Em defesa do absurdo

Já repararam que se entendermos que existem coisas na vida que estão além de nossa capacidade de compreensão estas coisas ou acontecimentos nos aparecerão como absurdos?

Que o absurdo não é uma prova da não existência de Deus, mas que Deus está acima de nossa capacidade de compreendê-lo.

É o que Chesterton nos mostra no impressionante ensaio Em Defesa do Absurdo, do livro O Defensor.

Vale cada linha.

Notas de Sexta

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

1. Um filme que assisti: Blue Jasmin

Eu tinha lido uma crítica do João Pereira Coutinho que esta era a primeira decepção com Woody Allen. Eu não achei tão ruim assim, mas realmente nem parece um filme do cineasta. Aparentemente Alec Baldwin também não consegue mais fazer outro papel além do financista boa praça e golpista. Para mim, mais um filme que mostra a insuficiência do materialismo com resposta para as questões centrais da vida. Ele pode servir quando as coisas estão bem, como acontece com Jasmin.

2. Um disco que ando escutando: Lound ´n´ Pround (Nazareth)

Lançado em 1973, nunca tinha escutado este disco. Estou gostando bastante, apenas achei a versão de Bob Dylan longa demais. Destaques para Free Wheeler e Child of the Sun. Manny Charlton é um guitarrista muito subestimado!

3. Um diálogo de Platão que reli: Protágoras

Também conhecido como Sofistas, este diálogo entre Sócrates e Protágoras, o sofista famoso, é uma defesa da paideia socrática contra a paideia sofística, que em certos aspectos parece muito com a concepção moderna de educação universitária. O diálogo trata também de uma das principais preocupação de Platão/Sócrates: a relação das virtudes com o saber. Afinal, a virtude pode ser ensinada?

4. Uma página que acompanho: American Conservative

Muitos artigos excelentes, particularmente sobre cultura e sua ligação com os dias atuais. Vale a visita.

5. Uma salmo que ando refletindo

Mas os desígnios do Senhor são para sempre, e os pensamentos que ele nos traz no coração, de geração em geração, vão perdurar. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e não a nação que escolheu como herança!

Salmo 32

Um filho do seu tempo

Uma das piores coisas que alguém pode falar é ser filho do seu tempo. Por dois motivos. O primeiro é que na prática ela está dizendo que não tem responsabilidade sobre o que faz, como se fosse induzida pelos costumes de sua época. A culpa é da sociedade.

O segundo motivo é de caráter ontológico. Ser filho do seu tempo é negar os valores eternos e considerar que a natureza humana pode ser modificada, justamente o que abriu as portas para as crueldades do século XX, onde as experiências de negação da realidade tomaram conta de grande parte do mundo.

Na sua essência, o homem é o mesmo desde sempre. É o sentido maior do livro de Eclesiastes: não existe nada de novo debaixo do sol. Neste sentido, também cito o salmo 32:

Mas os desígnios do Senhor são para sempre, e os pensamentos que ele nos traz no coração, de geração em geração, vão perdurar. Feliz o povo cujo Deus é o Senhor, e não a nação que escolheu como herança!

Para mim, os pensamentos que ele nos trás no coração é nossa consciência. Ela sempre está nos tentando avisar que estamos no erro, mesmo que façamos de tudo para silenciá-la. O mundo de hoje está repleto de episódios de negação da realidade, mas no fim, a verdade prevalecerá, como sempre acontece. Normalização da pedofilia, ideologia de gênero, aborto, tudo terá um fim, mas não sem muito sofrimento pelo caminho.

Debate público, no Brasil, é 99% ego

Esqueçam os temas dos debates, é irrelevante. Não se trata de discutir um assunto, tentar clareá-lo. Não sejamos ingênuos.

Os debatedores brasileiros, em geral, só tem um propósito: defender seus egos. É só isso, mesmo.

O debate é para provar que se está com a razão, ou sendo mais preciso, que se aparenta ter a razão. Nada a mais do que isso.

Isso aqui é uma várzea só.

