Blog do Cláudio Humberto:

Os diplomatas estão envergonhados com a subserviência do governo Lula ao da Bolívia, que ameaça expulsar 35 mil famílias brasileiras da região de fronteira. Em vez de ameaçar com a expulsão de bolivianos que vivem no País ilegalmente, o secretário-geral Samuel Pinheiro Guimarães enviou a La Paz o embaixador Oto Agripino Maia, entre 23 e 27 de abril, para pedir que a expulsão das famílias se faça de forma “humana, ordenada e cooperativa”. A expressão está em comunicado distribuído pelo Itamaraty às embaixadas, destacando que o governo brasileiro também “registrou o acatamento irrestrito da soberania boliviana e dos seus mandamentos”. Oto Maia, que tem ótimo conceito entre os colegas, mas se submeteu a esse triste papel, é subsecretário-geral das Comunidades Brasileiras no Exterior.

Pois é. E a imprensa em geral considerou Lula como um gênio das relações internacionais pela forma equilibrada e responsável como tratou a Bolívia. É muito fácil evitar conflitos quando se cede a todas as exigências. O grande problema é que além de contrariar os interesses nacionais, cria uma expectativa por novas pressões. Cria-se um ciclo. Como acreano só tenho um medo: que Morales resolva exigir o meu estado de volta. Por que se exigir…

Eleições na França

A França vai hoje às urnas eleger seu novo presidente. A disputa está entre Sarkozy, representando a direita, e Royal a esquerda. O comparecimento do primeiro turno foi de 85% mostrando que quando os candidatos conseguem despertar o interesse do eleitor, não precisa obrigá-lo a comparecer. O que dizer de nosso sistema que mesmo com o estado empurrando não chegou a este comparecimento?

A reportagem do Globo é dessas peças freqüentes da mídia engajada, o que fica patente nas opiniões dos franceses retratadas na matéria. São três opiniões à favor de Royal acentuando seu caráter humanista e duas pró Sarkosky, só que defendendo-o com argumentos machistas ou reacionários, como se todo o eleitor francês que vote nele seja por estes dois motivos.

E dentre estes três chamou-me a atenção a de um ’empresário’ que se diz eleitor histórico da direita e que passou a votar na esquerda ao conhecer o… Brasil! Segundo ele o que viu nas terras tupiniquins o encheu de revolta contra os efeitos do… liberalismo!

Ora, se tem uma coisa que nunca deu as caras por aqui foi justamente o liberalismo. Como pode ser classificado de liberal um modelo em que o estado tunga anualmente 50% do que é produzido no país e se mete até na educação sexual que os pais dão a seus filhos?

Só faltou a Heloísa Helena falando do modelo neo-liberal de FHC e Lula…

Assim começa o autoritarismo

Rosseau já dizia que a submissão de um poder por outro é o inicio do totalitarismo e o fim da liberdade. Pois vejam o que aconteceu no Equador.

O TSE havia caçado o mandato de 50 deputados de oposição ao presidente Rafael Correa. O Tribunal Constitucional (STF de lá ) entendeu que a cassação tinha sido política e derrubou a decisão do tribunal eleitoral. Os correligionários do presidente invadiram o TC e expulsaram os magistrados a pedradas. A Câmara destituiu os 9 juízes do tribunal, extinguindo-o. Rafael já convocou uma constituinte, onde com ampla maioria no congresso e apoio popular(90%) poderá fazer o que quiser.

Mais um exemplo na América Latina da democracia indo para o espaço.

Mais uma tragédia americana

Sinceramente não sei o que pensar destes desequilibrados que vez por outra aparecem nos Estados Unidos. Ontem aconteceu mais um destes momentos que mostram a humanidade em seu pior momento. Trata-se da tragédia na Virginia, onde um homem matou 32 alunos da universidade antes de se suicidar.

O que leva um ser humano a este ponto ainda é um mistério.Estão especulando sem parar e como sempre não chegarão a lugar nenhum. Haverá um inquérito, que é o lugar apropriado para tentar determinar o que aconteceu. E talvez tenhamos algumas respostas.

O Globo parece que ainda não aceitou a derrota no referendo do desarmamento e colocou como manchete principal a questão das armas. Dá até impressão que a arma dispara sozinha, ou que não se consiga comprar uma no mercado negro. O jornal carioca pegou carona de forma lamentável num acontecimento muito triste. Oportunismo barato.

A compulsão de alguns americanos à atirar em seus semelhantes vai muito além do acesso às armas. Jovens desequilibrados e angustiados existem no mundo todo, mas é espantoso que estes casos extremos se concentrem na América. Não há nem um padrão, acontecem em grandes e pequenas cidades, em escolas ou praças públicas, por doentes de todas as classes sociais.

Encontrar estas respostas é muito difícil. Geralmente os atiradores cometem suicídio e não permanecem para respondê-las. O ato começa covarde no assassinato de pessoas indefesas e termina da mesma forma, com a recusa de responder por seus atos.

