Esse Josias é uma comédia

Blog do Josias de Souza:

Pesquisa realizada pelo Datafolha constatou que 65% dos brasileiros rejeitar a idéia de alterar a Constituição para permitir que Lula concorra a um terceiro mandato consecutivo em 2010. O que mais chama atenção no levantamento, porém, é a revelação de que 31% dos brasileiros com direito a voto apoiariam a idéia.

Não é pouca coisa. Sobretudo considerando-se que Lula diz, em público, que não deseja permanecer no Planalto.

O que Josias não diz, é que Lula sempre teve um eleitorado cativo de 33% que votam nele em qualquer cenário. Existem outros 33% que nunca votam nele, e um terço restante que flutua. O que a pesquisa mostra, é que neste eleitorado que flutua, ele não tem praticamente nada. E dizer que Lula diz em público que não deseja permanecer no cargo é petismo puro. Nem vou dizer “petismo da pior espécie” porque isso implicaria na existência de um petismo da melhor espécie… o que é uma falácia.

A pesquisa é contundente: a tese da re-re-eleição é rejeitada pelo brasileiro. É um bom sinal, pois indica que apesar da popularidade de um presidente (que continua alta), não se aceita o solapamento das regras do jogo.

Outro sinal claro é a virada que Hugo Chávez está levando na Venezuela. Pode ganhar? Claro que sim, ainda mais com o controle da apuração de votos… mas ficou evidente que o país rachou. Para desespero de Marco Aurélio Garcia e seu séquito. O Foro de São Paulo vê a aventura chavista como o início da “socialização” da América Latina. Ela não virá por aclamação, como se imaginava. Parece que a Venezuela resolveu acordar e perceber que a democracia não é negociável.

TV Lula vem aí

A tal TV pública nem estreou e já está mostrando que de pública não tem nada, é do governo mesmo. Esta semanas vários fatos sucederam-se em seqüência:

  1. Franklin Martins, revoltado com a pergunta de um jornalista, afirma que ninguém pode dar-lhe lição de democracia. E, logicamente, não responde à pergunta. Martins lutou para instalar uma ditadura comunista no Brasil, mas na versão dos perdedores, é um democrata.
  2. Duas diretoras da TVE pedem demissão ao verem a emissora invadida por um grupo grande de gente da nova TV. Logicamente sem concurso, e provavelmente com muito pouca qualificação. Em nota, a diretora executiva da TV pública(?), Beatriz Sussekind afirma que as duas foram demitidas. Era um recado para quem fica.
  3. Um jornalista e professor da UFF, Felipe Pena, debatedor do programa Espaço Público, no intervalo de um dos blocos do programa, é confrontado pela apresentadora, Lúcia Leme, que o pede para “maneirar” nas críticas ao governo porque a TV Pública “vem aí”, e ela seria demitida.
  4. No primeiro dia de programa, uma ode a uma personalidade histórica. Don João VI? D Pedro II? Caxias? Jucelino? Nada disso. Trata-se de Che, o porco fedorento. Tudo em nome da tal pluralidade.

É tudo tão previsível que chega a ser tedioso. São os mesmos métodos que Stalin implantou na União Soviética. O clima na TVE é de terror, quem não se alinhar vai para a rua. É hora das oposições fazerem seu papel e denunciar. É hora do conselho curador começar a trabalhar.

Antes que seja tarde.

Um único senão

Ainda não consegui entender porque o procurador geral da república fez o correto no caixa dois mineiro, pedindo o indiciamento de Azeredo, por ser o principal beneficiário do esquema, e deixou de fora o beneficiário do esquema do mensalão. Ainda mais que o segundo caso foi muito além de um caixa 2 eleitoral, que é crime, ao realizar a compra de parte do congresso nacional. Ficou com medo?

A substituição do Walfrido por José Múcio mostra, mais uma vez, o tamanho da banana em que vivemos. O cara foi um dos participantes do esquema que comprou o PL como aliado do PT. Mas a nomeação não deixou de ser a cara do atual governo.

Expurgo do IPEA

O expurgo do IPEA é muito mais grave e emblemático do que a maioria pensa. Em seu grande livro, A Revolução dos Bichos, Orwel narra que os animais da fazenda começaram a achar que estavam comendo menos do que no tempo do domínio dos homens. Foi então que Chalaça, o porco responsável pela proganda da revolução, trouxe uma série de gráficos e estatísticas mostrando que era o contrário: comiam mais ração do que antes.

