Hospital, de novo!

Depois de passar uma semana internado em Agosto por conta do covid, eis que me encontrei esta semana novamente hospitalizado.

No domingo, meia noite, acordei com forte dores abdominais. Achei tinha sido um milho mais ou menos passado que tinha comido depois de um churrasco. Fui na emergência, tomei buscopan na veia, mas não melhorou.

Retornei ao hospital e fiz coleta de sangue, mas nenhum sinal que indicava algo mais grave. Quando estava no estacionamento, o médico me alcançou. Ele começou a suspeitar que poderia ser um processo inicial de apendicite e resolveu pedir uma tomografia.

Bem, errou o apêndice, mas acertou a vesícula. Foi internado à noite e na terça de manhã removi a dita cuja. Aproveitei para resolver uma hérnia umbilical que estava enrolando a meses.

Cirurgia foi tudo bem, já estou em casa, em home office por 15 dias.

Seguimos em frente.

As vestes e a graça

O Evangelho de hoje conta a parábola do reino de Deus como uma festa de casamento onde muitos são os convidados e poucos os escolhidos.

Um dos pontos centrais desta parábola é quando o rei interpela um homem que não usava as vestes da festa e manda açoitá-lo e amarrar seus pés. Por que o rei fez isso?

As vestes da festa simbolizam as graças que Deus nos envia ao longo de nossas vidas. Temos sempre o livre arbítrio para recusá-las, o que fazemos freqüentemente, para nossa desgraça. Ela não aparece tão claramente quanto muitos imaginam, na maioria das vezes é bastante sutil e revestida de um aspecto tão humano que custa-nos acreditar em sua origem transcendente.

Não conheço melhor estudo da graça (e de nossa recusa) na literatura do que os contos de Flannery O’Connor. Já no cinema, principalmente em seus contos morais, é Eric Rohmer que nos dá uma boa perspectiva.

Ambos nos ensinam a prestar atenção nas pequenas coisas, pois nelas pode estar escondidas as graças que Deus nos envia.

Um mergulho no lago Paranoá

Eu posso não ser o mais cuidadoso em épocas covideanas, mas também procuro me resguardar. Uso sempre máscara quando saio, procuro lavar as mãos, hábito que não tinha, fiquei meses sem pedir sushi (alimento cru manipulado), nada de clubes.

Tive covid, passei algum aperto, curei-me. Mesmo assim, procuro agir como agia antes, com todos os cuidados básicos.

Hoje, pela primeira vez desde que tudo isso começou, dei um mergulho. Não foi numa piscina, mas no lago Paranoá, em passeio de lancha com um casal amigo. As meninas adoraram e aproveitei a oportunidade para tirar do corpo toda energia negativa que acabamos recebendo ao longo do ano.

Não sei como será daqui para a frente, falam da tal segunda onda. Também não sei se existe re-infecção (a última vez que me falaram disso parece que eram 11 registros em 30 milhões de casos), mas aproveitei meu momento.

Será que viveremos em um mundo que ocasiões como esta serão raras? É o tal novo normal? Teremos sanidade mental para aguentar viver constantemente entre relaxamentos e endurecimento de medidas de confinamento?

Notas de Sexta!

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

1. Um restaurante que revisitei: Família Mancini

O trabalho levou-me para São Paulo esta semana. Eu e dois amigos chegamos no hotel, no Ibirapuera, às sete e meia da noite. Onde jantar? Lembrei-me do Restaurante Família Mancini, bem próximo. Cantina italiana de primeira, numa rua que foi reformada pela própria família. Pena que os bares estavam fechados e meus amigos não puderam ver a rua em sua condição natural da noite paulista.

2. Um livro que terminei de reler: As Seis Doenças do Espírito Contemporâneo, do Constantin Noica

Noica afirma que além das doenças físicas e psíquicas, existem também as doenças do espírito e estas doenças são exatamente seis. São as combinações possíveis entre ausência ou recusa dos sentidos geral, particular ou suas determinações. Ainda vou montar o quadro comparativo das seis!

3. Um filme que assisti: Um Olhar a Cada Dia (ou O Olhar de Ulisses)

Filme do cineasta grego Theo Angelopoulos. Confesso que não é um filme fácil de assistir e interpretar. Trata-se de um cinema evocativo, em que cenas do passado, presente e sonhos se misturam, nem sempre de forma clara. O tema do filme é uma odisséia de um cineasta grego pelos balcãs no auge das guerras provocadas pelo fim do comunismo.

Que cena!

4. Um disco que andei escutando: Street Fighting Years, do Simple Minds

O Simple Minds é uma das minhas bandas favoritas dos anos 80, mas confesso que não tinha parado ainda para escutar este disco de 89.

5. Uma frase que ando refletindo

The first thing God created was the journey, then came doubt, and nostalgia.

Niko, em Um Olhar a cada Dia

Small is beautiful, e vulnerável

Parece que a pandemia, seja pelo lockdown ou pela diminuição de pessoas circulando, além da queda do poder aquisitivo, afetou principalmente os pequenos negócios, as chamadas empresas familiares.

Com isso, mesmo na crise, grandes empresas encontraram o momento certo para expandir seus negócios comprando ativos abaixo do valor que tinham, pelo desespero dos pequenos em liquidar seus negócios.

Acho isso tremendamente ruim para todos nós.

Um mundo com menos empresas e concentração da propriedade nas mãos de poucos é justamente o que Chesterton, Belloc, Schumacher e outros alertavam.

A pandemia ajudou neste processo. Talvez seja, no longo prazo, o pior de tudo que estamos passando.

Questão de um momento

Sabem aquela noite perfeita, com as pessoas que você mais ama, mas num estante você se irrita por nada e fala uma bobagem que estraga tudo? Depois você passa o restante da noite remediando, mas sabe que fez bobagem e que aquela noite já está perdida pois de certa forma você quebrou o encanto.

