Melancia na cabeça?

Sabe aquela estória de colocar uma melancia na cabeça para aparecer? Bem melhor a “melancia” que a “modelo/atriz” (não sei porque mas todos os jornais utilizaram estas aspas…) Janaina Bueno utilizou na visita do presidente Bush. A moça acabou detida pela polícia por atentado ao pudor mas conseguiu o objetivo, os 15 minutos de fama e se credenciou para quem sabe participar do BBB8…


Em tempo: É lógico que Janaina não tem nem idéia do que estava protestando:”O que ele veio fazer aqui? É só mais um ladrão que passa por aqui sem trazer nada. Se bobear, ainda vem tirar“.

Maiores fortunas

Divulgada a lista Forbes de maiores fortunas do mundo:

1- Bill Gates, 51 anos, Microsoft, EUA – US$ 56,0 bilhões
2- Warren Buffett, 76 anos, Berkshire Hathaway, EUA – US$ 52,0 bilhões
3- Carlos Slim, 67 anos, telecomunicações, México – US$ 49,0 bilhões
4- Ingvar Kamprad, 80 anos, Ikea, Suécia – US$ 33,0 bilhões
5- Lakshmi Mittal, 56 anos, Mittal Steel, Índia – US$ 32,0 bilhões
6- Sheldon Adelson, 73 anos, cassinos, EUA – US$ 26,5 bilhões
7- Bernard Arnault, 58 anos, LVMH, França – US$ 26,0 bilhões
8- Amancio Ortega, 71 anos, Zara, Espanha – US$ 24,0 bilhões
9- Li Ka-Shing, 78 anos, diversos, China – US$ 23,0 bilhões

A moral sexual do molusco

– “Vamos fazer o combate à hipocrisia no País. Preservativo tem que ser doado e ensinado como usar. Sexo tem que ser feito e ensinado como fazer, somente assim teremos um País livre da aids”;
-“Não tem como carimbar na testa de um adolescente quando é momento de começar a fazer sexo. Sexo é uma coisa que quase todo mundo gosta, é uma necessidade orgânica do ser humano, portanto o que nós precisamos fazer é ensinar”;

Estas duas frases do atual presidente me deixaram sem fala. Pelo que entendi somos escravos de nosso apetite sexual e nossas escolhas individuais nada contam. E que a relação sexual agora deve ser ensinada nas escolas.

Temos um sistema educacional totalmente falido, em que nossos professores não conseguem ensinar português e matemática. Nem mesmo o aluno a ler criticamente um texto. Mas ensinar a fazer sexo (usando o palavreado do presidente) pode e é a solução para prevenção da Aids entre as mulheres.

O uso da camisinha previne a contaminação, isto é fato. Acredito que deva ser disponibilizada à população. O que não concordo é fazer do uso do preservativo o norte da política anti-AIDS no país. Os últimos comerciais fazem a apologia do sexo inseguro, com uso da camisinha claro. Uma coisa é um política de saúde que garanta acesso ao preservativo, outra é estimular às relações sexuais, mesmo que usando a camisinha.

Existe um outro meio de evitar a contaminação que ninguém fala. Chama-se abstinência sexual. Poucos a seguem. Mas tem outra que funciona quase tão bem: a monogamia. Nunca vi uma campanha que explore este tema. A monogamia como prevenção às doenças sexualmente transmissíveis. Parece que ninguém acredita na capacidade do ser humano de fazer uma escolha responsável.

Mas tudo bem, é uma opinião. Cada um tem a sua. Só acho que não cabe ao Presidente da República tratar o tema de forma tão rasteira como tratou ontem. A grande maioria da população brasileira é cristã, seja ela católica, evangélica ou espírita. Pois Cristo ensinou que não somos escravos de nossos desejos, que temos a capacidade de distinguir o bem do mal. A verdade é que a grande maioria dos casos em que a mulher contrai o vírus é do marido infiel. Este claramente não fez a escolha correta e além de ter se tornado portador ainda transmitiu a doença para a própria mulher. Por que este caso não é explorado? Por que não chamar à responsabilidade estas pessoas?

A verdade é que não se acredita no ser humano. Acha-se que a sua tendência natural é escolher o caminho errado. Pode até ser verdade, admito. Mas ainda acho que a escolha deva ser sua, com todas as orientações e sobretudo com educação. Não apenas da escola mas sobretudo dos pais e da religião que possui sim o dever de orientar seus fieis para as escolhas morais corretas. Quem sabe não sejamos surpreendidos com os resultados?

Quatro mitos da escola brasileira

O artigo de Gustavo Ioschpe sobre a realidade educacional brasileira publicado na revista Veja desta semana é daqueles de causar polêmica. Ioschpe afirma que os males da escola brasileira não têm relação com a falta de recursos e muito menos com os baixos salários, mas sim do despreparo dos docentes para o exercício da profissão.

