Reflexões de uma Pandemia – 17

A essa altura do campeonato, dois meses de pandemia se completando, cheguei à conclusão que NINGUÉM tem a menor idéia do que fazer.

Quarentena pode funcionar ou não, tem estatística para ambos os lados.

O mesmo vale para lockdown, seja vertical ou horizontal.

Não se sabe nem mesmo como este virus se transmite. Sério, até isso está em dúvida.

A cloroquinha pode funcionar, mas pode não funcionar. No início ou na internação? Sei lá. Está todo mundo chutando.

Médicos agem como se soubessem de estatísticas. Estatísticos agem como se soubessem de epidemia.

Imperial College? Uma gigantesca bobagem. Exponencial? Outra curva? Não se sabe.

Qual a porcentagem infectada? Qual a mortalidade? Não se sabe. Só se testa os mais graves. Países que testam em massa são ignorados.

Ninguém sabe porcaria nenhuma desta pandemia.

Só sabem como ganhar dinheiro e ferrar a população apavorada.

Vai ter segunda onda? Todo ano vai ter surto? Ninguém sabe.

Por todo mundo políticos tomam decisões totalmente no escuro, pressionados por jornalistas irresponsáveis que lucram com o caos.

O mundo está cheio de agentes do caos. Vai ser um DESASTRE.

Esta tragédia está só começando.

Hazony e o cristianismo

Estou lendo A Virtude do Nacionalismo, do Yoran Hazony. Ele entende que existem duas grandes correntes de pensamento que disputam aforma de organizar uma ordem mundial: o nacionalismo e o imperialismo. Pretende defender o nacionalismo como melhor opção, mas de forma alguma perfeita.

O livro é muito interessante, mas chamou-me atenção que ele trate o catolicismo romano como um movimento imperialista, que ignora as lições do antigo testamento de respeitar as fronteiras com outras nações, e tenha se dedicado a um grande império cristão. Acho problemática a tese dele. No mínimo ignora completamente a formulação de São Paulo e do Santo Agostinho. É verdade que durante a Idade Média alguns papas e bispos tenham buscado o poder temporal, mas sempre foi ao arrepio da idéia cristã básica de separação das duas cidades. Cristo disse claramente que não importava a organização social, que não era para isso que tinha vindo. O catolicismo romano não tem uma doutrina de como organizar países e a ordem mundial. Meu reino não é deste mundo, foi o que disse o Salvador. Também acho problemático colocar como uma construção protestante não só o nacionalismo moderno, mas as instituições modernas tanto na cultura quanto na política.

Outra coisa, ao reduzir a disputa pela ordem mundial a dois movimentos opostos, que ao longo da história se revesam como dominante, parece-me que Hazony está raciocinando em termos de dialética histórica. Segundo ele, tivemos os Impérios da Antiguidade, Bíblia (Antigo Testamento), cristianismo, protestantismo, globalismo e agora uma tentativa de renascimento do nacionalismo.

O que achei interessante mesmo, foi entender o nacional socialismo alemão não como um movimento nacionalista, mas como um movimento imperialista. O mesmo se pode dizer da ordem liberal. Aí acho que concordo bastante.

Aliás, o liberalismo como ideologia me interessa cada vez mais como tema.

Reflexões de uma pandemia – 16

A Caminhada

Hoje caminhei pela primeira vez desde o início da pandemia, ou melhor, do início das medidas restritivas adotadas pelos diversos governos estaduais. No Brasil temos uma imensa dificuldade de chamar as coisas pelo nome correto e nosso jornalismo contribui assustadoramente para essa situação. Chamam de quarentena, lockdown, o que na verdade se tratou de decretos dos governadores impedindo o funcionamento de diversos setores do comércio, eventos que geram aglomeração e instituindo o home office para a maioria dos servidores públicos.

Aliás, com o advento da informática, praticamente tudo que a maioria dos servidores realizam pode ser feito remotamente. O grande problema sempre foi criar mecanismos para que ele realmente trabalhe e não transforme o concurso público em uma forma de renumeração com pouca contrapartida. No longo prazo, possivelmente muitos estariam em um segundo emprego para aumentar a renda. Eu não sei o que vem primeiro, a confiança ou a responsabilidade, mas estamos presos em um ciclo vicioso de irresponsabilidade e falta de confiança. O que se paga ao servidor público não é o produto do seu serviço, mas a disponibilidade de estar de 9 as 5 no local de trabalho, independente do que esteja fazendo. Muito se condena os servidores, mas acho que esta realidade é cruel com as duas partes e não sei até que ponto influencia muitos comportamentos pouco recomendáveis de alguns.

