Mundo cão

A cobertura intensiva do caso da menina de 15 anos baleada na cabeça após ser mantida refém pelo ex-namorado, Lindemberg Fernandes Alves, 22, colocou a Record em primeiro lugar por quase toda a manhã deste sábado.

No chamado ibope prévio (que são dados ainda não consolidados, mas próximos dos corretos), a Record obteve das 9h às 12h cerca de 15 pontos de média –seis pontos a mais que a Globo (9). Band e Rede TV beiraram o traço (1 ponto cada) –mesmo que a UHF Recordnews.

Viagem

Caros leitores _ que pretenção a minha! _ a partir de agora, e pelo próximo mês, estarei trabalhando fora de casa, em uma rotina que ainda não sei bem como vai funcionar na prática. É possível, digo até provável, que os acessos à Internet fique um tanto prejudicados.

Isso me afeta de duas formas. A primeira é a dificuldade para manter uma regularidade de posts no blog. Vou tentar superar utilizando este pequeno notebook da Asus, o Eee PC, para escrever nos momentos de disponibilidade, e postar quando tiver a oportunidade.

A segunda forma de como a irregularidade no acesso à internet poderá me afetar é no acompanhamento das notícias diárias. Estarei em uma pequena cidade do interior do Mato Grosso do Sul, provavelmente sem TV a cabo, sem jornal e contando apenas com a TV aberta como fonte de informações. Não sei quanto tempo conseguirei aguentar acompanhar o mundo através das lentes de nossos telejornais. Não sei se ainda tenho muito estômago para isso.

Por outro lado será uma oportunidade em que estarei trabalhando e convivendo em grupo. Tenho certeza que dessa convivência sairá muita coisa interessante para discutir no blog. Será uma oportunidade de ver nosso país pelos olhos de outras pessoas e procurar entender um pouco mais como encaramos os imensos desafios a nossa frente.

Vivemos tempos muito difíceis, os valores foram perdidos na rapidez incessante de nossos tempos. Foi um movimento lento de rompimento com nossa tradição, mas que tem se acelerado nos últimos anos. Acompanhar estas mudanças, tentar entender o que está em jogo, raciocinar e criar juízos; tudo isso é uma tarefa monumental.

No entanto é viciante. Quanto mais se aprende, mais se quer aprender. A busca da sabedoria _ que pretenção! _ é um motor e tanto para nos impulsionar em tempos tão turbulentos. Já divaguei demais. Era só para dar um sinal de alerta para alguma turbulência nas semans que virão. Não é nada não é nada, não é nada mesmo.

Desafio de Olavo de Carvalho

Nossos governantes

Olavo de Carvalho
Jornal do Brasil, 28 de agosto de 2008

Desafio o governo Lula e seus sessenta intelectuaizinhos de estimação, os partidos de esquerda, o dr. Baltasar Garzón e todos os camelôs de direitos humanos a provar que qualquer das afirmações seguintes não corresponde aos fatos:

1. Todos os militantes de esquerda mortos pela repressão à guerrilha eram pessoas envolvidas de algum modo na luta armada. Entre as vítimas do terrorismo, ao contrário, houve civis inocentes, que nada tinham a ver com a encrenca.

2. Mesmo depois de subir na vida e tomar o governo, tornando-se poderosos e não raro milionários, os terroristas jamais esboçaram um pedido de perdão aos familiares dessas vítimas, muito menos tentaram lhes dar alguma compensação moral ou material. Nada, absolutamente nada, sugere que algum dia tenham sequer pensado nessas pessoas como seres humanos; no máximo, como detalhes irrisórios da grande epopéia revolucionária. Em contrapartida, querem que a opinião pública se comova até às lágrimas com o mal sobrevindo a eles próprios em retaliação pelos seus crimes, como se a violência sofrida em resposta à violência fosse coisa mais absurda e chocante do que a morte vinda do nada, sem motivo nem razão.

