Neste vídeo eu explico porque o filme O Destino de Uma Nação é uma verdadeira aula sobre o principal dos princípios democráticos, a representação. Voegelin teria gostado.
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Sobre o filme “Coco”
Romper com a tradição é abraçar a morte.
Manchester by the Sea: O problema do sofrimento
Como superar uma enorme tragédia pessoal?
Nesse vídeo comento o filme (COM SPOILER).
Ocupação de espaço é isso
Imaginem um Curso de Defesa e Segurança Estratégica Internacional, em uma das mais renomadas universidades brasileiras. Imaginem a aula inaugural do curso.
Conflito na Síria?
Terrorismo Internacional?
Nova política externa do governo Trump?
Tolos…

A questão do desemprego

Ontem escutei na CBN uma discussão entre o Sardemberg e uma economista, Mônica. Não consegui escutar o sobrenome, apenas que mora fora do país. Tratavam dos mais recentes números que mostram que a inflação baixou e que a taxa de desemprego parou de subir. Ela discordou veementemente da afirmação do colega de que essa situação representava uma melhora. Segundo essa Mônica, a situação só melhoraria se o desemprego começasse a cair. Sardemberg retrucou. Quando as pessoas estão sendo demitidas e param de perder emprego é sim uma melhora. Ela não concordou e afirmou que a única questão que interessa é se daqui a três anos o Brasil estará crescendo novamente a 3,5%, com pleno emprego.
Fico pensando. Tudo que é feito em economia pelos governos tem como justificativa diminuir o desemprego. Nada é mais importante nesse mundo confuso que vivemos do que a tal taxa de desemprego, uma idéia que é na essência, do Keynes. Eu não lembro de um economista que trate de forma diferente, que veja coisas mais importantes do que o emprego na economia. Talvez estejam certos, não sei. Mas tenho lá minhas dúvidas. Sei que ter emprego é importante, mas será o mais importante?
E o tal pleno emprego? É possível? Uma nação toda empregada é sinal de que as coisas estão bem? Que eu lembre a população soviética era toda empregada e nem assim viviam bem. Ah, mas o importante é o desenvolvimento econômico. Será? E o que significa desenvolvimento econômico? Enriquecer? Se já está mais que demonstrado que ter dinheiro não é garantia nenhuma de felicidade, por que uma nação rica seria?
É sempre muito perigoso considerar a economia independente das outras dimensões humanas, como a religião e a própria política _ que não deve ser confundida com a politicagem. Sempre achei que a economia nunca é um fim, sempre um meio para algo maior. Mas para que?
Tzvetan Todorov (1939-2017)

Deixou-nos hoje um verdadeiro intelectual, o búlgaro Tzvetan Todorov, que conheci a partir das aulas do Rodrigo Gurgel.
Dos três livros que li dele, o que mais me impactou foi o breve A Literatura em Perigo. Nele, Todorov mostra os três grandes monstros que estão destruindo a literatura e corromperam seu estudo nas escolas: o formalismo, o solipsismo e o niilismo. Nada é mais importante na literatura do que o sentido das obras, justamente o que é negligenciado pela análise crítica atual e pelos professores, até porque a maioria não é capaz de entender as obras que estudam.
Que descanse em paz!
Hoje, se me pergunto por que amo a literatura, a resposta que me vem espontaneamente à cabeça é: porque ela me ajuda a viver.
Tzvetan Todorov
A Literatura em Perigo
E quando não escutarmos mais a beleza?
Na cena final de La Dolce Vita, o clássico de Frederico Fellini, a beleza, na forma de uma menina, tenta se comunicar com Marcello, lembrá-lo de seu ideal, do desejo de escrever um livro. Ele não consegue escutá-la. Sua alma se fechou, não suportou que seu modelo de vida, tenha se suicidado e matado os próprios filhos. Em um mundo sem sentido, que Deus não está presente, melhor seria não ter nascido.
Marcello desiste de buscar qualquer orientação. Se entrega à barbarie, ao grotesco, à feiura. Ele ainda não sabe, mas seu caminho é da auto destruição.
La Dolce Vita talvez seja mais atual hoje do que quando foi filmado. Há sempre um carácter profético na verdadeira arte.

