O fim da era Fidel

Estou curioso pelas manchetes de amanhã. Chega ao fim, após 49 anos, a mais longa ditadura existente, a Cuba de Fidel Castro. Sai do poder o herói de muito intelectual de miolo mole do lado de cá do equador. Será que os periódicos terão coragem de chamar a coisa pelo nome? A Folha Online começou bem, em sua chamada se refere a Fidel como ditador. O portal da UOL levanta o legado ambíguo de Castro. Fico pensando, ambíguo em que sentido? O homem é o maior assassino vivo, a prova de que o estado totalitário, nas mãos de uma facínora, é capaz de números assustadores. Perto deles, monstros como Jack estripador e Mason não dão nem para saída. Não, o lugar de Fidel é ao lado de Hitler, Stalin, Mao, Ho Chi Min e tantos outros.

O argumento usado é que Fidel teria melhorado a vida em Cuba. Melhorou tanto que é preciso manter a população presa na ilha para não ficar sozinho com seus burocratas. Aliás, este para mim sempre foi o argumento definitivo contra o comunismo, a necessidade de evitar a fuga em massa de sua população. O homem é capaz de aguentar o diabo em sua terra, mas o socialismo foi bem além do que imaginava ser seu limite.

Amanhã é dia de dar nome aos bois. É simples. Chamou Fidel de monstro, está do lado da humanidade. Tentou pintá-lo com as cores da ambiguidade, é  comprometido idologicamente. Chamou-o de democrata, é caso de hospício ou um perigo.

É simples assim.

Hoje no programa Painel da Globonews foi discutido as eleições americanas até aqui. O programa dividiu-se em dois blocos, no primeiro centrado na decisão republicana em torno de John McCain e no segundo em relação à disputa democrata entre Hilary e Obama. Apresento a seguir os principais pontos levantados na discussão:

  • John McCain enfrenta em seu partido uma desconfiança muito grande em seu próprio partido. O perfil mais moderado o coloca em uma posição que poderia ser considerado de “esquerda” dentro do partido republicano. Até que ponto conseguiria mobilizar o eleitorado conservador para as eleições?
  • No entanto, é uma figura com um certo carisma, um herói de guerra, de reputação ilibada. Seu maior problema é carregar a rejeição do governo Bush. Por mais que esteja dissociado do presidente americano, faz parte do partido do presidente e será o candidato da situação. Sua capacidade de se colocar como um candidato de mudança da situação atual é muito limitada.
  • Barack Obama tem como grande trunfo sua extraordinária capacidade midiática. Percebeu bem a insatisfação que aparece de forma difusa na sociedade americana, causada pelos rumos econômicos atuais e pela concentração de renda dos últimos 20 anos. Apresenta-se como o candidato da mudança, uma ruptura da política tradicional.
  • O problema é que até agora não apresentou uma proposta programática para os principais problemas que serão debatidos nas eleições. Isto o aproxima de um perfil “populista”; de certa forma quer um cheque em branco para mudanças. Que mudanças e como são duas questões que começam a inquietar não só os conservadores, como parte do eleitorado tradicional democrata e dos independentes.
  • Hilary Clinton é a candidata mais preparada do partido democrata. Tem o sucesso do governo Clinton para comparar com a era Bush, o que é um discurso poderosíssimo. Seu maior problema é seu concorrente no partido. A chamada por mudança começa a se alastrar como uma possível onda, e nestas condições seu nome passou a ser associado ao estabilishment, à política tradicional.
  • Nem Obama se apresenta como candidato negro, nem Hilary como candidata mulher, mas ambos começam a sedimentar nestes eleitorados uma importante base. No cenário de uma disputa mais acirrada poderão radicalizar nestas questões, o que poderá custar caro mais adiante.
  • O eleitorado americano vai mais além do que os eleitores registrados que participam das prévias. Estes são mais mobilizados, e se configuram como uma força para impulsionar os demais nas eleições. Muitas vezes se escolhe um candidato forte na militância mas que não atrai o eleitor médio, aquele que define o resultado de novembro. Historicamente os candidatos que se localizam mais no centro do espectro político costumam ter melhores condições para convencer este eleitor.
  • Esta seria uma importante vantagem de McCain contra Obama, pois este se afasta muito deste centro. Poderá em uma eleição criar um temor em relação ao seu nome que favoreceria o republicano. Esta vantagem desaparece diante de Clinton, com perfil mais próximo do centro. Uma questão que se levantou é que hoje não existe uma resposta para o atual lugar do centro tendo em vista o problema crônico do Iraque (e Irã) e a crise econômica que se configurou no fim do mandato Bush.
  • Qualquer que seja o candidato democrata, ele será o favorito. Entretanto, uma radicalização do conflito entre Obama e Hilary poderia favorecer o candidato republicando que poderia atrair parte do eleitorado democrata descontente ou se beneficiar por uma abstenção.
  • A chave para a eleição é até onde o eleitor americano estaria disposto a ir em termos de mudança. Daria um cheque em branco a Obama? Daria seu voto às mudanças propostas por Hilary, estas mais concretas e identificadas com o ideário histórico de seu partido? Ou ficaria com McCain, acreditando que seu afastamento de Bush seria suficiente para garantir uma mudança em relação ao atual governo?

