Não falei?

Dando uma passada nos jornais está lá: creditaram a vitória de Chinaglia na conta do PSDB. Do mesmo jeito que colocaram a de Severino. Nada de novo, ao contrário do que se diz por aí a média do jornalismo tem horror à dupla PSDB-PFL. Esperto o novo presidente da Câmara agradeceu publicamente o PSDB e particularmente a dupla Serra-Aécio. É uma forma de fomentar uma crise que não existe. O PSDB tem 64 deputados. Votaram em Fruet 98 (imagina-se PSDB + PPS + PV). No segundo turno Chinaglia ganhou mais vinte e tantos votos. Quem garante que vieram do PSDB? Quem garante que vieram destes 98? É bom lembrar que existe defecções de um turno para outro, ainda mais quando se percebe que um dos candidatos está quase lá. O voto é secreto, portanto tudo que se diz aí é um grande chute.

O fato é que um petista na presidência da câmara é sempre um desastre para o país. Só perde para um petista na presidência da república. Estamos feitos!

Na Câmara deu Chinaglia

O PT jogou tudo na eleição do presidente da Câmara e conseguiu. Por pouco, mas conseguiu. Arlindo Chinaglia é o novo presidente da casa e o terceiro na linha de sucessão. Um ponto positivo é que agora não existe mais espaço para dúvida. Se Aldo agia a serviço do planalto mas ainda procurando se manter como ponte de diálogo com a oposição isto acabou. Chinaglia é um dos ogros do PT. Sua plataforma foi bem clara. Defesa do governo e dos deputados nesta ordem. Na pior acepção da palavra. Entre outras disse que não admitia que chamassem os mensaleiros de mensaleiros e os sanguessugas de sanguessugas. No debate de segunda deixou claro para quem sabe ouvir que vai trabalhar pela anistia do ex-comissário José Dirceu. E Aldo aprendeu o quanto vale a gratidão de seu presidente, absolutamente nada.

A oposição parece que está começando a se organizar ao perceber que a aliança PT-PMDB vai sim atropelar quem tiver na frente. Muitos jornalistas e analistas vão dizer que o PSDB garantiu a vitória de Chinaglia mas a coisa não é bem assim, nada se pode afirmar sobre isso. É pura especulação e como sempre tentando atingir os tucanos.

Pois ficamos assim. A Câmara dos Deputados tem um novo presidente. Um petista com p maiúsculo. Não sei porque mas tenho a impressão que Lula ainda vai se incomodar muito com isso. Eles se merecem.

Eleições na Câmara

Chinaglia deu uma última cartada em cima de Aldo Rebêlo com a candidatura avulsa, garantindo a presença dos aliados na mesa diretora da câmara. O comunista de araque parece empacado e tudo indica que o petista deve sim levar a eleição que está se realizando agora. O PFL está perdendo uma grande oportunidade de firmar oposição e voltar em Fruet. Um segundo turno para o tucano, mesmo que sem vitória, já seria uma vitória e tanto para a oposição.

Renan re-eleito

Venceu Renan Calheiros por 51 x 28. Teve um voto em branco e um nulo. Quem conseguiu anular o voto é um mistério que nem Suplicy conseguirá desvendar. Desagradável e ter que ver a senadora Ideli Salvatti comemorando, mas é da democracia. Além daquele sorriso azedo do Sibá Machado, que só está lá porque a companheira Marina Silva é ministra. Estes dois são petistas da pior estirpe.

Eleições no Senado

Estou acompanhando as eleições para a presidência do Senado agora na TV. Não é normal esta eleição, normalmente ocorre com candidato único, o que acho ruim para a democracia. A candidatura de Agripino Maia frente ao atual presidente Renan Calheiros teve o mérito de politizar um pouco a disputa, no seu bom sentido. Renan até disse que vai lutar por maior independência do legislativo diante do executivo! Dois pontos curiosos até agora.

  1. Suplicy pediu um cédula nova pois tinha cometido um “pequeno” erro. Como assim? Como um senador consegue se confundir na hora de marcar um x numa cédula com 2 nomes? Coisas do Suplicy.
  2. Cédulas. Não deixa de ser curioso. O sistema eletrônico para milhões de brasileiros votarem. Mas não para 81 senadores, que votam em cédulas de papel. A câmara vai de urna eletrônica este ano. Sei não. Cada vez mais estou ficando mais retrógrado e confiando mais na velha cédula de papel…

BB: Uma vergonha!

