Os objetos do acidente da GOL

Levantaram na imprensa o problema sobre o desaparecimento de objetos pessoais das vítimas do acidente do avião da GOL no ano passado. Lembrei do relato de um colega meu do Exército que participou das buscas.

Ele contou que os militares ficaram especialmente revoltados com os indígenas do local, que segundo ele teriam saqueado tudo o que foi possível no meio dos destroços, sem demonstrar o menor sinal de remorso.

O ministro da defesa afirmou hoje não acreditar na culpa da Aeronáutica, já que outros órgãos tiveram envolvidos na busca. Esqueceu que os habitantes do local também estiveram por lá. Cabe uma investigação também.

Por fim, segundo relato deste colega, quem pegou pesado nas buscas e recolhimento de cadáveres e tal foi, para variar, o Exército. Os outros “atores” citados pelo ministro da justiça, recusaram-se a sujar as mãos.

São partes de uma tragédia que ninguém conta.

Diogo Brilhante

A coluna de Diogo Mainardi na Veja desta semana é simplesmente brilhante. Confesso que foi a melhor que já li, e bate com algumas coisas que já vinha falando e escrevendo.

Trata da posse de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. Parecia um ato de rotina. O clima era festivo, com risos soltos e um Lula soltando suas piadas como sempre. Em dado momento, como já tinha comentado aqui, ele disse era preciso ter “momentos de descontração para tornar uma vida menos sofrível”.

Qual o problema? O problema é que o novo Ministro estava sendo empossado pela absoluta incapacidade do anterior de resolver o caos que tomou conta do espaço aéreo brasileiro. Não era uma ocasião para festa, à rigor não deveria nem ter cerimônia de posse. Publique-se e comece a trabalhar porque os aviões estão no céu. Era na verdade um momento que deixava claro que o governo era sim responsável pelas 200 mortes de Congonhas. Se não fosse não precisaria trocar seu ministro (faço questão do “m” minúsculo).

Aquela cerimônia só estava acontecendo por causa desta tragédia, e portanto não havia nenhum motivo para o riso do presidente. E não era só ele. Havia também, entre outros, Guido Mantega (o que disse que a crise se devia ao sucesso da política econômica), Celso Amorim (o que tenta a todo custo nos aproximar da Venezuela) e Marco Aurélio Garcia (top top top). Aliás a presença deste último demonstra toda a consideração que o presidente tem pelas famílias arrasadas de Congonhas. Em qualquer país com um mínimo de decência estaria demitido.

Mas Mainardi toca em outro ponto, que também tenho comentado. A falência da sociedade brasileira, e infelizmente não é no sentido econômico. Quem me conhece sabe que ando repetindo para quem quiser ouvir: não acredito mais no futuro do Brasil. Acho que já fracassamos como nação, como sociedade, como grupo humano.

O colunista defende que o espetáculo mostrado na posse de Jobim seria o momento em que o país se perdeu definitivamente. Naquele momento o presidente (também minúsculo) profanou os corpos de 200 brasileiros e o “triunfo da boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente”.

O Brasil perdeu o resto de civilidade que possuía. Não há mais nada. Apenas o fracasso total e irrestrito de uma sociedade. O Brasil já era.

Retrato do Brasil

Fui a Campinas com três objetivos e nenhuma esperança
por Suzana Magalhães Lacerda em 31 de julho de 2007

Resumo: Depois de uma inútil maratona procurando atendimento em repartições públicas, surge um dúvida: ser funcionário público ou terrorista?

© 2007 MidiaSemMascara.org

Fui a Campinas com três objetivos e nenhuma esperança: Receita Federal, Justiça Federal e Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. O problema é simples: empresa cliente precisa de Certidão Negativa de Débitos e, para isso, precisa “baixar” todos esses débitos. A solução é complicada: percorrer todas as repartições públicas, conversar com todos os funcionários públicos e esperar.

Destino 1: Receita Federal (na parte da tarde).

Dirijo-me ao balcão de informação e explico o caso. A funcionária (pública), de cabeça apoiada nas mãos, já adverte: “O responsável não está mais aqui, mas se quiser, pega uma senha.”

Entro na fila, espero e chego a outra funcionária (pública) e explico o caso:

– Preciso ver dois processos, recentes, para saber do que se trata.
– Xiiiiiiiii, processo só com Zé Carlos. E ele já foi embora (eram 14:30h). Só amanhã, das 8h às 11h.