Foi um debate importante para situar o brasileiro que não acompanha o desenrolar dos acontecimentos na maior nação do mundo. Alguém como eu. Os pitacos que tenho dado, são pitacos mesmo, frutos de uma observação ainda muito superfical. Tenho começado a perceber que a sociedade americana está em um processo de mudança, fruto do descontentamento, que tem abalado aos poucos o “american way of life”. Mas este é assunto para outros posts.

Eleições americanas

O resultado da superterça está noticiado na imprensa. Do lado republicando, está quase definido o nome de John McCain para tentar suceder Bush. No lado democrata, Hilary e Obama estão em disputa acirrada, ainda sem definição, mas com liderança da sra Clinton.

Interessante esta pré-disputa pela indicação dos partidos. Nada lembra a brasileira. Só para ficar em 2006, um jantar envolvendo três eleitores decidiu pelo candidato do PSDB à presidência. A situação era tal que uma disputa aberta, como a americana, causaria um racha no partido. Não é privilégio dos tucanos. No PT só em 2002 teve uma prévia, mesmo assim de mentirinha, envolvendo Suplicy e Lula. A do PMDB nem se conta, acaba sempre em cadeiradas e disputa na justiça.

Voltando mais ao norte, na época em que não prestava muita atenção à política, eufemismo para alienado, tinha uma simpatia pelos democratas. Por que? Porque a mídia sempre retratou o partido com mais simpatia do que o partido republicano. Hoje já vejo o porquê. Cheguei até mesmo a torcer para o bestalhão, e agora esperto, Al Goore. Nas últimas cravei democrata novamente, felizmente perdi. Por pior que Bush tenha sido, e não foi tão ruim quanto a imprensa o vende, pior seria um democrata que inventava estórias para se vender como ex-prisioneiro de guerra.

Por que fico com os republicanos? É uma questão que vai além de nomes, chego aos princípios. Ortega Y Gasset cita em sua obra magistral, A Rebelião das Massas, o seguinte pensamento de Dupont-White: “A continuidade é um direito do homem; ela é uma homenagem a tudo que o distingue do animal.” O francês queria dizer que o rompimento completo com a tradição era um negócio muito perigoso, que não podia se dissociar de alguns séculos de evolução no pensamento humano, enfim da tradição com que o ocidente se formou.

A humanidade não é perfeita, longo disso, mas é inegável que evoluiu muito dos tempos das cavernas para cá. Essa estória de bom selvagem do Rosseau não me convence, não é a sociedade que perverte o homem, mas seus próprios atos. Sócrates e Cristo deixaram bem claro: a verdade está em cada um de nós.

Portanto desconfio sempre do Estado organizado, o Leviatã de Thomas Morrus. Não creio em uma superioridade moral do estado sobre os indivíduos, ainda acho o liberalismo a mais natural das políticas. Baseia-se na liberdade de troca das pessoas envolvidas; não acho que o estado se envolvendo como ator nesta troca faça o mundo melhor do que é.

