Leituras da manhã de domingo

  1. Suma Teológica (Santo Tomás de Aquino): dois artigos sobre a falsidade. Embora não exista falsidade da mente divina, ela existe no intelecto humano.
  2. Moradas do Castelo Interior (Santa Tereza): a santa discute a questão do arrebatamento.
  3. Anatomia da Crítica (Northrop Frye): no primeiro ensaio do livro, Frye apresenta sua teoria dos 5 modos e como eles se apresentam na tragédia e na comédia. Trata-se de uma ampliação da teoria de Aristóteles sobre os 3 modos da poética.

Um comentário sobre o caso da menina abusada

O caso da menina de dez anos abusada por um tio e que terminou em aborto foi muito triste e sobre este assunto não entro em qualquer discussão pública. No entanto, chamou-me atenção que um amigo comentou num grupo privado de whatsapp que seria uma discussão que transcenderia a religião. Não acho que ele entende o alcance de sua observação, mas se é religião, já é transcendente por natureza. Nada neste mundo que vivemos transcende a religião pois é justamente ela que nos liga ao que está além.

É uma confusão muito comum na cultura progressista dominante acreditar que a religião é um assunto de foro íntimo que deve ser excluída de qualquer discussão racional. Não pode. Se somos sérios com nossa religião, que é muito mais do que pertencer a uma instituição religiosa, temos que saber que ela refere-se a nossas crenças mais profundas, justamente aquelas que tratam de nossa origem e nosso destino. Nossa visão política, cultura e a té espirital derivam dessas crenças e nos moldam a ser o que somos.

Isso não significa, obviamente, que tenho qualquer direito de impor minhas crenças a você, mas significa que se quiser realmente me compreender terás que entender estas crenças e como elas se articulam no meu modo de pensar. Interditar esse aspecto é não querer entender e evitar uma discussão que tenha verdadeira substância.

Estas crenças não são necessariamente irracionais. Elas podem estar em escrituras sagradas, através de revelações, mas elas, ou muitas delas, tem suporte na razão. Não vejo porque não de possa discutir a racionalidade dessas crenças somente porque estarem na esfera proibida da religião. Ignorá-las não te deixará mais perto da verdade, apenas afastará visões que não quer discutir.

Portanto, independente da gravidade do caso da menina, a discussão pública pode ser impossível no ambiente intoxicante que vivemos, mas de maneira nenhuma transcende a religião. Pode ser debatido sem argumentos religiosos perfeitamente, mas não significa que a questão ficará mais clara por causa disso. A verdade tem um poder iluminativo próprio e ofuscar sua luz apenas nos afunda no reino a opinião e da confusão mental.

Enfim, recuperado do covid

Na loteria do covid, a maioria passa com alguns sintomas leves ou mesmo sem perceber.

Não foi meu caso. Não cheguei a ficar em estado grave, mas fui classificado como caso moderado e precisei internação. Precisei de oxigênio e fiz tratamento de infeção no pulmão, um quadro típico da doença.

Felizmente o tratamento deu certo e hoje estou na estatística dos recuperados.

Não relaxem com esta doença e tenham todos os cuidados. Não desejo a ninguém o que passei, inclusive a nível psicológico.

Espero que um dia estejamos todos livres desta praga.

Carta aberta a uma médica

Sei que existem muitos médicos que não acreditam em tratamento precoce para o covid, assim como tenho próximo alguns que tem sérias objeções de foro íntimo para aplicar qualquer tratamento que não tenha comprovação científica no maior nível possível. Eu nunca teria coragem de ser médico, pois sei o tamanho da responsabilidade que um médico assume com a vida de seus pacientes, muitas vezes navegando em um terreno exploratório, com poucas informações confiáveis. Conheço médicos sendo hostilizados por não receitarem hidroxicloroquina ou outro medicamento do gênero. Muita gente tem cruzado a linha com estes profissionais.

Só que tem outro lado também. Existem médicos que estão se arriscando para tentar salvar os pacientes utilizando todo conhecimento que possuem, seja da própria experiência ou da de colegas. Por mais que o paciente dê consentimento para estes tratamentos, estes médicos tem suas consciências para lidar, seus dilemas morais e a incerteza de muitos pontos. Hoje conversei com uma médica experiente, que está fazendo tratamento precoce, inclusive bem mais completo que simplesmente receitar o kit hidroxicloroquina + azitromicina + zinco. Ela me disse que faz semanas que dorme muito pouco, pois depois que faz a “ronda” por videoconferência com os pacientes, que costuma ir até tarde da noite, ainda tem que ler artigos recém publicados ou relatos de experiências que estão tendo sucesso. Ela está buscando a informação mais atual que possibilidade melhorar seus próprios tratamentos.

