Rogue One: 5 elementos espirituais

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Qualquer que seja a obra de arte, ela vai falar com você de alguma forma e o filme Rogue One não é diferente. Você pode analisar como uma aventura, pelo caráter político, pela filosofia, pela economia e etc. Eu prefiro analisar pelo aspecto espiritual, pois foi este que mais me chamou atenção.

Você pode se divertir apenas assistindo o filme, que é muito bem feito, mas acredito que refletir um pouco sobre ele, buscando outras camadas de entendimento, tornam a experiência mais enriquecedora. No novo Star Wars, cinco elementos espirituais me chamaram atenção. São eles:

1. Sacrifício. Rogue One é mais que um grupo de renegados com uma missão. É um grupo que entendem que a única chance que possuem é o espírito de sacrifício; que não podem buscar a satisfação pessoal. Não há glória esperando, nem recompensa. Em determinado momento fica claro que não sobreviverão. Ao invés de se agarrar a uma tênue chance de se salvarem, tratam de esquecer das próprias vidas e buscam cumprir a missão que se propuseram. É preciso perder a vida para conquistá-la. Procurem no Livro, está lá.

2. Ordem. O personagem do Diretor Krennic diz a Galen Erso na primeira cena que é preciso restaurar a ordem na galaxia. Erso retruca, o que Krennic chama de ordem é outro nome para violência. Ele sabe que a ordem do Império não é a ordem da existência, pois não se baseia na verdade. Apesar a estética da limpeza e da padronização nas bases militares, o produto do Império é o caos, é o que Jedha se tornou. A rebelião quer restituir a ordem verdadeira, a que se origina na liberdade.

3. Fé. No universo Star Wars, a força é o símbolo da fé e da religião. Ao contrário dos outros filmes, a força está um tanto ausente. Um templo em ruínas e dois velhos guardiões, um cego e um céptico, duas testemunhas de um tempo que se foi. A devoção do cego é vista como uma esquisitice, mas aos poucos se torna inspiradora. A força começa a se espalhar e culmina com a conversão do céptico, um dos grandes momentos do filme.

4. Esperança. Chesterton costumava dizer que o impossível está na essência da esperança. Você precisa acreditar quanto tudo indica que não adianta, que a causa está perdida. Rogue One dá o melhor de si para, contra todas as possibilidades, entregar mais que um disco com informações secretas, entregar esperança para uma rebelião prestes a se desintegrar e aceitar a derrota. No fim, é a esperança que derrotará o Império.

5. Amor. Afinal, o que querem os integrantes do Rogue One? Vingança? Sim, no início era isso, mas em certo instante tudo mudou. Eles não querem a glória, sentem que não irão sobreviver. No entanto, continuam. Querem a justiça, querem restaurar a paz, querem o bem das pessoas que nem conhecem. O amor verdadeiro é isso, querer o bem sem esperar nada em troca. O cristianismo chamou esse tipo de amor de “caritas”.


Entender as várias camadas de uma obra de arte nos enriquecem. Com um pouco de prática, e cultura, vai ficando cada vez mais fácil. Veja mais análises da cultura em meu canal do youtube:

Empresários e empreendedores, não necessariamente a mesma coisa

Empresários e empreendedores, não necessariamente a mesma coisa

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Empresário é qualquer um que tenha um CNPJ. Empreendedor é quem cria valor para atender uma necessidade de mercado. Não se trata da mesma coisa. Quanto mais poderosa uma economia, mais estes papéis se confundem. Se você quer avaliar um país economicamente, um caminho é avaliar se os empresários são empreendedores ou não.

Infelizmente o Brasil é um país que o principal caminho para crescimento de uma empresa é a relação espúria com os governos e o estado. Uma das coisas que a lava jato deixou evidente é que as grandes empresas eram máquinas de receber dinheiro que nos foi sequestrado e devolver parte para os mesmos políticos que liberavam este dinheiro. Nada a ver com o que se entende de empreendedorismo. Eles até criavam valor, mas não para a sociedade. O mercado, para eles, são os políticos e partidos.

Não é à toa que o Brasil é um país de economia fortemente estatizada. Atende diversos interesses. Mas como todo golpe, é fundada em uma grande ilusão, a de que o estado está resolvendo os problemas do povo. É nojento ver deputados e ministros dando entrevistas preocupados com o orçamento da saúde, da educação. Pura hipocrisia. O que estão defendendo é mais dinheiro para distribuir para as empresas amigas.

A Lava Jato evidenciou apenas as grandes empreiteiras. Não tenhamos ilusões que seja um problema restrito a um setor. Há esquema em quase tudo que o estado contrata, principalmente se o contrato for grande. Nada disso é imprevisível para quem adota um capitalismo de estado. Principalmente com estruturas de controle que podem até ser poderosas formalmente, mas que na prática nada controlam. Ou alguém consegue responder o que fazia a receita federal quando essas movimentações absurdas em dinheiro vivo eram feitas?

Se o Brasil quiser ter qualquer chance, é preciso se tornar um país de empreendedores. Mas isso só vai acontecer se tirarmos poder e dinheiro dos políticos, o que é impossível com a atual constituição, raiz de grande parte do problema.

