Ligar tecla SAP

A cobertura da Folha transformou-se de fato em parte da campanha Obama para ganhar votos no Brasil. Depois do anúncio do acordo das bases gerais para o pacote de saneamento do mercado financeiro ela solta o factóide que os republicanos emperraram o acordo no Congresso e esvaziaram a reunião bipartidária que tratava do assunto.

O site da Veja mostra um quadro mais real. Os pontos principais foram acertados, falta negociar os secundários, como acontece em qualquer negociação. Discute-se a linha mestra, o resto vai se acertando. A Veja lembra o óbvio, o Congresso Americano é majoritariamente democrata. Não é um grupo de parlamentares republicanos que vai impedir sua aprovação.

O acordo sairá. Para tristeza dos que querem ver o circo pegar fogo e ficar atirando pedras no capitalismo malvado.

Disputa longe do que os democratas sonhavam

O mundo ruiu sobre o governo Bush com a quebra em Wall Street. Seria de se esperar que a candidatura republicana despencasse e para desespero de Obama não é o que está acontecendo. Bush contrariou a expectativa de inação que se esperava dele e foi rápido da formulação de um plano que acalmou os mercados e tratou de jogar a bola para o Congresso.

Com o presidente na ofensiva, os democratas ficaram meio perdidos. Primeiro Obama anunciou que não iria a Washington para ajudar na aprovação do pacote; diante das críticas negativas de que estaria colocando sua campanha acima da defesa dos americanos mudou de idéia e foi. Ficou a imagem de um político indeciso, que não sabe exatamente o que fazer.

Até porque a presença que importava era justamente a de McCain por se tratar de um senador que tem trânsito dentro dos dois partidos, uma espécie de agregador no Congresso. Coisa que Obama definitivamente não é.

O democrata reverteu a subida de McCain nas pesquisas, assumiu a dianteira mas perdeu fôlego nos últimos dias devido a trapalhada na negociação do pacote. A última pesquisa Gallup coloca ambos com 46% no voto popular, o que não significa muita coisa, apenas que a disputa está dura. No Real Clear Politics, Obama tem 228 cadeiras contra 174 de McCain. O problema é que nos estados empatados o republicano lidera por estreita margem na maioria. Retirando o empate técnico o site prevê uma vitória de Obama por 273 x 265, resultado apertadíssimo.

Os democratas estão com a faca no pescoço. Se a crise amenizar os louros vão para Bush e seu pacote, com dividendos para McCain. E se piorar? O risco é a população entender que não só Obama torceu contra a economia americana como seu partido agiu para sabotar o plano de socorro. A linha é tênue e as peças estão se movimentando com muito cuidado.

O fato objetivo é que com toda a impopularidade do governo Busho, uma crise econômica sem precedentes, seu candidato ainda se mostra competitivo, com chance reais de vencer a disputa. Só isso é o suficiente para deixar o comitê Obama seriamente preocupado.

Adivinhem quem pagará esta conta?

A Comissão de Anistia aprovou ontem reparações econômicas para 39 ex-companheiros do presidente Lula nas greves do ABC, nos anos 70 e 80. Para 27 deles, as indenizações aprovadas são de R$264 mil e mais R$2.078 por mês. A indenização mais alta é de R$474 mil, mais uma pensão mensal de R$2.200, para Francisco das Chagas Souza. Doze metalúrgicos terão uma indenização única, de R$78 mil, em média.

legado petista

O Globo:

A ONG Transparência Internacional divulgou ontem relatório em que o Brasil aparece em 80º lugar na lista dos países com os mais altos índices de percepção de corrupção. Pelo documento, o país caiu oito posições em relação ao ranking divulgado ano passado. Com um índice de 3,5 na tabela – mesma nota registrada em 2007, o Brasil está em pior situação que países como pobres como Butão, Botsuana, Gana e Seichelles. Na América do Sul, aparece acima de Argentina, Bolívia, Paraguai, Equador e Venezuela. Segundo a ONG, a mudança de posição no ranking pode ser provocada pela alteração da nota em outros países.

Comentário rápido:

Ah, mas pelo menos o governo está fazendo (o famoso rouba mas faz). Errado. Os custos da corrupção são pagos por todos nós. Não é por acaso que o tal PAC é só propaganda, o dinheiro não chega na sua finalidade. É o rouba, por isso não faz.

Fala Lula

A liberdade de imprensa pressupõe o aumento da responsabilidade de todos para que possamos conviver com ela.

