Editorial da Folha: uma vergonha

Só agora fui ler o vergonhoso Editorial da Folha de São Paulo.

O próprio lead já denuncia seu teor, segundo o periódico, as afirmações do General Heleno atrasavam a questão indígena do país em duas décadas! Deve ser mesmo poderoso este militar que em uma palestra para 150 pessoas consegue atrasar uma questão nacional em vinte anos.

A Folha tenta argumentar que a demarcação contínua não ameaça a soberania nacional. É uma mentira. O Brasil assinou mais um absurdo da ONU, desta vez dando direito de autodeterminação aos povos indígenas.

O Editorial ainda faz uma malabarismo com a matemática para tentar demonstrar que a reserva não é tão grande assim.

Que uma falsidade intelectual desta natureza seja feita no editorial de um dos maiores jornais do país é uma demonstração da ideologia que toma conta das nossas redações. Vale lembrar do aviso de Eric Voegelin, mais atual do que nunca: “Seguramente, hoje nos confrontamos com o poder social arrasador da desonestidade intelectual, que permeia o mundo acadêmico e outros setores da sociedade.”

O mais novo golpe baixo do governo

A imprensa noticia que o reajuste dos militares foi adiado tendo em vista as críticas do General Heleno. Segundo o noticiário, o presidente resolveu adiar para evitar que o reajuste fosse entendido como um sinal de fraqueza diante das críticas do Comandante Militar da Amazônia.

Desconfiem de todo jornalista que apresenta esta versão. O aumento já estava sendo noticiado antes da palestra do general, não havia como fazer esta confusão. Ademais, são casos sem conexão nenhuma, não existe uma mobilização política das forças armadas em torno do General Heleno, logo não haveria porque adiar o anúncio.

O motivo é muito mais simples e mais banal. O presidente resolveu indispor a tropa contra um de seus comandantes. É importante notar que Lula não se referiu ainda ao caso em público. Por mais que tenha popularidade, sabe que a sociedade é capaz de reconhecer um homem sério e um patriota de verdade. Não quis se arriscar em colocar sua popularidade em confronto com uma instituição como o Exército. A despeito do que a grande mídia tenta mostrar, os militares são muito bem vistos na sociedade brasileiro, especialmente entre os eleitores do atual governo.

Por isso optou pelo golpe baixo. Quer colocar no colo do General Heleno a situação salarial vergonhosa dos militares brasileiros. É um jogo perigoso também, mas para um governo que pensa que o dinheiro é o único motor efetivo para o homem, bastante lógico.

Que vergonha senador!

Um dos líderes da oposição, o senador Arthur Virgílio, protagonizou dois vexames nesta semana.

No primeiro, subiu na tribuna para elogiar a ação do banco central em elevar as taxas de juros. Nem entro no mérito da questão, mas a atitude do senador é uma das coisas que só acontecem no Brasil. Aumento de taxa de juros é uma atitude impopular, embora muitas vezes responsável. É um custo que o governo arca por ser governo, em qualquer lugar do mundo.

Se o senador gostou da medida que fique quieto e deixe para o governo o ônus de defendê-la. Isto é política. Não precisa ir para os holofotes fazer demagogia e atacar a medida, mas também não precisa se tornar fiel dela. O resultado foi que os governistas atacaram a decisão do próprio governo e um líder da oposição correu em socorro desnecessário.

É algo de inédito, o governo toma uma medida impopular, não entro no mérito se era necessária ou não, e o custo político fica… para oposição! O pior é que o grande motivo para o Banco Central ter elevado os juros foi a escalada dos gastos públicos. O governo gasta mais para fazer política e um líder da oposição corre para socorrê-lo! Só no Brasil.

A segunda patacada foi a crítica ao General Heleno. Virgíllio se colocou em companhia de gente como Tarso Genro e o secretário de direitos (des)humanos. Nem o ministro da defesa veio a público criticar o General. Nem mesmo o presidente arriscou-se a ir ao microfone para defender a posição do seu governo (preferiu o golpe baixo que comento no post a seguir).