Hoje o politicamente correto surge como uma força que sobrepõe à consciência individual. Não basta que eu aja dentro de determindas regras da sociedade, querem meu pensamento também. Cada vez sobra menos espaço para a liberdade de ser, cada vez o estado é mais presente e ameaçador.

Este é o lado do partido democrata, o fortalecimento do estado e sua presença cada vez maior em toda a sociedade. O mundo é injusto, cabe aos políticos, através do estado, corrigi-lo. Pois acho que a tradição, os valores que servem de esteio para o mundo ocidental, não podem ser abandonados como estão sendo. A destruição da família, a cada vez maior fragilidade de seus laços, nada disso torna a humanidade melhor.

Os republicanos ainda falam destes valores. Posso discordar de algumas posições, com a pena de morte, mas reconheço a importância de que se defenda valores. Não vejo isso nos democratas, pelo contrário, vejo a constante deterioração e desprezo por estes valores, a busca de um futuro ignorando a herança do passado. Um futuro em que não me reconheço, onde a sociedade disciplina o cidadão, e não sua própria consciência.

Nenhum dos dois partidos estão livres dos demagogos, dos aproveitadores, dos incopetentes. Ao contrário do Brasil, os políticos não são absolutos em relação aos partidos e estes partidos possuem seus ideais. Pois fico com os valores e não ao novo mundo possível. Ainda acho que o problema da humanidade está em cada um e não em uma sociedade a ser reformada.

Mais uma do Josias

Sempre que quero saber o que pensa um jornalista de esquerda leio o blog do Josias. Primeiro porque escreve com certa qualidade, sem a brutalidade habitual dos partidários do “novo mundo possível”. Segundo, e principalmente, porque é mestre na tática de dar sua mensagem nas entrelinhas. A melhor propaganda é aquela que não é explícita.

Ontem resolver falar das agressões de Chávez à Colômbia. Um “companheiro” raivoso defenderia o presidente venezuelano. Josias é de outra turma, aquela que pinta o quase ditador como um mal, ou usando a nova expressão, um socialista carnívoro, para marcar ponto para o socialismo vegetariano, ou seja, Lula e cia. Vejam o pensamento lapidar:

Às voltas com problemas internos, Hugo Chávez adota a mesma tática de seu arqui-rival George Bush: busca um inimigo externo. Tenta produzir fora da Venezuela uma encrenca que desvie o olhar dos venezuelanos dos dramas que os rodeiam –da ineficiência administrativa ao desabastecimento das gôndolas de supermercados e prateleiras de farmácias.

Nada melhor do que atrair a simpatia do idiota latino-americano do que atacar os americanos, se republicano melhor ainda. Onde cabe esta comparação entre Bush e Chávez? O primeiro é um presidente eleito que, mesmo no auge de sua popularidade, nunca buscou revogar a democracia do seu país. O segundo promoveu um plebiscito para perguntar se seu povo aceitaria abrir mão dela. Não fosse o rei Juan teria conseguido. O primeiro teve seu país atacado impiedosamente, no ato mais odioso desde as bombas de Hiroshima e Nagasaki, e com as imagens transmitidas para todo o mundo. Bush é bastante claro em seus atos, combate o terrorismo internacional, com sucessos e insucessos. Chávez é aliado de grupos terroristas em forum internacional, pior, defende seu direito de existência como um “grupo beligerante”.

Se o post do blogueiro é sobre o problema de Chávez com a Colômbia, por que colocar Bush no meio? Você reconhece um esquerdista brasileiro quando para criticar um socialista sente necessidade de criticar também um conservador (ou direitista, como queiram). É como se pedisse licença para a crítica. Apenas um esquerdista pode criticar outro esquerdista. Caso contrário não pode, é coisa de reacionário.

Um pouco mais de honestidade intelectual não faria mal nenhum ao colunista. Será que a esquerda não consegue defender sua visão de mundo sem torturar fatos e atacar seus adversários? Esta incapacidade não seria a maior evidência de sua falsa visão de mundo?

