Dois bons conselhos

O presidente Lula afirmou duas coisas ontem:

  1. Não existem casos de febre amarela
  2. Não há perigo de racionamento de energia.

Baseado na credibilidade do presidente, recomendo duas medidas:

  1. Vacinar contra febre amarela
  2. Comprar velas e gastar o máximo de energia. Para quem não se lembra, no último apagão a meta de racionamento foi pela média dos últimos meses.

Jesus multiplicou pães, Lula multiplicava a CPMF

Mesmo aumentando os impostos, que acreditam significar uns 10 bilhões a mais, o aumento da arrecadação, mais uns 10, e ainda o imposto que incidirá nestes 40 que eram da CPMF (o que dará outros 10), o governo vai fazer alguns cortes. Vai cortar o aumento do funcionalismo, dos militares, verbas do PAC, Educação, Saúde, e etc. Caramba! A CPMF não era de 40 bilhões, era 400! O governo quebrou por causa de um imposto que conforme declarações do próprio executivo, só rico pagava!

O discurso é um só. Tudo que der errado a partir de agora (e em um governo petista, muita coisa dará) será culpa da oposição que tirou a CPMF. Vejam que até dezembro estávamos no primeiro mundo, tudo estava certo, o próprio presidente falou que a saúde estava perfeita, a educação nunca tinha sido melhor, etc. Agora é o caos, até surto de febre amarela já existe. E tudo por causa dos 40 bilhões da CPMF!

Isto é política. Cabe a oposição fazer também e mostrar que o discurso é absurdo. Claro que a mídia, como sempre, faz o que pode para vender a versão do governo. Mas é preciso gritar até ser ouvido.

Quem sabe o grande tema para as eleições deste ano seja a finalidade dos impostos e a carga tributária brasileira? Já seria um grande avanço.

MP do mal

O DEM saiu na frente no combate à MP que aumenta os impostos e encontrou uma sacada boa, chamar a dita de “MP do mal”. Um nome fácil e que bem trabalhado tem tudo para pegar. É uma boa estratégia eleger os impostos como tema para a batalha eleitoral deste ano, governos de esquerda são gastadores por natureza. Está em seu DNA que o estado deve prover tudo, o que implica a necessidade de arrecadar impostos. Em um modelo tributário como o nosso, que incide fortemente no consumo, quem acaba pagando a conta são as classes mais baixas. Infelizmente poucos se dão conta disso, pois acreditam que o imposto que vale é o sobre a renda. Pois independente de quanto se ganha, o imposto sobre o pão é o mesmo, o que mostra de saída uma grande distorção, e acaba com os mais pobres pagando proporcionalmente mais impostos.

Cabe à oposição mostrar esta equação com clareza, e mostrar que gastar não implica em ser eficiente. É bom terem consciência que não poderão depois esquecer o que estão defendendo agora. Caso voltem ao governo não terão condições de lutar por mais impostos; pelo contrário, terão que diminuí-los. Para o Brasil já seria um grande avanço.

A máquina em funcionamento

No apagar das luzes de 2007, Lula II deu os ajustes finais na sua já fantástica máquina eleitoral visando 2008 e, principalmente, 2010.

Primeiro estendeu os benefícios do bolsa família para adolescentes de 16 e 17 anos. Por que 16? Porque a partir desta idade já podem votar. Vejam que curioso, durante os debates sobre a CPMF o governo bradou que os programas sociais estavam ameaçados pelo fim do tributo. Pois a CPMF acabou e o programa foi estendido! E agora Jefferson Péres? E agora Pedro Simon? (Só cobro de quem tem um mínimo de consciência).

Uma segunda medida muito interessante. O governo, através de MP, adiou por 6 meses as novas regras para fiscalização das ONGs. Qual a relação? Aqui é de financiamento ilegal de campanha, basta ver a quantidade de petista envolvido com elas. Não é Marta Suplicy?

Por fim aumentou os impostos. Quando Mantega disse que o faria, Lula o desautorizou. Depois, na surdina, assinou o aumento. Fica a imagem que foi obra de seu ministro. É o jeito Lula, quando lhe é conveniente responde pelo governo, quando não é o titular da pasta que se explique. Ele, é claro, está sempre do lado do povo.

É hora das oposições gritarem, e para valer.

Lula na TV: mais do mesmo

Não vi o pronunciamento de Lula na TV ontem. Pelo que li, nada de novo. Como sempre o país não existia antes de sua posse, nunca em nossa história tivemos um presidente como ele, etc. Tudo muito previsível.

