Copa do Mundo: pensamentos soltos

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Neymar divide opiniões. No Brasil. Fora não há divisão nenhuma; ganhou antipatia de todos. Estou vendo isso aqui em Bogotá.

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Jogou bem as duas últimas partidas. Está numa crescente, com tudo para arrebentar nos jogos finais. Se quer conseguir cartões e faltas, tem que rolar menos. Atuação exagerada macula.

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“Essa é a Bélgica? Ganhamos fácil”. Em copa, cada jogo é uma estória. Tem time bom que só aparece na hora certa. Na última copa a Alemanha penou para passar pela Argélia e empatou na primeira fase com Gana. Fácil esquecer isso depois do título.

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Bélgica virou dois gols no segundo tempo de um jogo eliminatório. Não é pouca coisa. Se fosse Brasil, estaríamos exaltando um feito.

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Somos acostumados a pensar no Brasil como a equipe a ser batida. Não aprendemos nada.

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A última vez que o Brasil teve uma equipe claramente superior em uma Copa foi em 2006. E perdemos contra uma França que jogou taticamente perfeita. Bem fechada, em função da genialidade da dupla Zidane-Henry. Hoje somos mais esta França que aquele Brasil.

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Sempre achei chato o estilo espanhol, mesmo quando dava certo. Agora que aprenderam a lidar com ele, continua chato e não funciona.

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Nos anos 1990 parecia claro que a África estava perto de chegar longe em uma Copa. Enganamo-nos todos. Perderam o que tinham de bom (velocidade, força física, ousadia) e se tornaram cópias inferiores dos Europeus. Curiosamente a Ásia cresceu e não tem feito feio nas Copas, especialmente Coréia do Sul e Japão.

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O que raios fazem tantos times da América Central na Copa? Honduras, Panamá e Costa Rica. Dois três, só cabia vaga para um.

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48 países na próxima copa? Grupos de três? Claro que dá pare entender a equação política (cada novo aumento implica em votos para permanecer no poder). Havelange fez isso em 1982 (24), Blatter em 1998 (32). Esse último número é perfeitamente defensável. 48 é uma aberração.

I, Tonya

Finalmente assisti o filme que conta a história de Tonya Harding, a patinadora americana que se envolveu em um atentado que resultou em quebrar o joelho de Nancy Kerrigan, sua rival.

Lembro dos acontecimentos na época, mas nunca me interessei muito nos detalhes. O filme é baseado em depoimentos dos envolvidos no que chamam de “incidente”: Tonya, o ex-marido Jeff, o amigo idiota Shawn, a mão dela e outros personagens mais secundários. Apesar de basear em depoimentos, ou talvez por causa disso, o filme deixa a dúvida na extensão do envolvimento de Tonya no episódio. O que resta claro é a responsabilidade de ter se envolvido com  a figura abusiva de Jeff. Será sempre um mistério como muitas mulheres continuam em relacionamentos destrutivos como ela se permitiu, sempre na esperança que a pessoa vai mudar.

Um bom filme, que usa bem o recurso de misturara narração com os próprios atores simulando as entrevistas, o que confere um ar de realismo ao drama mostrado. Fiquei lembrando um periscope que vi com Scott Adams em que ele questiona a importância da família argumentando que basta um dos pais serem ruins para arruinar a vida de uma pessoa. É o que acontece com Tonya.

5 Bullets de Sexta!

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

O que estou lendo

Na verdade, relendo. Confissões, de Santo Agostinho. Esta semana li o capítulo IX, em que ele narra a vida e morte da mãe, Santa Mônica. Só por esse capítulo ele merece figurar entre os melhores escritores de todos os tempos.

Quem estou seguindo no twitter

Dionisius Amendola (@Dionisius). O criador do Bunker do Dio tem as melhores sacadas sobre cultura. Procurem no youtube, vão se surpreender. Especialmente se gostam de cultura pop.

Banda que estou “revisitando”

Rory Gallagher. Meu guitarrista favorito. Album Against the Grain (1975)

Filme da semana —

To Have and Have Not (1944), do Howard Hawks. Um Casablanca melhorado (sim, isso mesmo que você leu).

Citação que estou meditando

“O mundo, a ordem política, a civilização que está para cristalizar-se, dependem essencialmente, diretamente, do amor que tivermos. E não basta dizer do amor que tivermos para uso próprio em nossa vida particular; é preciso acrescentar: do amor que tivermos e soubermos projetar, e que assim venha a constituir o próprio tecido de um mundo novo que todos nós queremos menos egoísta e menos desumano.”

Gustavo Corção

E aí, o que acharam? Deixem um comentário e sugestões!

Tenho Algumas Coisas a Dizer

Encontrei hoje este impressionante relato no facebook. Como não o encontrei em página web, resolvi transcreve-lo aqui no blog. Boa leitura pois é realmente impressionante.

