O fim da era Fidel

Estou curioso pelas manchetes de amanhã. Chega ao fim, após 49 anos, a mais longa ditadura existente, a Cuba de Fidel Castro. Sai do poder o herói de muito intelectual de miolo mole do lado de cá do equador. Será que os periódicos terão coragem de chamar a coisa pelo nome? A Folha Online começou bem, em sua chamada se refere a Fidel como ditador. O portal da UOL levanta o legado ambíguo de Castro. Fico pensando, ambíguo em que sentido? O homem é o maior assassino vivo, a prova de que o estado totalitário, nas mãos de uma facínora, é capaz de números assustadores. Perto deles, monstros como Jack estripador e Mason não dão nem para saída. Não, o lugar de Fidel é ao lado de Hitler, Stalin, Mao, Ho Chi Min e tantos outros.

O argumento usado é que Fidel teria melhorado a vida em Cuba. Melhorou tanto que é preciso manter a população presa na ilha para não ficar sozinho com seus burocratas. Aliás, este para mim sempre foi o argumento definitivo contra o comunismo, a necessidade de evitar a fuga em massa de sua população. O homem é capaz de aguentar o diabo em sua terra, mas o socialismo foi bem além do que imaginava ser seu limite.

Amanhã é dia de dar nome aos bois. É simples. Chamou Fidel de monstro, está do lado da humanidade. Tentou pintá-lo com as cores da ambiguidade, é  comprometido idologicamente. Chamou-o de democrata, é caso de hospício ou um perigo.

É simples assim.

Sobre a pesquisa CENSUS

A última pesquisa CENSUS, divulgada hoje, mostra o que já se sabia. A popularidade de Lula é indiscutível, a maior desde 2003 e José Serra é o favorito para sucedê-lo.

Cada dia fica mais evidente que a natureza do discurso político no Brasil é eminentemente econômico. Entra eleição, sai eleição, tudo se resume a reduzir desigualdades, gerar empregos, diminuir os juros, etc. Não é surpresa portanto, que em um cenário de crescimento econômico razoável, o governo suba na avaliação, ainda mais com um presidente de evidente apego popular.

A oposição parece não perceber isso, e se afunda cada vez mais em seus próprios erros. Falta ao PSDB e DEM um projeto para o país que vá além da mesmice do discurso econômico. É preciso confrontar Lula em um cenário de estabilidade econômica, e não apostar, como o PT sempre fez, em uma crise econômica para conseguir espaço.

Falta a discussão de problemas crônicos dos quais a economia é apenas uma parte, como a saúde, a educação e a segurança pública. Em todos estas áreas o governo Lula é um desastre completo, mas estas questões passam a largo da discussão política no Brasil. Questões de valores então, é assunto proibido. Gostaria de saber o que pensam estes partidos sobre a questão do aborto por exemplo, ou da Universidade pública para ficar mais fácil. Gostaria de saber, por exemplo, se o partido acha justo que se retire recursos da sociedade para pagar uma universidade gratuita para quem anda de Corola. Ou se é justo que um trabalhador assalariado pague inteira no cinema enquanto que o mesmo universitário  do Corola paga meia para ver o último enlatado americano.

Gostaria de ver toda essa gente defendendo abertamente seus pontos de vista, como faz, por exemplo, Hilary Clinton ao defender seu projeto de saúde universal ou o direito de casamento entre homossexuais; ou John McCain ao defender o envio de mais tropas para o Iraque. Obama não vale; não vi nenhuma proposta concreta do “novo” político americano, este “só” quer um cheque em branco para mudanças.

Mas aí é preciso cidadania, né?

Esquece.

Tropa de Elite: fazendo história

A vitória do filme “Tropa de Elite” em Berlim foi um feito notável. Rompe com a tendência do “progressismo” na produção cultural brasileira. Tendência aliás que não é só nossa, mas uma realidade do mundo do século XXI.

Muito se falou sobre a obra no último ano; infelizmente o debate não foi mais longe pela recusa da elite intelectual em fazer qualquer concessão ao diálogo. O filme foi acusado de fascista, de uma defesa da violência policial. Longe disso, a premiação em Berlim, onde o fascismo é tratado com um crime, mostra que foi uma interpretação equivocada por muitos. Longe de qualquer justificativa, “Tropo de Elite” é um painel da realidade do Rio de Janeiro. Existem policiais corruptos, em boas quantidades, mas existem os honestos também, bem como os idealistas. Já os bandidos… são bandidos. Nada de concessão, de estória triste para justificar sua escolha. Este é o que assusta aos nossos progressistas. O bandido é o que é por escolha, motivado pela ganância, pela busca do dinheiro fácil. No meio a população civil, os que financiam o crime e os que sofrem suas conseqüências, estes geralmente os moradores das favelas, mantidos sob regime de terror pelos traficantes.

