Língua Portuguesa

Na última semana a revista Veja colocou em destaque a língua portuguesa, muito em função da nova reforma que está se estudando. Em artigo, Reinaldo Azevedo fez uma defesa, não só da manutenção, como no resgate da língua original. Questionou o surgimento da matéria Comunicação e Expressão no lugar do Português. Esta mudança não foi apenas no nome, mas no ensino. Passou-se a dar mais importância à interpretação de textos e redação do que à análise sintática, e mesmo esta interpretação é feita em cima de textos cada vez mais pobres.

Estou fazendo um curso de pós-graduação em língua portuguesa. Confesso que fui um aluno mediano desta matéria que, na época, não gostava. Hoje mudei meu pensamento e a cada dia me apaixono mais por nosso língua tão maltratada.

Pois estudando coerência e coesão textual, nossa professora nos apresentou a uma frase de Camões e pediu-nos, inicialmente, que identificássemos as orações. A frase é a que se segue:

Se dizem, fero amor que a sede tua nem com lágrimas tristes se mitiga é porque queres tuas aras banhar em sangue humano.

Pela indentifcação dos verbos temos:
Se dizem, fero amor / que a sua sede tua nem com lágrimas tristes se mitiga / é / porque queres tuas aras banhar em sangue humano.

A pergunta seguinte é a mais interessante: qual é a oração principal?

Todas as orações iniciam por conjunções subordinativas, com uma única exceção: a oração “é”. Mas pode um verbo auxiliar constituir a oração principal?

Aí vem o conhecimento do verbo vicário. O verbo vicário é um verbo que pode substituir outro verbo para evitar a repetição. Na nossa língua apenas o “fazer” e o “ser” podem realizar esta função. Veja o exemplo: precisava comprar balas e assim o fez. O verbo fazer substitui o verbo comprar.

Na frase de Camões o verbo deve ser substituído por “dizem-no” para permitir a análise sintática. Desta forma fica bem mais fácil identificar a oração principal, mostra e beleza da construção do nosso maior poeta e a importância de se analisar sua obra nas salas de aula.

Um pouco de tudo

Existem dois motivos práticos que me levam a ler o Jornal do Brasil: seu preço e seu formato. Apesar de ter preço popular (R$ 1,00) o jornal não tem aquele estilo apelativo dos demais na mesma faixa. E seu formato é muito melhor para ler no ônibus em movimento. Lendo a edição de hoje, separei alguns pontos.

Amazônia

Em artigo, Mauro Santayana trata da necessidade de intensificar a presença na maior região brasileira e tomar atitudes contra a presença indiscriminada de estrangeiros no local. Até aí tudo bem. Mas quando diz que a afirmação do presidente Lula, de que a Amazônia tem dono, deve mudar a atitude passiva dos brasileiros contra a ingerência estrangeira na região eu me pergunto: o que quis dizer com isso? Referia-se ao brasileiro comum ou àqueles que detém o poder? Nos dois casos uma afirmação pública do presidente vale o mesmo que nada, pois já é notório que o discurso presidencial não coincide com a realidade dos fatos. É comum dizer uma coisa em público para nos bastidores fazer exatamente o oposto. Ou não foi assim na absolvição de Renan Calheiros? Quantas vezes disse que não interferiria em um problema exclusivo do Legislativo? E, no entanto, qual foi sua real atitude no episódio? Não colocou a tropa de choque, capitaneada pelo chefe dos aloprados, para resolver o problema?

O articulista também fala sobre a anexação do Acre. E afirma que se não fosse a ação de Rio Branco o estado teria se tornado uma ponta de lança para a conquista de todo o território pelos Estados Unidos. Não sei de onde tirou isso, mas não conheço um único historiador sério, e até não sério, que tenha em algum momento falado em um plano norte-americano para a conquista do território (sei lá qual) a partir do Acre.

O PAC está empacado

Nem perco meu tempo comentando este plano. É a cara do governo Lula: muita propaganda e nada de execução. E o que executa vem recheado de corrupção, como atesta o último relatório do TCU. Cada um acredita no que quer.

Chávez em Manaus

Em um canto inferior, no meio do jornal, está a notícia que o ditador de araque criticou o congresso brasileiro navamente. Desta vez na frente de Lula, que limitou-se a concordar com o amigo, afirmando que também enfrenta muitos problemas por ser progressista. Para ver como a mídia brasileira se coloca ideologicamente à esquerda: imagine se fosse o Bush falando a mesma coisa? Estaria estampado na capa de todo jornal brasileiro, com direito a mobilização para passeata de protesto, com dinheiro oficial, é claro. E o parlamento ainda vai acabar aprovando a entrada da ditadura venezuelana no Mercosul. Uma piada.