Mãos dadas com o mal

O presidente Lula afirmou ontem, em visita à Cuba, que pertence a uma geração “apaixonada pela Revolução Cubana”. Sobre a violação dos direitos humanos (espécie de eufemismo para assassinatos de cidadãos pelo estado) prefere o silêncio. Nestas horas lembra que não cabe a ele dá palpites sobre questões internas. Esta regra só vale para os aliados. Não vale, por exemplo, para a Colômbia; ou para os Estados Unidos; ou ainda para os europeus. Assim temos uma aliança com a única ditadura do continente, mas se rejeita qualquer democracia séria.

Mas Lula tem razão em um ponto, sobre a geração “apaixonada pelo Regime Cubano”. Esse mal não é exclusivo dele, muito pelo contrário. Atinge uma grande massa de intelectuais, jornalistas, formadores de opinião. É uma lástima. Hoje se tem uma boa idéia dos métodos do monstro caribenho, o suficiente para ser rejeitado até pelo coisa ruim, que recusa-se a recebê-lo em seu reino. Mas a realidade não comove esta turma.

Afinal, ditadura mesmo foi a brasileira, com seus 500 mortos (exagerando bastante) em 21 anos. Cuba? É um sucesso, não estão vendo?

6 – 2 = 4

Esta equação mostra bem a vergonha, ou falta desta, promovida pela mídia nacional e internacional. As FARC libertaram 2 reféns, e acabaram de seqüestrar 6! E agora Hugo Chávez? E agora Celso Amorim? “top top” Garcia? Lula? Oliver Stone? Alguém?

Impecável

COMUNICADO OFICIAL

“Todos os grupos violentos da Colômbia são terroristas. Terroristas são as FARC, a ELN, os paramilitares em processo de desmantelamento. São terroristas por atentar contra uma democracia respeitável e por seus métodos de extermínio da humanidade.

Colômbia tem uma democracia que avança com segurança para todos os cidadãos, respeitadora das liberdades e do pluralismo, marcada por construir a coesão, esforçada pela transparência e respeitosa da independência das diferentes instituições que formam o Estado.

O uso da força ou somente a sua ameaça contra esta democracia é puro terrorismo. No continente houve grupos violentos que, por lutar contra ditaduras, foram qualificados de insurgentes. Na Colômbia os grupos violentos atentam contra a democracia, em conseqüência, a qualificação que merecem é a de terroristas.

Os grupos terroristas da Colômbia são terroristas porque se financiam de um negócio letal contra a humanidade: o narcotráfico.

Os grupos violentos da Colômbia são terroristas porque seqüestram, põe bombas indiscriminadamente, prendem e assassinam crianças, assassinam mulheres grávidas, assassinam velhos e utilizam minas pessoais deixando por onde passam milhares de vítimas inocentes. Todas estas práticas violam os direitos humanos e o direito humanitário, que é apenas um atenuante da crueldade.

Os grupos violentos da Colômbia são terroristas porque destroem o ecossistema, tendo devastado milhões de hectares de selva tropical para plantar coca e produzir cocaína.

Os grupos violentos da Colômbia são terroristas porque o único que tem produzido para o país é o êxodo, a dor, o desemprego e a pobreza.

Os grupos violentos da Colômbia são terroristas porque seqüestram em qualquer parte, não tendo inconveniente em seqüestrar venezuelanos na Venezuela, equatorianos no Equador; sua luta não é ideológica; ao contrário, é acumular dinheiro proveniente da crueldade e dos negócios ilícitos. Isto demonstra que seu objetivo é o terrorismo transnacional e não uma luta política na Colômbia.

Os grupos violentos da Colômbia são terroristas. As guerrilhas trocaram suas velhas idéias de revolução marxista pelo mercenarismo financiado pelas drogas ilícitas, além de engendrar o terrorismo paramilitar.

O Governo da Colômbia por nenhum motivo aceita que destes grupos se levante a qualificação de terroristas e se dê a eles o status de beligerância.