Orwel criticava a propaganda oficial do regime soviético que produzia dados mentirosos para manter o controle da população. Observem qualquer dado oficial sobre Cuba: o regime caribenho é um sucesso completo. Regimes socialistas abominam a verdade sobre si mesmos, repetem mentiras sem o menor pudor.

O petismo não instalou uma república socialista no Brasil porque não pode. Mas não passa um dia sem avançar um pouquinho nesta linha, testando as reações, extendendo o limite do possível. Foi o que aconteceu no IPEA: o expurgo de 4 economistas não alinhados com o governo.

Por que a presença desses economistas tornou-se indesejada no instituto? O IPEA sempre se caracterizou por estudos sérios, estatisticamente bem fundamentados, produzindo panoramas e projeções econômicas para o Brasil. Seu trabalho sempre foi independente do governo da ocasião, e isto, no petismo, é intolerável.

A re-eleição de Lula, principalmente depois de todos os escândalos de corrupção de seu governo, revelou-se um verdadeiro cheque em branco. Se o eleitor aceitou tudo aquilo, não há nada que não posso aceitar. O governo é mais forte hoje do que no início do primeiro mandato. Daí a prepotência cada vez maior de seu chefe e a virulência com que seu governo atropela, uma a uma, as instiuições da república.

Os novos 4 economistas nomeados para o IPEA mostram a intenção do governo. São todos da denominada linha “desenvolventista”, a que acredita que o importante é o crescimento econômico, mesmo se resultar no desequilíbrio das contas públicas, e na inflação.

Não é por acaso que o gasto público sobe a taxas três vezes maiores do que a arrecadação; a ordem do governo é ampliar cada vez mais, aumentando ao máximo o estatismo.

Giambiaggi, um dos economistas expurgados, apontou em livro recente as razões do atraso brasileiro. O principal vilão é o estado, que consome grande parte das riquezas do país, e sufoca a iniciativa privada, essa sim capaz de produzir geração de riquezas que tanto se precisa. Por suas idéias agora está fora.

É como muita tristeza que vejo esta caminhada rumo ao abismo inevitável; é uma política que sempre levou à ruína econômica. Quando o petismo deixar o poder, terá produzido a verdadeira herança maldita dessa nação. Minha geração e as futuras terão que lidar com essa herança, nosso futuro estará comprometido por tudo que está sendo feito hoje, com aplausos boa parte da intelectualidade brasileira, é bom que se diga.

A cada dia estou mais pessimista. É um pesadelo contínuo, que parece nunca chegar perto do fim. Toda euforia que senti nos anos de 94 a 96, com a constatação que pela primeira vez estávamos no rumo certo, acabou-se. Resta apenas a desilusão de ver meu país cada vez mais dominado por uma quadrilha, assaltando os cofres públicos à luz do dia, e jogando às favas o nosso futuro.

O "moderado"

A maior parte da mídia brasileira, junto com os analistas americanos, consideram Lula um contraponto à Hugo Chávez. Outro dia, até Merval Pereira, que escreve bons artigos de opinião, classificou nosso presidente como “esquerda moderada”. Volta e meia surgem pequenas notícias que dão conta que Lula estaria “irritado” com as diabrices do venezuelano.

Lula só não faz no Brasil o que Chávez está fazendo na Venezuela porque não pode. Simples assim. Até porque o Brasil é o país mais importante no mundo a afiançar o que acontece na Venezuela. Está claro nas palavras ditas ontem:

Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa. Inventam uma coisa para criticar. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é.

Querem mais?

O que não falta no país é discussão. Democracia é assim: a gente submete aquilo que acredita, o povo decide e a gente acata o resultado. Se não, não é democracia“.

É a velha tese totalitária de que a democracia permite tudo. O nazismo e o fascismo foram amplamente populares em sues países enquanto duraram, isso os justifica? Se a maioria de um povo decidir exterminar uma minoria, pode? Se fizesse uma consulta popular sobre o destino de Renan Calheiros e a ampla maioria decidisse pela forca, tudo bem?

A esquerda, quando lhe é interessante, sempre defende a consulta popular, como se o Congresso não fosse uma expressão legítima para expressão da população. O brasileiro seguramente não é, por fatores culturais e, principalmente, por nossa forma eleitoral esdrúxula. Mas a solução não é eliminá-lo. Ruim com ele, pior sem.