Infelizmente não há meios, dentro da constituição, de mudar o próprio espírito da constituição. A única coisa que se pode fazer é remendos. E o Livro nos ensina:

Ninguém põe remendo de pano novo em vestido velho; porque o remendo tira parte do vestido, e fica maior a rotura. (Mateus 9:16)

Um romance primoroso: Os Noivos

Ainda vou comentar com calma o maravilhoso romance de Alessandro Manzoni, Os Noivos. Escrito entre 1823 e 1825, o livro trata não só das aventuras de Renzo e Lúcia, impedidos de se casar pelo desejo de um hedonista poderoso. Trata do verdadeiro sentido modelos_de_noivinhos_pb2520109da fé, do valor dos homens e da luta constante do bem contra o mal. Há diálogos impressionantes, daqueles para ler e reler várias vezes, e se admirar com tamanha clareza.

De todos os diálogos, o que mais me impressionou foi o travado entre o Cardeal e Dom Abbondio. Duas espécies completamente diferentes de religiosos; o retrato do que deve ser a coragem moral de quem se submete ao Cristo. Um romance de santos e demônios, competindo pela alma das pessoas mais simples. Um dos romances mais belos que já li.

Um clássico.

Onde estão os pivetes?

Ontem constatei uma das novidades do Centro do Rio. Como o policiamento está falido na prática, os lojistas se organizaram e contrataram seguranças que ficam patrulhando em torno de suas lojas, como parece que já estavam fazendo na Lapa. Andam em trios e visualmente já teve efeito, quase não se vê mais pivetes.

O que deixa a grande pergunta, para onde foram? O otimistas acha que sem conseguir praticar crimes, estão procurando emprego. Um cético, como eu, acredita que migraram de região. Parece-me que um dos locais escolhidos é aqui em Copacabana.

No fundo, trata-se do mesmo erro das UPP. Ocupam uns morros, sem confronto com a bandidagem, que migra para outro local. Moradores de Niterói me contam como cresceu a bandidagem nas favelas de lá. E nosso Beltrame segue firme, colecionando novos índices de violência.

Repito sempre: acredito que não existe nenhum problema mais urgente para resolver no Brasil do que a violência. É a principal razão de ser do estado: a segurança. Infelizmente, é pregar no deserto.

12 dicas para um escritor iniciante

O professor e crítico literário Rodrigo Gurgel recentemente gravou um vídeo com 12 dias para um escritor:

https://www.youtube.com/watch?v=MFYWwVO-d-k

 

Reproduzo abaixo a lista e meu entendimento sobre as principais idéias que ele apresentou no webinário:

1. Escreva para um determinado leitor
Não tenha pretenção de escrever para todos. Imagine o leitor que você quer atingir, nem que seja você mesmo. É para ele que você vai escrever.

2. Escreva sobre o que você conhece
Quanto mais você conhecer sobre um assunto, uma situação, um sentimento, mais segurança você terá para escrever.

3. Tenha um ritual de trabalho
Temos uma ilusão romântica de que o escritor é 100% inspiração, que escreve apenas quando tem idéias. Não é bem assim, há trabalho duro envolvido e uma rotina facilita as coisas. Separe um horário para escrever todos os dias.

4. Não estabeleça metas impossíveis
Associada a uma rotina, há metas. Não procure o impossível. Se for 30 minutos por dia, que seja. O importante é uma meta que consiga alcançar.

5. Não se preocupe com os grande escritores
Não se preocupe se está parecido com os escritores que admira, nem se não conseguir escrever como eles. Sua voz vai aparecer naturalmente, apenas persista.

6. Não fique pensando nos seus limites
É fácil desistir se pensar demais nos seus limites. Não pense tanto neles e prossiga com o foco em suas qualidades.

7. Treine seu poder de observação
Um escritor está sempre atento ao que está acontecendo a seu redor. Seja em casa, na rua, nos jornais. Você nunca sabe quando vai surgir uma idéia para aproveitar.

8. Anote tudo, não confie na memória
Um escritor tem sempre um caderninho, ou um celular, em condições de anotar idéias, que costumam surgir a qualquer momento. Não confie que vai lembrar depois.

9. É preciso planejar o que escrever
Novamente, rejeite a idéia que um escritor é 100% inspiração. Planeje o que vai esconder; faça esquemas, desenhe. O importante é saber onde se quer chegar.

10. Não procure ser um literato
Infelizmente a crítica literária foi tomada por uma ditadura da novidade e da complexidade. Escritores, especialmente no Brasil, só querem escrever para outros escritores, trocando elogios em um ritual de enganação. Procure escrever uma boa estória, é isso que o público quer.

11. Não se sinta sozinho
Procure alguém que leia seu trabalho, que possa dar conselhos ou mostrar pontos que não conseguiu compreender. Pode dar uma luz sobre pontos que não pensou a respeito.

12. Leia sempre
Não existe bom escritor que não tenha sido um bom leitor. Leia sempre, mas leia com qualidade. Anote as soluções que os grandes escritores usam, entendam como resolveram suas dificuldades.