Na conversa que tivemos, ela desabafou: estou sendo chamada de curandeira, feiticeira, charlatã, mas não me importo. Só acredito que tenho que fazer o possível para curar meus pacientes e dizer a eles que devem ficar em casa esperando o ciclo do virus passar não é opção para mim, pois viola o que acredito de medicina. Nós já temos muito mais informações sobre o virus que meses atrás e lamento que muitas vida que se perderam pudessem ser salvas hoje com o que sabemos. Eu acredito que o paciente tem o direito de ser tratado e é o que estou fazendo com aqueles que me procuram.

Não vou entrar em nenhuma consideração política, apenas peço que respeitem os pacientes e os médicos que assumem os riscos de realizar o tratamento precoce, com que medicamento for. A esses médicos minha admiração e reconhecimento pela coragem de assumir esta atitude, mesmo que seja incompreendido por muitos. Você são meus heróis. Particularmente a Doutora R, que já mora em nosso coração.

Viramos estatística: o covid nos pegou

Confirmado mesmo está minha esposa e meu filho mais velho, os primeiros com sintomas. Ela, dor no corpo, cansaço, nariz entupido. Ele, dor no corpo. Fizeram o exame no início da semana e saiu a confirmação hoje.

Minha filha do meio está com bastante coriza e teve dor de cabeça. A filha menor não teve nada. Temos uma visita em casa, que está conosco há dois meses. Também sem sintomas.

Eu? Leve irritação na garganta e também uma leve dor de cabeça. Nem adianta eu e a filha fazermos exame, já sabemos o que virá.

Estamos fazendo tratamento, com acompanhamento médico, protocolo completo: hidroxicloroquina, azitromicina, vitamina z, d, invermectina. Não sei se essa negócio funciona, mas aceito meus riscos. Se for placebo, que seja.

No mais, vamos tocando. Esposa e filhos já melhoraram bem.

Dizem que o período crítico é do 7º ao 9º dia dos primeiros sintomas. Justamente neste fim de semana para a patroa. Vamos acompanhando e rezando para não termos nenhuma complicação.

Segue o baile.

5 Notas de Sexta

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

Uma disco que estou escutando

A trilha sonora de Era Uma Vez no Oeste, composta por Ennio Morricone. Uma das mais belas trilhas do cinema. O tema principal me arrepia toda vez que escuto.

Um filme que assisti

Em 1948, John For lançava Fort Apache, o primeiro filme do que ficou conhecido como a trilogia da cavalaria. Henry Fonda mostra a tragédia de um homem moralmente bom, mas consumido pelo ressentimento e desejo de glória, surdo aos conselhos do prudente Capitão York (John Wayne).

Vídeos que estou vendo no youtube

Quem me conhece sabe que meu grande ídolo no futebol é o Zico, mas poucos sabem que o segundo é Leandro. Nos últimos dias andei vendo videos sobre ele, o mais trágico dos heróis rubro-negros. Terminou a carreira cedo, aos 31 anos, por conta dos problemas crônicos no joelho.

Um livro que terminei

A Febre da Bola, do Nick Hornby. Um torcedor do Arsenal conta sua história através da obsessão que ele tem por seu time. Reflexões bem interessantes sobre a relação de um torcedor com seu time e como sua vida é afetada por esta relação.

Um pensamento

Assim morrem as verdades: quando não se podem mais pronunciar ao acaso.

Constantin Noica

Conto da semana: As 12 princesas bailarinas

No fim do século XIX, o poeta escocês Andrew Lang organizou coletâneas de contos de fadas, geralmente traduzidas por sua esposa Nora. Estas coletâneas foram dividas em cores, sendo The Red Fairy Book, ou o Livro Vermelho, a segunda delas.

Os contos de fadas geralmente não tem autor definido. São estórias que atravessam gerações, geralmente passadas por contadores ou poetas, que terminaram tendo alguma versão final escrita por estudiosos do folclore, como os irmãos grimm. São fontes preciosas de sabedoria e ricas em simbolismos da condição humana.

As 12 Princesas Bailarinas é o conto que inicia o livro vermelho. Uma estória de astúcia, persistência e disciplina para obedecer os conselhos que o personagem principal recebe para conquistar o coração de uma princesa.

Chesterton estava certo. Os contos de fadas são a melhor fonte de moral que temos produzida pelo homem, justamente por condensarem ensinamentos imemoriais.