O Governo da Colômbia, com suas Forças Armadas e sua Constituição, continuará a luta até derrotar estes grupos terroristas que tem recebido as mais generosas ofertas de paz, como demonstra o tratamento cheio de solidariedade a 46.000 desmobilizados.

Neste momento, o mundo não pode esquecer os 750 cidadãos seqüestrados pelas FARC nos últimos 10 anos, que seguem desaparecidos. A liberação de Dona Consulelo González de Perdomo e Dona Clara Rojas, que todos os colombianos celebramos, não pode ocultar o horror do seqüestro de que foram vítimas por tantos anos, nem tampouco ocultar o tratamento de tortura que os terroristas das FARC dão aos membros da Força Pública e aos dirigentes políticos seqüestrados por eles: permanecem acorrentados dia e noite em jaulas, como tão bem testemunharam as duas reféns liberadas.

O Governo da Colômbia trabalhará com a Igreja Católica na busca de uma zona de encontro, sobre a base de que a gestão humanitária que levem adiante os prelados não tolerará parcialidade a favor dos terroristas das FARC”.

11 de janeiro de 2008.
Imprensa Presidencial de Colômbia

Delírio de Chávez

“Solicito aos governos do continente (latino-americano) que retirem as Farc e o ELN da lista de grupos terroristas do mundo; peço à Europa que retire as Farc e o ELN da lista de grupos terroristas do mundo porque essa lista tem uma única causa, a pressão dos Estados Unidos.”

Eis aí Hugo Chávez. A imprensa trata o assunto como se o venezuelano tivesse apenas alguns contatos e uma simpatia pelas FARC, a verdade está estampada. São sócios em um projeto político, é um interlocutor de um movimento que ao mesmo tempo é terrorista, criminoso e revolucionário.

Os países que possuem uma lista de grupos terroristas são democracias, e as FARC não reconhecem uma democracia, no caso o governo legalmente constituído da Colômbia. Querer associar Chávez com qualquer projeto democrático (como o faz outro sócio, o presidente brasileiro) é agir com muita cegueira ou má fé. Não se pode reconhecer como legítimo um movimento que mantém 700 civis como reféns. Exércitos fazem prisioneiros de guerra, são expressão militar de uma nação. As FARC espalham o terror, praticam seqüestros de civis (inclusive idosos e crianças), estão associados de maneira indissolúvel com o tráfico de drogas e pregam uma revolução comunista, sem a participação popular (como sempre).

O bufão de Caracas quer que se considere legítimo a existência de um exército, financiado por dinheiro do tráfico de drogas, para lutar contra um governo legal e democraticamente constituído, transformando o país em uma guerra civil.

Só isso.

Editorial do Estadão:Bush no Oriente Médio

“A justa resposta inicial dos Estados Unidos aos ataques terroristas de 11 de Setembro, com a invasão do Afeganistão e a perseguição aos terroristas do Taleban, foi seguida pela injustificada Guerra do Iraque, ameaças crescentes ao Irã e por uma série de iniciativas negativas.
Mais de seis anos depois, não só Osama bin Laden e outros mestres do terror continuam à solta como o Iraque ocupado se converteu num matadouro, com milhares de civis mortos em atentados terroristas. O terrorismo, vale lembrar, não existia naquele país até então.”

A mídia é unânime em afirmar que a invasão do Iraque foi um erro monumental de Bush. Quando a mídia é unânime, eu aprendi que devo desconfiar. Até hoje só li um texto, e escrito depois do insucesso da ocupação americana, que reme no sentido oposto. Foi o de Ali Kamel em seu livro “Sobre o Islã”. Ele argumenta que com os dados que Bush dispunha em 2003, fruto de trabalho do serviço secreto e discursos do próprio Sadam, não só ele quanto qualquer outro presidente americano faria o mesmo. A grande questão era a suspeita que o Iraque se tornasse abrigo e apoio para Bin Laden; se com o apoio do miserável Afeganistão foi possível o 11 de setembro, o que aconteceria com um apoio bem mais substancioso, o Iraque? Se hoje não foram encontradas provas desta associação, não significa necessariamente que não existisse, não se faz aliança com o terrorismo com papel passado em cartório.