Eu insisto:

– Mas é urgente e só preciso saber do que se trata. Não tem outra pessoa?
– Não tem. Só o Zé Carlos.

E ela tenta me animar:

– Vem bem cedinho… aí ele te deixa ver o processo na hora. Senão… tem que agendar para ver outro dia.

Sim, sim. Eu já conheço o Zé Carlos. Funcionário público de meia-idade, dono da verdade (e de todos os processos da Receita Federal de Campinas), todo prosa.

Desisto de ver esses processos e prossigo:

– Tem outro processo, mas este está com o Sr. Eli. Preciso falar com ele para saber o andamento.
– O Eli ? (ela dá uma risadinha). O Eli não recebe ninguém!
– Sei.

Já tinham me alertado.

– Mas, moça, é urgente! Tenho que falar com o Eli…
– Olha, para falar com o Eli, você tem que falar com a Graça primeiro, que é chefe dele.
– E onde a Graça fica ?
– Iiiiiiiiiiii, a Graça já foi embora, mas ela fica aqui do meu lado, de manhã. Aí você volta amanhã, fala com a Graça, ela te dá uma autorização para subir e falar com o Eli. Com a autorização, você liga para o Eli e vê se ele te recebe!

Assim, bem simples. Já que o Zé Carlos e nem a Graça estavam lá e o Eli não quis me receber, fui embora. Sem resolver nada.

Destino 2: Justiça Federal

Na Justiça Federal, o objetivo era mais simples: conversar com o juiz (que já havia me recebido outro dia).

Dirijo-me ao gabinete e converso com a moça (sim, para se chegar a um funcionário público, sempre é preciso falar com outro antes):

– Queria despachar com o juiz.

A moça lembra de mim, pede para eu esperar, vai falar com o juiz e volta com cara de lamento:

– Olha, o juiz não vai te receber porque você já falou com ele e já já ele irá decidir sobre seu processo.

Resignada, peço, gentilmente:

– Então, posso ver o processo ? Só para saber o que a Receita Federal (não o Eli, ou a Graça ou o Zé Carlos) disse ?
– Ai, acho que não pode!
– Como não posso ? O processo não está aí na sua mesa ? Por que não posso ?
– Acho que é irregular (!?).
– Irregular ?

A funcionária (pública) pergunta para a outra:

– Ela pode ver o processo ? Não é irregular ?
– Não, ela pode.

Pego o processo e percebo um erro de um funcionário (público) que esqueceu de me intimar de um despacho de um mês atrás. E digo:

– Olha, teve um despacho, há um mês atrás, e eu não fui intimada ainda e se eu não cumprir o despacho, o juiz não vai decidir…

Ela pega o processo, analisa, faz cara de descrédito e rebate:

– Foi erro do funcionário (público). Vou ter que mandar o processo de volta para a Secretaria, eles vão mandar publicar o despacho, depois abre seu prazo para resposta, daí ele volta para cá e, então, mandamos para o juiz decidir.

Impaciente, eu argumento:

– É que eu tenho pressa na decisão! Se eu for esperar tudo isso, serão mais uns 20 dias. Não posso tomar ciência do despacho agora e já cumpri-lo e, depois, bem rápido, você manda o processo de volta ao juiz ?

A parte do “bem rápido” foi um acesso de ingenuidade, mas a funcionária concordou e explicou:

– Assim é melhor. O erro foi de um funcionário e ele ia levar uma bronca do juiz…. e ele é um moço tão bonzinho, tadinho. Vamos lá falar com ele.

Vem o funcionário (público) que errou. Corrige o erro. Se não fosse minha pressa, eu faria questão da bronca do juiz. Tiro cópia do processo, devolvo e sigo minha jornada. Sem resolver nada.

Destino 3: Procuradoria Geral da Fazenda Nacional

Pego a senha, sento, abro meu livro e espero. 20 senhas e 40 minutos depois, sou chamada. Explico o caso e a funcionária prontamente responde:

– Para saber disso, é só a senhora entrar no site do Comprot.

Ora, se fosse simples assim, eu não teria andado 80 km até Campinas, pegado senha e esperado 40 minutos!

São 16h30, rodízio do meu carro, paciência gasta na Receita, paciência gasta na Justiça Federal e eu retruco:

– Posso falar com a Fernanda ?

