Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)
1. Um filme que assisti:Frozen 2.
O filme é ok, não tem muito o que falar. O diferente é que foi num drive in. Última vez que vi um filme num drive in foi em 1982. Levei as filhas, que logicamente nunca tinham ido. Adoraram a experiência.
2. Um disco que ando escutando: Bomber, do Motorhead
Espremido entre dois discos marcantes da banda, Overkill (1978) e Aces of Spades (1980), o Bomber acaba ficando meio esquecido por muitos fãs. Adoro este disco. Ele tem uma pegada bem rock´n´roll no centro do peso que a banda colocava em suas músicas. Uma combinação matadora.
3. Um livro que estou lendo: As viagens de Gulliver
Eu, sei, era para ter lido na adolescência. Pelo que li até agora, permito-me discordar. Tem muita coisa em Liliputh que está fora do alcance de um adolescente.
4. Uma presente que ganhei:
Uma amiga muito querida tem um ex-aluno que trabalha na análise técnica do Flamengo. Ela consegui através dele que os jogadores do time assinassem uma camisa, que ela me deu de aniversário. Presentão, né?
5. Uma frase que ando refletindo
I am convinced that intelligent, educated and literate englishman are neither left wing nor right wing, but are bored by politics, and regard all politician with scorn
Continuando o projeto de releitura do livro do Constantin Noica, neste segundo domingo reli a segunda doença, a todetite.
É a doença causada pela carência do individual, e que pode, chegar até a ausência efetiva “desta coisa aqui” (tode ti, em grego antigo), pela qual deviam realizar-se tanto o geral como suas realizações.
O homem que sofre de todetite tem um sentido geral, mas vive em função dele e ignora a realidade do individual. É a doença da perfeição, pois em função de um sentido geral, o individual sempre está falhando em algum ponto e é recusado. Ou seja, quando o individual não corresponde à teoria, pior para o individual pois a teoria não pode estar errada.
Quase todos sofremos um pouco desta doença na juventude, quando nos guiamos por ideais e queremos mudar o mundo para corresponder a este ideal. O sentimento típico da doença é a inadequação.
É a doença dos ideólogos e idealistas, incapazes de ver no individual os problemas das teorias gerais. Os revolucionários, como os retratados por Dostoievsky em Os Demônios, representam bem esta doença. Assim como o positivismo é uma manifestação no campo cultural.
Temos o primeiro feriado numa segunda-feira depois que os estados começaram a flexibilizar as medidas pouco efetivas de lockdown. Digo pouco efetivas porque é muito diferente aplicar estas medidas na Europa Ocidental e em cidades do terceiro mundo superpopulosas e que metade da população não tem acesso à saneamento básico. Nosso jornalista pretende ignorar que a grande parte de nosso povo não tem condições de ficar em casa, mesmo com ajuda governamental. Simplesmente não temos reservas para tanto, até porque não passamos do estágio de ter a infraestrutura resolvida, como acontece com Itália, Espanha e França. Somos um país de necessidades urgentes, o que nos torna bem diferente.
Desde o início, os mais entusiastas de um lockdown rigoroso foram justamente aqueles que podiam ficar em casa sem comprometer suas rendas. Não se trata apenas de funcionários públicos, mas também de prestadores de serviços que conseguiram, com maior ou menos facilidade, continuar trabalhando com um computador e internet. Outro exemplo emblemático: a quantidade de comentaristas e apresentadores de tv que estão trabalhando de casa. Só que esta não é a realidade da maior parte do nosso povo, não é?
Pois a mídia, espécie de porta voz da turma da histeria, empenhada em uma cruzada moral como nunca vi, percebeu nas praias lotadas no feriadão, especialmente no Rio de Janeiro, a nova panaceia para sua pregação militante. Estão vendo? O brasileiro é irresponsável! Acha que a pandemia acabou, que pode ir à praia como se estivéssemos em 2019! Não entenderam que agora é o “novo normal”, seja lá o que for esta invenção.