Antes de discutir qualquer coisa, o Brasil precisava passar por um saneamento cultural. Os idiotas precisam ser reconhecidos como idiotas e ignorados. Enquanto isso não acontecer, ficamos com esta miséria aí.

A Universidade Moderna em Platão

Estou relendo o diálogo Protágoras, de Platão. Trata-se de uma reflexão sobre o sofista, uma espécie de profissional que existia nos tempos de Sócrates que ganhava dinheiro ensinando jovens a ganharem discussões públicas, independente da tese que defendessem.

Ou seja, o sofista não tinha compromisso com a veracidade do que ensinava e sim em ensinar o vocabulário para que o aluno apresentasse sua tese como verdadeira e ganhasse um debate.

Não sei porque, mas lembrei da universidade moderna. Até que pontos os professores, principalmente nos curso de pós-graduação, são sofistas?

Olhai se esta passagem não poderia ser um alerta a um jovem estudante que entra para uma universidade?

Mas se não estás, toma cuidado, venturoso amigo, para não por em risco o que te é mais caro numa jogada de dados. Asseguro-te que há um perigo muito mais sério na compra de ensinamento do que naquela de produtos comestíveis. (…) É obrigado, uma vez acertado e efetuado o pagamento, a absorver o ensinamento na tua própria alma, aprendendo-o. E então partirás, prejudicado ou beneficiado.

Conto da Semana: Biriuk, Turgueniev

Este conto faz parte do livro Memórias de um Caçador. Na verdade, o narrador anônimo faz mais do caçar animais silvestres, ele caça estórias da gente humilde da Rússia agrária.

Neste conto, ele conhece Biriuk, um guarda florestal admirado pela retidão e competência. Abrigando-se da chuva, o narrador descobre que ele vive pobremente, com a filha e um bebê que foi abandonado na frente de sua casa.

Durante a chuva, ele captura um camponês que cortava ilegalmente uma árvore e demonstra que por trás dos gestos rudes e fama de implacável, existe uma humanidade verdadeira.

Simbolismo e Alegoria

Ainda vou escrever um texto decente sobre este assunto, mas há uma enorme confusão entre alegoria e simbolismo.

A alegoria ocorre na literatura quando se cria uma estória para representar uma determinada realidade. O crônica mais famosa de Nárnia, O Leão, A Feiticeira e o Guarda-roupas, é uma alegoria da vida de Cristo. A Revolução dos Bichos uma alegoria à revolução russa.

Já o simbolismo é de outro patamar. Algo é simbólico quando remete a uma realidade, mas por uma força do próprio ente ou acontecimento. A água, por exemplo, entre outras coisas, representa a renovação. O fogo representa o espírito e assim por diante.

Infelizmente, na modernidade, o homem perdeu o sentido simbólico das coisas e quando muito consegue enxergar uma alegoria, o que empobrece a sua compreensão das grandes obras do espírito.

Vejamos o caso de O Senhor dos Anéis. Um pensador alegórico vai enxergar no livro de Tolkien uma alegoria ao nazismo, com os hobbits no papel do ingleses e Sauron de Hitler. Faz sentido, mas é muito pouco.

Pois o simbolismo que Tolkien desenvolve é de muito mais profundidade. O anel é um símbolo das idéias circulares, pequenas, mas que aprisionam a mente de quem a possui. Uma pessoa poderosa com um anel é um perigo para todo mundo, pois ele possui meios de ação para impor a idéia representada pelo anel. Por isso ele tem que ser destruído. Os muitos anéis da obra são ideologias, que corrompem até mesmo o mais inocente que o utiliza. Frodo, Aragorn e Gandalf simbolizam juntos o Cristo, através de seus três papéis: servo sofredor, rei e profeta. Toda a saga é o simbolismo da luta da matéria para derrotar o espírito, que sempre termina em fracasso, mas nem sem grande sofrimento.

Praticamente todo teatro de Shakespeare tem este sentido de revolta da Terra contra o Céu, mas somos incapazes de perceber porque perdemos a capacidade simbólica.

Muito do que estudo é justamente para adquirir esta capacidade de enxergar estes símbolos. Depois que você começa a conseguir, um mundo infinito se abre para você.