Mas não é só as mensagens do filme que foram premiadas, mas a estética também. Outro choque. Existe uma espécie de monopólio estético por esta burocracia intelectual pensante que existe no Brasil. Leiam o “Imbecil Coletivo” de Olavo de Carvalho, está tudo lá. Primeiro se classifica a obra: é progressista ou é reacionária
(forma “carinhosa” como os progressistas tratam os que não comungam de seus credos, em especial os conservadores). Depois se analisa sua estética. Se progressista, é ressaltada. Se conservadora, o contrário. É fácil ser crítico assim, não?
O valor estético não é privilégio de uma posição ideológica, pelo contrário. A ideologia leva, invariavelmente, a corrupção da beleza. Basta ver a feiúra cultural produzida nos países comunistas. A arte tem em si sua beleza. Geovanni Reale afirma a perda do sentido do belo como um dos 10 maiores problemas da sociedade moderna.

Tropa de Elite rompeu um paradigma. Espero que não fique só no filme, que outras obras rompam esta barreira defensiva criada pelos progessistas que impede o questionamento de seus valores, como se fossem absolutos. Não são. E muita gente começa a perceber isso no Brasil, para desespero de alguns.

Eleições americanas

O resultado da superterça está noticiado na imprensa. Do lado republicando, está quase definido o nome de John McCain para tentar suceder Bush. No lado democrata, Hilary e Obama estão em disputa acirrada, ainda sem definição, mas com liderança da sra Clinton.

Interessante esta pré-disputa pela indicação dos partidos. Nada lembra a brasileira. Só para ficar em 2006, um jantar envolvendo três eleitores decidiu pelo candidato do PSDB à presidência. A situação era tal que uma disputa aberta, como a americana, causaria um racha no partido. Não é privilégio dos tucanos. No PT só em 2002 teve uma prévia, mesmo assim de mentirinha, envolvendo Suplicy e Lula. A do PMDB nem se conta, acaba sempre em cadeiradas e disputa na justiça.

Voltando mais ao norte, na época em que não prestava muita atenção à política, eufemismo para alienado, tinha uma simpatia pelos democratas. Por que? Porque a mídia sempre retratou o partido com mais simpatia do que o partido republicano. Hoje já vejo o porquê. Cheguei até mesmo a torcer para o bestalhão, e agora esperto, Al Goore. Nas últimas cravei democrata novamente, felizmente perdi. Por pior que Bush tenha sido, e não foi tão ruim quanto a imprensa o vende, pior seria um democrata que inventava estórias para se vender como ex-prisioneiro de guerra.

Por que fico com os republicanos? É uma questão que vai além de nomes, chego aos princípios. Ortega Y Gasset cita em sua obra magistral, A Rebelião das Massas, o seguinte pensamento de Dupont-White: “A continuidade é um direito do homem; ela é uma homenagem a tudo que o distingue do animal.” O francês queria dizer que o rompimento completo com a tradição era um negócio muito perigoso, que não podia se dissociar de alguns séculos de evolução no pensamento humano, enfim da tradição com que o ocidente se formou.

A humanidade não é perfeita, longo disso, mas é inegável que evoluiu muito dos tempos das cavernas para cá. Essa estória de bom selvagem do Rosseau não me convence, não é a sociedade que perverte o homem, mas seus próprios atos. Sócrates e Cristo deixaram bem claro: a verdade está em cada um de nós.

Portanto desconfio sempre do Estado organizado, o Leviatã de Thomas Morrus. Não creio em uma superioridade moral do estado sobre os indivíduos, ainda acho o liberalismo a mais natural das políticas. Baseia-se na liberdade de troca das pessoas envolvidas; não acho que o estado se envolvendo como ator nesta troca faça o mundo melhor do que é.

Hoje o politicamente correto surge como uma força que sobrepõe à consciência individual. Não basta que eu aja dentro de determindas regras da sociedade, querem meu pensamento também. Cada vez sobra menos espaço para a liberdade de ser, cada vez o estado é mais presente e ameaçador.

Este é o lado do partido democrata, o fortalecimento do estado e sua presença cada vez maior em toda a sociedade. O mundo é injusto, cabe aos políticos, através do estado, corrigi-lo. Pois acho que a tradição, os valores que servem de esteio para o mundo ocidental, não podem ser abandonados como estão sendo. A destruição da família, a cada vez maior fragilidade de seus laços, nada disso torna a humanidade melhor.