O negócio de chamar um nome faz efeito. O serviço público agora é personalizado. O Zé Carlos é processo, a Graça é para Eli, o Eli para decidir, a Helô para o procurador e a Fernanda para um pouco de atenção.

Enquanto espero, meu chefe liga. Tento explicar que passei o dia todo em Campinas e não resolvi nada, e que não foi culpa minha. Ainda bem que ele já foi funcionário público e que, na hora que ele começa a perguntar, a Fernanda aparece.

– Preciso desligar. Chegou minha vez, depois te ligo.

A Fernanda, funcionária pública educada, aparece. Lembra de mim, mas não lembra do meu caso. Explico e ela recorda:

– Seu processo já está com o procurador! (passados dois meses)
– Mas já foi enviado para a Receita dar baixa no débito ?
– Ah, daí eu não sei.
– Mas, você não pode olhar isso para mim ? Eu tenho pressa, a empresa precisa, urgente, da CND. E, além do mais, o erro foi de vocês!
– Não posso. Quem pode te ajudar é a Helô.
– Então, posso falar com a Helô ?
– Ela não está aqui hoje, só terça. Volta terça-feira, daí você fala com ela, ela fala com o Procurador e vê se seu processo está ou não aqui!

São 17h30, vou para São Paulo com uma única certeza: vou levar multa de rodízio.

No caminho, um dilema. Não sei se queria ser funcionária pública para também não fazer nada e irritar todo mundo ou se queria ser uma terrorista e jogar uma bomba em cada repartição que passei.

Chego em São Paulo, 19h, trânsito, multa e ainda bato o carro.

A autora é Advogada do escritório Monteiro, Neves, Fleury Advogados Associados.

Para não esquecer

41 anos depois do atentado terrorista no Aeroporto Internacional dos Guararapes
por Aluisio Madruga de Moura e Souza em 28 de julho de 2007

É sempre bom relembrar. Muitos já escreveram em seus livros sobre aquele dia fatídico, dentre eles o Gen. Raymundo Negrão Torres, Gen. Agnaldo Del Nero Augusto e o Cel Carlos Alberto Brilhante Ustra. Vou me fixar resumindo o que escreveu o meu amigo já falecido Gen. Negrão.

Estava assaz movimentado o Aeroporto Internacional de Guararapes naquele começo de manhã de 25 de julho de 1966. Além da freqüência normal, muitos ali estavam para recepcionar o general Arthur da Costa e Silva, candidato do partido do governo – ARENA – à Presidência da República. As autoridades legais não sabiam e nem mesmo desconfiavam que as facções comunistas que repudiavam a “coexistência pacífica” pregada por Moscou e aceita pelo PCB de Luís Carlos Prestes estavam dispostas a derrubar o governo a bala, com bomba e outros atos de terrorismo.

Poucos minutos antes das oito chegava a notícia de que houvera uma pane no avião do Presidente e que ele chegaria a Recife por via terrestre. Muitos deixaram, inclusive crianças, o aeroporto. Eis que em ato contínuo, o guarda civil Sebastião Tomás de Aquino viu, “esquecida” em um canto, uma valise escura e a apanhou para entregá-la no balcão de “Achados e Perdidos”. Seguiu-se violenta explosão que, além de grande destruição das instalações, causou pânico e correria, deixando um trágico saldo de 17 vítimas. Ao se dissipar a fumaça da explosão, jaziam no chão o jornalista e Secretário de Governo de Pernambuco, Edson Régis de Carvalho, mortalmente ferido, e morto o almirante da reserva Nelson Gomes Fernandes. O guarda civil Sebastião – o “Paraíba”, um antigo e popular jogador de futebol do Santa Cruz teve a perna direita amputada e o tenente-coronel do Exército, Silvio Ferreira da Silva, além de ferimentos generalizados, teve amputação traumática de quatro dedos da mão esquerda. Ficaram ainda feridos os advogados Haroldo Collares da Cunha Barreto e Antônio Pedro Morais da Cunha, os funcionários públicos Fernando Ferreira Raposo e Ivancir de Castro, os estudantes José Oliveira Silvestre, Amaro Duarte Dias e Laerte Lafaiete, a professora Anita Ferreira de Carvalho, a comerciária Idalina Maia, o guarda civil José Severino Pessoa Barreto, o deputado federal Luiz Magalhães Melo, Eunice Gomes de Barros e seu filho, Roberto Gomes de Barros, de apenas 6 anos de idade. O acaso, transferindo o local da recepção, impediu que a tragédia fosse maior.

