Meu primeiro filme iraniano. E um belo filme.
Daqueles que ensina o que é amizade.

No capítulo 5 de seu livro sobre Jesus, o Papa Bento XVI nos apresenta uma senhora aula sobre o significado de cada frase da oração do Pai-nosso. Ela tem por base a oração de Jesus como filho, e por isso mesmo é intensamente cristológica. Além disso, é uma oração essencialmente coletiva, rezada na primeira pessoa do plural.
De maneira geral ela consiste em uma alocução (Pai nosso que estás no céu) e um conjunto de 7 pedidos, sendo os três primeiros na segunda pessoa e os 4 últimos na primeira pessoa do plural. De certa forma, traduzem os dois principais mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.
Resumindo bem:
A oração do Pai Nossa expressa toda confiança que devemos ter na mensagem da salvação e por isso ela é tão central para o cristianismo. Além de ser a oração que foi-nos ensinada pelo próprio Cristo.
Terminei o último ensaio do livro de ensaios selecionados que formam o tijolão Essential Russell Kirk, editado por um George Panichas. Uau. Quase 600 páginas, que degustei ao longo de mais de 8 anos. Um pouco de cada vez, mas que ganhou ritmo mesmo nos últimos meses.
O último ensaio trata-se de uma análise de Kirk sobre Max Picard, que nunca tinha ouvido falar (mas que me deu uma baita vontade de ler, sobretudo Flight from God).
Problema: só tem importado na amazon, por 150 bolsonaros. Sem kindle. Anotardo para resolver depois.
Ainda escrevo sobre Kirk, mas deixo 3 frases que anotei deste ensaio, que tem tudo a ver com nosso mundo, e que era dele também.
Logical positivism, dominant in American and British universities, is suicidally bent upon establishing the impossibility of knowing anything.
The world belongs to the vulgar __ including the vulgar intellectuals.
When heart and tongue fall shricking into desorder, humor perishes.
Há muito tempo deixei de ter intelectual como elogio. Há bons e maus intelectuais, inclusive muitos burros no meio. Kirk é da parte boa, e dos melhores.
Um autor que vai me acompanhar por toda a vida.
No capítulo VII de O Trabalho Intelectual, Guitton aprofunda as idéias desenvolvidas nos capítulos anteriores, de certa forma preenchendo os vazios. Trata principalmente de como prestar atenção aos detalhes, tanto de leituras quanto de conversas, prestando atenção para os pequenos tesouros que nem sempre estão evidentes. O hábito de escrever um diário de idéias é um dos instrumentos para o intelectual, assim como as fichas de anotações e os quadros sinópticos.
Há uma ligação muito forte entre a escrita e o pensamento. Embora alguns gênios como Sócrates e Jesus não escrevessem, para a maioria de nós a escrita nos ajuda a pensar, modelando nosso pensamento, e nos ajuda também a fixar atenção. O pensamento tem o hábito de correr demais e é fácil nos perdermos dele.
Ao utilizar fichas de anotações, temos que ter cuidado para não multiplicar demais as fichas, conectá-las com o que já aprendemos e nos limitar a apenas uma idéia por ficha. Parece muito com o método que o sociólogo Niklas Luhmann desenvolveu e que lhe rendeu tantos frutos.
Germes e resíduos referem-se muito a estas idéias, muitas vezes soltas, que não sabemos ainda se são germes de grandes pensamentos ou resíduos que não temos muito o que fazer. O que Guitton aconselha é a os guardarmos, para tratar deles no tempo certo, quando já pudermos desenvolver melhor estes fragmentos.
No capítulo IV de seu primeiro livro sobre Jesus, o Papa Bento XVI ressalta que no sermão da montanha Jesus se coloca na tradição judaica, como novo Moisés e a própria Torá, a palavra de Deus. Ele sobe ao Sinai e senta-se, sinais da autoridade de um mestre que veio para ensinar. Não se trata de derrubar os dez mandamentos, mas dar-lhe o verdadeiro alcance.
O sermão gera um enorme incômodo com a tradição judáica porque estabelece uma nova família, baseada na comunhão do Senhor. O velho Israel deixa de ser um limite para a promessa de salvação, que torna-se universal, destinada a todos os povos.
As bem aventuranças não são uma nova versão dos dez mandamentos, mas seu verdadeiro entendimento. Jesus está descrevendo a situação de seus discípulos, daquela época e de hoje, em que o sofrimento acompanha suas virtudes. O mundo rejeitará os mansos, os pobres, o que que tem sede de justiça, mas no fim serão recompensados, por uma justiça que supera qualquer direito humano.