Os republicanos ainda falam destes valores. Posso discordar de algumas posições, com a pena de morte, mas reconheço a importância de que se defenda valores. Não vejo isso nos democratas, pelo contrário, vejo a constante deterioração e desprezo por estes valores, a busca de um futuro ignorando a herança do passado. Um futuro em que não me reconheço, onde a sociedade disciplina o cidadão, e não sua própria consciência.

Nenhum dos dois partidos estão livres dos demagogos, dos aproveitadores, dos incopetentes. Ao contrário do Brasil, os políticos não são absolutos em relação aos partidos e estes partidos possuem seus ideais. Pois fico com os valores e não ao novo mundo possível. Ainda acho que o problema da humanidade está em cada um e não em uma sociedade a ser reformada.

Mais uma do Josias

Sempre que quero saber o que pensa um jornalista de esquerda leio o blog do Josias. Primeiro porque escreve com certa qualidade, sem a brutalidade habitual dos partidários do “novo mundo possível”. Segundo, e principalmente, porque é mestre na tática de dar sua mensagem nas entrelinhas. A melhor propaganda é aquela que não é explícita.

Ontem resolver falar das agressões de Chávez à Colômbia. Um “companheiro” raivoso defenderia o presidente venezuelano. Josias é de outra turma, aquela que pinta o quase ditador como um mal, ou usando a nova expressão, um socialista carnívoro, para marcar ponto para o socialismo vegetariano, ou seja, Lula e cia. Vejam o pensamento lapidar:

Às voltas com problemas internos, Hugo Chávez adota a mesma tática de seu arqui-rival George Bush: busca um inimigo externo. Tenta produzir fora da Venezuela uma encrenca que desvie o olhar dos venezuelanos dos dramas que os rodeiam –da ineficiência administrativa ao desabastecimento das gôndolas de supermercados e prateleiras de farmácias.

Nada melhor do que atrair a simpatia do idiota latino-americano do que atacar os americanos, se republicano melhor ainda. Onde cabe esta comparação entre Bush e Chávez? O primeiro é um presidente eleito que, mesmo no auge de sua popularidade, nunca buscou revogar a democracia do seu país. O segundo promoveu um plebiscito para perguntar se seu povo aceitaria abrir mão dela. Não fosse o rei Juan teria conseguido. O primeiro teve seu país atacado impiedosamente, no ato mais odioso desde as bombas de Hiroshima e Nagasaki, e com as imagens transmitidas para todo o mundo. Bush é bastante claro em seus atos, combate o terrorismo internacional, com sucessos e insucessos. Chávez é aliado de grupos terroristas em forum internacional, pior, defende seu direito de existência como um “grupo beligerante”.

Se o post do blogueiro é sobre o problema de Chávez com a Colômbia, por que colocar Bush no meio? Você reconhece um esquerdista brasileiro quando para criticar um socialista sente necessidade de criticar também um conservador (ou direitista, como queiram). É como se pedisse licença para a crítica. Apenas um esquerdista pode criticar outro esquerdista. Caso contrário não pode, é coisa de reacionário.

Um pouco mais de honestidade intelectual não faria mal nenhum ao colunista. Será que a esquerda não consegue defender sua visão de mundo sem torturar fatos e atacar seus adversários? Esta incapacidade não seria a maior evidência de sua falsa visão de mundo?

Brasilianos

Esqueci de comentar o excelente (como sempre) artigo de Stephen Kanitz na Veja da semana passada, tratando do tema “Brasileiros e Brasilianos”.

Kanitz remete ao uso da própria língua ao denominar de brasileiros todos nós que habitamos este país. Lembra que brasileiro rima com padeiro, carpinteiro, leiteiro; refere-se às profissões. Por outro lado temos italiano, americano, australiano. Mais do que uma nacionalidade, é uma declaração de cidadania. Faz a distinção de brasileiro e brasiliano nos seguintes termos: o primeiro é uma profissão, aquele que vê no Brasil uma terra a ser explorada, o mais rápido possível. O segundo, vê o Brasil como uma comunidade, como a expressão de uma família.

Brasilianos investem na Bolsa de Valores de São Paulo. Brasileiros investem em offshores nas Ilhas Cayman ou vivem seis meses por ano na Inglaterra para não pagar impostos no Brasil. Brasileiros adoram o livro O Ócio Criativo, de Domenico de Masi, enquanto os brasilianos não encontram livro algum com o título O Trabalho Produtivo, algo preocupante. Como dizia o ministro Delfim Netto, o sonho de todo brasileiro é mamar nas tetas de alguém. Quem está destruindo lentamente este país são os brasileiros, algo que você, leitor, havia muito tempo já desconfiava.