31.01, 11h20
Valor Econômico

Um dos envolvidos no escândalo da compra do dossiê Vedoin, o economista Expedito Veloso, foi reintegrado anteontem aos quadros do Banco do Brasil, exercendo um cargo de confiança. Ele será gerente-executivo de projetos especiais – e desenvolverá novos produtos de varejo para pessoas físicas.

Expedito havia sido afastado do cargo de diretor de gestão de risco em setembro passado, quando surgiram as primeiras notícias do envolvimento dele na compra de um dossiê que vinculava o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra, à máfia das sanguessugas. Na época, ele tirou férias do BB para trabalhar na campanha de Lula.

Ele volta agora dois degraus abaixo na hierarquia do BB. Abaixo do cargo de diretor, vêm os superintendentes e, em seguida, os gerentes executivos. Mas Expedito avança um cargo em relação à função que ocupava antes do governo Lula – até 2002, ele era um diretor de divisão.

Este é o papel de uma banco? Ainda tem gente que defende o modelo estatal. Um funcionário, mais do que isso, um diretor, que participa de uma atividade criminosa envolvendo uma grana preta e se torna personagem em um escândalo gigantesco noticiado em todos os veículos de comunicações do país jamais voltaria a trabalhar no sistema bancário, que deveria primar pela confiança, ainda mais no mesmo banco que estava antes.

Urnas de Alagoas

Faz duas edições que a Veja vem mostrando a investigação que está ocorrendo em várias urnas que foram utilizadas na última eleição em Alagoas. Não é coisa a toa, pois o ITA já entrou na jogada e seu relatório aponta para indícios fortes de fraude. Este fato por si só já seria grave, mas os desdobramentos parecem de maior gravidade ainda.

Mesmo com este parecer do ITA o TRE e o TSE se apressam em garantir que as urnas não foram violadas, que tal prática é impossível. Claro que não é. Se conseguem violar a segurança da NASA e de bancos, que investem bilhões na proteção de seus sistemas, porque não conseguiriam penetrar nas urnas brasileiras? A nossa maior garantia seria a vigilância e ação firma da justiça eleitoral, por isso me causa espanto e preocupação quando a justiça assume a defesa do sistema. Nenhum sistema é infalível.

E não para por aí. A mídia também não quer mexer neste vespeiro, nem os partidos políticos. Estamos diante de uma situação em que a segurança das urnas não pode ser questionada. E desconfio de tudo que não possa ser questionado. A fraude de uma única urna prova que qualquer outra pode ser fraudada, o que colocaria sob suspeita todo nosso processo eleitoral.

Não sou adepto de teoria conspiratória e sempre as retruquei aqui. Mas indícios devem sim ser investigados e as urnas eletrônicas a despeito de todas as vantagens tem um ponto extremamente negativo. Impede a verificação do resultado. Talvez por isso nenhum outro país a tenha adotado. A cédula permanece como registro e permite que seja feita a recontagem e que apuração seja acompanhada por fiscais de todos os partidos.

Desconfio sempre de tudo que o Brasil faz que ninguém mais faz. Sempre.

Entrevista com Delfim Netto

O neo-lulista Delfim Netto deu entrevista na Veja desta semana. Do que falou separei os seguintes trechos:

Não há liberdade quando os meios de produção são estatais. Porque o Estado só dá emprego e benefício para quem quiser.

Esta é uma realidade histórica seja em Cuba seja na antiga URSS. Se o Estado controlar toda a produção do país o trabalhador perde a liberdade pois tem a sua vida decidida por um único patrão. Basta perguntar a Boxer em A Revolução dos Bichos.

Se a desigualdade é natural em um mundo livre, é justo que as pessoas comecem a competir tendo as mesmas oportunidades de educação e de saúde.

O difícil é definir até onde vai o início. Entendo que o Estado deveria dar educação de qualidade à medida de suas possibilidades da alfabetização até o fim do ciclo técnico. Se o recurso é pouco, prioridade para educação de base e não nosso modelo anacrônico de começar pelas faculdades. A desgraça já está feita, e só se desperdiça o recurso público.


O setor privado precisa de duas garantias para investir: a de que haverá crescimento e a de que não faltará energia.