TENHO ALGUMAS COISAR A DIZER

Eu me lembro do momento exato em que soube que estávamos quebrados. Ainda consigo visualizar minha mãe na geladeira e o olhar no rosto dela.

Eu tinha seis anos de idade e cheguei de casa para almoçar durante o intervalo da escola. Minha mãe me dava a mesma coisa todos os dias: pão e leite. Quando você é uma criança, nem pensa sobre isso. Mas acho que era tudo que podíamos comprar.

Naquele dia, eu cheguei em casa e entrei na cozinha e vi minha mãe na geladeira com uma caixa de leite, como sempre. Mas, naquela vez, ela estava misturando algo. Ela estava balançando, sabe? Eu não entendi o que estava acontecendo. Ela me trouxe o almoço e estava sorrindo, como se tudo estivesse bem. Mas eu percebi na hora o que estava acontecendo.

Ela estava misturando água no leite. Não tínhamos dinheiro suficiente para o resto da semana. Estávamos quebrados. Não apenas pobres, mas quebrados.

Meu pai havia sido um jogador profissional de futebol, mas estava no fim da sua carreira e não havia mais dinheiro. A primeira coisa que perdemos foi a TV a cabo. Acabou o futebol. Acabou o Match of the Day (famoso programa esportivo britânico). Acabou o sinal.

Chegava em casa à noite e as luzes estavam apagadas. Sem eletricidade por duas, três semanas de uma vez.

Eu queria tomar banho, e não havia mais água quente. Minha mãe esquentava a chaleira no fogão, e eu ficava em pé no chuveiro jogando água quente na minha cabeça com um copo.

Houve ocasiões em que minha mãe precisava pedir pão “emprestado” da padaria no fim da rua. Os padeiros nos conheciam, eu e meu irmãozinho, então deixavam que ela pegasse uma fatia de pão na segunda-feira e pagar apenas na sexta.

Eu sabia que tínhamos problemas. Mas, quando ela estava misturando água no leite, eu percebi que já era, sabe? Essa era nossa vida.

Eu não disse uma palavra. Não queria estressá-la. Eu apenas comi meu almoço. Mas eu juro por Deus, eu fiz uma promessa a mim mesmo naquele dia. Era como se alguém tivesse estalado os dedos e me acordado. Eu sabia exatamente o que precisava fazer e o que iria fazer.

Eu não podia ver minha mãe vivendo daquele jeito. Não, não, não. Eu não aceitaria aquilo.

As pessoas no futebol amam falar sobre força mental. Bom, eu sou o cara mais forte que você vai conhecer. Porque eu me lembro de me sentar no escuro com meu irmão e minha mãe, rezando, e pensando, acreditando, sabendo… que um dia aconteceria.

Não contei minha promessa para ninguém por um tempo. Mas, alguns dias, eu chegava em casa da escola e encontrava minha mãe chorando. Então, eu finalmente a disse um dia: “Mãe, tudo vai mudar. Você vai ver. Eu vou jogar futebol pelo Anderlecht e vai acontecer rápido. Vamos ficar bem. Você não precisará mais se preocupar”.

Eu tinha seis anos.

Eu perguntei para o meu pai: “Quando eu posso começar a jogar futebol profissional?”

Ele disse: “Dezesseis anos”

Eu disse: “Ok, dezesseis anos, então”.

Aconteceria. Ponto final.

Deixa eu dizer uma coisa – todo jogo que eu já disputei foi uma final. Quando eu jogava no parque, era uma final. Quando eu jogava no recreio do jardim de infância, era uma final. Eu estou falando sério para caralho. Eu tentava rasgar a bola todas as vezes que eu chutava. Força total. Não estava chutando com o R1, brother. Não era chute colocado. Eu não tinha o novo Fifa. Eu não tinha um Playstation. Eu não estava brincando. Eu estava tentando te matar.

Quando eu comecei a ficar mais alto, alguns dos professores e pais começaram a me estressar. Eu nunca vou esquecer a primeira vez que ouvi um dos adultos dizer: “Ei, quantos anos você tem? Que ano você nasceu?”

E eu fiquei, tipo, o quê? Tá falando sério?

Quando eu tinha 11 anos, eu jogava pela base do Lièrse, e um dos pais do outro time literalmente tentou me impedir de entrar no gramado. Ele disse: “Quantos anos tem essa criança? Onde está o documento dela? Da onde ela veio?”

Eu pensei: “Da onde eu vim? O quê? Eu nasci na Antuérpia. Eu vim da Bélgica”.

Meu pai não estava lá porque ele não tinha carro para me levar aos jogos for a de casa. Eu estava completamente sozinho e precisava me impor. Eu fui pegar meu documento, na minha mala, e mostrei para todos os pais, e eles o passaram de mão em mão, inspecionando, e eu lembro do sangue me subindo à cabeça… e pensei: “Oh, eu vou matar o seu filho mais ainda agora. Eu já ia matá-lo, mas, agora, eu vou destruí-lo. Você vai levar seu filho para casa chorando agora”.