A vida social, segundo os clássicos, deve ser organizada em função de valores comuns e a disposição de fazer o possível para defendê-los, participando do desenvolvimento da própria comunidade. Envolve responsabilidades, fazer sua parte para o bem comum. Quantos de nós se dispõem a exercer uma função não renumerada em proveito de bem comum? Que envolva em uso do próprio tempo? Até nas coisas mais simples, quantos evitam jogar lixo nas ruas porque entendem que um local público pertence a todos, e não a ninguém?

Um dos motivos para nossa miséria, mais cultural e moral do que econômica, é a absoluta falta de sentido de comunidade para uma grande parcela da população, em todas as classes. Não existe esta comunhão de valores, nem a disposição de assumir responsabilidades dentro desta comunidade. Quantas vezes escutamos a frase “não vamos fazer isso não, dá muito trabalho…”

Qual é a proporção de brasilianos e relação aos brasileiros?

É o questionamento de Kanitz. O artigo pode ser lido aqui.

TV Pública

Em artigo hoje, na Folha, José Paulo Cavalcanti faz uma defesa da TV Brasil. Não é uma defesa direta, pelo menos no lead. Coloca duas perguntas e ao longo do texto apresenta seus argumentos. Cavalcanti é um dos membros do conselho curador da estrovenga.

Achei particularmente interessante a primeira questão que colocou: ela vai fazer propaganda do governo? Diz ele que é fácil de responder: não se sabe. E isso vem de um dos membros do seu conselho! Poderia ter negado, dito que a função dele era justamente evitar esta utilização, mas saiu-se com este “não se sabe”. É uma das formas mais comuns no debate brasileiro, ao invés de defender sua posição e apresentar seus argumentos, o debatedor se coloca como juiz da própria questão que colocou, como se fosse um árbitro imparcial; tanto que em nenhum momento o Sr Cavalcanti referiu-se ao cargo que ocupa na TV. Provavelmente preferia que a Folha nem colocasse esta informação no rodapé do artigo.

É claro que não é um “não se sabe” comum, é um truque semântico. Cavalcanti sabe sim, tanto que acrescenta logo a seguir:

As biografias do ministro Franklin Martins; da presidente da TV, Tereza Cruvinel, e sua equipe; do presidente Luiz Belluzzo e dos demais membros do Conselho Curador não autorizam admitir que essa TV seja usada, hoje, como chapa-branca -assim se referem a ela alguns jornais.

Gostaria que o autor tivesse apresentado um argumento (coerente) para que as biografias das pessoas citados servissem para garantir a independência da TV Lula. Franklin Martins participou de grupos armados, de seqüestro, e é envolvido com um jornal delinqüente que faz apologia ao assassinato de jornalistas. Foi demitido da Globo por não ter conseguido apresentar um argumento coerente (esse pessoal tem dificuldades nesta parte) para refutar a acusação que lhe fez Diogo Mainardi. Este o acusou, vejam só, de ter ligações com o governo, citando uma série de parentes empregados sem concurso em cargos de confiança. Cruvinel passou toda a crise de 2005 falando no “suposto” mensalão e na defesa de José Dirceu, e vejam que o crime já tinha sido admitido pela cúpula do partido e até pelo presidente Lula no famoso “fui traído”! Beluzzo é sócio e membro do conselho editorial de uma revista de quinta categoria, mas muito bem patrocinada por estatais, chamada “Carta Capital”. Ah, esta revista também advoga que o mensalão não existiu.

As pessoas citadas são mais provas da adjetivação de “carta-branca” da nova TV do que o contrário. Mas Cavalcanti, agindo como uma espécie de Salomão, joga seus nomes ao ar como se não precisasse de outros argumentos. Pois precisa, ainda mais depois de citar estes nomes.

Nem vou entrar na segunda questão, a que coloca se um país com sérias carências sociais pode financiar uma tv pública. Cavalcanti faz sua defesa, para que não se julgue por enquanto, como se a TV pública fosse um sucesso de audiência. Enumera questões de ordem como que a tv tem que ser a “cara” do país, ser multi-cultural, etc. Não comenta o fato da audiência ser um traço. Isto mesmo, é tão insignificante que não consegue ser medida. Como as demais tvs públicas do país. Poderia ter colocado a questão de forma mais precisa: pode um país carente socialmente financiar uma tv pública que ninguém assiste?

Em resumo: um membro do conselho da TV Lula, se coloca como um árbitro, julgando duas questões que ele próprio colocou, mas assumindo claramente um lado. Pior, sem apresentar um mínimo argumento para este lado, limitando-se a citar biografias (um refúgio) e idéias abstratas do que imagina que seja a função de uma televisão. Uma lástima.

