Um alerta

JB:

O professor Reinaldo Gonçalves, titular de uma das cátedras de economia da UFRJ, advertiu que a conjuntura de queda no comércio de commodities e elevação dos juros para créditos de curto prazo fará reaparecer o que classifica como vulnerabilidade externa estrutural da economia brasileira, no seu entender mascarada pelos grandes saldos obtidos no comércio exterior.

Gonçalves diz que o Brasil está no grupo dos nações latino-americanas que será mais afetado pela crise, deixando à vista erros de estratégia e política econômica do governo, que seriam responsáveis pela “blindagem de papel crepom do país.”

Fala Ives Gandra Martins

No último dia 5 de outubro, comemorou, a Constituição Brasileira, 20 anos. Apesar das 62 emendas aprovadas neste período, mostrou-se um texto estável no que diz respeito aos direitos fundamentais e suscetível de alterações na formatação da Federação.

Em 1992, escrevera artigo alertando para o tamanho da federação criada, em que o alargamento dos três poderes, a potencialidade de criação de novos municípios, a elevação da partilha do IPI e do I.Renda e a criação de novos Estados instituíram um Estado maior do que o PIB, que exigiria um constante aumento da carga tributária para sustentá-lo.

Infelizmente, minhas previsões revelaram-se corretas e o suceder de tristes recordes da Receita Federal, que retira da sociedade cada vez mais tributos para não devolvê-los em serviços públicos dignos, está a demonstrar que, efetivamente, a federação brasileira é maior do que o PIB. Os governos são maiores que a sociedade. E os tributos do povo são quase todos consumidos por políticos e burocratas que empalmaram o poder.

Comento:

Não se iludam, como alertou Fábio Giambiaggi em seu livro Raízes do Atraso, antes de ser expurgado do IPEA, a Constituição Cidadã pariu um monstro. Não há como o Brasil crescer efetivamente, de forma sustentável, sem remover as pesadas amarras do texto de 1988.

Enquanto estiver no horizonte dos políticos brasileiros a distribuição de uma renda que simplesmente não existe, estaremos atolados no pântano. Nos últimos anos surfamos na onda do crescimento mundial, embora em termos relativos tenhamos patinado e ficado para trás.

É o preço de tentar instalar a social democracia em um país pobre. Não há o que dividir.

Agora é a Petrobrás no Equador

Globo:

O governo do Equador fez novas ameaças à Petrobras ontem, dizendo que encerrará antecipadamente o contrato se a empresa não cumprir as políticas governamentais e não assinar “o mais cedo possível” um novo acordo para continuar no país.

– Parece-me que a Petrobras estendeu de forma incompreensível a negociação, não foi um problema do Estado equatoriano ou do governo – afirmou o ministro de Minas e Petróleo do Equador, Galo Chiriboga.

Comentário rápido:

Esse é o ideal de negociação de um perfeito idiota latino americano. Não adiante nem perder tempo, o governo brasileiro vai ceder e a empresa de “capital misto” chamada Petrobrás vai ser novamente assaltada. E o acionista que se f…

Mais pesquisas, agora lá…

É impressionante. A Folha Online divulga que a última pesquisa dá empate técnico entre Obama e McCain. Sabem quanto vale qualquer uma dessas pesquisas? Absolutamente nada. As eleições americanas não são decididas por maioiria, como acontece aqui. Lá existe um negócio chamado colégio eleitoral e vitória por estados, um presidente pode, e algumas vezes acontece, de vencer com minoria de votas.

Como saber então quem está liderando as pesquisas? O melhor site que encontrei até agora é o RealClearPolitics.com. Lá a pesquisa que interessa é a por estados e monta-se o mapa eleitoral em cima desses resultados. Obama lidera, como era de se esperar depois da explosão da crise econômica e esta liderança tem aumentado constantemente há umas duas semanas. Está com 264 votos contra 163 de McCain, os votos indefinidos ainda são 111. Para ser eleito são necessários 272 votos.

Mesmo assim ainda fica difícil o prognóstico porque além da incerteza das próprias pesquisas os americanos ainda tem que lidar com uma variável a mais: quantos eleitores realmente irão comparecer e votar?

Hoje temos o segundo debate entre os dois candidatos. O TSE deveria assistir com caderninho na mão e aprender como se faz realmente uma disputa democrática e não aquela palhaçada que se faz por aqui.

Enfim, é a democracia…

Lidando com minha ignorância

A crise americana está  longe de ser resolvida, isto já ficou claro. O presidente brasileiros disse que o Brasil estava blindado, o que na novalíngua __ ler 1984 __ significa justamente o contrário. Isto também já ficou claro.

