O Caso Renan Calheiros

Terminou ontem mais um capítulo da ópera bufa que se tornou o processo por quebra de decoro em que era acusado simplesmente o presidente do Senado e do Congresso Renan Calheiros.

Não faltaram provas para demonstrar que o senador usou dinheiro de uma empreiteira para pagar pensão para uma ex-amante. Também ficou evidente que a mesma empreiteira foi beneficiada na distribuição de dinheiro público. Se isso não é quebra de decoro, o que seria?

Renan só conseguiu se complicar em sua defesa. Partiu para o ataque à mídia, especialmente a Veja, acusando-a de conspiração para derrubá-lo. Depois partiu para ameaças a senadores fazendo acusações ao ar. Os senadores não se intimidaram e exigiram, em plenário, que Renan fizesse a acusação que deixava subtendido. Fez-se de desentendido. Finalmente partiu para a ameaça ao governo. Mandou mensagens explícitas que não cairia sem atirar caso a base e, principalmente, o partido do governo não o salvasse da degola.

O PT ainda ensaiou uma liberação de votos no início da semana, chegou até a flertar com a cassação. Mas quando as ameaças do senador chegaram fortes ao governo, Lula colocou suas digitais. Escalou um general de sua tropa, Mercadante, para controlar a votação. Não precisava nem defender o voto pela absolvição, bastava-lhe a abstenção; a maior das covardias em um processo desses.

Renan foi absolvido, contanto para isso com as providenciais 6 abstenções. A seção foi uma vergonha. Secreta, com varreduras e seguranças na porta, parecia uma reunião de bicheiros e não uma de senadores da república.

E assim o senado chegou ao ponto mais baixo de sua história. Uma semana depois do STF dar uma esperança à nação, a mais alta câmara brasileira produziu esta vergonha. Com as 9 digitais do presidente da república, a quem muito interessa a desmoralização do parlamento.

E agora? Agora nada. Duvido que os outros processos cheguem ao plenário, ficou com cara de assunto requentado, apesar de não sê-lo. A oposição deve marcar sua posição e começar a fazer algo que não quis fazer nestes 5 anos de lulismo: política. E o primeiro passo e derrubar a CPMF, cuja única finalidade é engordar os cofres públicos para o assalto petista.

O senado rachou literalmente e é onde a oposição tem hoje seu melhor palco para atuação. Está na hora de honrarem seus votos.

MST pode

Como pode ser visto não é só a mídia que demonizou o movimento Cansei.

Na passeata que se denominou A Grande Vaia, o Bispo Odilo Scherer impediu que se realizasse uma missa na Catedral da Sé pelo movimento; tratava-se de um protesto contra a corrupção e a impunidade. O religioso não quis conversa: movimento político não pode.

Pois o mesmo Bispo vai realizar uma missa amanhã, no dia da Independência, como parte de uma manifestação do MST. Como a questão agrária está resolvida no país, segundo seu próprio líder, e não pode protestar contra o governo, achou um para protestar contra, para variar, FHC: a re-estatização da Vale. Mais político do que isso impossível.

E nem fica vermelho!

Aliás, fica. Literalmente.

Terrorismo de Mantega e Cia

Na defesa da CPMF Mantega e a turma do social (Temporão, Marinho e Ananias) saíram com esta: o fim da CPMF provocará um corte profundo na área social e prejudicará os mais pobres. A tese chega a ser ridícula. A receita tem batido recordes anuais de arrecadação, logo deveria estar sobrando dinheiro no cofre. Não está porque o governo tem aumentado o quanto pode o gasto da máquina pública. Foram 230 mil contratações no atual governo e mais 60 mil a caminho. É claro que neste meio estão petistas engordando o cofre do partido com o nosso dinheiro. O próprio presidente se orgulhou hoje do inchaço que provocou.

Portanto, a extinção da CPMF não afetaria necessariamente o projeto sociais do governo. Basta parar de aumentar o gasto público a cada aumento de arrecadação, o que não está na agenda do atual governo. Daí a chantagem: se acabarem com a CPMF haverá cortes nos programas sociais. É puro festim. Lula II sabe que boa parte da sua popularidade e sua segunda chance se deve justamente a estes programas. O que o petismo quer, como sempre, é arrancar dinheiro da sociedade para seus projetos de poder e enriquecimento.

O senado tem chances reais de acabar com a CPMF, ou pelo menos reduzí-la. A oposição tem votos para isso, basta parar de acreditar no canto das sereias e na expectativa de colocar a mão em um ano de arrecadação, e mesmo assim se vencer as próximas eleições. Na Câmara é mais difícil, o governo tem um rolo compressor lá. Coragem senadores, façam o que 40 milhões de brasileiros que não venderam seus votos ao lulismo exigiram nas últimas eleições e honrem os votos que receberam. Antes que seja tarde.

A verdadeira face

Depois de três derrotas na corrida presidencial o PT percebeu que não dava para ganhar com sua verdadeira face, ou a mais próxima dessa. Mascarou sua via radical e adotou o estilo “Lula paz e amor”, tão bem produzido por Duda Mendonça em 2002. Passou a existir o que se chamou de PT light ou PT democrático.