Acho que é mais ou menos como funciona o mal no coração dos homens. Se não vigiarmos podemos cometer, em um momento, algo realmente grave e mudar nossa vida para sempre, mesmo que nos arrependamos e nos dediquemos realmente a reparar o mal feito. Nunca será como antes, mesmo que sejamos perdoados.

Por isso temos que ser vigilantes e impedir que isso aconteça. O mal só precisa de um momento de distração, um momento em que entregues à nossa vaidade nos deixemos seduzir e tudo perder.

Notas de Sexta

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

1. Uma disco que andei escutando bastante: High and Mighty (Uriah Heep)

Este é um dos trabalhos mais subestimados do Heep, inclusive pela própria banda. David Byron seria expulso logo a seguir por seus problemas com álcool e o ambiente já não estava bom. No entanto, considero um baita disco. A sonoridade está muito boa, o que ressalta a bateria de Keerslake, assim como os demais instrumentos. Gosto muito das composições e nessa discordo da crítica.

2. Um livro que estou lendo: O Reacionário (Nelson Rodrigues)

Trata-se de uma série de crônicas que em que Nelson relembra episódios de sua vida, pensamentos, mudanças na sociedade, tudo com o excepcional domínio que tinha de nossa língua. Particularmente tocante é a crônica em que descobre que sua filha nascera cega.

3. Um filme que assisti: O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas

Sete amigos iniciam a vida adulta após formarem na faculdade. Trata-se do início da maturidade, aquele momento em que existe uma tensão entre ilusões e realidade, que precisam ter algum equilíbrio.

4. Uma pizzaria que conheci aqui em Brasília: Don Giovanni

Já é minha favorita. Pizza italiana, do jeito que eu gosto: massa fina e crocante. O dono é italiano legítimo, o ambiente é agradável e tudo muito saboroso. Uma curiosidade é que ao longo do tempo, várias sugestões de clientes entraram no cardápio com o seus nomes.

5. Uma frase que ando refletindo

A ilusão moderna de abolir a condição humana é a raiz de sua própria tragédia.

Autor (quase) desconhecido

Dilema das redes: cadê o contraponto?

Há alguns anos atrás, assisti um documentário norueguês sobre o paradoxo da igualdade de gênero. Chamou-me atenção, independente da tese defendida, a forma como o tema foi tratado.

Paradoxo da Igualdade de Gênero,

Primeiro, após colocar a questão, o documentarista formula claramente a tese que defende: a desigualdade de gênero não pode ser explicada apenas pelo contexto social, também existem pré-disposição biológica.

Durante uma hora e meia, os pesquisadores e formuladores de políticas públicas da Noruega são entrevistados e a opinião e argumento deles são apresentados de forma honesta, sem distorções ou ironias. Só então o documentarista abre espaço para os que se colocam a favor da tese que defende, dando a eles o mesmo tratamento dado ao primeiro grupo.

O documentário ainda retorna aos defensores da desigualdade de gênero como produto social e apresentam a opinião dos cientistas que defendem o argumento biológico e abre espaço para que eles retifiquem ou mantenham suas opiniões.

No fim, o documentário retoma a questão e deixa aberta a pergunta para que o público possa decidir por si mesmo.

Para quem conhece, o que o documentário fez é bem próximo da estrutura da Suma Teológica de São Tomás de Aquino. Coloca a pergunta, coleta os argumentos em contrário, coloca a defesa da tese e refuta os argumentos levantados. Método realmente científico de tratar uma questão social.

Lembrei deste documentário esta semana refletindo sobre O Dilema das Redes, documentário que trata dos efeitos das redes sociais nas pessoas, particularmente na juventude. O Dilema é tudo que o Paradoxo não é em termos de estrutura.

E aí começa o seu problema.

O mito que leitura resolve tudo

John Stuard Mill começou a ler Platão e estudar grego aos 5 anos, obrigado por seu pai.

Cresceu convencido que era um reformador do mundo e publica um livro (Utilitarismo) defendendo que a moral é definida pelo máximo prazer.

Ler muito, e nas horas erradas, faz mais mal do que não ler nada.

Toda vez que me dizem que o importante é ler, lembro dele e pergunto: ler o que? Em que momento?

A pessoa confusa, responde:

__ Qualquer coisa!

E eu fico sinceramente na esperança que ela não esteja lendo nada.

Notas de Sexta!


Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

1. Uma banda que escutei bastante: Uriah Heep

Lee Kerslake, baterista da banda, nos deixou. Há alguns anos que lutava contra um câncer, que o obrigou a deixar as baquetas. Um dos meus bateristas favoritos. Deu uma repassada em parte do trabalho dele na fase de outro do Uriah Heep.

2. Um livro que terminei: A Anatomia da Crítica, do Northrop Frye

Escrito na década de 50, este livro mostra a necessidade da crítica literária expandir seus horizontes além do estruturalismo que dominava, e ainda domina, os estudos de literatura. Fascinantes suas observações sobre como uma obra se comunica com o todo da literatura através dos símbolos e arquétipos.

3. Um documentários que assisti: O Dilema das Redes

O documentário da net tem uma tese bem construída e convincente, mas peca ao não abrir espaço para o outro lado, o que acaba tornando-a, mesmo se estiver certa, em uma simples peça de propaganda.

4. Um canal que acompanho no youtube: Verbal to Visual

Este canal ensina a usar o desenho como forma de expressão e anotações. Para quem deseja trabalhar mais o poder criativo do cérebro. Só clicar aqui.

5. Uma frase que ando refletindo

A originalidade reside na maneira nova de exprimir as coisas já ditas

Antoine Albalat