E parte da mídia andou soltando que Lula não aguenta mais o companheiro venezuelano. Conversa para boi dormir, estão juntos no Foro de São Paulo. Reinaldo Azevedo toca no ponto certo: Lula só não faz a mesma coisa que Chávez porque o Brasil não é a Venezuela. Mas dêem tempo ao homem para ver onde vamos parar.

É claro que é um absurdo o Brasil se colocar como local para negociação entre FARC e o governo colombiano. O primeiro é um grupo terrorista financiado pelo tráfico de drogas, o segundo é um governo constituído. O lado que o Brasil deveria estar é muito claro. Infelizmente também é para o nosso presidente.

Busca de vagas em colégios públicos

Em matéria no caderno de cidades ficamos sabendo que quase 5 mil pais fizeram filas para matricular os filhos em um tradicional colégio público na Lagoa, um dos poucos com ensino de qualidade. O motivo é o endividamento da classe média. Sem saída, foge das mensalidades das escolas particulares. Como as vagas são limitadíssimas, haverá sorteio nos moldes da Mega-sena. É uma vergonha. Este é o efeito das práticas estatisantes no mundo todo: empobrecimento da classe média. É aquela realidade chata: o estado gera muito menos riqueza do que a iniciativa privada, e o país não cresce o suficiente. Esta é a política do lulismo: arrancar o couro da classe média e distribuir para os mais pobres. E ainda se surpreendem se a desigualdade social diminui! Gerar riquezas para toda a sociedade é coisa da direita. Não funciona. O negócio é reduzir desigualdades transformando todos em pobres. Uma lástima.

Dunga e Kerlon

Um jogador inventa um drible novo e é agredido pelo adversário, quase penalti, com direito a expulsão. O tal drible da foca. Uma montanha de técnicos querem a proibição do drible por considerá-lo imarcável. Claro que não é. Basta ficar na frente do jogador e dividir a bola na cabeça. O pior que pode acontecer é os dois cabecearem ao mesmo tempo.

Dunga se juntou a este grupo que sistematicamente vem destruindo o futebol. A genialidade, o talento, incomoda. E não é só nos esportes. Existe uma tendência pela exaltação da mediocridade, da falta de talento. Basta olhar na sociedade a quantidade de exemplos de nivelamento por baixo. Uma vez Gustavo Corção definiu a sociedade moderna como a exaltação do burro diante do inteligente; antes o burro tinha vergonha de sua burrice, e se escondia. Em algum momento da história passou a bater no peito e gritar com orgulho: eu sou burro. E assim nasceu o desprezo aos inteligentes. Assim como os gênios. O resultado é este mundo que vivemos.

Mais material didático

Reinaldo Azevedo extraiu os trechos seguintes do livro Nova História Crítica – 500 anos de História Mal Contada, no site do projeto reeducar:

“No museu do Ipiranga, em São Paulo, tem o célebre quadro do pintor paraibano Pedro Américo, retratando o dia 7 de setembro de 1822. Parece um anúncio de desodorante, com aqueles sujeitos levantando a espada para mostrar o sovaco”.

“Vilas inteiras foram executadas. Doentes eram perfurados a baionetas no leito dos hospitais. Meninas paraguaias de 12 ou 14 anos eram presas e enviadas como prostitutas aos bordéis do Rio de Janeiro. Sua virgindade era comprada a ouro pelos barões do império! O próprio Conde d’Eu tinha ligações com o meretrício do Rio. Gigolô imperial.”

“Diziam que a princesa Isabel era feia como a peste e estúpida como uma leguminosa. Quem acredita que a escravidão negra acabou por causa da bondade de uma princesa branquinha, não vai achar também que a situação dos oprimidos de hoje só vai melhorar quando aparecer algum principezinho salvador?”

“Ninguém sério acreditava num Terceiro Reinado. A estupidez da princesa Isabel, e a péssima fama de seu esposo, o Conde d’Eu (corrupto, assassino da Guerra do Paraguai, picareta mesmo) contribuíam para isso.”

Para os republicanos “não era D. Pedro II que estava velho, esclerosado e babão. A própria monarquia estava caduca e precisava ser substituída por uma forma de governo que botaria o Brasil nos trilhos da modernidade: a República”.

Além da mentirada deslavada, chama atenção a vulgaridade de um texto que se pretende educativo, ou reeducativo (seja lá o que for isso). Expressões como “principezinho salvador”, “velho, esclerosado e babão”, “estúpida como uma leguminosa” só podem ter vindo de alguma mente lastimável. Eis o que se ensina por aí. E não é só no ensino público não, a coleção também é adotada em muitas escolas particulares. É bom dar uma olhada no material do seu filho, eu vou!

