“Só sei que nada sei”

Não foi exatamente esta a frase do grande Sócrates, mas hoje apareceu um piada comparando a OMS com o digno filósofo.

Sempre é bom esclarecer que Sócrates não exaltava a ignorância, tratada de outra coisa. Para ele, a filosofia nascia do espanto. Da pessoa perceber que a explicação para um determinado fato não correspondia à realidade percebida por ele. Somente quem está disposto a admitir a ignorância sobre um determinado assunto poderá filosofar sobre ele, pois saberá que não tem a resposta.

A OMS é exatamente a anti-filosofia. Ela não só desconhece a própria ignorância como também acredita saber.

O resultado é este desastre mundial.

Uma nota para examinar

A distinção entre direita e esquerda remete à revolução francesa, refletindo a composição da assembléia geral.

Ocorreu-me que esta distinção já está presente na parábola do filho pródigo e do irmão do filho pródigo.

A direita é o filho pródigo, que peca e volta arrependido.

A esquerda é o irmão do filho pródigo, que não aceita que ele seja perdoado.

Preciso examinar melhor este insight.

Conto da Semana: Alexis _ o “pote” (Tostoi)

Tostói nos conta a história do jovem Alexis, apelidado o “pote”, que sofre nas mãos de todos, mas nunca reage. Ao contrário, tem uma postura alegre e sempre disposto a servir. Quanto mais ele trabalha, mais é maltratado pelos pais, patrões e amigos. Seu único momento de individualidade é o desejo de se casar com a cozinheira da casa que trabalha, mas até isso lhe é negado. Dias depois, cai do telhado e morre, conformado com sua situação.

Alexis é o santo da visão de Tostói, um homem que aceita sua condição e sempre oferece a outra face, evitando conflitos. O problema é que lhe é negado uma das virtudes essenciais de um verdadeiro santo, a esperança. O que resta é o retrato da brutalidade das pessoas para com os humildes e a falta de sentido para o sofrimento. Alexis resume-se em ser bom, o que é admirável, mas algo está fora do lugar, algo falta na visão de Tostói.

Falta justamente a abertura para o transcendente. Alexis não se pergunta porque sofre e nem tenta se comunicar com Deus, suas orações são apenas em gestos, sem palavras. O que seria uma oração em gesto? O homem se comunica com Deus pela palavra, nem que seja em pensamentos, mas nada disso tem o pobre Alexis, apenas a submissão total às situações da vida, ao destino que se manifesta.

Tostói nos mostra o mal, mas nos nega a esperança.

O Mal do Òdio

Uma das coisas que mais me incomoda é quando percebo que deixei me levar pelo ódio. Neste momento costumo parar e refletir. Como cheguei neste estado?

O problema do ódio é que ele eleva a valor absoluto o seu objetivo. Passamos a nos consumir e viver em função daquilo que odiamos. É o caminho para a idolatria!

Existe uma coisa chamada justa revolta, mas é justamente quando a sentimos que temos que apelar à nossa prudência e respirar sete vezes sete. O ódio nos torna semelhante ao que odiamos. É preciso sempre quebrar esta corrente.

5 Notas de Sexta: Grace Kelly, Parsival, Poesia, Indústria 4.0 e Schumacher (o economista)

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

Um filme que asssisti

Está disponível na Amazon Prime o clássico To Catch a Thief (1952) do grande Alfred Hitchcook. Além de Cary Grant, o filme conta com a belíssima Grace Kelly no auge da beleza. Como não se apaixonar por ela?

Um documentário que assisti

Existe uma série de 30 documentários que a apresenta a ópera de maneiras não convencionais, claramente feita para despertar a curiosidade. Trata-se de This is Opera, uma série espanhola apresentada pelo simpático Ramon Gener. Esta semana assisti o episódio que ele trata de Parsival, do Richard Wagner. Ainda ganhei uma passeio pela história do castelo de Montsegur, abrigo dos cártaros.

Tentando desenvolver a leitura da poesia

De todos os gêneros literários, a poesia é o que tenho maior dificuldade. Tenho por ela uma mistura de fascínio e incompetência. Retomei a leitura de Basic Concepts of Poetics, tradução inglesa do alemão Geiser (também não ajudo né?), enquanto sigo na leitura de sonetos do Camões.

Um conceito que tenho estudado

Por razões profissionais tenho me aprofundado em entender o conceito de indústria 4.0 ou 4ª Revolução Industrial. É um tema fascinante, diz muito do que estamos vivendo e o que vem pela frente. Só para ter uma idéia, a palavra chave é crescimento exponencial.

Pensamento da semana

Se os vícios humanos como cobiça e inveja são sistematicamente cultivados, o resultado inevitável é nada menos que o colapso da inteligência.

E. F. Schumacher

Defensor da cloroquina?

Tenho escrito para amigos no facebook sobre as críticas ao estudo da Lancet que fez a OMS suspender as pesquisas com a hidroxicloroquina ou cloroquina. Ontem a própria lancet veio a público manifestar preocupação com o estudo e que está promovendo uma auditoria independente dos dados.

Um amigo perguntou porque eu defendia tanto a cloroquina.

Perguntei a ele em que momento defendi cloroquina? Eu lá tenho conhecimento para dizer se o remédio funciona ou não? O que me incomodou foi a aceitação imediata de um estudo científico como se fosse expressão de uma verdade inconstestável. Quando o ex-ministro Mandetta começou a se colocar como porta voz da ciência, confesso que senti uma decepção.

Eu sou engenheiro, praticamente um filho da ciência, mas por isso mesmo me incomodo quando a usam desta forma. Ciência é dúvida, é incerteza, é tentar entender um fenômeno por meio de hipóteses, que se confirmam ou não em função de um recorte, de um conjunto de dados.

Quem usou o estudo da Lancet foram justamente os meus amigos que afirmam que ela não funciona. E o fizeram nos termos “está vendo? A ciência está provando que que não funciona! Os médicos são contra!”. Quem deu peso ao estudo foram eles, não eu.

Quando vi que cientistas, médicos e instituições teriam tratado dos casos questionaram o estudo, mostrei isso a meus amigos. Olha, não é bem assim… este estudo parece que tem problemas e quem diz isso não sou eu, mas gente que vocês costumam chamar de especialistas.

A cloroquina funciona? Eu sei lá, mas considerando as informações que tenho sobre seus efeitos colaterais, quero minha dose no primeiro sintoma. E só gostaria que o estado não me atrapalhasse nisso. Seria pedir muito?

Estou otimista

Não sei porque, mas hoje estou mais otimista que ontem. É meio inexplicável, mas creio que há algo no ar, um certo silêncio que antecede o fim de uma crise.

Pode ser uma esperança vã, eu sei, mas é uma sensação.

Minhas orações estão com nosso país, apesar de todos que vivem de sugá-lo. O bem ainda triunfará, mesmo quando tudo parece conspirar contra.