Na minha ignorância acho que faltou a segurança jurídica, mais importante até do que a certeza de crescimento. Investe-se mesmo em ambiente de estagnação se houver perspectiva de lucro. Mas ninguém investe se não tiver garantias que as leis serão respeitadas, e aí está o problema do Brasil. Enquanto as agências reguladoras forem ocupadas na partilha política e violações flagrantes a lei como os atos do MST forem permitidos o resultado será o que estamos vendo.

O constituinte de 1988 partiu da hipótese de que tudo o que fora feito no regime autoritário estava errado. Então decidiu fazer o contrário. (…) Instituiu-se, por decreto, uma sociedade do bem-estar de nível sueco num país com nível de renda que era um décimo do europeu. (…) ela consiste em várias declarações de direitos sem nenhuma indicação de quem pagaria a conta.

Este é o trecho que achei mais interessante. Realmente, faz tempo que acho a constituição uma peça utópica que obriga os governos a torturarem as leis para conseguir fazer alguma coisa. Foi feita por recalcados políticos anistiados, que resolveram tratar a constituinte como uma vingança particular contra os militares. Todos os bandidos passaram a ser tratados como perseguidos políticos e com isso passaram a ter direitos que muitas vezes impedem que cumpram pena, mesmo que condenados. O congresso passou a ter direitos muito além do razoável, na expectativa que não pudesse mais ser controlado pelo governo, o que se vê que saiu um verdadeiro tiro no pé, pois nem nos governos militares foi tão servil ao presidente como agora. Se a lei máxima da nação é esta coisa, o que esperar do resto?

Debate na Câmara

Mais ou menos como previsto.

Chinaglia fez dois discursos. Um para a tv e a imprensa, onde defendeu teto para os parlamentares, moralização da câmara, independência entre os poderes, etc. Outro foi entre linhas para os deputados eleitores. Deixou sub-entendido que cabe ao presidente da câmara respeitar por exemplo um projeto de iniciativa popular. Só tem um em discussão hoje: o da anistia de José Dirceu. Defendeu também que o teto deve ser o mesmo dos outros poderes, numa clara alusão a igualar o teto do judiciário. Como bom petista aproveitou para distorcer as palavras de Fruet. Um momento claro foi quando Fruet dizia que a candidatura de Chinaglia era apoiado por uns dos símbolos da derrocada moral do congresso. Na réplica Chinaglia afirmou que Fruet estava atacando seu próprio partido, já que inicialmente teria apoio do PSDB. Fruet não se furtou de citar de quem estava falando, apresentando o nome de Severino Cavalcanti como exemplo.

Aldo Rebelo, por mais que se esforçasse não conseguiu deixar de transmitir a imagem de quem foi abandonado ao relento pelo grande guia. Não sei como tem gente que acredita ainda em uma só palavra de Lula. Claramente o presidente não tem o menor apego à verdade, e usa e descarta aliados com facilidade. No mais tentou manter a imagem de sintonia com o governo.

Fruet já tem um grande mérito. Se não fosse candidato a disputa teria se resumido ao oferecimento de vagas (reais ou não) na nau Lula II. Não haveria nem debate público. Uma mensagem que achei bastante pertinente foi sobre uma diferença do legislativo para os demais poderes. Não podem querer comparar deputados com juízes. Os juízes são funcionários de carreiras, concursados e de cargo vitalício. Assim como grande parte do executivo. Os deputados são eleitos por 4 anos, e não podem portanto querer direitos iguais em todos os pontos.

Quem é o favorito? E claro que é Chinaglia. Já distribuiu 3 ministérios inteiros aos deputados. Se eleito não demorará muito a cobrarem a fatura, e os deputados descobrirão que nada vale a palavra do governo. Ficarão a ver navios. E será bem feito.

Chinaglia e a teoria do voto absolvidor

Por mais que Chinaglia tenha explicado a mensagem que ficou da sua confusão de argumentos a idéia ficou bem clara para quem escutou com atenção. O voto absolve candidatos que renunciaram para escapar do processo no parlamento. É a velha idéia da esquerda que o voto pode tudo. Não pode. Existem leis justamente para evitar que a maioria possa oprimir a minoria. Imaginem se a maioria que votou no Lula decidisse que a minoria que votou contra ele deveria perder o emprego.

Mas Chinaglia não acha nada disso. Acha que o deputado que foi eleito pelo povo (lembremos que a maioria foi eleita por voto de legenda), não pode ter seu mandato questionado pela câmara. Pois aí está um candidato a favor da impunidade. Basta ver seus apoios: Dirceu, Jefferson, Costa Netto, Severino, …