Universidade Federal X Universidade Privada

Existe uma turma de burocratas de educação, professores e políticos que enchem a boca para falar que as universidades públicas pensam no aluno enquanto que as privadas só pensam no lucro.

Este ano enfrentamos a pandemia, o que terminou destruindo o planejamento de grande parte das universidades.

Enquanto um conjunto de universidades se adaptaram rapidamente e buscaram soluções para reduzir ao máximo o prejuízo dos alunos, um outro conjunto sentou em cima de sua autonomia para esperar as condições ideais para retomar os cursos. Qualquer tentativa de falar em volta às aulas era sumariamente atacado. Qual a solução que propunham? Esperar a vacina. Se é que ela vai vir e sabe-se lá quanto tempo vai levar uma campanha de imunização.

Afinal, o que vale é fica em casa. E com dinheiro do contribuinte, fica muito mais fácil entrar de férias eternas. O que chama atenção é que todos os setores que puderam se adaptaram para funcionar online. Era questão de sobrevivência. Era o ideal? Em muitos casos, não. Mas era o possível no momento.

Só um tipo bem específico de universidade, aquela que pensa no aluno, deitou de berço esplêndido esperando a tempestade passar, se é que um dia passará. Educação à distância? Isso não existe; não tem qualidade. Qualidade mesmo é aquela ladainha que muitos professores que não gostam de dar aula fazem em sala para criar cópias deles mesmos.

Por essas e outras que considero a educação no Brasil irrecuperável. Joguei minha toalha faz tempo.

Cristo: sacerdote, profeta e rei

Jesus Cristo , exerceu três papéis principais em sua encarnação.

Como sacerdote, ele realiza a conexão com a transcendência, estabelece a religação com o divino, propósito maior de uma religião. Como profeta, ela manifesta a verdade. Como rei, ele lidera e nos mostra o caminho da salvação. Vida, verdade, caminho.

Como imitadores do Cristo, temos que tentar fazer a mesma coisa.

Como sacerdotes, temos que nos dedicar ás coisas do espírito. Orar, ir à missa, confessar, nos purificar. Como profetas temos que estudar, buscar a verdade nos grandes autores como Tomás de Aquino e Agostinho. Como reis temos que liderar os mais próximos de nós, especialmente nossos filhos.

Como Cristo, precisamos ser um pouco sacerdote, profeta e rei.

Estamos conseguindo?

Leituras de Natal: O Homem Eterno (Chesterton) – Capítulo 7

Série Leituras de Natal.

Todo domingo e feriado, um capítulo de O Homem Eterno, de Chesterton.

Capítulo 7: A guerra dos deuses e demônios

Perto do fim da grande era pagã da humanidade aconteceu o inevitável conflito entre duas visões distintas, já descritas nos capítulos anteriores. De um lado, a mitologia, aquele aspecto religioso e natural dos poetas, aquele aspecto familiar e local dos deuses, aquela civilização que se formou em torno de Roma. De outro a visão pragmática de uma civilização econômica e muito prática, a nova cidade que canalizou as forças de Morloc representado por Tiro e Sidon, em outras palavras, Cartago.

E o que a história nos ensina é que Roma foi derrotada e era questão de tempo para ser destruída por Aníbal. Mas veio a fraqueza de toda civilização que se quer econômica e política, de poupar os recursos na hora decisiva porque não acredita que o inimigo vai fazer a loucura de resistir até morrer. Assim, Aníbal foi traído, derrotado e Roma ressuscitou dos mortos e venceu a batalha derradeira da antiguidade.

O melhor paganismo tinha vencido o paganismo demoníaco, o dos sacrifícios humanos. Há um espírito moderno que critica a posição de Roma de destruir Cartago, mas os romanos sempre souberam que contra tal visão de mundo, nenhum acordo é possível.

Leituras de Natal: O Homem Eterno (Chesterton), Capítulo 6

Série Leituras de Natal.

Todo domingo e feriado, um capítulo de O Homem Eterno, de Chesterton.

Capítulo 6: Os demônios e os filósofos

Em sua visão integral sobre o paganismo, que antecedeu a vinda do Cristo, Chesterton considera que ele se divide em quatro. Nos capítulos anteriores ele tratou de Deus (o monoteísmo original, que teria antecedido o politeísmo) e os deuses (a mitologia, o politeísmo).