O governo americano conseguiu autorização do Congresso para injetar quase 1 trilhão de dólares no mercado financeiro. Pelo que sei isso significaria uma inundação de moeda americana no mercado. Com a crise e excesso de moeda seria de se esperar uma desvalorização acentuada da moeda.

Por que então a cotação do dólar está subindo no Brasil? Afinal, a crise não é lá?

Preciso ler muita economia para poder começar a ter uma idéia do que está acontecendo. Afinal, este pacote é bom ou não para a economia americana? E para nós? E para o mundo?

Sei não. A coisa fica cada vez mais sem sentido.

Ah… é claro… o PT venceu as eleições…como sempre.

Uol:

O PT continua a ser o líder no G79, com chance de ampliar sua presença em relação ao que tem hoje.

O partido de Lula conta atualmente com 17 cidades no G79. Agora, a sigla já elegeu 13 prefeitos nesse universo (as 26 capitais e os 53 municípios com mais de 200 mil eleitores). Está no segundo turno em outras 15 localidades no segundo turno. Pode, portanto, chegar a 28 cidades governadas. Em 11 segundos turnos disputados pelo PT o candidato da legenda obteve a classificação na posição de primeiro colocado.

Comento:

É muito esforço para produzir uma análise dessas? Só falta convencer o próprio partido que ficou com um gosto para lá de amargo na boca depois do resultado das urnas…

Estado gigante

Estou sempre batendo aqui na tecla do gigantismo do estado brasileiro que parece só saber crescer. Vejam o que diz a Folha de São Paulo hoje:

Nos 20 anos que se seguiram à Constituição, a economia mundial dobrou de tamanho, mas o Brasil esteve longe de acompanhar o ritmo: o aumento da renda nacional não passou dos 60% e, mantido o desempenho médio do período, levará mais uma década para completar os 100%. Nos 20 anos anteriores ao texto constitucional, a economia do país teve expansão de 260%.

Em contraste, o Estado brasileiro, em receitas e despesas de todos os níveis da administração pública, cresceu a velocidade poucas vezes observada em países democráticos em tempos de paz. Tornou-se, praticamente sem concorrência, o maior do mundo emergente.

Com a carga tributária na casa dos 36% do PIB (Produto Interno Bruto), o Brasil ostenta hoje um gasto público que, como proporção de sua economia, se compara à Europa de tradição social-democrata -ainda que, por falta de PIB, a qualidade dos serviços esteja longe dos padrões do Bem-Estar Social europeu.

Nas outras principais economias latino-americanas, México, Chile e Argentina, a arrecadação varia de um quinto a um quarto da renda nacional. Nas duas maiores economias do mundo, EUA e Japão, o percentual não se afasta muito dos 25%. Esse patamar era mantido no Brasil desde o final da década de 60, até a disparada da carga após a redemocratização.

Esse é o resultado da nossa constituição cidadã, a que tentou implantar o bem estar social no país a força. A que quis distribuir renda que não existia. A que considera o estado como o ente mior de uma nação e única forma de resolver seus problemas.

Feliz aniversário.

Escolhendo os fatos

É sempre engraçado observar a tortura mental que um petralha faz para conseguiu justificar uma tese. Vejam o Josias, para demonstrar que o governo consegue eleger um poste ele cita o exemplo de Recife, onde João da Costa venceu no primeiro turno. Chega até o requinte de fazer ironias ao fato de ter sido impugnado pelo uso extensivo da máquina pública; para ele trata-se apenas de um exagero na eletrificação do poste. Mais baboseiras pode ser lido aqui.

Josias, é claro, está errado. O grande teste que o PT definiu no início do processo eleitoral seria em Curitiba. Era o cenário ideal, havia um tucano na liderança e uma petista mulher, esposa de um dos homens fortes do Partido. Levou uma surra do início ao fim.

Em Belo Horizonte tentaram outra experiência, a criação do candidato tucanalha. A idéia era monopolizar o horário político e elegê-lo ainda no primeiro turno. Não conseguiram. Entra praticamente empatado no segunto turno, com o adversário em franca expansão.

Em Natal, Lula entrou pessoalmente na luta. Afundou a petista e agora tem que aturar Agripino Maia tirando onda.

Sim, é possível eleger um poste. Maluf já tinha provado com Pitta, Maia com Conde. O problema é que também é possível não elegê-lo, situação bem mais provável. Essa é a mensagem que as urnas trazem.

Fico imaginando os alto coturnos olhando para Dilma com uma interrogação na cabeça e pensando: acho que vamos ter que partir para o plano A, o terceiro mandato…