Eu queria ser o melhor jogador de futebol da história da Bélgica. Era esse meu objetivo. Não apenas bom. Não apenas ótimo. O melhor. Eu jogava com muita raiva por causa de muitas coisas… por causa dos ratos que viviam no nosso apartamento…. porque eu não podia assistir à Champions League… pela maneira como os outros pais olhavam para mim.

Eu estava em uma missão.

Quando eu tinha 12 anos, eu marquei 76 gols em 34 partidas.

Eu marquei todos eles usando as chuteiras do meu pai. Quando nossos pés ficaram do mesmo tamanho, nós as compartilhávamos.

Um dia, eu liguei para o meu avô – o pai da minha mãe. Ele era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Ele era minha conexão com a República Democrática do Congo, da onde minha mãe e meu pai vieram. Então, eu estava no telefone com ele um dia, e eu disse: “Estou indo bem. Eu fiz 76 gols e ganhamos a liga. Os grandes times estão começando a me notar”.

E geralmente ele queria ouvir sobre os meus jogos. Mas, naquela vez, estava estranho. Ele disse: “Yeah, Rom, yeah, isso é ótimo. Mas você pode me fazer um favor?”

Eu disse: “Sim, qual?”

Ele disse: “Você pode cuidar da minha filha, por favor?”

Eu me lembro de ter ficado confuso. Sobre o que o vovô estava falando?

Eu disse: “A mamãe? Sim, estamos bem. Estamos ok”.

Ele disse: “Não. Você tem que me prometer. Você pode me prometer? Cuide da minha filha. Apenas cuide dela para mim. Ok?”

Eu disse: “Sim, vovô. Entendi. Eu prometo”.

Cinco dias depois, ele morreu. E, então, eu entendi o que ele queria dizer.

Eu fico muito triste pensando nisso porque eu gostaria que ele tivesse ficado vivo mais quatro anos para me ver jogar pelo Anderlecht. Para ver que eu cumpri minha promessa, sabe? Para ver que tudo ficaria bem.

Eu disse para minha mãe que eu conseguiria chegar lá quando tivesse 16 anos.

Eu errei por 11 dias.

24 de maio de 2009. A final do playoff. Anderlecht versus Standard Liège.

Aquele foi o dia mais doido da minha vida. Mas precisamos retroceder um pouco. Porque no começo da temporada, eu mal estava jogando pelo sub-19 do Anderlecht. O treinador me colocou na reserva. E eu pensava: “Como vou conseguir um contrato profissional no meu 16º aniversário se ainda estou no banco pelo sub-19?”.

Então, fiz uma aposta com o treinador. Eu disse para ele: “Eu garanto algo a você. Se você me colocar para jogar, eu vou fazer 25 gols até dezembro”.

Ele riu. Ele literalmente riu da minha cara.

Eu disse: “Vamos fazer uma aposta”.

Ele disse: “Ok, mas se você não fizer 25 gols até dezembro, você vai para o banco de reservas”.

Eu disse: “Certo, mas, se eu vencer, você vai limpar todas as minivans que levam os jogadores para casa depois do treino”.

Ele disse: “Ok, fechado”.

Eu disse: “E mais uma coisa. Você tem que fazer panqueca para nós todos os dias”.

Ele disse: “Ok, certo”.

Foi a aposta mais estúpida que o homem já fez.

Eu tinha 25 gols em novembro. Estávamos comendo panqueca antes do Natal, bro.

Que sirva de lição. Você não mexe com um garoto que está com fome.

Eu assinei contrato professional com o Anderlecht no meu aniversário, 13 de maio. Fui direto comprar o novo Fifa e um pacote de TV a cabo. Já era o fim da temporada, então estava em casa relaxando. Mas a liga belga estava doida naquele ano, porque Anderlecht e Standard Liège terminaram empatados em pontos. Então, haveria um playoff de duas partidas para decidir o título.

Durante o jogo de ida, eu estava em casa assistindo à TV como um torcedor.

Então, no dia anterior ao jogo de volta, eu recebi uma ligação do técnico dos reservas.

– Alô?

– Alô, Rom. O que você está fazendo?

– Saindo para jogar bola no parque.

– Não, não, não, não, não. Faça suas malas. Agora mesmo.

– Por quê? O que eu fiz?.

– Não, não, não. Você precisa sair para o estádio agora. O time principal pediu por você.

– Yo….o quê? Eu?!

– Sim. Você. Venha. Agora.

Eu literalmente corri para o quarto do meu pai. “YO! Levanta, porra. Precisamos correr, cara!”.

– Huh? O quê? Pra onde?