É claro que o crescimento econômico, embalado em boa parte pelo crescimento mundial, é o esteio de seu governo. Neste ponto Lula tem responsabilidade objetiva. Contrariando tudo que seu partido defendeu (e que grande parte ainda defende) manteve a política econômica que herdou dos tucanos, para nossa sorte. Como levantou bem Reinaldo Azevedo em seu blog antes: para ter sucesso é preciso fazer o contrário do que o PT recomenda, mesmo se você for do PT. Foi o que Lula fez, e está capitalizando em cima.

Lula não disse que o crescimento econômico é fruto das bases estabelecidas no governo anterior, em tudo que não meteu a mão e não deixou que metessem, colocou a responsabilidade do crescimento nas políticas sociais do seu governo. Como se política social gerasse crescimento econômico.

Tudo isso deixa claro que a oposição precisar aprender a fazer política em um ambiente de economia de desempenho pelo menos razoável. E para isso precisa debater valores, mostrar que a despeito da economia, existem outras áreas de uma sociedade que são responsabilidades de um governo.

Toda campanha política é a mesma ladainha, só se fala de emprego, crescimento, inflação, juros, bancos, etc. Está na hora de se debater outras coisas na campanha, e fugindo do abstrato. A democracia, a liberdade de expressão, o modelo político, o aborto, os movimentos sociais, as ONGs e, ao meu ver, o principal papel do estado: a segurança.

A medida que alguns indicadores básicos aumentam, começa na aparecer como a segurança como uma das maiores preocupações do eleitor. E nesse item o governo Lula é um fracasso completo, em qualquer nível, federal, estadual ou municipal. Para isso existe uma razão: a tese fechada no partido (e nas esquerdas) da responsabilidade social do crime.

É preciso enfrentar o petismo em seus valores, em sua essência. Existe todo um discurso instituído na sociedade nos últimos 30 anos que o protege. Esta na hora de desconstrui-lo. É preciso que não se tenha medo de assumir posições firmes e contrariar alguns segmentos da sociedade.  Muitas teses petistas não resistem a um bom debate, por isso demonizam o interlocutor para fugir do confronto.

Enfim, é preciso coragem.

Eu tenho uma curiosidade

Nas últimas semanas uma série de pesquisas eleitorais foram divulgadas. Várias simulações foram realizadas, por mais esdrúxulas que fosse. Até mesmo Lula apareceu, mesmo que a lei, atual, não permita sua candidatura. Por que Geraldo Alckmin não apareceu para presidente? Por que não foi incluído em nenhuma simulação?

O fato de ter perdido a eleição em 2006 não é motivo para retirá-lo de qualquer lista. Serra perdeu em 2002 e estava em todas as simulações para 2006. Como Alckmin, também negava que se lançaria candidato. Por que a rejeição sumária ao nome do ex-governador?

Eu tenho uma curiosidade. Gostaria de saber como se comportaria o nome de Alckmin em uma lista. Mesmo com todas as bobagens feitas na campanha passada, o nome dele foi lançado nacionalmente. Fico imaginando se por acaso ele aparecesse como candidato competitivo, e acho até razoável que apareça, como ficariam os Serristas?

CPMF: primeira derrota

O governo sofreu a primeira derrota política desde que começou a era Lula, em 2003. Essa é a natureza correta da derrota, pois foi assim que o planalto resolveu tratar a questão.

Havia espaço suficiente para uma negociação, mas a arrogância prevaleceu. Lula confiou que os governadores da oposição conseguiriam os votos que faltavam, ao mesmo tempo que demonizava seus adversário. A todo momento, táticas terroristas. Ignorando o aumento anual da arrecadação (sempre motivo para cantar vitória), e o aumento do gasto público (segundo o presidente, choque de gestão é gastar mais), colocaram o imposto como necessidade para o sistema de saúde.

A oposição pode se preparar para a carga do presidente. Cada problema da saúde será tratado a partir de agora como culpa da derrubada da CPMF. Cabe à oposição desconstruir este discurso. É difícil, o jornalismo é pautado por sua excelência, os tocadores de tuba __ expressão criada por Reinaldo Azevedo __ estarão em campo.

Não foi propriamente uma vitória oposicionista; juntos DEM e PSDB não possuíam votos para reprovar a CPMF, nem meios de atrair aliados. A derrota foi do governo, que não conseguiu segurar os seus votos. Faltaram 4 votos, 6 senadores da base aliada votaram contra o tributo. Aliás, não teve votação importante que não tivesse sido aprovada com votos da oposição. E o que fez Lula com esses votos? Não perdeu uma oportunidade de culpar seus adversários por tudo de ruim que existe no país.