No artigo ele apresenta 4 mitos sobre a educação no Brasil:

  1. O professor brasileiro é mal renumerado. Os professores não podem ser comparados com os professores estrangeiros, sobretudo em países cuja renda seja dez vezes maior do que a brasileira. A comparação correta é com a média nacional de salários. No Brasil os professores recebem em média 56% a mais do que a média salarial do país. Nos países mais ricos a renumeração dos professores é 15% menor. Afirma ainda que a jornada de trabalho dos professores é menor do que a da maioria das profissões.
  2. A educação só vai melhorar no dia em que os professores receberem salário mais alto. Não há respaldo para esta afirmação nem na experiência internacional nem na brasileira. Com a implantação do Fundef em 1997 houve uma significativa melhora de salário para os docentes. No entanto as notas dos alunos nos exames nacionais despencaram. O que mais prejudica a performance dos docentes é o desprezo pelos talentos individuais e a idéia equivocada da maioria dos professores que “formar cidadãos conscientes” é prioridade em relação a “proporcionar conhecimentos básicos”.
  3. O Brasil investe pouco dinheiro em educação. Os próprios dados oficiais desmentem esta afirmação. O Brasil investe 3,4% do PIB nas escolas básicas. Nos países da OCDE (Europa + EUA) o investimento corresponde a 3,5%. No ensino superior é 0,8% (para 20% dos jovens que chegam às universidades) contra 1% (para 50% ). Relativamente investimos mais no ensino superior do que os países desenvolvidos. A Coréia do Sul revolucionou seu ensino com 3,5%. O que falta é qualidade no gasto.
  4. A escola particular é excelente. Os resultados de exames realizados por estudantes das escolas públicas e privadas só permitem concluir que as escolas privadas são um pouco melhor que as públicas. A superioridade da escola privada deve-se mais ao nível sócio-econômico dos alunos, que encontram melhor ambiente para estudo, do que pela qualidade das próprias escolas. Ambas sofrem do mesmo mal: seus professores passaram por escolas ruins e cursaram faculdades precárias.

Gosto de artigos embasados que tentam quebrar os lugares comuns que lemos todos os dias na imprensa. Em geral precisamos elevar o nível das discussões no país, e para isso é fundamental o contraditório. Se discordam do Sr Ioschpe que apresentem argumentos. O normal é saírem acusando-o de preconceito contra professores e etc. É o típico de argumento que não enriquece o debate.

Contexto de Procução

A primeira unidade do curso é intitulada As Leituras de um Texto. O primeiro assunto é Contexto de Produção.

A idéia-força (adorei esta expressão que li na Folha de domingo) é a abrangência de um texto, que deve ser considerado pela situação em que foi produzido, bem como das inferências obtidas a partir do conhecimento de mundo dos participantes da comunicação.

O texto não pode ser dissociado de elementos como “fatores intelectuais, emocionais, biológicos, culturais, econômicos e políticos do leitor” e resulta de um processo de interação entre quem escreve e quem lê.

O ato de ler não é inerente apenas ao texto escrito. Estamos constantemente “lendo” o mundo a nossa volta. Um exemplo é a independência do Brasil conforme retratado pelo trabalho de dois pintores.

O primeiro foi o quadro famoso criado por Pedro Américo em 1888, em que podemos “ler” a interpretação do artista sobre o acontecimento de 1822. D Pedro I aparece como um líder que diante de soldados proclama em ato solene a nossa independência que recebe assim a forma de um ato militar. A pintura foi feita no período pré-república e procurava mostrar a importância que o Império teve para o Brasil.

Outro quadro, de Georgina de Albuquerque, retrata o mesmo acontecimento histórico. Nele aparece o Conselho de Estado reunidos com a Princesa Leopoldina, que seria a personagem principal da Independência. O ato aparece com um contorno totalmente novo, como a conclusão de um processo político, discutido em círculos fechados em que à decisão final coube a uma mulher. A pintura é de 1922, época da semana de arte moderna e centenário da Independência. Era uma resposta às próprias injunções sofridas na época pela artista.

As duas pinturas representam portanto como o contexto em que foram produzidas são fundamentais para a compreensão das idéias transmitidas. O mais interessante é como um pintura pode trazer tanta informação, o que procuro explorar reproduzindo quase diariamente um charge. A charge é um flash de um momento histórico, e fora dele torna-se incompreensível. Possui o poder de retratar muitas informações com uma imagem e, muitas vezes, desprovida de texto.

Estamos lendo todos os dias, mesmo que não seja através de uma leitura. Basta observar com mais atenção o mundo a nossa volta.