O discurso de Lula II justifica uma ditadura. Não custa lembrar que Saddam Hussein era constantemente eleito por 100% dos votos. Era um exemplo de democracia o Iraque, não?

Esse é o presidente que disse há alguns anos que na Venezuela existe “democracia até demais”. A imprensa preferiu dar a esta frase uma conotação de mais um ato falho, uma frase dita sem pensar. Pois está aí no discurso de ontem. Só falta lamentar que no Brasil exista menos democracia que na Venezuela.

Novamente defendeu o direito de Chávez perpetuar no poder, comparando-o com Thatcher, Mitterrand, Kohl. Todos, é claro, chefes de governo, não de estado. Um primeiro-ministro é eleito sem mandato fixo. Pode durar alguns meses, como já duraram, ou muitos anos. Tudo depende do seu desempenho, enquanto contar com a confiança do parlamento, que É expressão da vontade popular, permanece. No dia que perder, cai. Se fosse primeiro-ministro, Lula teria caído no mensalão. Teríamos tido novas eleições e um novo Congresso, menos petista.

Lula na verdade não defende só Chávez, defende também seu próprio direito de se perpetuar no poder. Como? Com uma mudança na constituição, via parlamento ou plebiscito. Por que não o faz? Porque não pode, ainda. Tudo que saiu até agora sobre o terceiro mandato é balão de ensaio, para ver a aceitação. Por enquanto os petistas percebem que não há condições políticas, a negociação da CPMF mostra o que seria no congresso a negociação por um terceiro mandato, e o preço que corresponderia.

Não, Lula não é um esquerdista “moderado”. É um dos membros fundadores e atuantes do Foro de São Paulo, o que nunca negou. O objetivo é transformar a América Latina em um continente socialista, o lixo que a Europa rejeitou, finalmente, em 1989. Cada governo socialista avança, na velocidade que lhe é permitida, para alcançar este objetivo. Mas avançam.

Os 7 seguranças

Os sete seguranças presos sob a acusação de envolvimento na morte de um sem-terra durante a invasão da fazenda da Syngenta em Santa Tereza do Oeste (PR), dia 21, vão responder ao processo em liberdade. Ontem à tarde a juíza da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cascavel, Sandra Regina Bittencourt Simões, concedeu o relaxamento de prisão dos acusados. Segundo a juíza, não há provas, até agora, de que algum deles tenha matado o sem-terra. O relaxamento das prisões revoltou os movimentos sociais.

Neste confronto morreram duas pessoas, um segurança e um sem-terra. Quem fez a invasão? Os sem-terra. Quem estava na defensiva? Os seguranças. Quantos sem-terra foram presos pela morte do segurança? zero. E quantos seguranças foram presos pela morte dos sem-terra? 7. Exatamente, 7. Isso porque a constituição diz que “todos são iguais perante a lei”.

Mais sábio, Orwell já afirmava décadas atrás: “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros”.

Em síntese, é o pensamento central das esquerdas. Tudo gira em torno de se diferenciar grupos. E é assim que um grupo fora-da-lei como o MST ganha status de ”movimento social”.

Começou

Já existem parlamentares do PT levantando na Câmara dos Deputados um clima para uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) permitindo a re-eleição sem limites. Alguns já falam em plebiscito. O presidente do TSE, Marco Aurélio de Mello afirma que seria necessário uma revolução para mudar a regra do jogo.

Claro que não é verdade. Uma emenda constitucional pode sim acabar com o limite de dois mandatos sucessivos, assim como criou a re-eleição no governo FHC. Faz parte das regras do jogo.

Quer dizer que Marco Aurélio se enganou? Duvido, um ministro do Supremo sabe muito bem o que pode ou não pode fazer. A opinião que transmitiu mostra justamente o contrário do que quis dizer. Sabe que a possibilidade é real, e muito real. Por isso a reação que teve.

O fim do limite de re-eleição seria o desastre para o país. Nem os Estados Unidos, a democracia mais avançada do mundo, a adota, e tem seus motivos.

As afirmações de Lula contradizem seus atos. Ninguém fala nada no PT sem está autorizado por seu chefe; o homem está fazendo jogo duplo. Quer um novo movimento queremismo, como tentou Vargas em 1945, e quase conseguiu.