Doutrinação ideológica

Trechos do livro Nossa História Crítica, 8ª série, distribuída pelo MEC e levantados por Ali Kamel:

Capitalismo

“Terras, minas e empresas são propriedade privada. As decisões econômicas são tomadas pela burguesia, que busca o lucro pessoal. Para ampliar as vendas no mercado consumidor, há um esforço em fazer produtos modernos. Grandes diferenças sociais: a burguesia recebe muito mais do que o proletariado. O capitalismo funciona tanto com liberdades como em regimes autoritários.”

Marxismo

“Terras, minas e empresas pertencem à coletividade. As decisões econômicas são tomadas democraticamente pelo povo trabalhador, visando o (sic) bem-estar social. Os produtores são os próprios consumidores, por isso tudo é feito com honestidade para agradar à (sic) toda a população. Não há mais ricos, e as diferenças sociais são pequenas. Amplas liberdades democráticas para os trabalhadores.”

Mao Tse-tung:

“Foi um grande estadista e comandante militar. Escreveu livros sobre política, filosofia e economia. Praticou esportes até a velhice. Amou inúmeras mulheres e por elas foi correspondido. Para muitos chineses, Mao é ainda um grande herói. Mas para os chineses anticomunistas, não passou de um ditador.”

Revolução Cultural Chinesa

“Foi uma experiência socialista muito original. As novas propostas eram discutidas animadamente. Grandes cartazes murais, os dazibaos, abriam espaço para o povo manifestar seus pensamentos e suas críticas. Velhos administradores foram substituídos por rapazes cheios de idéias novas. Em todos os cantos, se falava da luta contra os quatro velhos: velhos hábitos, velhas culturas, velhas idéias, velhos costumes. (…) No início, o presidente Mao Tse-tung foi o grande incentivador da mobilização da juventude a favor da Revolução Cultural. (…) Milhões de jovens formavam a Guarda Vermelha, militantes totalmente dedicados à luta pelas mudanças. (…) Seus militantes invadiam fábricas, prefeituras e sedes do PC para prender dirigentes ‘politicamente esclerosados’. (…) A Guarda Vermelha obrigou os burocratas a desfilar pelas ruas das cidades com cartazes pregados nas costas com dizeres do tipo: ‘Fui um burocrata mais preocupado com o meu cargo do que com o bem-estar do povo.’ As pessoas riam, jogavam objetos e até cuspiam. A Revolução Cultural entusiasmava e assustava ao mesmo tempo.”

Revolução Cubana e o paredão

“A reforma agrária, o confisco dos bens de empresas norte-americanas e o fuzilamento de torturadores do exército de Fulgêncio Batista tiveram inegável apoio popular.”

Futuro de Cuba

“Uma parte significativa da população cubana guarda a esperança de que se Fidel Castro sair do governo e o país voltar a ser capitalista, haverá muitos investimentos dos EUA. (…) Mas existe (sic) também as possibilidades de Cuba voltar a ter favelas e crianças abandonadas, como no tempo de Fulgêncio Batista. Quem pode saber?”

Derrocada da URSS:

“É claro que a população soviética não estava passando forme. O desenvolvimento econômico e a boa distribuição de renda garantiam o lar e o jantar para cada cidadão. Não existia inflação nem desemprego. Todo ensino era gratuito e muitos filhos de operários e camponeses conseguiam cursar as melhores faculdades. (…) Medicina gratuita, aluguel que custava o preço de três maços de cigarro, grandes cidades sem crianças abandonadas nem favelas… Para nós, do Terceiro Mundo, quase um sonho não é verdade? Acontecia que o povo da segunda potência mundial não queria só melhores bens de consumo. Principalmente a intelligentsia (os profissionais com curso superior) tinham (sic) inveja da classe média dos países desenvolvidos (…) Queriam ter dois ou três carros importados na garagem de um casarão, freqüentar bons restaurantes, comprar aparelhagens eletrônicas sofisticadas, roupas de marcas famosas, jóias. (…) Karl Marx não pensava que o socialismo pudesse se desenvolver num único país, menos ainda numa nação atrasada e pobre como a Rússia tzarista. (…) Fica então uma velha pergunta: e se a revolução tivesse estourado num país desenvolvido como os EUA e a Alemanha? Teria fracassado também?”

Além das mentiras históricas socialistas, chama também atenção o mau uso do português. Tratando-se de um livro didático é inaceitável. Falar o que deste festival de absurdos?