Programa nuclear iraniano

Em 2003, A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) comunicou que o Irã ocultara um programa de enriquecimento de urânio por 18 anos. A questão é que este país integra o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que impede o desenvolvimento de armas nucleares por aqueles que ainda não possuem a tecnologia. O Tratado prevê o enriquecimento para fins pacíficos (produção de energia), mas deve ser realizado com acompanhamento e fiscalização da AIEA, à semelhança do que acontece com o Brasil.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirma que o propósito do programa nuclear de seu país é diversificar as fontes de energia. Como o país é rico em gás e petróleo e, recusou recentemente ofertas de urânio já enriquecido, aumentam as suspeitas que esteja visando o desenvolvimento de armas nucleares.

No fim de 2006, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou resolução prevendo sanções bélicas e tecnológicas ao Irã e determinando o fim do desenvolvimento do programa em um prazo de 3 meses.

Terminado este período a AIEA constatou que não apenas a resolução não foi cumprida, como o programa foi acelerado. Israel já trabalha com a hipótese que o ciclo de enriquecimento esteja concluído em um ano e que, vencida esta etapa o país se retire do TNP para desenvolver armas nucleares.

A questão é bastante sensível, e as potências ocidentais tentam impedir por vias diplomáticas o prosseguimento por este caminho. Em caso de fracasso, é provável que haja ações militares por parte de Israel e dos Estados Unidos. O que tornaria o Oriente Médio ainda mais explosivo do que é hoje.

A melhor coisa para a humanidade hoje é o sucesso da investida diplomática, pois parece cada dia mais improvável que as potências ocidentais assistam impassíveis o surgimento de uma potência nuclear na região.

Mais sobre o papa

Em artigo, o bispo Dom João Bosco Oliver de Faria tocou na lambança da tradução oficial do vaticano para o pensamento de Bento XVI sobre o divórcio. É impressionante que após tantos dias apenas um religioso católico tenha vindo a público esclarecer a trapalhada. Talvez se os padres brasileiros pensassem um pouco mais na fé do que nos “problemas sociais”…

O bispo de Patos de Minas(MG) levanta que os tradutores confudiram a palavra italiana “piaga“. Piaga significa “chaga” em português e não “praga” que no italiano é traduzido por “peste“. Parece bobagem mas não é.

O religioso lembra que o processo de divórcio geralmente é doloroso para as partes e, principalmente, os filhos. Segundo ele “a caneta que assina o divórcio tem como tinta a lágrima dos filhos“. Mesmo que a separação busque uma melhor situação ela acompanha a frustração de um amor que não deu certo.

Pois Bento XVI comparou o processo a uma chaga, que significa dor. O Aurélio define como: “ferida aberta; cicatriz deixada por essa ferida“. Tanto é esse o sentido que o papa utilizou que acrescenta a recomendação que os sacerdotes “ajudem espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados“.

Portanto, podem discordar quem quiser de Bento XVI, mas não se pode colocar como palavras suas o que não foi dito.

"Plaga" do Papa

“Por isso, é mais que justificada a atenção pastoral que o Sínodo reservou às dolorosas situações em que se encontram não poucos fiéis que, depois de ter celebrado o sacramento do Matrimónio, se divorciaram e contraíram novas núpcias. Trata-se dum problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai progressivamente corroendo os próprios ambientes católicos. Os pastores, por amor da verdade, são obrigados a discernir bem as diferentes situações, para ajudar espiritualmente e de modo adequado os fiéis implicados”.

Esta é a tradução oficial em português do discurso do papa no site do Vaticano. Pois os tradutores oficiais da Santa Fé precisam estudar mais para não errar desse jeito.

O papa utilizou o termo “plaga” em latim para caracterizar o segundo matrimônio. Pois o significado correto é “chaga, ferida, lesão” conforme o Dicionário Latino Português, de Francisco Torrinha. A própria tradução do discurso para outros idiomas no referido site confirma que era este o pensamento do religioso.

Pois a mídia brasileira resolveu cair de pau em Bento XVI por ter comparado o segundo casamento a uma praga. Até a OAB resolveu botar o bedelho na estória, o que não é novidade já que entidade se considera agora representante do povo brasileiro.

Pois Bento XIV é o líder maior da religião católica e cabe a ele orientar o pensamento de sua igreja segundo a moral que sua religião defende. E acabou. Fui católico até cerca de vinte anos e não me considero em condições de ficar criticando a orientação do papa. Suas palavras são dirigidas a seus religiosos e fiéis. Ninguém é obrigado a ser católico.

A Folha de São Paulo de hoje consegue a proeza de comparar o casamento ao futebol. Diz o periódico: “É como se seu time fosse vice-campeão de um torneio e, algum tempo depois, o campeão fosse declarado inexistente porque violou as regras do jogo.”

A Igreja considera o matrimônio um sacramento sagrado, baseado nas palavras de Jesus: o que Deus uniu não cabe ao homem separar. Quem quiser que interprete as palavras de Cristo como quiser. O papa tem o direito e o dever de dar sua interpretação aos seus fiéis.

O fato é que o casamento foi realmente banalizado na sociedade moderna. Não acho que facilitar ou dificultar a separação seja a solução, mas acho que as pessoas devem pensar mais ao tomar esta decisão. E é sim uma questão que cabe reflexão moral e, sobretudo, de moral religiosa. Seja católica, evangélica, judaica ou espírita.