– ANDERLECHT, CARA!

Eu nunca vou esquecer. Eu cheguei ao estádio e praticamente corri para o vestiário. O roupeiro disse: “Ok, garoto, que número você quer?”.

E eu disse: “Me dá a 10”.

Hahahahahaha sei lá, eu era muito jovem para ter medo, acho.

E ele: “Jogadores da base usam números acima do 30”.

Eu disse: “Ok, bem, três mais seis é igual a nove, e esse é um número legal, então me dá a 36”.

Naquela noite, no hotel, os jogadores adultos me fizeram cantar uma música para eles no jantar. Eu nem me lembro qual escolhi. Minha cabeça estava girando.

Na manhã seguinte, meu amigo literalmente bateu na porta da minha casa para ver se eu queria jogar futebol e minha mãe disse: “Ele saiu para jogar”.

Meu amigo: “Jogar onde?”

Ela disse: “Na final”.

Saímos do ônibus no estádio, e cada jogador estava usando um terno legal. Menos eu. Eu saí do ônibus usando um terrível agasalho e todas as câmeras de TV estavam na minha cara. A caminhada para o vestiário foi de talvez 300 metros. Talvez uma caminhada de três minutos. Assim que coloquei meu pé no vestiário, meu telefone começou a explodir. Todo mundo havia me visto na televisão. Eu recebi 25 mensagens em três minutos. Meus amigos estavam ficando loucos.

– Por que você está no jogo?!

– Rom, o que está acontecendo? Por que você está na TV?!

A única pessoa que respondi foi meu melhor amigo. Eu disse: “Brother, eu não sei se vou jogar. Eu não sei o que está acontecendo. Mas continua vendo TV”.

Aos 18 minutos do segundo tempo, o treinador me colocou em campo.

Eu corri no gramado pelo Anderlecht aos 16 anos e 11 dias.

Perdemos a final naquele dia, mas eu já estava no céu. Eu cumpri a promessa para a minha mãe e para meu avô. Aquele foi o momento em que eu soube que ficaríamos bem.

Na temporada seguinte, eu ainda terminava o meu último ano do colégio e jogava na Liga Europa ao mesmo tempo. Eu precisava levar uma grande mochila para o colégio para poder pegar um voo no fim da tarde. Vencemos a liga com folga. Foi…uma loucura!

Eu realmente esperava que tudo isso acontecesse, mas talvez não tão rápido. De repente, a imprensa estava crescendo em torno de mim, e colocando todas essas expectativas nas minhas costas. Especialmente com a seleção nacional. Por algum motivo, eu não estava jogando bem pela Bélgica. Não estava funcionando.

Quando as coisas corriam bem, eu lia os artigos de jornal e eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga.

Quando as coisas não corriam bem, eles me chamavam de Romelu Lukaku, o atacante belga descendente de congoleses.

Se você não gosta do jeito como jogo, tudo bem. Mas eu nasci aqui. Eu cresci na Antuérpia, em Liège e em Bruxelas. Eu sonhava em jogar pelo Anderlecht. Eu sonhava em ser Vincent Kompany. Eu começava uma frase em francês e terminava em holandês, e colocava um pouco de espanhol e português ou lingala, dependendo do bairro em que eu estivesse.

Eu sou belga.

Somos todos belgas.

Eu não sei por que algumas pessoas do meu próprio país querem que eu fracasse. Eu realmente não entendo. Quando fui para o Chelsea e não estava jogando, eu os ouvi dando risada de mim. Quando fui emprestado para o West Brom, eu os ouvi dando risada de mim.

Mas tudo bem. Essas pessoas não estavam comigo quando colocávamos água no nosso cereal. Se vocês não estavam comigo quando eu não tinha nada, vocês realmente não podem me entender.

Sabe o que é engraçado? Eu perdi dez anos de Champions League quando era criança. A gente não podia pagar. Eu chegava à escola e todas as crianças estavam falando sobre a final e eu não sabia o que havia acontecido. Eu me lembro de 2002, quando o Real Madrid jogou contra o Bayer Leverkusen, e todo mundo falava “aquele voleio! Meu Deus, aquele voleio!”.

E eu tinha que fingir que sabia do que estavam falando.

Duas semanas depois, estávamos sentados na aula de computação, e um dos meus amigos baixou o vídeo da internet, e eu finalmente vi Zidane mandar aquela bola no ângulo com a perna esquerda.

Naquele verão, eu fui para minha casa para assistir ao Ronaldo Fenômeno na final da Copa do Mundo. A história de todo o resto daquele torneio eu ouvi das crianças da escola.

Eu lembro que eu tinha buracos nos meus sapatos em 2002. Grandes buracos.

Doze anos depois, eu estava jogando a Copa do Mundo.