Querer resgatar 1964 no atual momento histórico é uma absurdo completo. Embora exista da parte do governo atitudes que lembram em muito a do governo João Goulart, o país não é o mesmo de 40 anos atrás. Os militares já não exercem a influência política da época, para o bem ou para o mal, estão dentro dos quartéis enquanto que a sociedade (em que eles fazem parte) decide seus próprios caminhos.

Atitudes como a de Virgílio, que muitas vezes acerta, como no fim da CPMF, mostra porque o governo atual obtém tanto sucesso de propaganda. Com adversários assim, fica fácil construir um discurso hegemônico e com isso perde a democracia.

Nota do DEM

BRASIL EXIGE LUTA CONTRA O CRIME

A Comissão Executiva Nacional do Democratas vem a público exigir medidas efetivas contra o clima de quase insurreição que temos vivido; alertar a opinião pública para a irresponsabilidade contínua do governo no uso do dinheiro público e manifestar apoio ao comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno Ribeiro Pereira – ameaçado e intimidado porque solicitou mudanças na política indigenista. Sobre essas questões, o Democratas solicita atenção da sociedade para os seguintes pontos:

1)o general Heleno Ribeiro Pereira advertiu que a questão indígena tornou-se “ameaça interna” à soberania brasileira na Amazônia referindo-se à necessidade de revisão do decreto presidencial que criou a reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. A pretexto de transformar tribos em “supostas nações independentes”, ONGs estrangeiras interessadas em consolidar a invasão do território nacional, agem livremente na reserva, que faz fronteira com a Venezuela e a Guiana;

2)ao invés de levar em conta a advertência do oficial, o governo age no sentido oposto e está exigindo que ele explique afirmações feitas com base em fatos e informações incontestáveis. Com o pedido de explicações, o governo busca intimidar, ameaçar e silenciar o Comandante Militar da Amazônia com o objetivo de enfraquecer a posição de todos os que defendem a revisão da política indigenista do governo porque ela implica ameaça à segurança nacional;

3)ao mesmo tempo que sinaliza com punições contra quem age com seriedade, moderação e respeito às leis, o governo atua com permissividade e leniência ante as ilegalidades de grupos que investem contra a democracia, o estado de direito e a segurança pública. É com apoio, estímulo e financiamento público que o MST, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, pratica ações ilegais de Norte a Sul do país e achincalha o direito de propriedade previsto na Constituição sem receber sequer uma advertência dos responsáveis pela ordem pública;

4) é o dinheiro desviado do bolso do trabalhador honrado, que tem a cultura dos direitos e deveres, que financia as ações ilegais do MST, grupo comprometido com a intolerância, a violência e o crime. Com que direito o governo transfere, sem prestar contas ao Congresso e à opinião pública, recursos públicos cada vez mais volumosos para financiar as jornadas de crime e de terror do MST? Qual a justificativa para doar verbas que deveriam acudir problemas de saúde, educação e moradia das pessoas, a quem cria ambiente de insegurança jurídica que resultará na imposição de pesados prejuízos ao país e a todos os brasileiros?

5) o Brasil não construiu a democracia para favorecer ilegalidades, seja a pretexto de proteger os índios, seja com a desculpa de combater injustiças ou sob a alegação de pretensas reparações a comunidades remanescentes de quilombos. A sociedade brasileira lutou para conquistar um Estado democrático de direito onde ninguém pudesse agir ao arrepio da lei. É preciso dar um basta aos que se escondem por trás de supostos movimentos sociais para aumentar o controle estatal da sociedade. Em vez de luta de classes, o país exige luta contra o crime.

Brasília, 18 de abril de 2008

Rodrigo Maia
Presidente

Nota do Clube Militar

Reação sem Sentido

Em Seminário realizado no Clube Militar, o Gen Ex Augusto Heleno Ribeiro Pereira, Comandante Militar da Amazônia, um dos palestrantes, teceu considerações sobre a atual política brasileira em relação à população indígena. Sua enfática explanação em nenhum momento feriu a disciplina e a hierarquia.