Na ocasião, sem provas conclusivas, este primeiro ato criminoso de terrorismo ideológico foi atribuído a militantes do Partido Comunista Revolucionário (PRC) e do Partido Comunista Brasileiro Revolucionário(PCBR). Hoje, sabe-se que foi obra dos rumos tomados pelo “maoismo cristão” da Ação Popular (AP). E quem afirma, com base em pesquisas e entrevistas iniciadas em 1979, é Jacob Gorender, um histórico militante de esquerda, em seu livro Combate nas Trevas, cuja primeira edição data de 1988. Às páginas 122 e seguintes, entre outras coisas, Gorender afirma:

“Enquanto Herbert de Souza (Betinho) e Jair Ferreira de Sá buscam contato com Brizola em Montevidéu, Paulo Wright e Alípio de Freitas (ex-padre católico) conseguem sair do Brasil e chegar a Cuba onde realizam curso de guerrilha. De retorno ao Brasil e já em 1965, a Ação Popular, decidida em partir para a Luta Armada, cria uma Comissão Militar incumbida de ministrar cursos de armas e explosivos. Membro da Comissão Militar e dirigente Nacional da AP, padre Alípio encontrava-se em Recife em meados de 1966, quando tomou conhecimento da visita de Costa e Silva e, por conta própria, resolveu aplicar seus conhecimentos sobre a técnica de atentados”.

Um dos executores do atentado, ainda revelado pelas pesquisas de Gorender, foi Raimundo Gonçalves de Figueiredo que mais tarde foi morto pela polícia de Recife em 27 de abril de 1971, já como integrante da VAR-PALMARES, utilizando o nome falso de José Francisco Severo Ferreira, com o qual foi autopsiado e enterrado. São terroristas desta extirpe que hoje são apontados como tendo agido em defesa da Democracia e cujos “feitos” estão sendo recompensados pelo governo, as custas do contribuinte brasileiro, com indenizações e aposentadorias que poucos trabalhadores recebem, recompensa obtida graças ao trabalho faccioso e revanchista da Comissão de Mortos e Desaparecidos, instituída pela Lei nº 9140, de 4 de dezembro de 1995.

O fato em si está esquecido pelas autoridades militares, enquanto a esquerda mente descaradamente valorizando junto à opinião pública os seus. Fico a imaginar o que sentem as vítimas deste ato covarde, que foi o primeiro dentre tantos outros realizados pelos terroristas brasileiros e que, graças à Lei de Anistia que lhes foi outorgada pela Contra-Revolução de 1964, ocupam postos-chave do governo e estão levando o País ao caos.

Hoje, 25 de julho de 2007, 41 anos após o atentado do Aeroporto dos Guararapes, após os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica engolirem goela abaixo a decisão da Comissão de Direitos Humanos sobre o traidor Lamarca, temos um novo Ministro da Justiça. E que ministro!!! Como aceitaram!

General Sílvio Ferreira da Silva e demais vítimas do terrorismo no Brasil, em que pese o esquecimento de quem de direito, nós não nos esquecemos de vocês.

O autor é Cel da Reserva do EB, autor dos livrosGuerrilha do Araguaia Revanchismo – A Grande Verdade e Documentário – Desfazendo Mitos da Luta Armada.

Coisas do Veríssimo

Por muito tempo fui admirador da obra de Luís Fernando Veríssimo, a ponto de considerá-lo o melhor escritor brasileiro. Claro que foi antes de conhecer o Érico e redescobrir Machado de Assis.

Mas ler os textos diários do escritor hoje me deixa com uma tristeza melancólica. As voltas e torturas lingüísticas que ele faz para justificar os maiores absurdos do atual governo é para escrever um tratado.

A coluna de hoje no Globo é um grande exemplo. Fala das vaias do Maracanã.

Primeiro vai até a Europa nos meses anteriores a II Guerra Mundial. Repete uma das mentiras históricas mais propagadas pelas esquerdas, a de que a Inglaterra teria permitido o avanço alemão no leste europeu para conter o comunismo. O erro britânico e francês na verdade foi tentar evitar o conflito armado a qualquer custo, o que evidente se mostrou equivocado, pois deu tempo para o fortalecimento do nazismo.