A maior realização de Jesus com o sermão da montanha é tornar sua palavra universal. Não se trata de uma pregação restrita a um povo escolhido, mas de uma palavra destinada aos homens de todas as épocas e lugares. Convertei-vos, é o que pede. De deus discípulos se estabelecerá sua Igreja, que atravessará todos os tempos.
Uma vez escutei de um indígena paraense que seu povo não acreditava em democracia. Para eles, democracia era uma forma de resolver disputas em que o lado mais numeroso vencia e o lado derrotado acumulava ressentimento. Eventualmente isso levaria a uma divisão na tribo. As disputas eram resolvidas pelo consenso, em longas discussões até que se chegasse em uma solução que satisfizesse a todos.
Platão e Aristóteles eram profundamente desconfiados da democracia. Se o povo se transformasse em massa, sua vontade estaria tomada pela hybris e nada impediria a imposição de uma anarquia. Acreditavam que uma monarquia do tipo constitucional era o melhor regime possível, embora imperfeito. Apenas um sociedade perfeita poderia gerar uma polis perfeita e como estamos longe de sermos perfeitos, esta polis jamais existiria. Mesmo que se implantasse por um milagre, não se manteria.
Comecei a ler o livro de Hans-Herman Hoppe Democracia o deus que falhou. Na introdução assume explicitamente que a democracia é um regime político falhado. Sua promessa de liberdade se transformou em violência, guerras, ganância, degeneração moral, dissolução da família, aborto, crimes e por aí vai. A história do século XX é a história de seu fracasso, desde que Woodrow Wilson impôs a democracia ao mundo na Grande Guerra, acabando com o antigo regime das monarquias absolutas. Sem elas, o mundo ficou indefesa contra males muito maiores como o comunismo e o nazismo.
E continua indefeso, penso eu, para as novas formas disfarçadas do coletivismo desumano da modernidade.
Vai ser uma leitura interessante.
Eu prometi não dar opiniões públicas durante a quaresma. Então vou relatar apenas alguns FATOS. As explicações cabem a cada um.
O Evangelho surge como uma boa nova, mas o que isso significa realmente? Originalmente as manifestações do Imperador eram chamadas de evangelhos, pois eram a manifestação do senhor do mundo. Jesus vem como um novo senhor e sua mensagem se reveste de um especial poder. Ele é o verdadeiro imperador, o senhor do mundo. No centro de seu evangelho está o anúncio do reino de Deus, que tem um componente cristológico (Jesus é o reino de Deus), idealista (o reino de Deus está em nós) e eclesiológico ( ligação com a Igreja).
Ao longo da história se promoveu discussões teológicas sobre o significado desta expressão. Seria a Igreja? Para a teologia liberal do início do século XX, não, pois a mensagem seria desta forma individual em contraste com o coletivismo que marcaria o judaísmo. Outros colocam como escatologia, o fim do mundo. Há inclusive uma interpretação secular, que Jesus seria uma divisão na humanidade, pois excluiria os não crentes da salvação. Reino de Deus seria também o fim da história, colocando Jesus como um personagem secundário.
Para Bento XVI o reino de Deus é a própria pessoa de Jesus Cristo, a manifestação de Deus na história. É uma declaração de soberania. O reino de Deus está em nós à medida que o próprio Cristo está em nós. Apenas na figura de Jesus, todas as aparentes contradições se integram de forma coerente. Jesus se apresenta no Evangelho como filho de Deus e tudo remete a Ele. O evangelho é profundamente teocêntrico. D
Portanto, a resposta para a pergunta do que é o reino de Deus é uma pessoa. É Jesus Cristo. Ele é a salvação para todos nós.
Também do livro do Neil Peart Música para Viagem, o único disco gravado por um genial guitarrista-cantor, Jeff Buckley.
Infelizmente não conseguiria gravar o segundo, pois morreu durante as gravações, afogado em um rio.
Elton John citou este disco, em 2003, como um dos dois discos mais perfeitos da história (o outro era da Nina Simone).
Jimmy Page disse que ficou impactado pelo disco.
Ficou curioso?

Interessante como as coisas se ligam.
Ontem terminei de ler Música para Viagem do Neil Peart. Na conclusão do livro ele cita a letra da música The Mission, onde ele descreve a relação da pessoa com o que seria sua missão de vida. Cito estes lindos versos:
We each pay a fabulous price
For our visions of paradise
But a spirit with a vision
Is a dream with a mission…
Hoje assisti com a família o belíssimo filme Soul, da Pixar (como eles acertam sempre!). O tema do filme é justamente a busca de um propósito, de entender o que seria a missão de uma vida. Lembrou-me muito a música e as páginas finais do livro de Peart.
Nos tempos de absoluta histeria que vivemos, temos que lembrar que todos temos um propósito na vida e que nossa visão do paraíso pode nos fazer pagar um sério preço, como o personagem principal de Soul.