Enfim, caminhei. Nada muito ousado. Algumas voltas no quarteirão, com máscaras. Muitos amigos estão realizando atividade física normalmente e pode ser que minha atitude de só sair de casa para trabalhar e mercado fosse exagerada __ leio aqui e ali que a chance de pegar o covid ao ar livre é mínima __ mas me senti compelido a ser mais cauteloso. O fato de ter um amigo que por muito pouco não nos deixou pela doença, contribuiu para isso. Curiosamente, também passei o mês na leitura de A Montanha Mágica, do Thomas Mann, que se passa em um sanatório para tuberculosos onde a chance de cura era mínima também colocou um bocado mais de cautela em minha conta pessoal.

Vi algumas pessoas caminhando com cachorros, alguns idosos com acompanhantes dando alguns passos nos pelotis de alguns prédios, gente correndo, gente de bicicleta. Como já disse uma vez, o meu lugar favorito de Brasília são as calçadas que circulam as quadras, sempre arborizadas, um oasis de natureza deste horrendo conjunto de concreto. Não conheço um prédio que ache bonito na cidade; nem os originais e nem os modernos; nem mesmo as Igrejas, desfiguradas de sua importância simbólica.

Claro que fez-me bem sair para este passeio. No fone, escutei duas entrevistas em um canal da fuvest, um sobre o livro Montanha Mágica e outro sobre Cem Anos de Solidão; ambas muito boas, por sinal. Confesso que sempre espero o pior de acadêmicos, especialmente na área de filosofia e letras, mas os dois foram bem, embora a segunda professora tenha segurado um certo marxismo latente, talvez uma vontade de falar da teoria da dependência, aquele monte de bobagens que tornou famoso um certo Fernando Henrique Cardoso, um intelectual de terceira ordem que terminou presidente. Mas pensei pouco em política e muito em literatura, esta paixão que tenho. É uma pena que tenha pouquíssimas pessoas para conversar sobre o tema. Felizmente tenho um filho que lê os clássicos e com isso temos boas conversas. Vejo que ele tem influenciado os amigos; bom sinal. Mas infelizmente nunca conseguir influenciar os meus. Acho que sou mau propagandista.

A maioria das pessoas estava de máscara. O mesmo tenho visto nos poucos lugares que tenho ido, mas vejo relatos que não está sendo sempre assim. Dizem que o brasileiro não tem responsabilidade, que ignora as recomendações. Que recomendações? Os governos estaduais foram muito pródigos em cercear as liberdades, mas fizeram quase nada em termos de comunicação. Antes que joguem no colo do governo federal, essa responsabilidade é sim de quem está na ponta, nos municípios. Campanhas de conscientização poderiam ter sido feitas ao invés de usar prioritariamente a repressão. O curioso é que são governos progressistas, que enchem a boca para dizer que a educação é tudo. Só se for na ponta de um porrete. Continuo achando que fizemos tudo ao avesso. Começamos fechando o comércio ao invés de começarmos com a prevenção e feito um plano de escalada de medidas, com preparação prévia. Ao invés disso, decretos escritos nas coxas e muita licitação emergencial. Claro que isso está fedendo e tomara que tenha desdobramentos posteriormente. A impressão é que fizeram uma farra com o dinheiro que nem temos e que passaremos anos, talvez décadas, pagando este cheque especial.

Vivo constantemente entre momentos de otimismo e de pessimismo. Tem momentos que acho que a situação está melhorando e outros que vai piorar ainda mais. Vi um filme, excelente aliás, sobre uma ilha no canal da Mancha que foi ocupada por nazistas durante a II Guerra Mundial. Estou lendo o livro que deu origem ao filme, todo escrito por meio de cartas entre os personagens. Um deles escreve à escritora Julie: no início achamos que levaria meses, depois nos conformamos que seriam ano. Tenho medo de estarmos justamente nesta fase, de começarmos a perceber que como as grandes guerras mundiais, pode demorar muito mais tempo do que imaginávamos.

Parece que a caminhada foi ruim? Foi nada. Ela me deu aquela impressão que temos que continuar andando, marchando através da história. Deu-me disposição de escrever este texto, o que está sendo muito bom. Colocar pensamentos no papel sempre foi uma catarse, mas dificilmente consigo fazer neste tom mais pessoal. Espero repetir mais. E um dia poder escrever sobre a pandemia que passou.

Reflexões de uma Pandemia – 15

O Brasil cansa

É muita gente torcendo contra e muita gente fazendo tudo para o país dar errado. Para cada um tentando fazer a coisa certa; aparecem uns 20 para destruir o que foi feito. Uns, por interesse; outros, talvez até piores, por inveja.

Já ensinava o velho Aristóteles que a amizade era a base da sociedade (polis). A nossa base parece ser a inveja. Não é por acaso que destruímos com incrível rapidez o que levamos anos para construir.