Depois coloca o comunismo como uma antítese do nazismo. É o que Revel trata em seu livro “A Grande Parada”. Existe mais semelhanças, algumas assustadoras, do nazismo com o comunismo do que o contrário. O Stalinismo aparece, mais uma vez, como um “desvio” do comunismo. Claro que nestas horas nunca citam o número de mortos nestes “desvios”. Alguns milhões.

Para que esta volta toda? Por que o raciocínio de Veríssimo é o seguinte: pessoas de bem, que não concordavam com o comunismo, se uniram aos nazistas no “precesso”, quando perceberam tinha se aliado com o mal.

Ainda não ficou claro? Pois Veríssimo disse que antes de vaiar o presidente, deve-se “olhar para o lado” e perceber se do nosso lado não está o que há de mais “atrasado e reacionário” na sociedade. Seria, na cabeça dele, uma espécie de aliança com o nazismo contra uma causa que até pode ser justificada.

Pois é assim que Veríssimo vê o carioca que estava no Maracanã. Como o que existe de mais “atrasado e reacionário” da sociedade. E quem estava no Maracanã? Simplesmente a classe média do Rio de Janeiro. A que aguenta o país nas costas com os impostos que paga e que, compra seus livros!

Pois ficamos assim, não se pode vaiar o presidente pois estará junto deste pessoal. E afirma ainda que não há vaia que justifique esta companhia.

É claro que aplaudindo o presidente existe, por este raciocínio ou raciocímio, o que existe de mais progressista e adiantado na sociedade.

Quer saber?

Prefiro o primeiro grupo. Reacionário e atrasado.

Por que esta palavra, progressita, me dá calafrios!

O piloto

Nem terminaram de retirar os corpos da aeronave e já está se divulgando a causa do acidente. O piloto. A pista não foi responsável pela tragédia. É inocente.

Volto ao tempo, precisamente 10 meses. Um outro acidente, um avião da GOL. Durante semanas sustentou-se a estória de que os pilotos americanos teriam causado a tragédia ao “voar” na contra-mão. Eu engoli esta, como um perfeito idiota.

Revelado a situação do controle(?) aéreo brasileiro já se sabe que pelo menos 2 controladores tiveram parte ativa no acidente. Mas nossas autoridades ainda insistem em colocar nos americanos a responsabilidade pelo que aconteceu. Já se sabe também que, naquele dia, os controladores já sabiam que a aeronave estava em altitude errada, tanto que desesperados tentaram o contato. Mas não orientaram o GOL a realizar uma manobra evasiva.

Conversando com meu irmão tive uma idéia do motivo. A aerovia não é uma linha, é uma faixa. E de alguns quilômetros de extensão, ou seja, mesmo em direções contrárias é ainda remota a chance de uma colisão. O que aconteceu, depois de todos os erros, foi que esta chance remota aconteceu. A impressão que tenho é que jogaram com a sorte. Apostaram e perderam.

Volto ao dia de ontem. Consigo imaginar um funcionário da INFRAERO na pista do aeroporto. Há condições de pouso? No dia anterior __ por que ninguém escuta estes avisos? __ uma aeronave derrapara. A pista tem 1900m, sem área de escape. Há condições de pouso?

Pode nem ter sido consciente, mas se sabe que a INFRAERO está sobre intensa pressão. Tem uma CPI em andamento, escândalos acontecendo. O que representaria umas 4 horas de Congonhas fechado? Mais inferno nos aeroportos. Sobreturo mais questionamentos. Mas não tinham reformado a pista? Não gastaram alguns milhões? Por que parar o aeroporto?

Fizeram a mesma coisa 10 meses atrás. Jogaram com a sorte, e teimosamente perderam novamente. O que me leva a mais um pensamento: será estas as duas únicas ocasiões em que jogaram com a sorte?

Quantas vezes se confiou na estatística das viagens aéreas para encobrir a incompetência? Quantos vôos já trafegaram na mesma faixa? Quantos aviões já pousaram sem a certeza de sua segurança?

A culpa é do piloto? Já caí uma vez nesta, não mais. Pode vir a maior autoridade do governo para dizer que a pista não influiu. A opinião dele vale o tanto quanto a do chefe do executivo. Contem esta para outro. Desafio o vaiado a ir dar condolências pessoalmente a todos os familiares e garantir a cada um deles que a pista estava segura. Só não o desafio a pousar em dia de chuva, com a mesma aeronave, nas mesmas condições, pois ele não seria capaz de fazê-lo sozinho.

Esta é a marca verdadeira deste governo: a irresponsabilidade com a vida humana.