A independência

Nas décadas de 60/70 ganhou força no Brasil a teoria de dependência. Fruto da ideologia das esquerdas, passou-se a ver toda nossa história com fruto da exploração do país pelas potências estrangeiras, o que foi aos poucos ganhando espaço nos livros de história, particularmente no ensino secundário.

Difundiu-se a tese de que a independência brasileira foi fruto exclusivo dos interesses ingleses. Havia uma nítida tentativa, até certo ponto bem sucedida, de ridicularizar os heróis brasileiros e nossa história; em seu lugar teríamos gente com Che e Prestes. D Pedro foi um dos primeiros a ser demonizado.

Esta influência ideológica impede que o papel do primeiro imperador seja analisado com propriedade. É fato que a independência foi um ato conduzido pela elite política da colônia e que a participação popular foi mínima, mas qual foi o real papel de D Pedro neste processo?

A história não é uma ciência exata, e os fatos não são analisados desta forma; pertencem a um contexto e permitem muitas suposições e interpretações. Pelo que já li coube José Bonifácio o papel de artífice do movimento pela emancipação. A revolução do Porto era uma séria ameaça, implicava na volta do Brasil à condição colonial e o retorno de D Pedro à Portugal era uma passo definitivo nesta direção.

O que aconteceria se o príncipe cumprisse a determinação da corte lusa? É uma pergunta que poucos se fazem, mas fundamental para entender a importância de D Pedro. Para dar certo o movimento pela emancipação necessitava de uma liderança legítima, que fosse respeitada tanto em Portugal como na Europa. Sem ela talvez a única saída para independência fosse, aí sim, uma revolução popular.

Quando ela viria? Até onde o país deveria ser oprimido para despertar a população de sua letargia? Seria possível uma independência do reino como um todo? Seria possível uma revolução que mantivesse o Brasil com a integridade territorial que possui hoje?

A grande questão é se uma revolução popular seria melhor para o Brasil do que uma emancipação conduzida pela elite brasileira. O que aconteceu no império espanhol indica que não. Houve derramamento de sangue imediato e uma profunda divisão que provocou inúmeras guerras e ressentimentos que persistem até os dias de hoje. É claro que a independência da américa espanhola não foi conduzida pelo povo, mas seguramente sua participação foi bem maior do que no caso brasileiro. E a elite dividiu-se em interesses regionais sepultando o sonho de unidade de Simón Bolívar.

A participação de D Pedro no 7 de setembro evitou tudo isso. A independência foi alcançada em clima de tranqüilidade, sem abrir fissuras na nação brasileira. E a participação do imperador nos anos seguintes, com uma forte centralização política absolutista, impediu a divisão da nossa elite em interesses regionais e a fragmentação do Brasil.

Se D Pedro não foi o herói na acepção da palavra, se não lutou batalhas sangrentas pelo Brasil, também não foi um espertalhão aproveitador como costumam retratá-lo. Muito menos um corrupto. Deixou um legado importante para o futuro e na minha opinião merece ser tratando com muita mais consideração do que é hoje. Obviamente é um exemplo bem melhor do que Che Guevara foi para a juventude brasileira. É uma lástima ver tantas camisas com o rosto deste último,um fascínora, e ver o primeiro jogado ao ostracismo.

Não sou historiador, muito menos dono da verdade. Mas escolho minhas referências sem a contaminação ideológica das elites culturais brasileiras. E creio que nosso primeiro Imperador merece mais consideração do que recebe da nação brasileira.

O Grito da Independência


Este quadro de Pedro Américo, pintado no fim do II Reinado, é uma das mais famosas imagens brasileiras de nossa independência. A tela retrata D Pedro I, de maneira heróica, fazendo a declaração da independência. Nas últimas décadas a imagem foi demonizada pela comunidade acadêmica que, em grande parte, reduz a participação do Imperador a quase nada.

Contradições brasileiras

A “absolvição” de Renan Calheiros causou muitas reações na sociedade. Muitos a encararam como uma derrota da mídia, bem ao estilo do pensamento do militante petista. Afinal a mídia é o verdadeiro inimigo; o senador foi perseguido pela imprensa. Como se a incapacidade do mesmo em se defender não tivesse importância. Grande parte da população assistiu a tudo sem entender bem o que aconteceu. Queriam a cassação, mais por entender que era um político corrupto em julgamento do que qualquer outra coisa; seriam incapazes de apontar onde teria sido quebrado o decoro. Por estranho que possa parecer, não vêem nada demais em pagar pensão com dinheiro de um empreiteiro. No íntimo sabem, que se pudessem, fariam a mesma coisa. E outra parte entendeu as verdadeiras razões que exigiam a condenação de Renan Calheiros: a promiscuidade do público com o privado.