Liberdade de imprensa não pode pressupor que alguém possa roubar informações e elas possam ser divulgadas sem que a pessoa que tenha roubado fique impune, porque senão você terá dois tipos de cidadãos no Brasil: um que estará subordinado à Constituição e à legislação e um que pode tudo.

A imprensa chapa branca correu para bradar aos quatro cantos: tá vendo? O presidente defendeu a liberdade de imprensa!

Há tempos que grande parte da mídia não faz mais do que repetir as palavras de Lula como se elas fossem expressão do seu pensamento. Esquecem que o pensamento não se expressa por palavras apenas, mas por atos também. E quais são os atos do Lula presidente? São a favor ou contra a liberdade de expressão (aqui em contexto mais amplo)? A favor ou contra a democracia?

É preciso ler sempre com atenção o que o apedeuta diz, ler as letras miúdas. Lula fala em aumentar a responsabilidade de todos, em roubo de informações. O crime, sr presidente, não foi o vazamento do conteúdo dos grampos mas os grampos em si. A ABIN não poderia ter realizado a escuta que realizou, este é o fato objetivo de toda esta lambança. Ele inverteu o problema! Deixa bem claro que a principal intenção do governo é descobrir qual foi o funcionário que entregou o material para a Veja.

Era fácil encontrar, saber quem fez o grampo, se o jornalista que fez a matéria dissesse quem é o cara (…) livrava todo mundo!

Livrava quem? Até hoje não escutei uma declaração dele no sentido de responder a pergunta essencial da confusão: quem deu a ordem de executar o grampo? Esta é a pergunta, sr presidente. Quem autorizou a grampear conversas do presidente do STF? Quem sabia? Este é o cidadão que está na classe de cidadãos especiais, de “que pode tudo”.

Lula faz discurso defendendo a liberdade de imprensa, mas ao mesmo tempo encaminha para o congresso um projeto de lei que vai no sentido oposto, o de punir jornalista que divulga o conteúdo de grampos ilegais. No seu mundo totalitário apenas os aparelhos oficiais do estado podem ter acesso ao que os cidadãos andam dizendo por aí.

Enfim uma boa notícia

O Tribunal de Justiça de São Paulo extinguiu nesta terça-feira, 23, o processo contra o coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna, o DOI-Codi – reduto da repressão militar. Por dois votos a um, a 1ª Câmara de Direito Privado da corte aceitou o recurso dos advogados de Ustra contra ação que busca responsabilizar o oficial por torturas e pela morte do jornalista Luiz Eduardo Merlino, ocorrida em 19 de julho de 1971. A votação no tribunal estava empatada.

Campanha?

Este tipo de charge está muito comum nos jornais de todo o país. Como não acredito muito em coincidências desconfio que há uma campanha orquestrada para demonizar as eleições. O que poderia vir de bom em convencer o eleitor que seu voto não só é inútil como todos os políticos são indignos de confiança?

Vivemos um momento muito perigoso em nossa frágil democracia, que está longe de ser consolidada de fato. A sociedade não confia nos três poderes, as instituições estão sendo arrasadas pelo petismo, a política nunca este tão mal avaliada. No meio disso temos um presidente extremamente popular em um partido que já não disperta a simpatia que já teve no passado.

Chesterton já advertia que o progresso exige a constante vigilância. Se quisermos que um poste fique branco é preciso estar sempre pintando de branco; se o deixar-mos entregue à própria sorte ficará preto.

Assim é a democracia. Se queremos avançar nos processos democráticos é preciso vigiar a democracia, praticá-la. Vigiar não significa virar bedel de eleições e ficar ditando mil regras que os candidatos não podem infringir. Significa deixar que o eleitor tome sua decisão com todas as informações disponíveis. A censura é um atentado à democracia.

Não se enganem. Há uma campanha em curso para enfraquecimento das instituições brasileiras e só há uma pessoa, um grupo político, que pode se beneficiar desta perda de confiança nos processos democráticos. Precisamos voltar a pintar o poste de branco.

Aprovação de Lula

É claro que são muitos os fatores que explicam estes números que estão sendo apresentados pelos principais institutos de pesquisa, embora eu ache que há exagero neles.

Os números da macro-economia estão positivos. Crescemos pouco, é verdade, mas estamos crescendo. A comunicação do governo está sendo bastante eficiente pois está nas mãos de profissionais que realmente sabem o que estão fazendo.

Chamo atenção neste post para dois fatores em especial que favorecem a alta popularidade do presidente atual.

A Mídia

Há meses que os principais jornais do país estão enchendo suas páginas e telejornais com as inaugurações intermináveis que Lula vem fazendo. Uma hora está na Bahia, outra em Santa Catarina. A impressão é que o tal PAC realmente existe e está de vento em popa.

