase está o senso comum, a grande mentira. O Tio Sam não salvou coisa alguma e não haverá reconstrução que não seja um retorno à economia natural. E qual é esta? É a liberal, aquela que está na Bíblia: “Comerás o pão com o suor do seu rosto”. O pacote tenta precisamente escapar do real, é ele próprio o foguete a levar os homens lunáticos à lua. Um grande desastre. Seria cômico se não fosse trágico.

Qualquer arranjo fora desse preceito natural é artificial, irracional e alucinado. Não haverá melhora alguma se as bases racionais da sociedade não forem restauradas. Isso equivale a uma radical mudança na maneira como as massas vêem o Estado, de um bondoso provedor de benesses para o autor da grande tragédia. É tarefa para um Moisés converter as massas, alguém que traga as tábuas da Lei e mande destruir os bezerros de ouro. Os homens precisam parar de fazer seus sacrifícios a Baal. Chega de impostos! Chega de regulamentos! Chega de guardas na esquina dizendo o que as pessoas adultas devem fazer! Chega de Estado!

The Sound of Silence

Globo:

Uma troca de tiros na Rua do Lavradio, na Lapa, no início da madrugada de ontem, levou pânico aos freqüentadores do bairro mais boêmio da cidade. O confronto aconteceu depois que dois policiais militares, em patrulhamento de motocicleta, ouviram um alarme de roubo e abordaram dois jovens em uma motocicleta na esquina das ruas do Lavradio e Senado. Os suspeitos de terem roubado carros e de uma tentativa de roubo reagiram. Na troca de tiros, o soldado Alamir Gomes Júnior, de 27 anos, foi baleado no pescoço e morreu no Hospital Souza Aguiar. Três rapazes, um deles com uma passagem por roubo na 2ª Vara da Infância e Juventude, foram perseguidos e presos em seguida.

Comento:

Estão ouvindo? Não? É o som ensurdecedor das organizações de direitos humanos! Vejam quantas ONGs estão protestando contra a morte de um policial que deixa um filho e uma mulher grávida. Estou até vendo passeata na praia de Copacabana!

Fico imaginando se fosse o contrário, se no tiroteio o policial matasse os dois marginais. Não iria faltar ONG e intelectual brasileiro para acusar a truculência da polícia. Chico Buarque faria mais uma música; Luís Fernando Veríssimo uma crônica.

Enquanto isso temos eleições no Rio de Janeiro com o Exército nas ruas, tudo na mais absoluta normalidade.

E a banda de música continua tocando…