Iron Maiden: SENJUTSU

Com Senjutsu o Iron deu forma final para o som que o moldou ao longo dos últimos 20 anos, especialmente desde a vota de Bruce para a banda. Sim, eu adoro a fase anos 80, com a pegada mais vigorosa, riffs alucinantes e toda energia que a banda trouxe para o rock pesado.

Só que Steve Harris e cia devem ter percebido com os trabalhos do início dos anos 90 que não tinham mais para onde ir, que estariam condenados a se repetirem com cada vez menos criatividade e aquela sensação de esgotamento. A saída meio traumática do Bruce reforçou este pensamento.

Com Blaze na banda, experimentaram o que seria a forma musical para o que viria a seguir. Peças mais longas, quase pequenas sinfonias de rock, uma espécie de cruzamento do heavy metal, progressivo e música clássica. As músicas passaram para a faixa de 10 minutos, com muitas transições, climas e construções cuidadosas. Há geralmente uma introdução e movimentos distintos, claramente inspirados nas sinfonias clássicas. Blaze foi fundamental para dar a liberdade que precisavam para experimentar e o preço quase foi alto demais. Ficaram a um passo de acabar com o Iron Maiden.

Bruce retorna nos anos 2000, mas não fazendo o que faziam quando saiu; agora já havia um novo projeto, que aliás encaixaria como uma luva para o talentoso vocalista que tinha tudo a ver com grandiosidade e performances teatrais. Bruce nasceu para grandes palcos. O Iron passou a mesclar essas pequenas sinfonias com músicas mais diretas, na faixa dos 5 minutos mas são justamente estas músicas mais longas que acho bem mais interessantes. Lembro que Rime at the Ancient Mariner com seus 13 minutos era considerada quase como uma extravagância. Hoje é praticamente a norma.

Senjutsu é o melhor album desta fase progressista-sinfônica da banda, que mais que uma fase, talvez seja o que Harris construiu cuidadosamente ao longo de mais de 40 anos. A primeira fase Dickinson foi a preparação, Blaze a experimentação e depois veio a realização a partir do Brave New World.

Sobre o album em si, trato em outro texto. Só adianto que é um baita trabalho. Digno dos melhores momentos do Iron Maiden.

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