O que vimos foi a palavra de um Chefe Militar sobre assunto de sua inteira competência e responsabilidade. Sua afirmação de que o Exército não serve a governos e sim ao Estado está respaldada no que prevê o Art 142 da Constituição Federal ao definir as Forças Armadas como instituições nacionais permanentes.

A política indigenista, todos sabem, está longe de ser consensual, inclusive dentro do governo Lula. Há décadas que se discute se nossos índios devem ser integrados à sociedade brasileira ou se devem ser segregados.A escolha oficial, hoje, é pela segregação. Tal política não pode ser considerada sequer como deste governo, uma vez que vem sendo adotada já há algum tempo.A observação do Gen Heleno foi fruto da angústia de alguém que observa no próprio local a situação aflitiva de algumas comunidades, com sérios problemas de saúde e sem atendimento a outras necessidades básicas; da angústia de alguém que vê, lá na ponta da linha onde poucos gostam de ir, brasileiros passando privações sem nenhum apoio do Estado.

É estranho o Presidente da República pedir explicações sobre o caso. Não me consta que tenha adotado o mesmo procedimento quando ministros do seu partido contestam publicamente a política econômica do governo. Aliás, uma das poucas coisas que está funcionando coerentemente nessa época em que atitudes voltadas para produzir impacto em palanque são mais importantes do que a ética e a moralidade na condução das ações políticas.

Gen Ex Gilberto Barbosa de Figueiredo
Presidente do Clube Militar

Ficou irritado!

Parece que o presidente ficou extremamente irritado com as declarações de General Heleno, ser contrariado não é bem seu forte. Ainda mais que viu exposto nos jornais uma atuação em favor da demarcação contínua que o governo mantinha longe da mídia. Como todo bom esquerdista, não gostam de discutir os temas nacionais relevantes. Gostam de aprovar tudo sem holofotes usando o Congresso Nacional como força de manobra.

Já não dá mais. O assunto da soberania nacional está em todos os jornais e o Senado, onde deveria estar se travando o debate sobre a questão, mostrou-se um avestruz com a cara dentro do buraco. O líder da oposição ainda ficou preocupado com o que o fato de um militar resolver dar sua opinião sobre o assunto.

Já ficou no passado a época em que os militares davam as cartas na política e uma intervenção militar nos destinos políticos é coisa do passado. Por que não podem se manifestar publicamente? É claro que não podem incitar à desordem ou contra as leis do estado. O General não fez nada disso, muito pelo contrário, falou em defesa do texto constitucional.

A esquerda no poder é a mesma coisa em todo lugar. Admite a pluralidade de opiniões, desde que seja em torno das próprias. A coisa é tão absurda no Brasil que o governo conseguiu uma oposição que não pode fazer oposição. Por isso a esquisita aliança que o governador de Minas anda construindo é uma grande ameaça à democracia, pois consolida um governo sem oposição.

O presidente quer falar sozinho e se coloca em um lugar mítico, onde o que fala é a voz da sabedoria. É uma característica socialista querer a hegemonia sobre o pensamento, o que é uma violação à principal liberdade de um indivíduo. Não basta a maioria, querem a totalidade. Não é por acaso que o socialismo sempre levou ao totalitarismo.

Uma das coisas que o país precisa é que o presidente fique irritado com mais freqüência. É bom para a democracia.

Enfim alguem para chamar o MST pelo nome correto

Dá-lhe Vale! E tem gente que defende sua re-estatização. Sai para lá, urubu! A Vale é NOSSA e não dos governos de plantão. Se fosse deste último estava fazendo festa com o MST. Como não é pode lançar o manifesto abaixo. E pensar que o Alckmin teve vergonha de defender as privatizações…

1)As lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), desafiando a Justiça, cumpriram suas ameaças e invadiram novamente a Estrada de Ferro Carajás (EFC). A nova invasão, a nona em 13 meses, aconteceu às 7h25 de hoje, 17 de abril, e foi feita por cerca de 500 pessoas, em sua maioria integrantes do MST, num trecho do município de Parauapebas (PA).