Devagar

Nesta época do ano a política corre mais devagar, como tudo mais neste país. Na verdade é uma época em que tentamos pensar em outras coisas, curtir mais a família, fazer nossas reflexões.

2008 vai ser um ano agitado politicamente com o embate pelas prefeituras, principalmente pela de São Paulo, por sua importância não só financeira, mas sobretudo simbólica.

O lulismo estará a toda, o que dará margem para muita discussão, um dos pilares da própria política.

Aguardemos.

Início

Ainda faltam muitos ajustes, mas o básico está pronto. A partir de agora os posts que serão colocados são exclusivos deste blog, os anteriores foram importados de um outro blog. O motivo desta mudança foi que o conteúdo político cresceu bastante, e acabou tomando parte significativa de um projeto que era para ser de natureza mais geral, e pessoal também. Cheguei a conclusão que não ficava bem misturar fotos dos aniversários de meus filhos com a podridão que cerca o debate ideológico no Brasil. Meus filhos e Lula não cabem em um mesmo veículo, seja ele qual for.

Para ficar bem claro, este blogueiro defende o indivíduo contra a força esmagadora da coletividade. Não acredito em uma moral coletiva superior a dos indivíduos, não acredito em um Estado perfeito, nem sociedade perfeita. Não neste mundo. Acho a ideologia um mal, uma perversidade. E não acredito que os fins justifiquem os meios, ainda mais que os fins mostram-se, em geral, exatamente o contrário do que é pregado.

Refuto, veementemente, o “novo mundo possível”, principalmente nos termos que são colocados do debate atual. Não acho o capitalismo um mal, muito menos o lucro. Também não o considero a perfeição, até porque nunca não é uma filosofia, nem um projeto de uma sociedade perfeita, apenas uma realidade prática da humanidade. Quando Adam Smith escreveu sua obra, não propôs uma filosofia nova, apenas relatou o que tinha em comum as grandes civilizações de sua época: liberdade econômica, liberdade de imprensa, livre-mercado, etc. Em suma: liberdade. E este é o espírito que me anima.

Portanto, sou em defesa da sociedade civil contra o poder exorbitante do estado moderno, principalmente o estado do tipo patronal, como o brasileiro.  E, principalmente, que não existe almoço grátis. Todo dinheiro do estado é retirado à força da sociedade civil, alguns de forma justificada (como segurança pública), outras não (como publicidade oficial). O que vejo no Brasil é um estado que arrecada demais, e gasta onde não devia; isso antes de considerar a corrupção.

Em resumo, não acredito nas esquerdas, justamente poder defenderem tudo que sou contra. Na concebem que alguém pense contrário a seus dogmas. Este foi o motivo para escolha do nome deste blog. O pensamento é o último refúgio da individualidade. Podem prender o homem, deixá-lo acorrentá-lo, podem fazê-lo confessar qualquer coisa, mas sempre lhe restará a liberdade de pensar. Todas as tentativas dos totalitários em agir nesta liberdade acabaram na destruição do indivíduo.  O homem deixa de existir sem a liberdade de pensar.

Por isso acho que a busca pela sabedoria é uma necessidade do ser humano. Todos possuem opiniões, mas poucos capacidade de pensar. Não me considero melhor do que ninguém, mas dentro da tradição socrática, sei que não sei. O que já é uma grande diferença para a grande maioria.

Um bom argumento

Tratei aqui sobre o projeto de lei que garante o pagamento de um salário mínimo para a vítima de estupro que resulte em gravidez, caso a mãe opte (vejam bem, opte) por não abortar.

Não entrei em nenhum momento no mérito do projeto. Apenas critiquei a posição de uma entidade em defesa das mulheres e a tentativa de colocar o aborto como a única opção nestes casos. Aliás fui xingado por uma leitora que me acusou, entre outras coisas, de ser favorável ao estupro!

Sobre o projeto em si, nem sabia que ele existia. Li hoje um argumento bastante válido para sua derrubada. Como evitar a simulação de estupro? Como evitar mais uma indústria de indenizações indevidas? Só faltava agora existir um processo para provar que foi estuprada.

Estupro é um crime hediondo, acho que ninguém poderia sair da prisão antes de cumprir pelo menos uns 20 anos efetivo atrás das grades. Infelizmente nossas leis colocam o facínora em liberdade em menos de 5, e não raro voltam a cometer o mesmo crime. Mais uma vez nossa legislação, na dúvida, é a favor do criminoso, nunca da sociedade.