Agora, estou prestes a jogar outra Copa do Mundo e meu irmão está comigo desta vez (o texto foi provavelmente escrito antes da convocação final porque Jordan Lukaku, irmão de Romelu, estava na pré-convocação, mas não chegou à lista final). Duas crianças da mesma casa, da mesma situação, que deram certo. Sabe de uma coisa? Eu vou me lembrar de me divertir dessa vez. A vida é curta demais para estresse e drama. As pessoas podem dizer o que quiserem sobre nosso time, sobre mim.

Cara, escuta – quando éramos crianças, não podíamos pagar para ver Thierry Henry no Match of the Day! Agora, estamos aprendendo com ele todos os dias no time nacional (Henry é auxiliar de Roberto Martínez, técnico da Bélgica). Estou junto com a lenda, em carne e osso, e ele está me dizendo tudo sobre como atacar os espaços como ele costumava fazer. Thierry deve ser o único cara no mundo que vê mais jogos do que eu. Nós debatemos tudo. Estamos sentados e tendo debates sobre a segunda divisão da Alemanha.

– Thierry, você viu o esquema do Fortuna Düsseldorf?”

– Não seja tonto. Claro que vi”.

Isso é a coisa mais legal do mundo para mim. Eu só gostaria que meu avô estivesse vivo para ver isso.

Não estou falando da Premier League.

Nem do Manchester United.

Nem da Champions League.

Nem da Copa do Mundo.

Não é disso que estou falando. Eu apenas queria que ele estivesse vivo para ver a vida que temos agora.

Eu gostaria de ter mais uma conversa com ele por telefone, para poder dizer para ele: “Viu? Eu disse para você. Sua filha está bem. Não há mais ratos no nosso apartamento. Ninguém mais dorme no chão. Não há mais estresse. Estamos bem agora. Estamos bem.Eles não precisam mais checar nossos documentos. Eles conhecem nosso nome”.

Romelu Lukaku

 

Em tempo: achei a fonte da tradução: http://m.trivela.uol.com.br/players-tribune-da-pobreza-ao-preconceito-lukaku-tem-algumas-coisas-dizer/

 

Seleção brasileira: quem pode torcer?

Parece que apenas países desenvolvidos podem torcer por sua seleção. Brasil? E a corrupção? E o IDH menor que o Canadá? E o salário dos professores? Torcer para a seleção é alienação, é aderir ao pão e circo.

Interessante que um famoso comentarista esportivo postou foto com a camisa da Argentina. Que até onde sei tem todos os nossos pecados e mais alguns, como o de cancelar um amistoso contra Israel, o que inclusive lhe rendeu parabéns.

Se aceitarmos que não podemos torcer para o Brasil porque o país não vai bem, teremos que aceitar a tese implícita que só podemos aproveitar os bens contemplativos se os problemas sociais estiverem todos resolvidos. Significa que só os países desenvolvidos podem curtir esportes.

Mas por que só esportes? Por que não teatro, música, cinema, livros e tantas outras opções de lazer que nos fazem esquecer por algum momento de nossa realidade? Quer escutar funk? Não pode. Só o músico da Urca pode. Ou aquele outro que vive mais em Paris do que aqui. Você, brasileiro, tem que usar a copa para protestar contra Temer. Ou o capitalismo. Ou o patriarcado. Copa do Mundo é só para os bacanas.

Thanos e seu simbolismo

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Apesar do título fazer referência aos Vingadores, Guerra Infinita é um filme sobre Thanos, o vilão cósmico que deseja eliminar metade das criaturas vivas pois acredita que o universo está desequilibrado, sem recursos para sustentar uma população tão grande, uma espécie de Malthusianismo cósmico. Ele acredita na racionalidade de sua solução e se coloca como aquele que tem coragem suficiente para implementá-la. Na maioria das vezes é simpático, bem articulado e sempre fala em nome do universo. Não surpreende que muitos o considerem interessante, que seu discurso “faz sentido”, pois ele ecoa, em muito, aqueles que tem o mundo como idéia, ou seja, que acham que o mundo é aquilo que acreditam ser, um produto de suas imaginações e não a realidade que se impõe.

Thanos é um símbolo de uma mentalidade que tomou conta do mundo a partir da modernidade, mas que encontra sua raiz nos movimentos gnósticos quem marcaram os primeiros séculos do cristianismo. Reduzindo bastante, o gnosticismo acredita que o mundo é uma criação imperfeita e tomada pelo mal. O homem é prisioneiro neste mundo e pode transformá-lo em um paraíso, bastando para isso o conhecimento de seus mecanismos. O gnosticismo foi considerado herético pela Igreja pois, na prática, nega a queda do homem. O mundo não seria um problema por causa do uso que o homem fez dele, mas porque foi criado de maneira imperfeita por Deus. A Igreja entendeu que o gnóstico queria simplesmente tomar o lugar de Deus para corrigir a criação.