2) Os invasores, liderados pelo MST, fizeram de novo um de nossos maquinistas refém. A vítima foi Raimundo de Souza Nepomuceno, de 43 anos, que teve sua vida ameaçada por manifestantes que portavam porretes e facões. Os invasores também ameaçaram incendiar a locomotiva caso o maquinista não abrisse as portas da composição. O empregado cedeu, abriu as portas e foi retirado à força da locomotiva e, depois, libertado.

3) Desta vez, os líderes do MST foram ainda mais longe. Numa demonstração de que não medem esforços para pôr em prática seus planos criminosos, seqüestraram um ônibus de uma empresa prestadora de serviços para a Vale. O veículo foi interceptado por manifestantes que ameaçaram e forçaram o desembarque de 35 passageiros. O ônibus permaneceu, ilegalmente, por algum tempo em poder dos integrantes do MST.

4) A Vale vem a público manifestar sua indignação pela insuficiência de ação das autoridades competentes que foram, há muito tempo e amplamente, avisadas que esta invasão iria acontecer. É inadmissível que os governantes não tenham tomado a tempo as providências necessárias para evitar que, mais uma vez, o MST e seus cúmplices afrontassem o Estado de Direito e não cumprissem as determinações judiciais de não promover invasões.

5) A Vale não vai se calar diante das ameaças do MST ou da falta de responsabilidade de governantes, em especial no Estado do Pará, que se omitem diante de um crime há muito anunciado e que, por incompetência ou por conivência, estão assistindo a esta maré de crimes que nos últimos dias vem aterrorizando o Brasil.

6) Há muito tempo, a Vale vem alertando essas autoridades de que este clima de desrespeito ao Estado de Direito cria um péssimo ambiente para a atração de investimentos para o nosso país, em especial para o Pará, região que apresenta um dos maiores potenciais de crescimento e geração de renda e emprego.

7) O Conselho de Administração da Vale já aprovou um plano de investimentos que, entre 2008 e 2012, deve levar para a região cerca de US$ 20 bilhões e gerar mais de 35 mil novos empregos.

8) A Vale reafirma que não vai poupar esforços para proteger seus empregados, usuários do trem de passageiros, clientes e acionistas, já que a EFC é um importante veículo de transporte e desenvolvimento para o país.

9) Com a invasão, cerca de 1.300 pessoas deixam de poder viajar entre os estados do Pará e Maranhão. Além disso, fica comprometido o transporte de combustíveis para os municípios do sudeste do Pará.

10) Também está interrompido o transporte de cerca de 300 mil toneladas de minério e outras cargas, levando a uma perda diária de US$ 22 milhões para a balança comercial brasileira.

11) A Vale reafirma que não vai se deixar intimidar por um grupo que insiste em não respeitar a Justiça, e confia que as Polícias Federal, Militar e Civil do Estado do Pará vão agir com firmeza para restabelecer o Estado de Direito.

Esquerda escocesa

Estadão:

“Sou totalmente a favor do índio”, afirmou o militar, no primeiro dia do seminário Brasil, Ameaças à sua Soberania. “Até porque não sou da esquerda escocesa, que, atrás de um copo de uísque 12 anos, aqui sentado na Avenida Atlântica, resolve os problemas do Brasil inteiro. Eu não estou na esquerda escocesa. Eu estou lá. Já visitei mais de 15 comunidades indígenas. Estou vendo o problema do índio. Ninguém está me contando como é que é o índio, não estou vendo índio no cinema, não estou vendo índio no Globo Repórter. Estou vendo índio lá, na ponta da linha, e sofrendo com o que está acontecendo.”

Mais uma que entra para os anais da história. Embora o uísque 12 anos já esteja no passado para muita gente…