Estudo OEA sobre violência no Brasil

O Globo:

Os 556 municípios brasileiros com maiores taxas de homicídio de jovens, o equivalente a 10% das cidades do país, concentram 81,9% das vítimas de assassinato de 15 a 24 anos. De 1994 a 2004, o número de mortos nessa faixa etária subiu 64,2%, totalizando 175.548 óbitos. É o que mostra estudo divulgado ontem pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

O Estudo mostra que está havendo uma interiorização do crime. Mas é possível ver uma tendência nos dados apresentados. As cidades que se destacam no número de homicídios, por exemplo, situam-se nas fronteiras físicas do país ou nas fronteiras econômicas. Estar áreas tem em comum a ausência do Estado. Mais um dado que contraria os teóricos da criminalidade fruto dos problemas sociais. O principal fator para explosão da violência é que o Estado não está fazendo sua parte. Não prende, quando prende não julga, quando julga não condena, quando condena não cumpre a pena. É muito convite junto ao risco do crime. Muita coisa tem que dar errado para que acabe cumprindo uma pena, que em geral pode ser bem reduzida.

A interiorização é ainda mais preocupante porque mostra que o problema é federal, coisa que nenhum governo quer assumir. É melhor deixar a bomba estourar nas mãos dos governadores.

Pois os governadores, em sua grande maioria, não possuem recursos suficientes para um combate efetivo, e mesmo se possuíssem não seria o suficiente. O principal incitador da violência é o tráfico de drogas, que é assunto federal em qualquer país por suas conexões internacionais, menos aqui.

E novamente se fala em campanha de desarmamento. Tem índices por aí que indicam que diminuiu a criminalidade com a campanha de recolhimento de armas de 2003. Desconfio. Obviamente as mortes por disparo acidental, normalmente por crianças, podem ter efetivamente diminuídas. Mas é muita ingenuidade acreditar que um bandido venda sua arma para o governo.

PS: procuro sempre usar o termo bandido porque de uns tempos para cá ele ficou meio politicamente incorreto, o que é um grande motivo para usá-lo. Bandido é bandido em qualquer parte do mundo civilizado. Aqui é uma vítima da desigualdade social. Parece que os bandidos somos nós.

Mais violência

Vocês conhecem Bernado Cataldo Neto? Pois este senhor foi condenado em 1997 por estuprar uma menina de 14 anos. Foi condenado a 14 anos de prisão. Duvido quem encontre um país (decente) que condene a 14 anos o estuprador de uma menor. Mas isto não é o pior. Devido ao nosso regime de “progressão da pena” ele foi solto após cumprir metade da pena.

Foi preso na segunda-feira novamente. Estuprou uma menina de 3 anos! 3 anos! É a idade da minha filha. Pois além de ter a filha estuprada a família ainda é obrigada a conviver com o fato que o bandido deveria estar cumprindo sua pena na prisão (por menor que fosse).

Enquanto isso as ONGs de proteção aos menores faz pressão no congresso contra a redução da maioridade. Será que ninguém percebe a contradição? Estão se lixando para o menino João Hélio ou esta pobre menina. O que querem é continuar mamando no dinheiro público para supostamente fazer o papel que o Estado deveria fazer. Defendem que em vez de colocá-los na prisão devem ser cuidados com “amor e carinho”.

Pois a pressão das ONGs está fazendo efeito. O Senado recuou ontem na questão e adiou a votação da matéria. A mesma coisa aconteceu na Câmara com novas leis contra a impunidade. Infelizmente devemos esperar mais uma tragédia para a questão andar.
E não vai demorar muito.

Escritórios



Esta foi noticiado no blog do Cláudio Humberto, que por sua vez reproduzia post do blog Acerto de Contas. Este último é escrito por um jornalista e um doutor em finanças, ambos pernambucanos, e hospedados no Jornal do Comércio. Não há palavras para comentários e é um dos casos que reproduzo na íntegra os colegas pernambucanos.

Reparem nas duas fotos. Na imagem de cima, trabalha em seu humilde escritório de 2×3 metros um dos homens mais ricos do mundo, segundo a revista Forbes. Trata-se de Steve Balmer, sócio fundador da poderosa Microsoft. Na foto de baixo, vista panorâmica do gabinete do prefeito do Recife, João Paulo (PT), com seus 1.100 metros quadrados e que foi reformado recentemente ao custo nada singelo de R$ 1,2 milhão, oriundos dos nossos impostos.

Vamos fazer uma rápida comparação entre esses dois profissionais:

Steve Balmer não é tão conhecido como seu sócio, Bill Gates. Faz mais o estilo ‘low profile’ – que em bom português significa discreto. Até por isso poucos o conhecem, mas quem teve esse privilégio atesta que ele é a verdadeira mente por trás da Microsoft. Administra uma empresa com 63 mil felizes funcionários espalhados por todo o mundo, com faturamento de US$ 10 bilhões a cada três meses – cerca de R$ 84 bilhões ao ano.