Este é justamente o núcleo da motivação de Thanos. Thor percebeu muito bem e no início do filme diz a ele: você nunca será um deus. Mesmo concentrando todo o poder do universos, como o titã louco quer fazer, seu pensamento se baseia na maior ilusão de todas, o de tomar o trono de Deus. Essa mentalidade, que tanto anima as ideologias da modernidade, só é capaz de gerar o inferno, com muito sofrimento humano. “Mas as mortes são aleatórias, não distingue ricos e pobres!” dizem aqueles que justificam tudo em nome do igualitarismo. O filme acerta até nisso, pois como mostrou a experiência totalitária, o poder absoluto leva ao mal aleatório. Ninguém sabia quem Stálin mandaria matar a seguir. Poderia ser seu maior inimigo ou seu maior amigo. A morte se torna impessoal e por isso mesmo, aleatória.

Os heróis da marvel sabem que o homem é imperfeito e não possuem ilusões de um paraíso terreno. Tudo o que querem é lutar contra o mal, evitar ao máximo seu efeito destruidor. Para isso estão dispostos a qualquer sacrifício, como ir para o planeta de Thanos para evitar que a guerra se travasse na Terra. São humanos, e falhos. Por vezes deixam se levar pela hybris, como acontece com Peter Quin, o Starlord, e pagam caro por isso. Erram, sofrem, buscam a redenção. Essa é a epopéia de qualquer herói e por isso funcionam tão bem. No entanto, possuem um ponto em comum, recusam o pensamento utilitarista. Não aceitam trocar uma vida por milhões pois sabem que cada vida é um valor em si mesmo e aceitar uma troca destas significaria perder a alma, algo muito mais valioso do que a vida. Por isso Visão tem que viver; por isso o Doutor Estranho troca sua jóia pela vida de Tony Stark, que mal conhece.

Guerra Infinita apresenta o maior vilão da Marvel, alguém que representa o caos ordenado, o assassinato levado por uma mente fria e calculista, com pretensões científicas. Enfim, a mentalidade revolucionária de origem gnóstica. Não acredito que possa ser representado inteiramente por uma pessoa, mas seus traços estão presentes em gente e instituições que mostram uma máscara humanitária, de preocupação com o mundo, que precisa ser corrigido, mas que haverá um pequeno custo a pagar. Um custo que não será pago por eles, mas por nós que não acreditamos em suas pregações. Geralmente com nosso sangue pois o deles é precioso demais.

A Forma da Água: repertório de opiniões

Achei bem interessante as discussões acaloradas na internet sobre o melhor filme de 2017 (segundo Hollywood). Resolvi coletar as diversas opiniões para refletir sobre a questão que o filme levanta sobre qualidade artística.

  1. O filme é um desfile de minorias, todas vistas como pessoas boas no nível santidade.
  2. O vilão é uma caricatura que representa a visão da esquerda sobre o homem branco cristão. É machista, preconceituoso, com distúrbios sexuais e violento.
  3. Os que não gostam do filme é porque não aceitam que haja representatividade, que se dê voz às minorias.
  4. O filme é uma alegoria ao problema da aceitação do diferente. Rejeitar o diferente por ser diferente é tornar-se um monstro.
  5. O filme é um conto de fadas moderno que nos ensina o valor da tolerância.
  6. O filme apresenta a tese que qualquer relação sexual entre duas pessoas (?) tem que ser aceita sem restrições. Qualquer um que tenha reservas é porque tem algum problema moral.
  7. O filme é muito bonito, bem feito e interessante de assistir.
  8. O filme é bonito, mas vazio de conteúdo.
  9. O filme exige sensibilidade e capacidade imaginativa para ser apreciado.
  10. O filme abre caminho para a aceitação da zoofilia como natural.

 

Oscar 2018: Impressões

Minhas impressões sobre os filmes que vi até agora:

1. Dunkirk

A idéia é geniosa, usar três períodos temporais diferentes no mesmo espaço de tempo. O filme retrata muito bem o esforço do homem comum para salvar seus soldados e manter a esperança de uma vitória final. Só fiquei com a impressão que faltou um pouco de alma no filme do Nolan, algo que nos desse mais empatia com os personagens.

2. The Shape of Water

O filme é bonito e se você tiver na cabeça que ele é uma fábula sobre amar o feio para que se torne belo, uma estória eterna dos contos de fadas, é possível apreciá-lo. No entanto, se olhar pela chave do progressismo e perceber que o vilão é a caricatura que um liberal de Hollywood vê o cristão e que o sexo, desde que consensual entre as partes, tem que ser admirado como sagrado, vira uma bomba. Aliás, na primeira chave, o sexo estraga a estória. Del Toro pesou demais a mão no progressismo. Uma pena.