Muitos deste último grupo têm infestado a rede com mensagens condenando a decisão do senado. O que me chama a atenção é que muitos ajudaram a re-eleger Lula e condenaram as vaias que sofreu recentemente. Comemoraram as eleições dos mensaleiros e derem ao atual governo um cheque em branco para continuar conduzindo a nação depois do que fizeram no primeiro mandato.

Por que Renan pode ser condenado por falta de decoro e Lula não? O que faz um melhor do que o outro? A origem humilde que não cansa de repetir? Ou a velha máxima de Maquiavel: os fins justificam os meios. Sim, o PT roubou e comprou o parlamento, mas foi por uma causa nobre: a justiça social. Aí está o relativismo que tantos males provoca. O governo Lula colocou toda sua força para absolver Renan Calheiros, participam do mesmo plano de poder.

Querem que o senado faça o que não fizeram nas urnas em 2006. Recusaram-se a colocar para forma um governo que assaltou o estado e tenta, diariamente, destruir todas as instituições da república.

Infelizmente o senado não é melhor do que a sociedade brasileira. É apenas mais uma de suas expressões. E mostra que esta sociedade esta doente.

Entrevista com José Geraldo Piquet Carneiro

A Veja desta semana traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com Piquet Carneiro, presidente do Instituto Hélio Beltrão, organização que visa propor iniciativas para ampliar a eficiência da administração pública e reduzir a interferência do governo nos indivíduos.

Piquet aponta que nunca o Brasil teve condições tão ideais de reduzir a burocracia. Baseia-se no fato de que as contas públicas estão equilibradas como nunca estivera. Seria a hora de uma mudança a favor do contribuinte. A realidade é que poucos conseguem estar em dia com as normas tributárias e a resposta da sociedade é a informalidade. Criou-se uma cultura da desconfiança. “O poder público não confia no cidadão, que aceita isso e se torna submisso aos caprichos do estado”.

Questiona a necessidade de ir ao cartório e colocar um carimbo para provar que a cópia é igual ao original e de se obter certidões para provar que nada deve. Em conseqüência, o governo mantém uma grande quantidade de funcionários públicos para conferir estes documentos. Outra é a existência de um enorme mercado de intermediação cartorial.

Aponta que “a preocupação em arrecadar mais impostos foi tamanha que o atendimento ao cidadão deixou de ser importante. O cidadão, sobretudo aquele que caminha na legalidade, é punido duplamente: paga mais tributos e vê diminuir a qualidade do serviço público”.

Afasta a herança ibérica como causa da burocratização no país. Tanto em Portugal quanto na Espanha já é possível abrir uma empresa em um único dia. Existe o conceito de quanto mais negócios forem abertos, mais se cria riquezas.

Sobre a carga tributária afirma que a carga é tão alta que expele o contribuinte do sistema. Uma pesquisa aponta que 70% das empresas em cinco municípios do Rio de Janeiro são informais. Oito em cada dez empresas no país possuem pendências tributárias.

Conclui afirmando que a reforma tributária no Brasil é uma ilusão pois começa com as melhores intenções e acaba com aumento de impostos. E cita, como exemplo, a instituição do IPMF no governo Itamar Franco.

“Gostaria de ver o burocrata sendo perseguido com o mesmo rigor com que persegue o contribuinte. Não sobreviveria um único dia.”

Verdades e Mentiras

O Fato

Semana passada o presidente da república compareceu a uma lançamento de mais um livro sobre os governos militares. A obra não tem nada de novo, sistematiza relatos que já existiam em outros livros com o mesmo enfoque: o governo militar sufocou com tortura e assassinatos aqueles que lutavam pela democracia contra a ditadura. A novidade foi o livro ter sido patrocinado pelo estado, com chancela final do próprio presidente. O ministro da defesa compareceu e diante da ausência dos chefes militares ameaçou de retaliação qualquer manifestação contrária por parte das três forças.

A Nota

O Alto-Comando do Exército (faço questão da inicial maiúscula no nome da instituição, deferência que não concedo ao presidente, seu ministro e o próprio estado) em reunião extraordinária elaborou uma nota sobre o assunto. Dentro do princípio de hierarquia levaram ao ministro da defesa que a aprovou. Dizia a nota:

1. Reuni o Alto-Comando do Exército, em Brasília, no dia 31 de agosto de 2007, para tratar de assuntos de interesse da Força e de fatos recentemente divulgados pela mídia. Com a sua concordância unânime, decidi reafirmar que:
– o Exército Brasileiro, voltado para suas missões constitucionais, conquistou os mais elevados índices de confiança e de credibilidade junto ao povo brasileiro;
– os Comandantes, em todos os níveis, ensinam, diuturnamente, em nossos quartéis, os valores da hierarquia, da disciplina e da lealdade, os quais têm sido cultuados como orientadores da ação permanente da Força;
– a Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas. Colocá-la em questão importa em retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas.
2. Reitero aos meus comandados que:
– não há Exércitos distintos. Ao longo da História, temos sido sempre o mesmo Exército de Caxias, referência em termos de ética e de moral, alinhado com os legítimos anseios da sociedade brasileira;
– estamos voltados para o futuro e seguimos trabalhando, incansavelmente, pela construção de um Brasil mais justo, mais fraterno e mais próspero.

