Miolo de jornal

As manchetes estão todas voltadas para a corrupção que assola a sociedade brasileira. Qualquer um já tem uma anedota sobre os bois de Renan Calheiros ou a bezerra de outro de Joaquim Roriz. Perdido nas páginas centrais dos jornais alguns temas ,a meu ver muito mais importantes, estão sendo tratados por muito poucos jornalistas.

Por que são tão importantes? Por que revelam métodos e a evolução de um estado de coisas que não podem levar a um bom lugar, como nunca levou.

Racismo

O professor Paulo Roberto da Costa Kramer, da UNB, foi suspenso pela universidade e responde à ação criminal por racismo. Não vou entrar no mérito da questão, e a meu ver nem tem como entrar. Por que? Porque o processo todo lembra o que existe de pior em deturpação de valores e lembra o macartismo americano.

Existe um aluno de mestrado em ciências políticas da UNB que está se notabilizando pela perseguição a professores que julga racistas. Para quem não lembra, ano passado tinha preparado uma arapuca para a diretora de seu curso, tinha combinado com alguns colegas. O problema é que ao mandar um e-mail para alguns colegas que participariam da farsa, enganou-se e mandou para todo o mestrado. O teor já diz tudo:

“Carlos, que bom que você estará nesta mesa da Lúcia, você já sabe né: me passa a palavra no primeiro momento, eu destruo com ela, você não me corta em nenhum momento, deixa ela lá com cara de trouxa e depois me agradece e passa a palavra para o próximo”.

Em qualquer universidade séria, teria sido simplesmente expulso. Tal ato é indigno de um candidato a mestre, mas estamos no Brasil, e por aqui NADA que uma aluno faça é motivo para esta punição cruel. Por isso estamos onde estamos.

O professor Kramer foi vítima de uma destas armações. O aluno levou um gravador escondido para a aula e junto com colegas levou o professor a uma discussão. Uma prova destas não vale no mundo civilizado, mas não pertencemos a ele certo? E mais, com o antecedente que este rapaz mostrou, como pode ainda ser levado a sério?

Para ter uma idéia da coisa, foi feito um processo disciplinar e em palavras do próprio acusador: “O reitor demorou menos de um dia para decidir quando o caso caiu em suas mãos”. O que implica que Kramer já estava condenado antes de iniciar o processo.

Classificação Indicativa

Pegando o gancho no famigerado ECA (Estatuto da Crianca e do Adolescente), o ministério da justiça está empenhado em instituir a classificação indicativa com o pretexto de proteger a criança.

Trata-se de uma mistificação. Argumentam que nos EUA já existe esta classificação. Omitem um importante detalhe: a classificação é feita pelas próprias emissoras. O modelo pretendido é feito pelo estado, por um grupo de censores chefiados por um experiente advogado de pouco mais de 30 anos de idade. A portaria que querem aprovar é um cópia quase idêntica da lei venezuelana que possibilitou a Chavez fechar a principal emissora de televisão de seu país.

Além do mais, de indicativa não tem nada. Se as emissoras desrespeitarem a classificação será processada. Portanto é impositiva.

Hoje o Globo traz a notícia de que Zilda Arns, coordendora e fundadora da Pastoral da Criança, retirou seu apoio à portaria. Deixou claro que defende a liberdade de expressão e mudou de posição porque percebeu que a portaria do governo tem caráter impositivo.

O grande problema é que o lulismo não reconhece os pais como responsáveis pelas crianças. Querem que o estado faça isso por eles. E o próprio presidente recentemente defendeu que cabe a escola pública ensinar sobre sexualidade às crianças, da forma como achar correto e independente da vontade dos pais.

Zilda foi clara: “acreditamos ser responsabilidade de cada família decidir que programas televisivos suas crianças devem assistir ou não“.

Baladaboa

Tem todo tipo de trocadilho aí. É uma pesquisa(?) transformada em campanha com patrocínio da FAPESP. Defende a redução de danos no consumo de ecstasy.

O problema é que a campanha, como a maioria dos programas do gênero no Brasil, não fazem redução de danos, e sim apologia e incentivo à prática. Veja as “informações” trazidas no site:

– “Droga leve ou segura é um termo inadequado a qualquer droga. A interação droga-organismo é algo particular. Uma droga pode trazer prejuízo para uns, sendo inócua ou benéfica para outros”.
– “O efeito do ecstasy varia conforme o organismo e as circunstâncias de uso. As reações a comprimidos idênticos podem ser diferentes para casa usuário e a cada circunstância de uso.”
– “O MDMA [ecstasy] atua sobre vários neurotransmissores, principalmente sobre a serotorina. Em altas doses, pode provocar efeitos desagradáveis e tóxicos.”