Sobre a ocupação em si, realmente não ficam dúvidas. Bush errou, e feio. Na tentativa de minorar o emprego de tropas, e evitar estragos como o Vietnã, confiou demais na tecnologia e usou infantaria de menos. Imaginava que após a derrubada de Sadam, os próprios iraquianos reconstruiriam sua nação. Mas que iraquianos? Anos de opressão acabara com toda a elite nacional e com as próprias instituições, não havia mais ninguém para conduzir o país, exceto, naturalmente, os pró-Sadam.

O que acho estranho é fácil esquecimento do que era o Iraque de Sadam. O editorial afirma que não havia terrorismo no Iraque. Esqueceu do terrorismo do estado contra seus cidadãos, o mais odioso de todos. Quantos iraquianos foram torturados e mortos apenas por se oporem ao ditador? O que existe hoje é a reação de grupos extremistas contra a democracia, esta sim a grande inimiga. Dizer que o Iraque se tornou um matadouro por causa da ação americana é torturar a história. Uma ditadura é sempre um matadouro contínuo por não aceitar a divergência.

O grande problema, após o fracasso do fascismo e do nazismo, o mundo que surgiu, bi-polar, levou os Estados Unidos a um grande erro: apoiar ditaduras que fossem contra a União Soviética. A aliança de uma democracia com o totalitarismo só podia dar no que deu, e o 11 de setembro foi um preço que pagaram por esta grande bobagem. Não questiono o apoio da URSS às ditaduras comunistas, estas por mais execráveis que sejam, possuem uma coerência: era uma ditadura apoiando a outra. O socialismo é totalitário em suas bases, pretende ser uma verdade universal e como tal não reconhece a divergência, e com ela a democracia.

O terrorismo islãmico não é dirigido contra os Estados Unidos, mas contra todas as democracias ocidentais, principalmente esta. Dizer que a invasão do Iraque foi um fracasso é questionável, em que sentido? O grande objetivo americano sempre foi claro: evitar novos ataques terroristas ao Estados Unidos. Até agora conseguiram. Eliminar todas as células terroristas é uma tarefa hercúlea, que exigiria a participação de todas as nações constituídas, como fazê-lo se muitas (inclusive a brasileira) possuem simpatias por grupos terroristas?

Por fim, outro argumento para o fracasso americano no editorial é a ameaça crescente dos americanos ao Irã. Não entendi. O Irã é governado por um perigoso megalomaníaco que, signatário do tratado de não proliferação das armas nucleares, mostra todos os sinais de estar desenvolvendo armas nucleares. Vale lembrar que o Irã admite que um dos objetivos nacionais permanentes de seu país é eliminar Israel do mapa. Quem está ameaçando quem?

Acho que a questão iraquiana merece uma reflexão mais séria, menos simplista, e mais realista por parte do jornalismo nacional.

Enfim, começou o show chavista

Foram libertados os dois reféns prometidos pelo embaixador das FARC, Hugo Chávez. Não foi o mega show que estava preparado desde dezembro de 2007, mas vai ser o suficiente para dar uma alívio para boa parte da imprensa mundial. Esta ficou um tanto frustrado por não ter podido fazer seu papel neste teatro de erros.

Era hora da imprensa saudar a libertação dos reféns, mas também de lembrar que os narco-traficantes possuem outros 700 em suas mãos. Fica claro que foi uma jogada de marketing da guerrilha, a mídia deveria fugir da tentação de se elogiar um grupo que usa do terrorismo e do seqüestro para afrontar a democracia em seu país.

O problema é que o discurso anti-imperialista e marxista das FARC atraem ainda muita simpatia. Não é a toa que Chávez é um dos heróis da maioria das universidades brasileiras. Como esse pessoal acredita que os fins justificam os meios, estes crimes são apenas um instrumento de pressão para manter viva a ilusão da utopia socialista.

The show must go on.