Não vê quem não quer.

Indignado

Estou completamente indignado, mais uma vez.

Esta tragédia era mais do que anunciada, estávamos, infelizmente, só esperando e rezando só para na roleta russa macabra que virou os céus brasileiros não apontassem para nós.

O que se vê, mais de uma hora após o acidente, é a completa incompetência gerencial de todas as esferas envolvidas. Não há informação e não se montou ainda um gabinete de crise. Chega notícias de que o presidente está reunido com alguns ministros para tomar conhecimento dos fatos. E agora acaba de convocar uma reunião de emergência.

Infelizmente não dá para acreditar que alguém será responsabilizado pela tragédia. Será mais um festival de desinformações e terminará como todas as outras.

Este é o governo que foi aprovado em outubro passado. O chefe reclamou hoje que achou as vaias do Maracanã injustas. Uma coisa orquestrada.

Este é o tamanho do seu governo.

Mais uma Tragédia

As redes de televisão mostram agora as cenas da tragédia do Airbus 320 da TAM. Sim, na mesma pista recém-reformada de Congonhas, que custou 18 milhões de reais. A mesma que os pilotos têm reclamado de aderência. A mesma que um avião derrapou ontem. O festival de desinformação segue a mil, e a INFRAERO foi incapaz de, uma hora depois do acidente, informar qual voô se tratava. Nenhuma autoridade apareceu para dar alguma informação.

E a Rede Globo segue mostrando a novela…

Cada vez cheirando pior

Durante alguns dias foi possível ver uma propaganda da Peugeout em que pegava carona na besteira que Marta Suplicy falou sobre a crise dos aeroportos. Não durou muito, o presidente não gostou do tom e mandou recado para a montadora.

Fosse um país totalmente democrático receberia uma boa banana. Mas como é uma país onde o estado é onipresente e principal ator econômico, a montadora mandou tirar o comercial do ar. O criador do comercial reclamou no site do Clube de Criação de São Paulo, do qual é presidente e saiu a seguinte nota:

Em São Paulo, Jáder Rossetto, que acaba de voltar de Porto Alegre, diz que o melhor a fazer é tocar o barco adiante, já que um pedido do presidente não poderia ser negado.

Novamente as tropas petistas entraram em ação. Não poderia caracterizar interferência do presidente em um assunto eminentemente privado. Passaram a negar a pressão. Soltaram a versão que o comercial tinha chegado ao fim de seu ciclo útil. E a nota? Foi trocada. Agora está escrito “um pedido de Brasília não poderia…”.

Para mim fica até pior. Pior do que o presidente se metendo neste assunto é a burocracia fazendo-o. Toda vez que uma área criativa fica sobre pressões de burocratas a democracia perde um pouquinho.

O pior é o que vem depois. Criadores ficarão um pouco mais cautelosos em mexer com o governo. Tudo faz parte de um método, e assim vamos recuando sempre.

Este é um dos motivos que sou contra o estado forte, paternalista, dono da moral. A cada pedaço que ele avança na sociedade quer um pedaço a mais, e assim vai criando suas teias. O pior é que para desmanchar depois o esforço é gigantesco.

Esta herança que o petismo vai deixar um dia será a verdadeira herança maldita.

E terá de haver forças para tanto.

Nota de pesar


Do blog do Cláudio Humberto:

O grupo de militares mobilizou doações e pagou a publicação de “Nota de Pesar”, hoje, no jornal Correio Braziliense, protestando contra a decisão da Comissão de Anista, do Ministério da Justiça, concedendo à viúva do ex-capitão Carlos Lamarca (que desertou do Exército, no regime militar, para se associar à luta armada) uma pensão de general de brigada. A nota propõe que “elevemos nossas preces a Deus e pedimos pelas almas de suas vítimas, por ele assassinadas”, citando Orlando Pinto da Silva, Guarda Civil de São Paulo, assassinado em 9 de maio de 1969; Alberto Mendes Júnior, tenente da PM-SP, assassinado em 10 de maio de 1970; e Hélio Carvalho de Araújo, agente da Polícia Federal, assassinado em 10 de dezembro de 1970. A nota conclui: “Aos familiares desses homens, mortos no cumprimento do dever, nossa solidariedade e revolta. À sociedade brasileira, já desgastada pela descrença em valores éticos e morais, só resta lamentar por mais essa demonstração do revanchismo político”.