Vejam que a droga (qualquer uma) pode “trazer prejuízo para uns, sendo inócua ou benéfica para outros” e que o ecstasy “em altas doses, pode provocar efeitos desagradáveis e tóxicos“.

Reinaldo Azevedo comprou esta briga sozinho, conseguiu que a FAPESP suspendesse o patrocínio, mas depois de muita pressão, com algumas alterações nos flyers, retomou-o.

Pois a Universidade Federal de São Paulo deu notícia ontem da conclusão do primeiro estudo nacional sobre os efeitos do ecstasy, e o resultado em 32 usuários foi devastador.

O ecstasy não pode provocar efeitos desagradáveis, ele causa, e de muito além do desagradável.

Nós, o povo

Demétrio Magnoli abordou hoje no Globo a questão das cotas, particularmente a decisão da Suprema Corte americana.

Magnoli questiona “ações governamentais que dividem o povo por meio da raça“, pois serviriam como promotores da noções de inferioridade racial e levariam a “uma escalada de hostilidade racial e conflito“.

Segundo ele, a decisão americana restaura o princípio de igualdade política de Martin Luther King e já provoca reação principalmente na Fundação Ford, nos EUA e no Brasil, que “traduzem a decisão como uma reação conservadora“. Estes estariam interessados em esconder os argumentos dos juízes sob “uma pilha de chavões vazios“.

O presidente da Corte, John Roberts, escreveu que “o caminho para acabar com a discriminação baseada na raça é a acabar com a discriminação baseada na raça“. As acões afirmativas apenas invertem o sinal da discriminação, consagrando a raça no domínio da política e da lei, destruindo o princípio da soberania.

O preâmbulo da Carta americana diz “Nós, o povo dos Estados Unidos…“, e foi a primeira na história que fundava-se “sobre o alicerce de um contrato político entre cidadãos iguais“. Magnoli defende que este alicerce se perde se “direitos comuns se convertem em privilégios distribuídos segundo critérios raciais“.

Reconhece que o “povo” não existiu plenamente nos Estados Unidos enquanto vigorou a escravidão e perdurou nas leis o princípio do “separados, mas iguais“, fronteira esta que foi suprimida na década de 60 com o movimento pelos direitos civis.

A decisão atual seria a correção de quase três décadas de equívocos, pois a política de cotas teria sido estabelecida na década de 70 quando se calava o movimento pelos direitos civis por pressão da Fundação Ford e de uma legião de ONGs. “A nação que nem sequer usufruíra os frutos do banimento da raça, foi aprisionada pela velha maldição, vestida nos trajes das cotas raciais“.

O Brasil estaria importando “produtos usados, que fracassaram no país de origem“.

Conclui com o voto em separado do juiz Anthony Kennedy que inicialmente protestou: “Quem exatamente é branco e quem exatamente é não-branco? Ser forçado a viver sob um rótulo racial oficial é inconsistente com a dignidade dos indivíduos na nossa sociedade. E é um rótulo que o indivíduo é impotente para mudar!“. Defendeu, no entanto, a legalidade de iniciativas para seleção de áreas racialmente segregadas para prioridade em investimentos públicos. Segundo Magnoli, não seria “difícil de adaptar essas propostas às condições do Brasil, onde a segregação ocorre decorre mais da renda que da cor da pele“. A dificuldade seria vencer os fanáticos da raça, “cujo imperativo categórico é a divisão da nação em blocos raciais“.

Mais um ato de violência

Ganhou o noticiário o bárbaro ataque de cinco jovens, de classe média alta, a uma empregada doméstica, em um ponto de ônibus na madrugada do Rio.

Louve-se o papel do taxista que seguiu os marginais e anotou a placa do carro permitindo a identificação posterior.

Como sempre estão especulando as razões que levam um ser humano a cometer um ato dessa natureza. Alguns intelectuais devem estar até lamentando a condição social de agressores e agredida, pois não dá para ficar alardeando a tese de que foi a sociedade que “oprimiu” os meninos e os levou a tal ato. Nem com muita boa vontade dá para colocar o rótulo de verdadeiras vitimas aos jovens presos, como se procura fazer quando ocorrem fatos desta natureza.

