Small is beautiful, e vulnerável

Parece que a pandemia, seja pelo lockdown ou pela diminuição de pessoas circulando, além da queda do poder aquisitivo, afetou principalmente os pequenos negócios, as chamadas empresas familiares.

Com isso, mesmo na crise, grandes empresas encontraram o momento certo para expandir seus negócios comprando ativos abaixo do valor que tinham, pelo desespero dos pequenos em liquidar seus negócios.

Acho isso tremendamente ruim para todos nós.

Um mundo com menos empresas e concentração da propriedade nas mãos de poucos é justamente o que Chesterton, Belloc, Schumacher e outros alertavam.

A pandemia ajudou neste processo. Talvez seja, no longo prazo, o pior de tudo que estamos passando.

Questão de um momento

Sabem aquela noite perfeita, com as pessoas que você mais ama, mas num estante você se irrita por nada e fala uma bobagem que estraga tudo? Depois você passa o restante da noite remediando, mas sabe que fez bobagem e que aquela noite já está perdida pois de certa forma você quebrou o encanto.

Acho que é mais ou menos como funciona o mal no coração dos homens. Se não vigiarmos podemos cometer, em um momento, algo realmente grave e mudar nossa vida para sempre, mesmo que nos arrependamos e nos dediquemos realmente a reparar o mal feito. Nunca será como antes, mesmo que sejamos perdoados.

Por isso temos que ser vigilantes e impedir que isso aconteça. O mal só precisa de um momento de distração, um momento em que entregues à nossa vaidade nos deixemos seduzir e tudo perder.

Secura e calor

São os últimos dias da secura de Brasília. Está insuportável. Pelo que vi no clima tempo, segunda deve começar a chover. Sempre é um espetáculo ver a vegetação amarela tornar-se verde novamente; o ciclo da natureza é sempre algo a ser apreciado.

Por outro lado, o calor começa a apertar. Ainda está longe de ser intenso, mas já consigo senti-lo. Não lembro de tê-lo notado tão cedo no ano, ainda em setembro. A natureza é assim, tem seus ciclos e suas variações.

Só sei que no momento estamos vivendo o auge da secura com um pouco de calor. A vinda das chuvas deve refrescar um pouco e trazer a natureza de volta a seu esplendor.

É uma pena que tantos filósofos, como Nietzsche, tenham reparado bem esses aspectos cíclicos da natureza, mas tenham errado tão gravemente na generalização a ponto de achar que nossa existência também tem esse aspecto cíclico. Somos mais que matéria, somos espírito, e o espírito está sempre em busca. Pois essa busca é que dá sentido para nossa existência e nos faz transcender esta vida de ciclos.

6 doenças do espírito contemporâneo: 1. Catolite

Novo Projeto!

Neste e nos próximos 5 domingos estarei relendo este pequeno (em tamanho) livro de Constantin Noica. Cada domingo dedicado a uma das 6 doenças do espírito, conforme ele as apresenta.

A primeira doença do espírito é a Catolite, a ausência do sentido de real. O homem tem a capacidade de escolher seu sentido geral para a existência e quando a idéia de qualquer sentido está ausente ou ele troca de sentido de acordo com a conveniência, temos a catolite.

Napoleão Bonaparte (e os tiranos em geral), Epicuro, Kiekergard, muitos cientistas, o filho pródigo, são exemplos. No plano da cultura, o existencialismo.

“Farei o que bem entender”, diz o filho pródigo, e parte para o mundo, libertando-se assim dos sentidos gerais de sua família e de sua comunidade, a fim de se dar determinações arbitrárias cujo alcance ele desconhece…

Leituras da manhã de domingo

  1. Suma Teológica (Santo Tomás de Aquino): dois artigos sobre a falsidade. Embora não exista falsidade da mente divina, ela existe no intelecto humano.
  2. Moradas do Castelo Interior (Santa Tereza): a santa discute a questão do arrebatamento.
  3. Anatomia da Crítica (Northrop Frye): no primeiro ensaio do livro, Frye apresenta sua teoria dos 5 modos e como eles se apresentam na tragédia e na comédia. Trata-se de uma ampliação da teoria de Aristóteles sobre os 3 modos da poética.

Um comentário sobre o caso da menina abusada

O caso da menina de dez anos abusada por um tio e que terminou em aborto foi muito triste e sobre este assunto não entro em qualquer discussão pública. No entanto, chamou-me atenção que um amigo comentou num grupo privado de whatsapp que seria uma discussão que transcenderia a religião. Não acho que ele entende o alcance de sua observação, mas se é religião, já é transcendente por natureza. Nada neste mundo que vivemos transcende a religião pois é justamente ela que nos liga ao que está além.

É uma confusão muito comum na cultura progressista dominante acreditar que a religião é um assunto de foro íntimo que deve ser excluída de qualquer discussão racional. Não pode. Se somos sérios com nossa religião, que é muito mais do que pertencer a uma instituição religiosa, temos que saber que ela refere-se a nossas crenças mais profundas, justamente aquelas que tratam de nossa origem e nosso destino. Nossa visão política, cultura e a té espirital derivam dessas crenças e nos moldam a ser o que somos.

Isso não significa, obviamente, que tenho qualquer direito de impor minhas crenças a você, mas significa que se quiser realmente me compreender terás que entender estas crenças e como elas se articulam no meu modo de pensar. Interditar esse aspecto é não querer entender e evitar uma discussão que tenha verdadeira substância.

Estas crenças não são necessariamente irracionais. Elas podem estar em escrituras sagradas, através de revelações, mas elas, ou muitas delas, tem suporte na razão. Não vejo porque não de possa discutir a racionalidade dessas crenças somente porque estarem na esfera proibida da religião. Ignorá-las não te deixará mais perto da verdade, apenas afastará visões que não quer discutir.

Portanto, independente da gravidade do caso da menina, a discussão pública pode ser impossível no ambiente intoxicante que vivemos, mas de maneira nenhuma transcende a religião. Pode ser debatido sem argumentos religiosos perfeitamente, mas não significa que a questão ficará mais clara por causa disso. A verdade tem um poder iluminativo próprio e ofuscar sua luz apenas nos afunda no reino a opinião e da confusão mental.

Enfim, recuperado do covid

Na loteria do covid, a maioria passa com alguns sintomas leves ou mesmo sem perceber.

Não foi meu caso. Não cheguei a ficar em estado grave, mas fui classificado como caso moderado e precisei internação. Precisei de oxigênio e fiz tratamento de infeção no pulmão, um quadro típico da doença.

Felizmente o tratamento deu certo e hoje estou na estatística dos recuperados.

Não relaxem com esta doença e tenham todos os cuidados. Não desejo a ninguém o que passei, inclusive a nível psicológico.

Espero que um dia estejamos todos livres desta praga.