A mensagem

O lançamento do livro em si nada representa de novo. A grande questão é a campanha que vai se montando pela revogação da lei da anistia, só que apenas no que diz respeito aos militares. O sonho dessa turma é ver militares sendo julgado por crimes contra a humanidade, como aconteceu na argentina.

Em nenhum momento colocam em questão os crimes praticados pelos terroristas __ é este o nome correto __ tratados como uma espécie de “guerreiro da liberdade”.

Alto lá. A maioria confessa com orgulho que a inspiração não era a democracia, mas o regime comunista. Não existe uma experiência no globo que associe comunismo, direitos humanos, democracia e justiça. Aliás chega a ser engraçado, se os comunistas tivessem vencido; que tratamento receberiam as forças legais? Flores?

Ninguém nega que tenham existido crimes praticados pelos agentes do estado nos porões do governo militar. O que não se pode aceitar é considerar estas práticas como institucionalizadas.
Nunca foram. Basta fazer uma pergunta, se a tortura e a execução tivesse sido institucionalizadas pelo governo militar estaríamos falando hoje em 400 mortes? E veja que sob custódia do estado foram bem menos vítimas; nesta conta estão incluídos os que morreram com armas na mão, em combate.

Por que os crimes praticados pelos guerrilheiros urbanos e rurais são colocados no esquecimento? Se querem julgar os militares por que não julgar a todos? Falam das famílias dos desaparecidos, e das famílias de suas vítimas? Por que não falam? O que teria a ganhar a nação brasileira em trazer de novo todos estes episódios ocorridos a mais de 30 anos?

Este é o sentido da nota do Exército: a Lei da Anistia, por ser parâmetro de conciliação, produziu a indispensável concórdia de toda a sociedade, até porque fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas. Colocá-la em questão importa em retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas.

A mídia

E agora vem o festival de bobagens escritas na grande imprensa. Separei dois colunistas. Miriam Leitão e Marcos Nobre.

Diz a primeira:

O ministro Nelson Jobim disse que a questão militar foi superada. Foi mesmo, mas nos seguintes termos: os militares ficaram com a última palavra, o ministro teve que recolher sua ameaça, e o Brasil engoliu mais uma nota do Alto Comando do Exército. Para os militares, não houve o que todos sabem que houve dentro dos quartéis: tortura e assassinatos de dissidentes do regime militar.

É uma impostura de Miriam. O Exército não nega que tenha havido tortura e assassinatos. A palavra “dissidente” é uma generalização que não se aplica. Nem todos eram dissidentes. Muitos eram terroristas e assassinos, o que nem assim justificaria ilegalidades. Haviam inocentes, e por isso devem ser reparados; mas na exata medida das injustiças que sofreram e não nesta fenomenal máquina de reparações que se transformou a comissão de mortos e desaparecidos. O fato é que nos porões não haviam apenas inocentes, o que ela esconde em seu discurso.

Mais a frente diz:

Mas o comandante do Exército, Enzo Peri, reuniu o Alto Comando para afirmar que “fatos históricos têm diferentes interpretações, dependendo da ótica de seus protagonistas”. Ou seja, na visão dos generais, tudo é relativo. Democracia ou ditadura é uma questão de ponto de vista, de interpretação.

Em nenhum momento o comandante disse que tudo é relativo, isto é conclusão, pobre, da autora. O que está dito é que existem diferentes interpretações dos fatos históricos, o que é verdade no Brasil e no mundo inteiro. Há muito tempo o estudo da história deixou de ser considerado uma ciência exata. Ou Miriam interpreta muito mal um trecho escrito ou está evidenciando muita má fé. Deixo a escolha para ela.

Por fim:

O pensamento dos militares é que eles reagiram à radicalização de grupos que agiam de maneira clandestina e ilegal. A verdade é que a radicalização foi precedida pelo fechamento de todos os canais de expressão normais na democracia.