Talvez seja um ponto de inflexão. Talvez a oposição tenha finalmente percebido que não pode ficar ajudando o governo e receber pedradas em resposta. Existe uma tese que o momento favorável a um segundo mandato é o primeiro ano. Depois, o jogo político se volta para a sucessão e não se vota mais nada importante no Congresso. Lula é uma caso a parte, mantém sua popularidade mesmo após o desgaste de 5 anos na presidência, e a frente de um governo manchado de lama por todos os lados.

Mas fica a sua primeira derrota política no parlamento, o que é bom para a democracia. Nenhum governante pode atropelar o Congresso como tem feito.

Sem vergonha de mentir

Lula ontem:

“Alguns senadores que não querem que o país dê certo querem abolir esse imposto, que é justo porque é distributivo, que só atinge 13 milhões de pessoas. É o famoso imposto do cheque. E 80% do povo brasileiro não tem cheque.”

É uma mentira deslavada, por um único motivo: a CPMF incide na movimentação financeira das empresas, que naturalmente repassam para o preço dos produtos. Quem compra pão, paga CPMF. Simples assim.É só fazer uma conta, a arrecadação da CPMF é de 40 bilhões, como corresponde a 0,38%, quer dizer que incidiu sobre uma base de 10 trilhões de reais. Para ter uma idéia, o PIB brasileiro é de cerca de 2 trilhões. Dizer que só rico paga CPMF é uma mentira deslavada, própria de um mentiroso deslavado.

“Os que são contra são aqueles que adorariam sonegar, como sonegaram a vida inteira.

Uma vez me falaram que ao invés de ficar criticando o presidente, deveríamos ser construtivos, torcer para dar certo. É claro que a pessoa que falou comigo estava falando de Lula, porque de FHC nunca economizou adjetivos impróprios. O vagabundo(ver definição no aurélio, no sentido de vadio) me chama de sonegador e não tenho o direito de criticá-lo? Em um país mais ou menos civilizado, só essa frase já seria motivo para convocação do presidente para se justificar no congresso. Como não somos, e nem nosso congresso tem essa moral toda, fica por isso mesmo. Pergunta: se o FHC falasse a mesma coisa, o que estaria dizendo a imprensa?

Sabemos que a hora em que tirar R$ 40 bilhões [do Orçamento], quem vai sofrer são prefeitos e governadores. Na hora de cortar R$ 40 bilhões, vamos ter que tirar de algum lugar“.

Isso nada mais é do que chantagem explícita aos governadores do PSDB, que deveriam estar convocando entrevistas coletivas para perguntar, retoricamente, ao presidente o que quer dizer com a afirmação. Mas, como cordeirinhos, estão pressionando os senadores do seu partido a votar a favor da CPMF, um papelão, principalmente por parte de Serra e Aécio. A posição contra a CPMF é o único ato de oposição real em 5 anos de desastre petista e sua majestade reage dessa forma. O que quer? Nada mais do que uma oposição que não faça oposição. Isso tem nome, já foi testado no século XX, e os resultados falam por si só.

Novela da CPMF chegando ao fim

Está chegando ao fim a novela da CPMF, a única vez em que a oposição conseguiu, com as tucanadas de sempre, fazer a sua parte. Vai vencer? Improvável. Existem 53 senadores na base governista, o bufão brasileiro precisa de 49 votos. A tática de colocar com a oposição a responsabilidade pela aprovação do imposto (vamos chamar as coisas pelo nome) é mais uma tática guerrilheira de Lula II, no padrão rasteiro de sua forma de fazer política.

A investiga do governo em cima da oposição é devido a um único motivo: é mais barato conseguir um voto lá do que em seu bando. Os senadores governistas sabem que essa é a única lei que interessa nesse segundo mandato, aprovado a CPMF não vão arrancar mais nada de importante, daí estarem esticando a corda ao máximo para conseguir que o planalto pague o maior custo possível.

A oposição tem que votar unida contra o tributo. Do jeito que a coisa ficou, os 4 senadores que necessitam aderir à CPMF que o fizerem no fim de semana ficarão marcados por terem vendido caro seus votos. Que o governo pague o preço político por ser governo, é do jogo. Se fosse o contrário, como já foi, o plenário do senado já estaria uma balbúrdia com os apitadores de plantão. Como ficou evidente na semana, Lula (e o PT), são uma metamorfose ambulante.