Neste capítulo ele trata das outras duas partes.

A primeira, que chama de os demônicos, é um de seus insights mais originais. O politeísmo teria dois tipos. O primeiro, que chamou de mitologia, responde a um desejo do homem pela transcendência. Sem a revelação, este desejo revela-se pela obra dos poetas, através da mitologia. É uma busca sadia do homem pela fonte de sua existência e um propósito para sua vida.

O problema é que certos homens, mais racionais, começam a querer que esta ligação tenha efeito prático em suas vidas e se aproximam do lado escuro da existência, os demônios. Dali partem os sacrifícios humanos, o canibalismo, o infanticídio e outra práticas malignas. Chesterton entendia que isso não é barbarismo; ao contrário, era preciso um racionalismo sofisticado para se entregar a tamanho mal. Contra este tipo de paganismo, lutou Roma e o povo judeu.

A última parte do paganismo são os filósofos. Eles utilizam a razão para tratar deste anseio natural do homem pelo que o transcende e os grandes representantes da antiguidade são Platão, Aristóteles, Confúcio e Buda. Interessante que aqui Chesterton novamente ataca a idéia de religião comparada: além do paganismo, o confucionismo e budismo não são religiões. São filosofias, talvez até civilizações.

Neste capítulo ele também critica o carácter circular das filosofias orientais. Apenas o cristianismo, como símbolo da cruz, vai romper com a idéia do círculo, da eterna repetição, e introduzir o paradoxo, dos dois eixos apontando para todas as direções, como o caminho para a salvação.

5 Notas de Sexta!

Olá pessoal!

Eis minha lista semanal de 5 coisas interessantes que andei fazendo (inspirado pelo Tim Ferris 5-bullets friday)

1. Um disco que estou escutando: Nights of the Dead (Iron Maiden, 2020)

O que pode ter de novo em um disco ao vivo do Iron Maiden? Este vale por dois fatores. O primeiro é a seleção de músicas, divididas em 3 partes: guerra, religião e inferno. O segundo é a sonoridade. O som está sensacional. Como costuma dizer o Benjamin Back: eu agradeço a Deus todos os dias por viver no mesmo universo que o Iron Maiden!

2. Um livro que terminei: As Leis (Platão)

Por que ler livro de filosofia política escrito há 3 mil anos? Uma resposta simples: pela atualidade.

3. Uma corrida que assisti: GP Long Beach, 1981

Estou assistindo a temporada de 1981 (comecei a assisti F1 em 1983). Há anos que não assisto F1 e descobri o motivo. Não é pela falta de brasileiros, mas pela falta de competitividade. Que me desculpem, mas corrida que não tem 10 carros em condições de ganhar nem vale meu esforço. Esta corrida abriu o campeonato de 81 e o campeão Alan Jones levou. Destaque para a disputa entre Ricardo Patrese (Arrows) com o argentino Carlos Reitman (Williams) que fez uma ultrapassagem sensacional no circuito apertado em Miami (era chamado na época da Mônaco americana). Piquet chegou em terceiro, depois das duas Williams, quase 50 segundos depois. Ficava claro que as Williams tinham o melhor carro. Mas naquela época, não bastava ter o melhor equipamento para vencer…

4. Uma série que terminei: Friends

Os mais novos não sabem, mas houve uma época que assistíamos séries pela tv a cabo, sem streaming. Significava que tinha um horário certo para assistirmos os episódios e nem sempre conseguíamos ver. Friends passava no horário que eu jantava, e acabei vendo bastante episódio, mas não chegou na metade. Aliás, uma temporada tinha cerca de 20 episódios. Comecei a assistir na sequência pouco antes de pegar covid em agosto e terminei ontem. Divertimento despretensioso, mas numa época em que se podia fazer piadas de verdade.

5. Um pensamento que ando refletindo

Scream for me, Mexico City!!!

Bruce Dickinson

Pandemia: um alerta direto dos salmos

O que tenho visto os governos fazerem sob pretexto de combate a pandemia é de arrepiar os cabelos. Não só no Brasil, mas para tudo que é canto.

Hoje, li um salmo que serve de importante alerta para o tempo que vivemos.