Essa pandemia só veio revelar com espantosa clareza que tudo é motivo para saquear os cofres públicos e destruir projetos. Nada se faz no médio e longo prazo. Tudo se corrompe.

Sim, ando pessimista e um tanto desanimado. É muita lama junta para acreditar que ainda pode dar certo. Quero muito estar errado. Muito, mesmo.

COVID 19?

Esposa teve gripada no fim de semana. Principais sintomas: febre inicial, dores no corpo, dor de cabeça. Na terça, estava ok. Hoje fez coleta para o exame particular, para vermos se foi o covid.

Depois da coleta, foi no teste rápido aqui em Brasília. Deu negativo para anticorpos.

Amanhã sai o resultado do primeiro exame.

Todos bem aqui em casa, mas é bom saber se o virus já passou por nossos domínios…

Reflexões de uma Pandemia – 14

Dias difíceis

Foram muitas orações por meu amigo gravemente enfermo pelo covid. Na semana passada, ele foi piorando a cada dia, até chegar na sexta-feira santa. Algo me dizia que a Páscoa terminaria por salvá-lo. Vivemos uma época do milagre da ressurreição. Deus irá salvá-lo.

Ele apresentou melhora, mas o processo é lento. Já não está mais entubado, mas ainda permanece sedado. Parece que se agita ao tentar trazê-lo de volta à consciência. Permanece fazendo um pouco de hemodiálise e muito antibiótico.

As orações continuam.

Enquanto os loucos discutem pela internet.

Reflexões de uma Pandemia – 13

A Face Real

Faz dois dias que fiquei sabendo que um grande amigo está em situação gravíssima por conta do Corona. Pouco mais de 50 anos, sem comordidades. Está entubado, sedado. Por muita insistência da esposa, uma médica que também esteve internada, começaram a usar a hidroxicloroquina, já com ele inconsciente.

Infelizmente gerou arritmia e tiveram que parar. A situação dele é muito delicada e está realmente nas mãos de Deus. Tenho rezado por ele todos os dias.

Agora sim a epidemia tem para mim uma face concreta e muito real.

Muda completamente nossa perspectiva.

Reflexões de uma Pandemia – 12

Nassim Taleb é um defensor do conceito de “skin on the game”. Quer dizer que devemos ter mais atenção para quem está com a pele em jogo, que vai sofrer as consequências do próprio erro nas previsões.

No caso do corona, tenho visto muitos servidores públicos, particularmente do judiciário, fazendo campanha histérica nas redes sociais pela paralisação completa do país. Observo que estes só tem a ganhar (diminuir drasticamente a possibilidade de contágio) e nada a perder (salários garantidos) com sua previsão apocalíptica.

De outro lado temos cada vez mais gente perdendo emprego e perdendo renda, além de empreendimentos construídos com muita dificuldade indo para o ralo. O que diz o histérico? Não importa, o que interessa é manter a vida.

A vida de quem? A sua? O Brasil é um país rico com uma população imensa pobre, que depende do funcionamento da economia para sobreviver. A solução dos histéricos é simplesmente distribuir dinheiro pelo governo. Que dinheiro? Não ocorre aos profetas do apocalipse que se tivesse dinheiro disponível já poderia ser distribuído sem uma epidemia? Engraçado que alguns destes eram os principais defensores da responsabilidade fiscal.

Ah, mas o Estado tem que intervir no momento de crise, para isso que ele recolhe impostos. Em que país eles acham que vivem? O Estado está há anos pagando dívidas de gestões anteriores. Não somos um país de primeiro mundo que acumulou reservas nos momentos de bonança (quando os políticos de esquerda permitem) para ter no momento da dificuldade. Somos um país que não tem reservas e está ferrando ainda mais nosso futuro, comprometendo as gerações futuras, para que possa ficar tranquilo em casa em seu teletrabalho e salários em dia.

Quero ver quando começar a reduzir salário de servidor público porque não tem arrecadação para pagar. Duvida que possa acontecer? Estão brincando com fogo, e com alcool gel nas mãos.

A ameaça é séria, exige mobilização da sociedade, mas não é com pânico e decisões ruins que se vai enfrentar esta pandemia. Os histéricos, e a mída (que está lucrando bem com o caos e com as pessoas em casa sem ter o que fazer), estão gerando as condições para uma crise humanitária. Parabéns. Um dia vocês serão cobrados.

Em tempo, não esto dizendo que devemos deixar pessoas morrerem, mas que toda crise tem uma escala de medidas que devem ser respeitadas. Você começar com um tiro de canhão para matar uma formiga é desproporcionalidade, que poderá custar caro. A indústria tem que estar a todo vapor produzindo como uma economia de guerra para os difíceis 2 meses que virão.