3. Darkest Hour

Em abril de 1940, muitas pessoas razoáveis consideravam seriamente a hipótese de fazer um acordo com Hitler e evitar a possível invasão à Inglaterra. O próprio Churchill flertou com a possibilidade e demonstra suas dúvidas no filme. O grande tema do filme é justamente este: devemos fazer um acordo com o mal para nos preservar? Quando Churchill consegue enxergar com clareza e centrar seu propósito vem a coragem para fazer o certo. Não importa o que as pessoas racionais digam, o mal tem que ser vencido. Custe o que custar.

4. The Post

Spielberg sabe contar uma estória e nos convencer do que estamos vendo, mas na parte final pesou demais ao retratar todos os jornalistas como pessoas com altos ideais que só querem vigiar o poder para proteger o povo americano. Uma passada de pano desnecessária para a imprensa quando poderia ter se concentrado mais discutir o dilema moral que realmente existiu. A divulgação dos documentos secretos do pentágono prejudicaria os Estados Unidos em uma época que estavam em guerra e soldados morrendo? Ao invés de responder com um sonoro não baseado na pureza da imprensa, poderia ter deixado a questão mais aberta. Seria, aí sim, um filme gigante.

5. Lady Bird

Pouca gente percebeu um detalhe importante do filme: Lady Bird não era católica. Você só percebe isso quando ela cruza os braços na hora da comunhão. A diretora Greta Gerwin poderia ter feito um filme fácil, criticando o colégio católico pelos problemas da heroína, mas fez justamente o contrário. O catolicismo do colégio foi um apoio em um momento difícil de amadurecimento e no fundo, a questão de Lady Bird é uma das principais do ser humano: aceitar-se. O fato de ter sonhos não significa abandonar tudo que você é para realizá-los. No fim, Catherine vence Lady Bird.

6. Three Billboard outside Ebbing Missouri

O filme se inspira claramente nos contos de Flannery O’Connor, que retrata o efeito da maldade na sociedade e a oferta da graça, geralmente recusada. Há uma expressão em inglês intraduzível chamda “single minded”, algo como mente fixada em um único pensamento. Ela quer vingança pela morte de sua filha, custe o que custar, sem se importar com ninguém no seu caminho, mesmo o filho e um homem bom morrendo de câncer. A desproporção de seus atos fica evidente em seu ato de terrorismo. Difícil ter empatia com ela, que no início parece até racional e simpática. Dixon, por outro lado, começa como o pior dos seres, mas aos poucos vamos criando empatia por ele ao perceber algo que apenas o xerife tinha percebido, há algo de bom nele querendo ir à tona. A graça aparece para ele na carta de Bill e acho que apareceu para Mildred na forma do anão. Infelizmente só um abriu as portas para ela.

 

Intervenção no Rio de Janeiro: especialistas descolados da realidade

Eu vejo as discussões em torno da opinião dos espacialistas que estão nos jornais e programas de televisão e fico sinceramente escandalizado. São intelectuais porém idiotas, na definição proposta por Nassim Taleb. Como não tem a pele em jogo, e nunca são responsabilizados pelas bobagens que dizem, ficam livres para aumentar ainda mais a dose de tarja preta. A Globo News então é um festival de imbecilidade. É preciso lembrar que a Globo tem uma agenda que é a promoção do progressismo, com boa dose de grana do George Soros e similares.

Na ideologia do progressismo, o bandido é uma vítima de uma sociedade capitalista e machista, que não teve opção senão o crime. Ele é um doente que precisa ser curado, se possível com muito carinho. Na visão deles, as principais vítimas dos crimes são de classe média, justamente a classe que causa todo o problema por sua mentalidade burguesa. Desta forma, o crime é uma forma de justiça, uma afirmação dos excluídos.

Tenham santa paciência! É muito Focault misturado com maconha para chegar numa imbecilidade destas. O que falta aos especialistas, em primeiro lugar, é algo que um cientista deveria ter como norte moral absoluto: o respeito pela realidade.

A realidade do Rio de Janeiro hoje é uma cidade incrustada por criminosos violentos que não se detém com nada. Estão armados com fuzis automáticos e até mesmo granadas e explosivos. Estão em todos os bairros e as forças de segurança não possuem condições em pessoal, material e até moral de enfrentar esta turma. Os bandidos já não respeitam mais nada. Só quem está protegido é quem tem segurança particular armada. São os mesmos que defendem dia sim e outro dia também o desarmamento da população. Raça de víboras! Classe média? As principais vítimas são os próprios bandidos, as pessoas pobres que convivem diariamente com o crime e sim, também a maldita classe média.

Discutir, a esta altura do campeonato, os fatores que levam ao crime é uma bobagem. Essa discussão tem que acontecer, mas primeiro é preciso curar o doente. Seja de quem for a culpa, os bandidos estão soltos pelo Rio de Janeiro e são violentos. Só há duas maneiras de tirar um bandido das ruas, morto ou preso.