3. Bradam diariamente contra o crime de tortura, como se não soubessem que aprisionar à força um não-combatente e mantê-lo em cárcere privado sob constante ameaça de morte é um ato de tortura, ainda mais grave, pelo terror inesperado com que surpreende a vítima, do que cobrir de pancadas um combatente preso que ao menos sabe por que está apanhando. Contrariando a lógica, o senso comum, os Dez Mandamentos e toda a jurisprudência universal, acham que explodir pessoas a esmo é menos criminoso do que maltratar quem as explodiu.

4. Mesmo sabendo que mataram dezenas de inocentes, jamais se arrependeram de seus crimes. O máximo de nobreza que alcançam é admitir que a época não está propícia para cometê-los de novo – e esperam que esta confissão de oportunismo tático seja aceita como prova de seus sentimentos pacíficos e humanitários.

5. Consideram-se heróis, mas nunca explicaram o que pode haver de especialmente heróico em ocultar uma bomba-relógio sob um banco de aeroporto, em aterrorizar funcionárias de banco esfregando-lhes uma metralhadora na cara, em armar tocaia para matar um homem desarmado diante da mulher e do filho ou em esmigalhar a coronhadas a cabeça de um prisioneiro amarrado – sendo estes somente alguns dos seus feitos presumidamente gloriosos.

6. Dizem que lutavam pela democracia, mas nunca explicaram como poderiam criá-la com a ajuda da ditadura mais sangrenta do continente, nem por que essa ditadura estaria tão ansiosa em dar aos habitantes de uma terra estrangeira a liberdade que ela negava tão completamente aos cidadãos do seu próprio país.

7. Sabem perfeitamente que, para cada um dos seus que morria nas mãos da polícia brasileira, pelo menos trezentos eram mortos no mesmo instante pela ditadura que armava e financiava a sua maldita guerrilha. Mas nunca mostraram uma só gota de sentimento de culpa ante o preço que sua pretensa luta pela liberdade custou aos prisioneiros políticos cubanos.

Desses sete fatos decorrem algumas conclusões incontornáveis. Esses homens têm uma idéia errada, tanto dos seus próprios méritos quanto da insignificância alheia. Acham que surrar assassinos é crime hediondo, mas matar transeuntes é inócuo acidente de percurso (e recusam-se, é claro, a aplicar o mesmo atenuante às mortes de civis em tempo de guerra, se as bombas são americanas). São hipersensíveis às suas próprias dores, mesmo quando desejaram o risco de sofrê-las, e indiferentes à dor de quem jamais a procurou nem mereceu. Procedem, em suma, como se tivessem o monopólio não só da dignidade humana, mas do direito à compaixão. Qualquer tratado de psiquiatria forense lhes mostrará que esse modo de sentir é característico de criminosos sociopatas, ególatras e sem consciência moral. Não tenham ilusões. É esse tipo de gente que governa o Brasil de hoje.

Terceira opção para o Petróleo do Pré-sal

Na discussão sobre o petróleo a ser extraído do pré-sal duas vertentes têm se destacado.

A primeira é usar os recursos do pré-sal para investir na educação e na saúde como defende o presidente da república. O problema é que a inundação do mercado de dóllares levaria à inevitável queda da cotação da moeda, o que provocaria um enorme prejuízo para as exportações brasileiras. O mesmo vale para a simples venda do petróleo pela Petrobrás ou a nova estatal com a apropriação dos lucros pelo governo ou mesmo para a empresa.

A segunda é a exportação do petróleo com a aplicação dos dóllares nos fundos internacionais para evitar a nacionalização dos lucros e preservar a economia de uma queda acentuada da moeda americana.

Stephen Kanitz apresenta na Vesta desta semana uma terceira opção. Simplesmente não exportar o petróleo, usar o recurso natural para o próprio consumo do país. Lembra que a falta de petróleo é eminante no mundo para um futuro próximo e neste sentido preservá-lo pode valer muito mais a pena do que negociá-lo. Pode acontecer de quando precisar o Brasil ter que pagar muito caro para obtê-lo.