Mentira deslavada. No próprio livro de Elio Gaspari, que nunca pode ser acusado de defender o Exército, está bem claro que a radicalização da esquerda foi a responsável pelo emparedamento de Castelo por Costa e Silva conduzindo ao AI-5. Gaspari afirma que o governo militar só durou o tempo que durou por causa de luta dos guerrilheiros, tanto que após extinto o último foco de guerrilha iniciou-se o processo de abertura de Geisel. E nunca houve o fechamento de “todos” os canais de expressão normais na democracia. Existia até oposição! O que representou gente como Ulisses Guimarães neste processo todo? Nada?

Pior ainda é Marcos Nobre.

Quando se mistura política e militarismo, a democracia costuma balançar. Foi o que se viu na nota do comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. O texto considera que colocar em questão a Lei da Anistia importaria em “retrocesso à paz e à harmonia nacionais, já alcançadas”.

O lapso gramatical (“retroceder a” significa “voltar a”) não é importante por si mesmo, mas por levantar dúvidas sobre a posição que o Exército entende ter na democracia brasileira. Afinal, por que o simples “colocar em questão” de uma lei destruiria “a paz e a harmonia nacionais”?

Porque colocar em questão a lei da anistia, principalmente para um lado só, seria retroceder a um tempo de radicalização? O que gente como Marcos Nobre não aceita é que apesar de toda a campanha de difamação contra as forças armadas, esta ainda é a instituição mais respeitada no Brasil em qualquer pesquisa de opinião. E mesmo sendo confundida com a PM!

O que o bravo colunista defende é a discussão democrática dos crimes cometidos no governo militar. Só que a democracia dele não permite que os militares façam uso da palavra. É a típica democracia socialista, só um lado possui a verdade e só este lado pode falar. Não sei onde achou este conceito de democracia, mas deve ser no mesmo que a atual turma que está saqueando o país encontrou a sua.

Falta agora que o Exército venha a público dizer qual é a sua, se é que há mesmo uma única interpretação no interior da corporação. Enquanto as Forças Armadas se recusarem ao diálogo franco e aberto, não há perspectiva de alcançar a “paz e a harmonia” que também desejam.

Como vir a público se uma nota de poucas linhas já é submetida a este tratamento? Basta pegar o livro do Coronel Brilhante Ustra. Não tem em livraria? Por que será? Por que todas as versões dos militares sobre o ocorrido são rejeitadas pelas editoras? Falta de leitores? Mas o colunista está querendo um “diálogo franco e aberto”. Imagino que defenda, por exemplo, que o estado patrocine o livro de Coronel Ustra e o lance também com a chancela presidencial… não? Devo ter entendido errado.

Verdades

O que ambos os colunistas não falam, e na verdade representam a grande maioria de seus colegas, pode ser encontrado no artigo de Jarbas Passarinho de hoje:

No Recife, no aeroporto, detonaram maleta com explosivos, causando mortes e ferimentos graves. Em São Paulo, lançaram carro-bomba contra o quartel do Exército, cuja explosão esfacelou o corpo de um soldado sentinela e feriu gravemente outros cinco deles. No Araguaia, fatiaram com facão, até a morte, o corpo de um menino de 17 anos, na presença de seus pais, porque servira de guia à patrulha que perseguia os guerrilheiros do PCdoB. Mataram, na presença de sua esposa e de seu filho de 9 anos de idade, um oficial americano, julgando-o agente da CIA. Tiraram a vida de um major alemão, aluno da Escola de Estado-Maior do Exército, supondo que fosse outro oficial, boliviano, acusado de prender Che Guevara, o que nunca se deu.

Ainda tem mais:

Quando Prestes saltou de capitão a general, chocaram-se (os militares). Mas, pouco depois, veio o inconcebível: comparar Prestes com Lamarca, oficial medíocre, desertor, ladrão de armamento e munição de seu Regimento de Infantaria, assassino várias vezes, de modestos vigilantes de bancos e de segurança de diplomata seqüestrado, e autor do mais nefando crime militar, ao despedaçar, com coronhadas de fuzil, o crânio de um bravo oficial da Polícia Militar de São Paulo, que se apresentara voluntariamente como refém, para poder evacuar os soldados que haviam sido feridos pelo facínora e seu grupo.

Conclusão

A mentira: durante a sangrenta ditadura militar brasileira jovens idealistas foram torturados e mortos quando lutavam pela democracia e os ideais humanitários.

A verdade: brasileiros pegaram em armas e praticaram atos terroristas na tentativa de implantar uma ditadura comunista no Brasil. Fracassaram. Por causa disso temos que pagar a “bolsa terrorismo” e escutar a vida toda esta pregação falaciosa.