Não existe uma só causa. Podemos citar a falta de valores, educação sem limites, ócio, desânimo diante do futuro, impunidade. E mais um monte de outras. A verdade é que trata-se de um ato desumano, sem explicação lógica, e que causa muita tristeza.

Apenas mais um sintoma de que a sociedade está doente. Se fosse uma pessoa isolada, como o coreano que matou os universitários americanos, ainda se poderia ver o desequilíbrio de um homem, uma patologia; mas ao juntar 5 jovens, universitários, sem privações, o que surge é muito mais triste, é a maldade humana mostrando sua face.

E o homem de bem, sim ele existe, choca-se e chora em sua impotência. Mais um triunfo da bestialidade.

O Ministro Temporão e o aborto

Comentei sobre a participação do Ministro da Saúde no Roda Viva meses atrás. Temporão foi claro: defendia o debate sobre o assunto, não necessariamente o aborto. Mostrou toda argumentação à favor da ampliação do direito, mas quando perguntado negou-se a se posicionar na questão. Mas defendia um plebiscito.

Levantou novamente o assunto na época da visita do papa. Bento XVI foi taxativo sobre a posição da Igreja: não. Pesquisa da Folha: maioria do povo é contra. As próprias associações e ONGs que defendem a ampliação posicionou-se contra o plebiscito. Na época comentei que o plebiscito deixaria de ser estratégia, partiriam para o congresso onde a população não dá pitaco.

Pois leio hoje que Temporão defende que o Congresso faça a mudança da lei, e urgente. É um democrata não? Vendo que sua tese não encontra respaldo popular, tenta agora que seja feita na surdina, sem um debate nacional à respeito.

Ah, mas os deputados são eleitos para isso, para representar a população. Primeiro que a esmagadora maioria é eleita por votos de sua legenda, e dizer que representam um eleitorado é uma grande falácia. Não digo que deveriam deixar de existir, melhor com eles do que sem Congresso. Mas o fato é que nosso sistema é viciado e não funciona em termos de representação popular.

Mas o principal é que um assunto desses, em qualquer sociedade que se preze, é motivo para debate amplo e irrestrito. Basta lembrar que Portugal ampliou o direito ao aborto através de consulta popular. Não por vontade exclusiva de seu parlamento.

A sociedade deve ficar vigilante. A maioria é contra, mas políticos, o partido do poder, e grande parte da mídia são à favor. Se querem o debate que se faça, mas no arrepio não!

A Samaritana

Hoje assisti uma palestra muito bonita sobre uma passagem do Evangelho de João.

Jesus, ainda no início de sua pregação, quebra vários paradigmas de sua época, particularmente do povo judeu, e pela primeira vez se anuncia como o Messias.

Uma vez, em discussão com um amigo, este questionava a interpretação da bíblica. Afirmava que não existia possíveis interpretações para o texto escrito, que a mensagem era clara.

Não concordei na época, e muito menos agora. Se um texto de duas linhas pode ser interpretado de forma diferente por quem o lê, como poderia o texto bíblico, com toda sua riqueza e repleto de simbolismo, chegar da mesma forma à todas as pessoas?

O que me chamou atenção, em particular na história denominada “A Samaritana” foi a questão da mulher na sociedade patriarcal da época. Reinaldo Azevedo, defendeu faz algumas semanas, o papel do cristianismo como redentor da mulher na sociedade. Depois coloco o texto dele.

O fato é que cheguei em casa agora a pouco e coloquei as idéias da palestra para não esquecê-las, e divido com quem quiser através do link abaixo:

A Samaritana

Retratos de uma sociedade

No carro um avô dirige. O neto, no banco de trás, chupa uma bala. Pelo retrovisor vê o menino colocar o papel dobrado no cantinho da porta.
__ Meu filho, não coloca aí não. Pode jogar pela janela.
__ Pode não vô. Vai entupir a rua se chover.

Uma pessoa sai feliz da lanchonete e diz para o amigo.
__ Ganhei o dia!
__ Que houve?
__ Paguei com uma nota de R$ 5 e recebi troco para R$ 50!
__ Valeu a pena hein?
__ Se valeu.

__ Tenho terror desta matéria. Repeti ela na faculdade.
__ Foi mesmo?
__ Foi. O professor era o maior carrasco! Ninguém entendia nada que ele falava.
__ Então deve ter ficado um monte de gente.
__ Que nada… passou quase todo mundo. Fui a única que não colou…

__ Cara deixa de ser bobo, pode lançar aí.
__ Mas não tem perigo?
__ Não, este campo eles não conferem. Não tem como. Pode lançar e pegar de volta na devolução. Foi um cara da receita que me ensinou.