Kanitz lembra que o Estados Unidos tem procurado preservar o seu e comprar dos árabes a um preço inferior ao que poderá alcaçar o ouro preto no futuro. O México vendeu suas reservas e praticamente esgotou sua fonte ficando na dependência da importação para contunar seu desenvolvimento econômico.

É bom o Brasil se preparar se quiser preservar suas reservas para as futuras gerações. Em caso de falta de petróleo no mundo terá que proteger o seu e com as forças armadas que tem será muito difícil. Delírio? Esperem o dia que faltar e veremos o tamanho deste delírio.

No detalhe…

A Polícia Federal vai ser usada apenas para produzir um relatório que o grampo na verdade não existiu. A nota distribuída pela instituição ontem já antecipa este desfecho, no detalhe de uma única palavra:

“Nota à sociedade

A direção-geral da Polícia Federal determinou à Superintendência Regional no Distrito Federal a instauração de inquérito para apurar supostos monitoramentos de comunicações de autoridades públicas.

A Polícia Federal informa que solicitou, ainda, o acompanhamento da investigação por membros da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência CCAI (Comissão Permanente do Congresso Nacional), bem como pelo Ministério Público Federal.

Sobre ilações a respeito da participação da Polícia Federal em atividades ilegais de escuta, a instituição esclarece que, como polícia judiciária, utiliza o instituto da interceptação telefônica como meio de investigação, com acompanhamento do Ministério Público e autorização judicial, nos termos da legislação vigente.

A tecnologia disponível e o treinamento dos efetivos são adequados à produção de provas vinculadas a inquéritos policiais passíveis de auditoria pelos órgãos de controle interno e judicial.”

Sempre que surgir em um texto sobre crime a palavra suposto pode acreditar que há um petista na origem. Simples assim.

O mesmo vale quando surge a mesma palavra em um texto jornalístico, como bem ensinou gente como Tereza Cruvinel e Franklin Martins.

Mais um round da luta pela liberdade

Folha:

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) deve se reunir hoje para reavaliar o espaço que a internet ocupará nas eleições municipais deste ano. Pela legislação vigente, foram impostas duras restrições à divulgação de informação jornalística e de manifestação de apoio a candidatos no mundo virtual .

Comento:

Na prática a justiça eleitoral vem atropelando a constituição que garante a livre manifestação. Várias páginas do orkut que manifestaram apoio a um candidato ou mesmo que se propuseram a discutir as eleições foram retiradas do ar. Se pudessem, haveriam juízes circulando para impedir que um grupo de pessoas discutam no barzinho qual o seu candidato preferido. Estão matando a democracia aos poucos, com colaboração prestimosa da justiça eleitoral. Tudo em nome da igualdade. Como sempre.

Viagem

Este blogueiro estará viajando hoje para fora do país, a trabalho. Tentarei postar como puder mas não dá para garantir pois serão muitas atividades. Uma semana longe da podridão brasileira não será assim tão ruim.

Veremos.

Os bois de Minc

Folha:

O Ibama remarcou para a próxima terça-feira (19) o leilão dos 3.046 “bois piratas” apreendidos há três meses na reserva ecológica da Terra do Meio (PA).
É a sexta tentativa do governo de livrar-se de um problema criado pela estratégia marqueteira do ministro Carlos Minc (Meio ambiente).

Comento:

Mais uma atuação desastrosa do governo. O que foi gasto com a alimentação e cuidados com estes 3000 bois já passou de um milhão, justamente o que se espera conseguir em um leilão. Se conseguir. É um mico gigantesco fruto de uma idéia de gerico na cabeça de um gerico. Coisa de Minc. Cara de governo petista; a lógica passa ao largo.

Sociedade cada vez mais acuada

Há um método por trás de cada ato que aos poucos vai tirando nossa liberdade e nos colocando contra a parede, só não vê quem não quer.