O prefeito do Recife, João Paulo, tem personalidade oposta. É o chamado ‘arroz de festa’ – aparece em tudo quanto é evento e não pode ouvir duas latas batendo que já cai no passo do frevo. João Paulo comanda 35 mil servidores municipais mal remunerados e administrou, em recursos ordinários do Tesouro Municipal, R$ 1,3 bilhão em 2006.

Moral da história: nem todo mundo tem o escritório que merece.

Em tempo: nesta não faço distinção de partido político. Por acaso o prefeito é petista, mas a grande maioria dos políticos brasileiros adotam escritórios parecidos. Como com políticos assim uma nação pode dar certo?

Curtas

O ministro Guido Mantega foi mantido como refém junto com a esposa na casa de amigos em Ibiúma durante toda uma madrugada durante um assalto. Pois a esposa do ministro não disse que “os caras foram supergentis”? O que leva uma pessoa a passar a noite sob a mira de revólveres e terminar com uma dessas? Deve ser por ninguém ter morrido, mas daí a dizer que os marginais foram pessoas gentis vai uma tonelada de alfafa.

Engraçado. Não sei porque mas vários jornais e revistas começaram a cobrar uma promessa pública do Presidente da República de conceder entrevistas coletivas toda a semana. Até agora não convocou nenhuma. Queriam o que? Que o presidente desse satisfação do seu governo? Que país essa gente acha que vive?

A OAB tinha apresentado sugestões para a reforma política, que foi tratada com certo desdém pelo Presidente da Câmara. Até aí é discutível. O que não entendi foi o presidente da OAB declarar que era obrigação do congresso escutar o povo. Como assim? Que eu lembre a OAB é representante legal de uma classe, os advogados. Ou estou enganado? Não lembro de ter votado em nenhum membro da entidade para me representar. É bom esse tal de César Brito começar a aterrisar rapidinho pois no pouco tempo que está no cargo só tem falado besteira.

Combate à Violência

O Ministro da Justiça afirmou ontem que a violência se combate com empregos e educação. É uma destas teses que se gosta de repetir pela mídia, que a violência é fruto da grande desigualdade social que existe no país. Não parece que seja tão simples quanto MTB gosta de afirmar.

Os dados sobre a desigualdade social indicam que não houve muita variação nos últimos 30 anos. Estamos estagnados. Recente reportagem da Veja indica que a classe média cresceu muito pouco nos últimos 20 anos. Se houve alguma mudança, e muito pequena, foi para melhor. Nossos índices sociais melhoraram um pouco nas últimas décadas.

Quando se cruza estes dados com os índices de violência a incoerência se mostra de cara. Estes índices dispararam. Temos um quadro em que os índices sociais se mantém e a violência não para de aumentar. Onde está a relação de causa e efeito? Como explicar o caso em que jovens de classe média alta de Brasília atearam fogo em um índio para superar o tédio?

No início dos anos 90 os Estados Unidos estavam explodindo com a violência urbana em suas grandes cidades. Iniciou-se um processo para combatê-la. Atuaram também na prevenção, com palestras em escolas públicas, projetos de prática de esportes para jovens e coisa do gênero. Mas não foram estas as principais medidas para combater a violência. Estas foram as ações secundárias.

As principais foram modernização da polícia e agilização no combate ao crime. Novas penitenciárias foram construídas e a justiça passou a agir com mais rapidez e rigor. Na última década a população carcerária americana aumentou em cerca de 40%. O que deve causar surpresa para os sociólogos brasileiros é que a violência decresceu mais ou menos na mesma proporção. Não conseguem conceber que se diminua a violência simplesmente… prendendo os criminosos!

Quando os dados americanos foram divulgados em 2003 (se não me falha a memória) o mesmo Márcio Thomaz Bastos afirmou que este modelo não servia para o Brasil. Que o sucesso de um programa de combate à violência é medido pela diminuição da população carcerária e não ao contrário. Na lógica do Ministro para vencer o crime deve-se… soltar os criminosos! Não é à toa que é um advogado criminalista, dos bons.

Para não ficar só no exemplo dos States (que os brasileiros, na média, desprezam) vamos para São Paulo. Durante o governo Covas-Alckmin os presídios paulistas ficaram lotados, aliás superlotados. O que provocou rebeliões e os ataques do PCC. Falência do sistema? Nem tanto. Dados do próprio IBGE (que o governo segurou por causa das eleições) mostram que a violência recuou sensivelmente no estado.

Mas só sei citar exemplo do PSDB e dos Estados Unidos no combate ao crime? Queriam o que? Exemplos do governo do PT? Sorry.

De onde menos se espera é que não vem nada mesmo.