É melhor buscar refúgio no Senhor, do que pôr no ser humano a esperança; é melhor buscar refúgio no Senhor, do que contar com os poderosos do mundo

Salmo 117

Modernidade: o problema das distrações

Muita gente ficou empolgada com o documentário O Dilema das Redes, na netflix. O filme mostra o problema do vício que as plataformas online nos traz e suas possíveis consequências. Embora esteja certo em muita coisa, creio que faltou um pouco de censo comum e sobrou militância em alguns momentos. Escrevi um pouco sobre o documentário aqui.

Sobre tema parecido, vale muito mais o vídeo com o Bispo Barron. Para quem não conhece, o religiosos norte-americano é um dos expoentes do diálogo entre a Igreja e a cultura contemporânea. Ao invés de fazer a crítica pela crítica, ele vai fundo em tentar entender as raízes do pensamento moderno e analisar, com bom senso, suas possíveis consequências.

Neste vídeo, ele trata do tema das distrações deste mundo em que vivemos e aponta para o principal problema, o de nos afastar das coisas que realmente importam. O vídeo é um show e ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de uma pregação religiosa, mas puro senso comum.

Um bônus é a pergunta feita no final, sobre a possibilidade de provar a existência da transcendência. Uma das melhores respostas que eu já vi do Bispo até hoje. Vale cada minuto.

Leituras de Natal: O Homem Eterno (G K Chesterton) – Cap 5

Série Leituras de Natal.

Todo domingo e feriado, um capítulo de O Homem Eterno, de Chesterton.

Capítulo 5: o homem e as mitologias

Os mitos não são sinônimos de mentira e nem foram construídos para serem argumentações racionais da verdade. Os autores dos mitos são poetas, mesmo que sejam pessoas comuns, e um mito é uma criação artística. Chesterton chama atenção que os mitos são criticados a partir der perspectivas racionais, por pessoas que não possuem sensibilidade artística sequer para entendê-los.

Os mitos respondem a necessidades religiosas do homem, como adorar, levar suas mãos aos céus, pensar no sacrifício, cultuar o transcendente. O paganismo é uma reunião de mitos, o que o faz parecer uma religião, mas parecer não significa ser. Mitologia diz respeito à beleza e não à razão. Caminhou paralelo com a filosofia até que chegou a Igreja de Cristo que promoveu a união dos dois, praticamente acabando com a mitologia.

O que Chesterton está nos dizendo é que o homem tem uma necessidade natural de uma ligação com a transcendência, algo que a verdadeira religião permite. Na ausência dela, vai buscar substitutos, como os mitos do paganismo. Os cientistas sociais não conseguem entender que a mitologia é uma resposta estética a este problema e tentam racionalizar o conteúdo dos mitos criando teorias que nunca estiveram na intenção daqueles que os criaram.

Leituras de Natal: O Homem Eterno (G K Chesterton) – Cap 4

Série Leituras de Natal.

Todo domingo e feriado, um capítulo de O Homem Eterno, de Chesterton.

Capítulo 4: Deus e a religião comparada

Neste capítulo, Chesterton apresenta sua crítica à idéia de religião comparada. É comum vermos as religiões colocadas em colunas verticais com os nomes de budismo, confucionismo, judaísmo, cristianismo, etc. Nas colunas horizontais as características destas religiões como fundador, profetas, localização, etc.

Pois esta comparação é uma grande falácia. Budismo e confucionismo não são religiões. A única coisa que se compara com o cristianismo é o islamismo, e apenas porque este veio depois como uma espécie de cópia. O cristianismo surge em oposição a uma realidade chamada paganismo.

Mesmo o paganismo já trazia algumas idéias do cristianismo como a certeza que algo grande existia e se afastou, a separação entre o céu e a terra, uma espécie de Deus acima de todos os deuses. Chesterton sugere que antes do politeísmo, existiu o monoteísmo, que depois terminou por se degenerar. As civilizações antigas não são jovens, como se costuma imaginar, mas velhas, que já passaram por uma realidade monoteísta, como o judaísmo e o livro de Jó.

Não há comparação possível entre Deus e os deuses; não existe isso de religião comparada.

A diferença entre monoteísmo e politeísmo não está na quantidade de deuses que se adora, mas de um abismo que existe entre mitologia e religião.