E muita gente boa caiu nesta conversa, por inocência ou má fé. Não existe algo como PT democrático, é apenas uma máscara com fins eleitorais usado para balançar a classe média, essencial em 2002 para vencer as eleições já que o partido não tinha penetração nos grotões.

Com a conquista da massa, através do bolsa-voto, o maior programa de compra de votos que já se teve notícias, o partido passou a não ter mais necessidade das camadas médias da sociedade __ que o governo está reduzindo paulativamente, nem dos formadores de opinião. Já vivemos a ditadura das massas de Ortega Y Gasset.

O PT está um pouco mais livre agora para mostrar-se. Não existe PT light e PT radical. O PT é um só como afirma seu líder maior e presidente da república. Existem atores que fazem sua parte para vender a imagem de um partido democrático com “tendências” que lutam pelo poder, o que evidenciaria as tais “correntes”. Algo como uma oposição interna de mentirinha para enganar os incautos.

O verdadeiro PT é uma máquina partidária formada em torno de sindicalistas e fundos de pensão com objetivo bem definido: assaltar o estado brasileiro onde puder e em quanto puder. Não por acaso o atual governo promove uma re-estatização lenta e gradual. Estado para esta gente é sinal de uma veia para sugar, é sinal de um cofre à disposição.

Em 2005 Lula afirmava que tinha sido traído, que “companheiros” cometeram atos sem o seu conhecimento. Em 2006 chamou a turma do dossiê de “aloprados”. As eleições e sua popularidade mostraram que já não precisa desta máscara. A classe média e os formadores de opinião já não servem mais para nada.

Assim vai aos poucos mostrando sua verdadeira face. Ontem exortou a militância a defender os mensaleiros e afirmou que ninguém tem mais ética e moral do que seu partido; que todos erram e que o importante é o trabalho que está sendo feito para conduzir o país “à dignidade”.

Nem precisa ir muito nas entrelinhas para reconhecer o pensamento de Maquiavel. Para conquistar o objetivo do partido __ poder __ que é travestido eleitoralmente como “desenvolvimento do país”, não existe crime nem criminosos. O fim justificam os meios. Lula está de braços dados com os mensaleiros e mostra que nada no partido ocorre sem seu consentimento.

Esta é a face do PT e de seu presidente. E cada dia ficará mais claro, finalmente.

Nota

Do blog do Cláudio Humberto:

Se denúncias envolvendo parlamentares provocam revolta, a qualificação de boa parte deles tampouco motiva o respeito dos eleitores. Na CPI do Apagão Aéreo, o coordenador de Prevenção de Acidentes da Infraero explicava que se medem as pistas dos aeroportos com “régua milimetrada” quando o relator Marcos Maia (PT-RS) interrompeu, com ar de especialista:
– Quadrada ou redonda?
– Redonda?!?! – espantou-se o depoente, em meio a gargalhadas gerais.

Sai daí Lewandowski

Reportagem de hoje na folha:

“Em conversa telefônica na noite de anteontem, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), reclamou de suposta interferência da imprensa no resultado do julgamento que decidiu pela abertura de ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão. ‘A imprensa acuou o Supremo’, avaliou Lewandowski para um interlocutor de nome ‘Marcelo’. ‘Todo mundo votou com a faca no pescoço.’ Ainda segundo ele, ‘a tendência era amaciar para o Dirceu’.”

Os esquerdopatas vão reclamar que o ministro estava em ligação particular e que portanto não poderia ter sido noticiado. É a mesma tese ridícula que usaram para defender Marco Aurélio “top top” Garcia e os mesmo Lewandowski no caso da troca de mensagens.

O ministro não foi flagrado em grampo ilegal, longe disso. Falou ao celular, em um restaurante público, andando por entre as mesas, em voz alta. Ao lado uma equipe da Folha jantava quando escutou o diálogo. Na democracia socialista defende-se que um jornalista, neste caso, deveria guardar para si o que escutou. Não gostam muito de imprensa, principalmente se a notícia é contra o governo. Mas esta, ainda, não é uma democracia socialista. O jornalista pode sim noticiar o que caiu em seu colo.

Este é um dos 11 juízes mais importantes do Brasil. Esse é o seu pensamento. Acusa os colegas de terem se intimidado com a imprensa, sempre ela. Pode ser até verdade, alguns como o prezado estavam mesmo com a idéia de “amaciar” para Dirceu. Heróico foi o prezado ministro que não se deixou intimidar e fez o que pode para salvar o petista quadrilheiro.

Deveria renunciar de imediato. Não há a mínima confiança mais em um voto de um ministro que afirma ter feito o possível para salvar Dirceu e se refere à decisão como “acidente de percurso”. Esta expressão não condiz com um ministro do STF ao se referir a uma decisão do tribunal. Esta claramente em campanha. Os demais ministros deveriam pressioná-lo para renunciar. Mas o que se imagina é que caia no esquecimento; assim mais uma instituição vai se degradando.

Sai daí Lewandowski!