Se a sociedade prefere que sejam presos, então o judiciário tem que fazer sua parte. A começar por aquele bando de abutres que sentam-se nas 11 cadeiras do Olimpo. O bandido armado de fuzil não pode voltar para a rua, tem que ser retirado da sociedade por um bom tempo. Não serão recuperados, não podem voltar, é preciso entender isso. Nada de saída para dia dos pais, prisão domiciliar, semi-aberto. Para este tipo de marginal é inútil. Vou repetir: eles não são recuperáveis! Aceitem essa verdade que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso sabe instantaneamente, de experiência.

Existe uma parte influente da sociedade, das chamadas classes falantes, que entre o bandido e a pessoa comum escolheu o primeiro. Mais do que idiotas, são co-responsáveis pelo estado que chegou o Rio de Janeiro (e o Brasil não está muito atrás). Mas estas pessoas não têm a pele em jogo, não são responsabilizados. O desembargador que solta o vagabundo que no dia seguinte volta a matar, não é responsabilizado. O jornalista que faz matéria para denegrir polícia e faz com que policial tenha medo da agir, não é responsabilizado. O especialista que vai na globo news influenciar para que se relaxe o ridículo código penal que temos, não é responsabilizado. O deputado que fez esta constituição que protege marginal, não é responsabilizado. O ator que fica pedindo paz, mas compra sua cocaína como se não colocasse dinheiro na mão de vagabundo para comprar armas, não é responsabilizado. Ninguém é responsabilizado pela morte de 70 mil brasileiros por ano, isso é um escândalo!

O Brasil foi tomado por vagabundos morais e vai demorar para nos limparmos de tanta porcaria. Se é que um dia o faremos.

The Post: um jornalismo que não existe mais (se é que existiu um dia)

the-post-tom-hanksPoucas coisas são tão instrutivas do que escutar o jornalista falando de si mesmo. Buscar a verdade, policiar os governantes, informar o público, esteio da democracia e, minha favorita,  falar a verdade para o poder. Em uma era do discurso, uma cortesia da pós-modernidade, é difícil não admirar uma conjunto de pessoas com ideais tão nobres e dispostos a nos servir.

O problema é a tal realidade. Onde estavam estes jornalistas quando o quadrilhão comandado pelo ungido saqueavam o Brasil de norte a sul? Quando olhamos o que aconteceu, o jornalismo esteve sempre a esteio das investigações e denúncias. Roberto Jefferson procurou a jornalista da Folha para dar a entrevista que começou a expor o mensalão. Em seu depoimento na Câmara dos Deputados, ele foi dando as instruções para a imprensa: procurem a agência do banco rural no prédio tal, tem uma lista de deputados que sacavam o dinheiro, etc, etc. Quando veio o Petrolão, eram os depoimentos e coletivas do Ministério Público que pautavam o jornalismo. A impressão é que se não fosse a movimentação dos próprios políticos, PF e MP, nada teria aparecido. O jornalismo investigativo desapareceu. O que está sendo feito é controle de danos.

O filme The Post mostra o que seria um jornalismo de verdade. A grande pressão no filme é chegar na frente do concorrente e expor as vísceras do poder. É interessante que os papéis do pentágono atingissem tanto republicanos quanto democratas, embora o filme tenha colocado ênfase no Nixon e não nos maiores responsáveis pela lambança no Vietnã: Kennedy e Lyndon Johson, mas é preciso sempre pagar um pedágio em Hollywood. Pelo menos no filme, os jornalistas partem para a ofensiva, buscando as evidências para poder publicar, inclusive questionando o problema da amizade dos membros da imprensa com políticos. A única coisa que importa é o furo jornalístico.

Se o filme retrata a verdade, lamento dizer que isso é passado. O jornalismo norte-americano não está investigando a máquina montada no governo Obama para investigar adversários, está publicamente pedindo que as provas não sejam divulgadas. Isso mesmo, não querem saber. Já decidiram que aquilo é falso e estão mais preocupados em derrubar Donald Trump. Trata-se da corrupção intelectual denunciada por Flávio Gordon. Os jornalistas são prisioneiros de sua ideologia e a grande prova é que enquanto o povo divide quase igualmente seus votos entre conservadores e socialistas, a classe responsável pela informação vota 90% democrata. Basta comparar as análises com os press realease do partido: impossível notar diferenças. Até as expressões são as mesmas.

The Post é um filme muito bom, mas uma fantasia nos dias atuais. Eco de uma época que se foi, em que jornalistas não tinham pretensões intelectuais e não ligavam para as próprias reputações. Haviam os jornalistas engajados, mas eram a exceção. Hoje são a regra. Hoje não temos mais jornalismo de verdade, mas assessoria de imprensa. O jornais não estão morrendo, estão se suicidando.