Devolvo a pergunta para os moralistas de pandemia: por que não deveriam ir à praia? A maioria destas pessoas estão trabalhando normalmente, enfrentando os riscos do covid sem terem opção. Os hospitais precisam das equipes de limpeza, dos técnicos de enfermagem e laboratório, das equipes de apoio. Da mesma forma, precisam trabalhar garçons, atendentes, funcionários do metrô, motoristas em geral. As pessoas continuam pegando o transporte lotado chegarem no trabalho, muitos para que a turma que critica possa continuar em casa fazendo seu home office. Afinal, como chega a comida em seu prato? Quem vai resolver o problema da net quando a conexão fica ruim? Como vai chegar a encomenda feita na amazon? Pois estas pessoas que trabalham normalmente, enfrentando toda dificuldade das grandes cidades, não podem ir à praia? É isso mesmo? Como ousam! Já os deixamos trabalhar e passar horas sacudindo nos trens e ônibus da vida, e ainda querem ir à praia? Que mal agradecidos!
Fico pensando apenas nestas pessoas que estão em casa. Quantas serão que não estão indo à praia durante a semana, aproveitando sua flexibilidade de horário. Percebem a hipocrisia? O mesmo repórter que com voz grave denuncia o povo irresponsável, se duvidar, curte sua praia durante a semana, mas com responsabilidade, claro!
Aliás, a turma do fique em casa também não está mais aguentando. Cada vez mais temos fotos e vídeos de famosos que emprestaram suas vozes para a cruzada moralista, participando de festas, passeios de barco, viagens. Eles podem. Quem não pode é aquele que está mais exposto à pandemia e não se pode dar o luxo de ficar em casa fazendo post de garrafa de vinho aberta no instagram.
Santa Teresa de Jesus compara nossa alma a um castelo com muitas moradas, que ela divide em sete grupos. Na primeiro deles, que chama de primeiras moradas, a pessoa ainda está imersa nos problemas do mundo e praticamente não encontra tempo para Deus. No segundo, já divide o tempo entre Deus e o mundo, sempre em conflito. A cada grupo, mais se afasta do mundano e se aproxima de Deus, sempre através da prática da oração, da reflexão sobre o divino, a prática da caridade e abertura para a graça, pois trata-se de uma jornada que o homem não consegue fazer sozinho.
O livro tem uma profundidade que não consegui captar inteiramente na primeira leitura. Falha do leitor, que muitas vezes deixou que seu estado de agitação perturbasse a leitura, assim como certa impaciência para terminar o livro, sempre um erro a ser evitado. Assim, não consigo caracterizar bem cada um dos grupos das moradas, apenas seu sentido geral de aproximação até a união com Deus.
É um daqueles livros que devemos ler várias vezes ao longo da vida. Esta foi apenas a primeira.
Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)
1. Um filme que assisti:Rio Grande(1950). John Ford conclui sua trilogia da cavalaria com mais um belo filme, que mostra como o Tenente-Coronel Kirby Yorke (John Wayne) lida com a ameaça dos apaches ao mesmo tempo que precisa resolver o conflito familiar que se instala com a chegada da esposa que não vê há quinze anos.
2. O que ando escutando no spotify: entre outras coisas, as duas primeiras sinfonias de Beethoven. Companheiras de leituras.
3. Um livro que terminei: A Festa de Babette, de Karen Blixen. Em 60 páginas, Blixen conta a estória do impacto que a cozinheira Babette provoca em uma aldeia filandesa. A fé precisa da alegria para gerar frutos, uma lição que as irmãs, filhas do antigo deão, esqueceu.
4. Uma descoberta. Alguém conseguiu organizar no spotify as aulas do professor José Monir Nasser. Estou escutando em minhas caminhadas a a aula sobre O Pato Selvagem, do Ibsen. Uma das peças mais dolorosas que já li, mas que pelos comentários de Nasser ganham uma outra dimensão. Cuidado com os militantes morais!
5. Uma frase que ando refletindo
Quão facilmente os homens vendem a liberdade, a única, a grande liberdade, por algumas liberdades.
No período de 1947-1950, John Ford gravou 3 westerns retratando a cavalaria. Ele tinha observado que nos filmes do gênero, a cavalaria era quase um deus que surgia do além para resgatar peregrinos e retornava para sabe-se lá onde.
Pois em Forte Apache, She wore a Yellow Ribbon e Rio Grande, ele vai retratar justamente a cavalaria.
Vamos descobrir que isolado nos fortes, não haviam apenas soldados, mas suas famílias. Ao mesmo tempo que havia treinamentos, adestramento dos cavalos, desfiles militares, haviam bailes, momentos na cantina, crianças brincando. Todo um ecossistema isolado do mundo.