Sei que o texto ficou longo, mas é um assunto que revolta e revela muito da alma de muita gente. O que não entendem e nem admitem, é que a imensa maioria do povo brasileiro acredita nas Forças Armadas, particularmente no Exército. Sabem que houveram excessos, mas sabem que houveram provocações. Isso tudo sendo submetido a esta mentira ao longo de 30 anos! Imagine se não tivessem conquistado as redações e o sistema de ensino!

Ainda existe a esperança de ver um dia o triunfo da verdade e se chamar as coisas pelos nomes apropriados.

Juízes brasileiros

A esta altura já correu pela rede a sentença do juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho em que o togado escreveu:

5. Já que foi colocado, como lastro, este Juízo responde: futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Há hinos que consagram esta condição: “OLHOS ONDE SURGE O AMANHÃ, RADIOSO DE LUZ, VARONIL, SEGUE SUA SENDA DE VITÓRIAS…”.

6. Esta situação, incomum, do mundo moderno, precisa ser rebatida…

7. Quem se recorda da “COPA DO MUNDO DE 1970”, quem viu o escrete de ouro jogando (FÉLIX, CARLOS ALBERTO, BRITO, EVERALDO E PIAZA; CLODOALDO E GÉRSON; JAIRZINHO, PELÉ, TOSTÃO E RIVELINO), jamais conceberia um ídolo seu homossexual.

8. Quem presenciou grandes orquestras futebolísticas formadas: SEJAS, CLODOALDO, PELÉ E EDU, no Peixe; MANGA, FIGUEROA, FALCÃO E CAÇAPAVA, no Colorado; CARLOS, OSCAR, VANDERLEI, MARCO AURÉLIO E DICÁ, na Macaca, dentre inúmeros craques, não poderia sonhar em vivenciar um homossexual jogando futebol.

9. Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas, forme o seu time e inicie uma Federação. Agende jogos com quem prefira pelejar contra si.

10. O que não se pode entender é que a Associação de Gays da Bahia e alguns colunistas (se é que realmente se pronunciaram neste sentido) teimem em projetar para os gramados, atletas homossexuais.

11. Ora, bolas, se a moda pega, logo teremos o “SISTEMA DE COTAS”, forçando o acesso de tantos por agremiação…

12. E não se diga que essa abertura será de idêntica proporção ao que se deu quando os negros passaram a compor as equipes. Nada menos exato. Também o negro, se homossexual, deve evitar fazer parte de equipes futebolísticas de héteros.

13. Mas o negro desvelou-se (e em várias atividades) importantíssimo para a história do Brasil: o mais completo atacante, jamais visto, chama-se EDSON ARANTES DO NASCIMENTO e é negro.

14. O que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro, porque prejudicariam a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal…

15. Para não falar do desconforto do torcedor, que pretende ir ao estádio, por vezes com seu filho, avistar o time do coração se projetando na competição, ao invés de perder-se em análises do comportamento deste, ou daquele atleta, com evidente problema de personalidade, ou existencial; desconforto também dos colegas de equipe, do treinador, da comissão técnica e da direção do clube.

16. Precisa, a propósito, estrofe popular, que consagra:

“CADA UM NA SUA ÁREA,

CADA MACACO EM SEU GALHO,

CADA GALO EM SEU TERREIRO,

CADA REI EM SEU BARALHO”.

17. É assim que eu penso… e porque penso assim, na condição de Magistrado, digo!

18. Rejeito a presente Queixa-Crime. Arquivem-se os autos. Na hipótese de eventual recurso em sentido estrito, dê-se ciência ao Ministério Público e intime-se o querelado, para contra-razões.

É vergonhoso que um juiz de direito possa escrever tamanha bobagem, e mostra simplesmente uma falha grotesca de todo nosso sistema judicial. Como pode uma pessoa dessas ser juiz? Como pode um juiz ignorar as leis em vigor para assinar uma aberração destas?

O pior é que não é o único. Este é apenas um caso conhecido.

Um que não ficou conhecido da imprensa mas que chegou ao meu conhecimento aconteceu no ano passado.

A Academia Militar das Agulhas Negras excluiu um Cadete por prática de cola. Prática que deveria ser seguida por toda universidade que se preze, fato corriqueiro no mundo civilizado. Mas o próprio juiz que julgou o processo movido pelo Cadete deixou claro que não é concebível no Brasil. Escreveu o nobre magistrado que não poderia concordar com a exclusão de um aluno por cola pelo simples motivo de dever a esta seu diploma de direito.

Então temos um juiz que admite que se não fosse pela cola não teria se formado e, em conseqüência, não estaria na posição de juiz. É um escárnio. Uma verdadeira vergonha e mostra que, no Brasil, um juiz é realmente capaz de qualquer sentença.

Infelizmente.