A Chacina de Manaus
O que aconteceu em Manaus, uma briga de quadrilhas dentro de uma prisão, mostra o fracasso do estado.
Com certeza, se tivessem contratado uma ONG que ensinasse ballet e teatro nada disso teria acontecido. Afinal, aqueles pobres carentes de liberdade são vítimas do sistema, foram obrigados ao crime por essa sociedade capitalista machista branca cristã e opressora. Faltou amor para aqueles meninos!
Escrevo essas linhas escutando imagine em looping, com uma camisa branca escrita paz e lágrima nos olhos.
Falta amor ao Brasil!
Feliz 2017!

É besteira pensar o 1º de Janeiro como uma data qualquer. Cientificamente não há diferença entre este dia e outro qualquer, mas simbolicamente é bem diferente; o ano novo marca o início de um novo ciclo.
Temos uma pré-disposição de considerar o simbólico como algo artificial. Os símbolos são a forma como enxergamos a realidade, eles possuem mais verdades embutidas que a maioria das teorias científicas que nos vendem como verdade. A tendência muito moderna de desprezar os símbolos afasta o homem da realidade mais profunda, do que se chamou de sagrado.
Praticamente todas as tradições religiosas possuem símbolos de renovação. A vida acontece em ciclos, como até mesmo um filósofo atormentado como Nietzsche percebeu. Por isso, é tão comum, mesmo nas civilizações mais remotas, cerimônias anutais de renovação. Antes que pensem que se trata de simples convenção, observem bem o cosmos. Os ciclos estão por toda parte.
As celebrações pagãs do 1º de janeiro refletem os ritos sagrados de renovação. Estamos sempre nos recriando e vivendo novamente. Não é por acaso que tantas situições se repetem e nossa vida mais parece uma sucessão de elipse do que uma linha reta, como perceberam cineastas como Terrence Malik (Tree of Life, To The Wonder). Se no fim da vida conseguimos percever uma trajetória, durante só vemos esses ciclos. As teorias lineares da história nunca vão nos satisfazer pois só perceberemos a história com um sentido, com uma narrativa linear, quando ela terminar e não adianta muito especular sobre seu fim. Qualquer teoria sobre o sentido da história está destinada ao fracasso.
O homem simples, e por isso mesmo mais autêntico, sabe disso. Vive sua vida dentro dos ciclos, celebra o ano novo com espírito religioso, ecos do sagrado, e segue adiante. São os homens complexos, que fazem de tudo para fugir da realidade, que não conseguem entender nada disso. São monotemáticos, subordinam toda vida a um único aspecto, como a política ou o progresso, e vivem a vida como se estivessem em alguma missão civilizadora. Transformam o mundo em um caos.
Meu caro leitor, seu mundo provavelmente não vai mudar radicalmente no 1º de janeiro, mas isso não é motivo para não celebrá-lo. Um novo ciclo se inicia e, mesmo que não seja muito diferente do anterior, será algo de diferente. Como os antigos perceberam, os ciclos se repetem, mas sempre modificados de alguma forma.
Antes de terminar, uma última reflexão. Há acontecimentos que atravessam os ciclos, que rompem com a repetição e podem nos fazer mudar significativamente. Mas quantas vezes isso realmente acontece em nossas vidas? E, mesmo que radical para nós, será para a humanidade? À rigor, só houve um acontecimento que realmente atravessoui todos os ciclos e mudou o destino do mundo, mas essa história é melhor contada no natal. Deixemos para outra ocasião.
Portanto, um feliz ano novo a todos. Lembrem-se, é mais um ciclo, mas não significa que estejamos condenados a repetir os mesmos erros. Sejamos pelo menos criativos e experimentemos novos!