O que os jornais não dizem é que em muitos casos estão sendo inaugurados protocolos de intenção, promessas de verbas. Políticos que inauguram placas de obra não são novidade na vida nacional, mas que inaugurem expectativas de crédito juro que não tinha visto.

A imprensa não contesta o presidente. Não há um gráfico mostrando que a execução do orçamento é ridícula, que muitas destas obras não irão para frente, que já foram inauguradas mais de uma vez. O que se vê é a foto de Lula com as mãos cheias de petróleo como se houvesse descoberto o caminho para as Índias.

Não é novidade que as redações estão tomadas pelo pensamento de esquerda, mesmo que muitos nem possuam idéia desta submissão. A conquista do discurso cultural foi quase completa e até para criticar a esquerda é preciso usar os termos definidos pela esquerda.

Ao evitar fazer cobranças ao Presidente, a imprensa passa a imagem de que ele não deve ser cobrado. Pior, ainda o protege de si mesmo. Quando diz um bobagem, o que não é raro, esta bobagem é retratada como um ato falho ou um excentricidade, deferência que nunca foi estendida a outro Presidente. Estes tinham suas declarações levadas a pior interpretação possível quando não colocavam palavras em sua boca que nunca foram ditas. Um exemplo é o famoso “esqueçam o que escrevi” de FHC.

A oposição

A oposição tem um grande parcela de culpa ao se convencer que sairia perdendo em confrontar o presidente. É um processo político curioso onde não se pode enfrentar o adversário; pior que perder um debate é não debater por medo.

Assim a oposição acabou endossando todas as políticas eleitoreiras e demagógicas do governo Lula. Não se discute o bolsa família, briga-se por seu uso. O mapa eleitoral da vitória de Lula em 2006 não deixa dúvidas de que a distribuição de esmola governamental foi determinante para o resultado. Trata-se de uma política de perpetuação da pobreza e compra de votos a prestações, mas onde estão as vozes para a denúncia?

Este papel vergonhoso dos partidos de oposição traduziu-se para o brasileiro como a constatação que Lula é o melhor que podemos conseguir. Não é a toa que um dos principais líderes de oposição está em franca aliança com o petralhismo em torno de um candidato à prefeitura. Se até seus opositores desistiram, se é que tentaram de fato enfrentá-lo, é por que o cara deve ser mesmo tudo isso.

Como este quadro não deve ser alterado durante as eleições, pois ninguém quer se arriscar a parecer anti-Lula, seus índices devem aumentar ainda mais neste final de ano. Qual o limite? Ninguém sabe. A esperança continua sendo que em determinado momento caia a máscara e o brasileiro possa ver a real natureza de seu mito.

O medo é que o brasileiro já tenha visto esta natureza. E gostado do que viu.

Fala Clóvis Carvalho

Folha:

Todo o movimento indica que Kassab irá ao segundo turno. O nível de aprovação à administração é significativo o bastante para se converter em apoio eleitoral, em voto. Em 2006, o Geraldo perdeu a eleição para presidente porque renegou a administração do Fernando Henrique. Agora vai perder a de prefeito por renegar a administração da cidade, que é tucana.

Comento:

Não sou tucano; o partido é um representante da social democracia que, infelizmente, constitui uma espécie de direita brasileira. Devido ao estranho fato de não haver partidos conservadores nosso escopo político vai da esquerda (PT, PC do B, PDT) à social democracia (DEM, PSDB). E o PMDB? Este vai de qualquer um que estiver no controle da máquina pública.

O governo FHC teve notáveis acertos no campo econômico, o principal deles a defesa da moeda. Minhas críticas são ao seu viés social nas políticas de saúde, educação, etc. Mas isso é outra estória.

O fato é que Carvalho tem razão; faltou coragem (para ficar na melhor hipótese) a Geraldo Alckmin em defender o que tinha de bom no governo de seu partido. O caso da telefonia foi típico. Lula demonizou as privatizações, Geraldo, como se chama então, só faltou concordar com ele. Aí veio aquela foto com os logos das estatais… no mesmo dia eu comentei que sua campanha havia terminado.

O PSDB nunca poderia ter deixado esta aventura seguir adiante. Deveria ter se comportado como um partido político e pensado politicamente. Havia risco de racha em São Paulo? Que se rachasse antes das eleições do que agora quando o candidato a prefeito do partido ataca a administração do próprio partido.

Que os tucanos dêem a Alckmin a irrelevância que tanto pediu quando terminar as eleições. Alckmin, você já era!