Os filmes tratam de rituais, camaradagem, honra, dever. A busca pela glória surge, principalmente no primeiro filme, como uma deformação do dever. Os apaches passam por uma espécie de degeneração. No primeiro filme são honrados e querem a paz. No segundo, o problema é a nova geração, também contaminados pela vontade de glória. Em Rio Grande, o grupo todo está contaminado pela hybris e entregue ao efeito do ácool. Provavelmente é um grupo que se despreendeu, pelo radicalismo, da tribo maior. A negociação que ocorre nos dois filmes anteriores, já não é mais possível.
Os três filmes são estrelados por John Wayne, embora em Forte Apache o protagonista seja o Cel Thursday, vivido por Henry Fonda. Wayne vive nos três filmes um papel semelhante: a harmonia entre prudência, vontade e desejos. A prudência, no sentido clássico, é sua principal característica, como Odisseu voltando de Tróia. Já Thursday só tem a vontade. Ele quer ser herói, mesmo que arraste todo regimento para a morte.
No conjunto, os três filmes vão além do oeste. Tratam do propósito de uma vida, da forma justa de viver. A cavalaria pode ser uma metáfora para muita coisa: a comunidade, a família, a religião. É algo que dá sentido para a própria existência que deixada por si mesma estaria perdida.
Os filmes são também metafísica e nos mostram que, mesmo na dificuldade, pode-se viver uma vida digna se formos pessoas integrais, com propósito em nossas ações e amizade verdadeira pelos que estão cavalgando ao nosso lado. Os apaches são as dificuldades que estão sempre nos ameaçando, que por vezes podemos negociar e adiá-las, mas que no fim haveremos de enfrentá-las em um desfiladeiro ou rio qualquer.
Neste e nos próximos 5 domingos estarei relendo este pequeno (em tamanho) livro de Constantin Noica. Cada domingo dedicado a uma das 6 doenças do espírito, conforme ele as apresenta.
A primeira doença do espírito é a Catolite, a ausência do sentido de real. O homem tem a capacidade de escolher seu sentido geral para a existência e quando a idéia de qualquer sentido está ausente ou ele troca de sentido de acordo com a conveniência, temos a catolite.
Napoleão Bonaparte (e os tiranos em geral), Epicuro, Kiekergard, muitos cientistas, o filho pródigo, são exemplos. No plano da cultura, o existencialismo.
“Farei o que bem entender”, diz o filho pródigo, e parte para o mundo, libertando-se assim dos sentidos gerais de sua família e de sua comunidade, a fim de se dar determinações arbitrárias cujo alcance ele desconhece…
Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)
Um livro que terminei
A Nova História de Mouchette, de George Bernanos. Ela é infeliz na escola, tem uma família destruída pelo álcool, desprezada pela vila em que mora. Aos 14 anos, Mouchette tem que lidar com situações que estão acima de sua capacidade até de compreendê-las.
Um filme que assisti
The Founder (2016). Miachel Keaton vive o papel do ambicioso Ray Kroc, o homem que criou o império chamado MacDonalds. É interessante entender o que estava por trás da concepção original do restaurante e como os irmãos MacDonalds perderam a marca por serem incapazes de escalar o próprio negócio e deixarem Ray acuado em um canto da jaula. Não se faz isso com um tigre!
Modelagem em tamanho real do primeiro MacDonalds
Uma ópera que assisti
Parsifal foi a última ópera de Wagner. Cheia de fervor religioso, conta uma das inúmeras lendas do graal. Nietzsche rompeu com o compositor tamanha sua revolta com esta obra.
Um disco que andei escutando
Impressionante como Bob Dylan continua lançando trabalhos tão consistentes e bons como Rough and Rowdy Ways (2020). Passeando pelo blues, jazz, bluegrass, Dylan medita sobre as grandes questões humanas. Um disco, acima de tudo, elegante.
Um pensamento que andei refletindo
A leitura é a mais nobre das paixões
Antoine albalat
E você, o que andou fazendo? Coloca nos comentários!
No meio da revolta de escravos que garantiria a independência do Haiti, um jovem suiço, servindo no exército francês, busca refúgio em uma casa onde mora uma velha negra e sua filha mulata.
Trata-se de uma tragédia bem no estilo grega, onde a hybris leva uma pessoa a realizar um ato definitivo, incorrigível e tem que lidar com as consequências.
Além de um retrato da violência que foi a revolução haitiana.