__ Estou a duas semanas sem ver televisão.
__ O que houve?
__ Cortaram meu gato da net.
__ Que azar!
__ Pois é, e não tem nem um 0800 para reclamar!

__ Faz anos que não compro um software. São muito caros! Para que pagar se dá para baixar de graça na internet!

__ E aí ? Beleza? Vamos que estamos em cima da hora.
__ Seguinte, pode ir, leva meu ingresso e tenta passar.
__ O que houve?
__ Para todos os efeitos fui no jogo contigo. Vou aproveitar que a mulher me deu a liberação e fazer um programa paralelo…

Todas estas estórias são reais. Fui personagem de umas, escutei outras; todas envolvem pessoas de bem. Este é um pequeno mosaico de nossa sociedade, de nossa moral tortuosa e relativa. Não estou aqui para julgar ninguém. O leitor que tire suas próprias conclusões, como tiro as minhas.


Um dos temas que tenho me interessado ultimamente é o anti-americanismo na América Latina, particularmente no Brasil. Confesso que até bem pouco tempo padecia deste mesmo mal, tão bem retratado em duas obras que li recentemente: O Manual do Perfeito Idiota Latino-americano e A Grande Parada. Uma das constatações recentes é de que os americanos são mais odiados no Rio de Janeiro do que em Bagdá. Que existem áreas em São Paulo, intelectualizadas, que a repulsa é maior do que em Terã __ um lugar onde os Estados Unidos são chamados de Grande Satã.

Um dos aspectos deste quadro é a questão do entretenimento, particularmente a televisão. Ou os famosos “enlatados” como são referidos por aqui. No caso me prendo às séries televisivas.

Pois os seriados estão para os americanos como as telenovelas estão para os brasileiros. Tirando os telejornais e os eventos esportivos são líderes de audiência, e influenciam boa parte da sociedade.

Hoje estava assistindo um episódio de uma série já extinta chamada Frasier. Para quem não conhece trata-se de uma sitcom, ou uma comédia sobre costumes.

Frasier é um psicanalista que após o divórcio retorna à sua cidade natal, Seattle, e inicia nova carreira como apresentador de um talk show de rádio onde dá conselhos à pessoas com problemas em suas vidas.

Recebe para viver com ele o pai, com quem nunca conseguiu ter uma boa relação. Martin sofreu um acidente que o deixou com problemas de locomoção e impossibilitado de viver sozinho. Os dois passam a ter uma oportunidade de entender este afastamento e criar laços de união.

No episódio que vi hoje, Frasier e seu irmão descobrem que algo aconteceu 30 anos antes em umas férias de família. Confrontado pelos filhos, Martin reconhece que teve um caso com a vizinha no período, que não se orgulha do que fez e que considera o caso encerrado.

Frasier não se conforma com a traição do pai e sofre pela memória da mãe, já falecida. Acaba descobrindo que a estória era justamente o inverso, fora sua mãe quem tivera o caso. Em nova conversa, seu pai admite que mentiu para preservar a memória da esposa.

O que achei interessante, é que a tônica dos episódios gira em torno do personagem principal enfrentando situações cotidianas e tirando importantes ensinamentos. Sim, a sociedade e os homens não são perfeitos, mas existem valores que devem ser buscados.

Da primeira temporada, este é o sétimo episódio que assisti nas duas últimas semanas. Nele foram tratados temas como o respeito mútuo entre o pai e o filho, a ética na profissão, a ironia que por vezes humilha as pessoas, e outros. Todos valores preciosos que se perdem na modernidade.

Muitos seriados americanos giram em torno da propagação destes valores. Gostamos de chamar os americanos de falso-moralistas, que não seguem o que pregam, etc. Mas o fato é que muitos dos seus programas discutem e reafirmam valores morais universais. Basta ver a quantidade de sitcons já produzidos centrados no ideal da família.

Existem os que as ridicularizam? Sim. Os que as questionam? Sim. Mas existem muitos que a defendem e a coloca como centro da vida em sociedade.

Pois dêem uma olhada em nossas novelas e nossos programas. O que predomina em quase 100% das vezes? A desmoralização destes valores e da família. Impiedosamente. E o curioso é que nos colocamos como culturalmente melhores.

Não tenho estômago mais para ver nossa televisão. Prefiro ver seriados como Frasier, que a cada episódio trata com humor e também com sensibilidade temas importantes; com boas mensagens que muitas vezes desconcertam até mesmo seu personagem principal.