Lula não quer ser candidato em 2010. Mas é claro que se o povo pedir…

Imposto Sindical

Ainda no início de seu primeiro governo, Getúlio Vargas percebeu a importância de controlar os sindicatos de trabalhadores.

Desde o início da República, a indústria desenvolvia-se ao redor da economia cafeeira, estimulada, principalmente, pelos lucros dos barões do café. A Primeira Guerra Mundial impulsionou ainda mais esta indústria ao fechar temporariamente o mercado externo. Uma das conseqüências foi o desenvolvimento de uma classe urbana e a imigração.

Pois coube justamente aos imigrantes, muitos com experiência sindical em seus países de origem, a primeiro organizar os sindicatos. Inicialmente houve a ação dos anarquistas, que desejavam sindicatos descentralizados e sonhavam com uma nação sem governo. Posteriormente, o comunismo chegou com toda sua força, disputando com os anarquistas o poder nos sindicatos.

Vargas percebeu que se não assumisse o controle teria um grande problema nas mãos. Não bastava uma legislação que beneficiasse pura e simples os trabalhadores, precisava de um instrumento de controle. Foi quando foi instituído o imposto sindical.

Os recursos eram centralizados no Ministério do Trabalho e, então, distribuído às centrais sindicais. Rapidamente estas centrais tornaram-se dependentes dos recursos, e por tabela, do Ministério. Os líderes passaram a se aliar a alta burocracia do Ministérios, e não aos trabalhadores que representavam. Surgia na política nacional os “pelegos”.

Ontem a Câmara dos Deputados aprovou o fim da obrigatoriedade do imposto. Pela proposta cabe ao trabalhador o direito individual de decidir se paga ou não o tributo. Isto obriga os sindicatos a convencer os trabalhadores de sua importância, e mostrar serviço a eles. É uma medida acima de tudo burocrática.

Os sindicatos, obviamente, já iniciaram uma campanha de demonização dos deputados que aprovaram o projeto de lei. O presidente da república __ sempre com minúsculas __ já se posicionou contra. Existe boa chance do Senado não aprová-la, e caso contrário, Lula II exercerá seu direito de vetá-la.

Até aí tudo mais ou menos democrático. O mais ou menos é pela tática fascista dos sindicatos de pressionar os deputados. O problema é o que acontece depois do veto. Vai para a gaveta do presidente do senado __ também com minúsculas __ que exerce seu “não direito” de não colocar o veto em votação, dando na prática o poder ao chefe do executivo de só aprovar as leis que quiser. É mais uma violação do princípio das independência dos poderes.

O imposto sindical é uma herança do estado totalitário de Vargas, essa sim a verdadeira ditadura que existiu no Brasil. Não se está extinguindo o tributo, apenas está colocando a questão como um direito do trabalhador, e não um dever. Por que temem tanto a liberdade de escolha?

Privatização

A falta de vergonha e qualquer tipo de ética do petismo e simpatizantes foge a qualquer definição. E esta semana se mostrou mais uma vez em um tema que a oposição se recusa a defender: as privatizações.

Nas últimas eleições o candidato-presidente demonizou seu adversário acusando-o de privatista, como se fosse o maior dos pecados, e de ter participado do governo que vendeu o Brasil. Alckmin fez sua parte, e não foi pequena, no seu próprio calvário. Ao invés de defender os muitos benefícios das privatizações realizadas se transvestiu de estatista e jurou que não privatizaria nada. Fez duas besteiras de uma só vez: não convenceu ninguém e pior, passou a imagem que a privatização realmente era um mal em si.

Esta semana o governador de São Paulo quis saber o valor de mercado de uma estatal. O pestismo, sempre valente para com os outros, foi às ruas para protestar. Serra estava querendo privatizar!

Ontem o presidente-candidato(se não é parece) condenou o governo FHC, Freud explica, sobre a privatização das rodovias federais.

Ao mesmo tempo, na bolsa de valores, seu governo privatizava 7 lotes de… rodovias federais! E 6 delas foram para grupos estrangeiros! É ou não é uma falta de vergonha e de ética? O petismo não tem nenhum princípio. O que é feito por eles é bom. A mesma coisa feita por outros é uma mal. Simples assim.

E cadê as oposições? Silêncio ensurdecedor. Só não maior do que a CUT, MST, PT, UNE, Pastoral de Terra, ….