Voegelin: como é possível cultuar os filósofos da modernidade?

Terminei atordoado de ler o longo ensaio de Voegelin, escrito no fim de sua vida, que praticamente faz um resumo sobre seu entendimento da estrutura da realidade e do caminho do filósofo para entendê-la. Trata-se de Sabedoria e Magia do Extremo: uma Meditação.

Como sempre, ele parte de um problema real: o sonho utópico das ideologias. Como é possível tamanha deformação da realidade? Ainda mais por pensadores de primeira grandeza como Hegel?

A quantidade de iluminações que Voegelin apresenta, página depois de página, é para atordoar qualquer um e terminei a última frase sabendo que vou ler este ensaio até o fim da vida.

Como alguém pode se impressionar com Kant depois de ler Voegelin? Com Hegel? Marx nem falo porque é filósofo de terceira categoria.

Nem vou resumir este artigo aqui porque ainda não estou em condições para tal. Primeiro vou ler As Leis, do Platão, depois reler o ensaio com toda atenção para ser capaz de ter um entendimento que me permita fazer uma resenha digna.

Notas de Sexta!

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

1. Um filme que assisti: Mais ou Menos Grávida (For Keeps, 1988)

Título horroroso em português (nota mental: escrever um artigo sobre esses títulos que distorcem o entendimento do filme), mas uma bela estória sobre a forma como nos conectado e superamos as dificuldades que a vida nos impõe. Eu sou eu e minhas circunstâncias, já dizia Ortega Y Gasset.

2. Um disco que ando escutando: Once Upon a Time (Simple Minds, 1985)

Um dos melhores discos de rock dos anos 80. Gosto de tudo que a banda fez nesta década, especialmente do clima das músicas, as linhas de baixo, os vocais de Kerr e a guitarra delicada de Burchil.

3. Um livro que estou lendo: As Viagens de Gulliver

O livro é muito conhecido e pouco lido. Muita gente acha que trata-se apenas de uma viagem, em que Gulliver encontra humanos em miniatura e se torna gigante. Em realidade são várias viagens em que se troca constantemente o ponto de vista, em uma sátira maravilhosa da sociedade do início do século XVIII, sob influência já do iluminismo.

4. Um ensaio que estou lendo: A Sabedoria e a Magia do Extremo: uma meditação

Em um de seus últimos escritos, Eric Voegelin discute o sonho da utopia e a operação mágica que é realizada para que este sonho apareça como uma possibilidade real. Com direito à análise de um soneto de Shakespeare.

5. Uma frase que ando refletindo

Tudo isso o mundo sabe bem, mas ninguém sabe bem

Evitar o céu que leva aos homens para este inferno

Shakespeare

Mantendo laços

Mais ou Menos Grávida (For Keeps, 1988)

Nos anos 80, os filmes de John Hughes consolidaram um gênero de cinema que ficou conhecido “coming age”, muito mal traduzido para “filmes de adolescente”. Na verdade, trata-se de maturação, da difícil passagem da adolescência para a idade adulta.

For Keeps não é um filme de John Hughes, mas tem essa pegada, até por ter como protagonista uma das atrizes reveladas por Hughes, Molly Hingwald.

A tradução do título em português é mais uma das aberrações que se faz por aqui, pois distorce o próprio sentido do filme. Não se trata de um filme sobre gravidez, muito menos uma semi-gravidez, mas sobre a manutenção dos compromissos assumidos nos momentos de dificuldade.

Esse é o grande desafio de Stan e Darcy, fugirem do exemplo do pai de Darcy que abandonou sua mãe quando esta ficou grávida. Mais que isso, tanto a mãe dela, quanto os pais de Stan, os abandonaram quando o jovem casal resolveu não seguir o que eles tinham decidido por eles.

É um filme bem interessante sobre carácter. Mesmo em uma situação imprevista, e com toda imaturidade envolvida, no fundo é na virtude que possuem, e no amor que sentem um pelo outro, que devem superar as dificuldades e evitar as soluções fáceis que são colocadas no caminho que escolheram.