Falar bem de algo que vem dos Estados Unidos é quase pedir para ser apedrejado por aqui. Existe uma crença que estão sempre errados. Se hora mostram um adultério são acusados de denegrir valores, se apresentam a fidelidade são acusados de serem moralistas. Não tem como acertar.

Certos somos nós em nossa moral tortuosa que glorifica personagens como Foguinho ou Alemão, mostrando a pobreza de valores que somos submetidos todas as vezes que ligamos a televisão.

Debate sobre cotas raciais

Um interessante debate sobre cotas raciais foi feito no Estadão entre o geógrafo Demétrio Magnoli e o administrador de empresas Hélio Santos. O primeiro posiciona-se contra as cotas e o segundo à favor. Já li um livro de Magnoli, O Grande Jogo, onde já esboçava sua posição sobre o assunto. Atualmente estou utilizando mais dois livros de sua autoria para estudar Geopolítica. A Veja desta semana também toca no assunto (ainda não li a matéria). Parece que esta semana haverá discussões sobre o assunto, o que é sempre bom.

Segue link:
http://cantodojota.go2net.ws/DebateCotas.html

Mais um absurdo ideológico

Ano passado li um texto muito interessante da jornalista Mirian Macedo, que retirava a filha de um celégio devido ao que viu em seu material didático. A jornalista publicou uma carta aberta no site www.escolasempartido.org. Pois o sistema COC após utilizar o direito de resposta do próprio site abriu processo contra a jornalista e todos os sites que noticiaram a carta. Abaixo o texto da jornalista para que reflitam um pouco sobre a situação atual do Brasil.

Acabei de tirar minha filha, de 14 anos, do Colégio Pentágono/COC (unidade Morumbi – São Paulo) em protesto contra o método pedagógico “porno-marxista” adotado pela escola no ensino médio este ano. O sistema COC, que começou como cursinho pré-vestibular há cerca de 40 anos em Ribeirão Preto-SP, está implantado hoje em mais de 150 escolas em todo Brasil, atingindo cerca de 200 mil alunos. O Pentágono – que, além do Morumbi, tem colégios em Alphaville e Perdizes – é uma das escolas-parceiras.
As provas de desvio moral-ideológico são incontáveis. Numa apostila de redação, a escola ensina “como se conjuga um empresário” e, para tanto, fornece uma seqüência de verbos retratando a rotina diária deste profissional:

“Acordou, barbeou-se… beijou, saiu, entrou… despachou… vendeu, ganhou, lucrou, lesou, explorou, burlou… convocou, elogiou, bolinou, estimulou, beijou, convidou… despiu-se… deitou-se, mexeu, gemeu, fungou, babou, antecipou, frustrou… saiu… chegou, beijou, negou, etc., etc.”.

A página 4 da apostila de Gramática ostenta a letra de uma música de Charlie Brown Jr, intitulada Papo Reto (Prazer É Sexo O Resto É Negócio) – assim mesmo, tudo em maiúscula, sem vírgula. Está escrito:
“Otário, eu vou te avisar:/ o teu intelecto é de mosca de bar/ (…) Então já era,/ Eu vou fazer de um jeito que ela não vai esquecer”.

Noutro exemplo, uma letra de Vitor Martins, da música Vitoriosa:
“Quero sua alegria escandalosa/ vitoriosa por não ter vergonha/ de aprender como se goza”.

As apostilas de História e Geografia, pontilhadas de frases-epígrafes de Karl Marx e escritas em ‘português ruim’, contêm gravíssimos erros de informação e falsificação de dados históricos. Não passam, na verdade, de escancarados panfletos esquerdejosos que as frases abaixo, copiadas literalmente, exemplificam bem:
“Sabemos que a história é escrita pelo vencedor; daí o derrotado sempre ser apresentado como culpado ou condições de inferioridade (sic). Podemos tomar como exemplo a escravidão no Brasil, justificada pela condição de inferioridade do negro, colocado (sic) como animal, pois era ‘desprovido de alma’. Como catequizar um animal? Além da Igreja, que legitimou tal sandice, a quem mais interessava tamanha besteira? Aos comerciantes do tráfico de escravos e aos proprietários rurais. Assim, o negro dava lucro ao comerciante, como mercadoria, e ao latifundiário, como trabalhador. A história pode, dessa forma, ser manipulada para justificar e legitimar os interesses das camadas dominantes em uma determinada época”.