Desde o primeiro dia do governo Lula o estado tem avançado, ganancioso, sobre a sociedade; estica-se a corda o quanto se pode. Quando há reação, recua-se, quando não, segue-se adiante. Assim vamos abrindo a mão de nossa liberdade, sempre em função de uma minoria.

Está em todos os cantos.

Querem escolher a programação de nossa televisão a cabo. Querem escolher como educar nossos filhos. Querem escolher brasileiros em função da cor da pele. Querem acuar o fumante em uma espécie de gueto. Querem instalar a censura prévia. Querem impedir comercial de bolachas na televisão. Querem tratar hábitos culturais como crimes. Querem ignorar a lei para promover espetáculos grotescos e inúteis na televisão. Querem que paguemos mais por tudo para “proteger” o meio ambiente.

A cada dia abrimos mão de mais um pouquinho. Achamos que o estado nos vai proteger de nós mesmos, de nossa cupidez, de nossos males. Não vai. O estado é um monstro voraz, dirigido por homens que pensam 24 horas por dia em como aumentar seu poder, e este poder cresce justamente sobre a sociedade, sobre as pessoas comuns que ficam cada vez mais acuadas sem saber o que está acontecendo.

Haverá saída? Temo que não; pelo menos a lógica assim me diz. Quero estar errado, quero acreditar que somos capaz de dar um basta e guiar nosso próprio destino, fazer nossas escolhas, errar, ser infeliz se assim for o caso. Mas decidir sobre nós mesmos e não deixar burocratas profissionais decidirem por nós.

É cada dia mais difícil acreditar. Vejo com tristeza esta apatia coletiva e a fé que nosso povo coloca no governo como solução de nossos problemas.

Estamos alimentando o monstro que um dia haverá de nos devorar.

Justiça X Mídia

Assusta-me as recentes decisões judiciais, todas em primeira instância, contra veículos de comunicações. A liberdade de imprensa foi uma dura conquista para a democracia no mundo todo e é uma das condições essenciais para seu funcionamento.

Não acredito que em instâncias maiores a decisão seja mantida, afinal temos um artigo na constituição que a garante. Fica evidente que nossos juízes de primeira instância são capazes de qualquer coisa. Fui em uma palestra outro dia em que uma advogado falou que a interpretação literal da lei é a mais fácil e a mais frágil. Fiquei com este pensamento na cabeça, é mais ou menos o que estes julgadores estão fazendo.

O caso do Conselho Regional de Medicina de São Paulo é emblemático. A mídia foi impedida de colocar no ar uma reportagem sobre irregularidades no órgão. Não sei como o juiz que deu a decisão considera, mas isto é censura prévia, o que é expressamente proibido na carta magna, aquela porcaria que foi votada em 1988.

Imagine se fosse aplicada a decisão a todas as reportagens sobre corrupção? Teríamos que aguardar decisões transitadas e julgadas para fazer a reportagem? A imprensa é importantíssima na vigilância da democracia e fundamental em um país onde o Legislativo se esquiva do dever de fiscalizar o Executivo.

Sobre as decisões da justiça eleitoral, há tempos venho observado que a cada eleição ela extrapola um pouco mais e limita o processo político. No fundo está a concepção que o eleitor é facilmente influenciável e incapaz de decidir por si próprio. Existe alguma verdade nesse pensamento, mas só corrigível pela educação e a verdadeira cidadania. Tenho muito receio a idéia de que alguém possa decidir a informação que devo ou não receber, e é o que está acontecendo.

A mídia tem suas falhas, e são muitas. A falta dela, no entanto, já se mostrou extremamente prejudicial à humanidade pois é o canal de observação da pessoa comum no processo político. Limitar sua ação é colocar uma venda nos olhos do indivíduo. Ela deve sim ser responsabilizada por seus excessos através da legislação existente, mas nunca tolhida.