Sandice é dizer que a Igreja legitimou a escravidão. Em 1537, o Papa Paulo III publicou a Bula Veritas Ipsa (também chamada Sublimis Deus), condenando a escravidão dos ‘índios e as mais gentes’. Dizia o documento, aqui transcrito em português da época que “com authoridade Apostolica, pello teor das presentes, determinamos, & declaramos, que os ditos Indios, & todas as mais gentes que daqui em diante vierem á noticia dos Christãos, ainda que estejão fóra da Fé de Christo, não estão privados, nem devem sello, de sua liberdade, nem do dominio de seus bens, & que não devem ser reduzidos a servidão”.

Outra pérola do samba do crioulo doido, extraída da apostila de História:
“O progresso técnico aplicado à agricultura (…) levou o homem a estabelecer seu domínio sobre a produção agrícola em detrimento da mulher”.

Ok, feministas. Agora, tratem de explicar a importância e o poder das inúmeras deusas na mitologia dos povos mesopotâmicos, especialmente Inana/Ishtar, chamada de Rainha do Céu e da Terra, Alta Sacerdotisa dos Céus, Estrela Matutina e Vespertina e que integrava, com igual poder, a Assembléia dos Deuses, ao lado de Anu, Enlil, Enki, Ninhursag, Nana e Shamash. Na Suméria,”tanto deuses quanto deusas eram patronos da cultura; forças tanto femininas quanto masculinas estavam envolvidas com a criação da civilização. A realidade dos papéis das mulheres dentro de casa estava em perfeito acordo com a projeção destes papéis no mundo divino”. (Tikva Frymer-Kensky em seu livro de 1992, In the Wake of Goddesses: Women, Culture and Transformation of Pagan Myth. Fawcet-Columbine, New York.

Mais delírio marxista de viés esquerdológico:
“Estas transformações provocaram a dissolução das comunidades neolíticas, como também da propriedade coletiva, dando lugar à propriedade privada e à formação das classes sociais, isto é, a propriedade privada deu origem às desigualdades sociais – daí as classes sociais – e a um poder teoricamente colocado acima delas, como árbitro dos antagonismos e contradições, mas que, no final de tudo, é o legitimador e sustentáculo disso: o Estado”. (Definição de propriedade privada, classes sociais e de Estado, em sentido marxista, no neolítico, nem Marx!).

Calma, não acabou: No capítulo sobre a Mesopotâmia, a apostila informa que o deus Marduk (grafado Manduque) ordenou a ‘Gilgamés’ que construísse uma arca para escapar do dilúvio. (Gilgamesh é, na verdade, descendente do Noé caldeu/sumério, chamado Utnapishtin/Ziusudra. É Utnapishtin que conta a Gilgamesh a história da arca e do dilúvio. Há versões em que Ubaretut, filho de Enki, é que é o verdadeiro Noé; Utnapishtin apenas revela a história do dilúvio a Gilgamesh).

Outro trecho informa que o “dilúvio seria enviado por Deus, como castigo às cidades de Sodoma e Gomorra”. (Em Genesis (19,24), lê-se: “O Senhor fez então chover do céu enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra”. Além disto, a destruição de Sodoma e Gomorra nada tem a ver com Noé e sim, com o patriarca Abraão e seu sobrinho Ló).

Outros achados:

“Diz a tradição que Sargão era filho de um jardineiro, o que nos faz pensar que, nesta época, como era possível alguém das chamadas camadas baixas da sociedade, ter acesso ao poder?”. (Que reflexão revolucionária! E que estilo!).

No capítulo “Geografia das contradições” lê-se: “Uma das graves contradições relaciona-se à economia: na sociedade capitalista quase todos trabalham para gerar riquezas, mas apenas uma minoria burguesa se apropria dela (sic) (…) Por outro lado, é necessário compreender que a sociedade foi e é organizada por meio das relacões sociais de produção. Entre nós, e na maioria dos países, temos o modo de produção capitalista, em que a relação básica é representada pelo trabalho. Nele encontram-se os proprietários dos meios de produção e os trabalhadores que, não possuindo os meios de produção, vendem sua força de trabalho”. (Marxismo puro, simples assim).

O mais grave é que estas apostilas, de viés ideológico explícito, vêm sendo adotadas por um número cada vez maior de escolas no País. Além das escolas próprias, o COC faz parcerias com quem queira adotar o sistema, como aconteceu este ano com o Colégio Pentágono, onde minha filha estuda desde o primário. Estas apostilas têm de ser proibidas e as escolas-parceiras e o COC têm de ser responsabilizados. É a escuridão reinante.