O Senhor dos Anéis: Boromir como o homem caído

Dos 9 companheiros da sociedade do anel, ninguém representa mais o homem real do que Boromir. É fácil jogar pedras nele como um traidor, mas entender o que ele fez exige um pouco mais.

Imagine que você vê sua nação, algo que ama em profundidade, ameaçada de ser conquistada por um ser demoníaco. Com seu grupo tem uma arma que poderá destruir o inimigo, mas tem um probleminha: foi fabricada pelo próprio inimigo. Ou seja, a arma em si é demoníaca.

O que você faria? Arriscaria?

O erro de Boromir foi achar que ele poderia fazer algo bom com um instrumento do mal. Usar o mal para gerar o bem, a aposta de Fausto. Praticamente todo século XX é esta estória. Pois o mal pode ser usado para destronar o mal, e substituí-lo por outro.

Boromir caiu na tentação com a melhor das intenções, como costumamos fazer.

No fim, se redimiu e pediu perdão. Como devemos fazer.

Faromir, o irmão de Boromir, chega a dizer que não pegaria o anel nem se o encontrasse na estrada. É a atitude correta, mas que nem sempre temos a força para adotar.

A Abolição do Homem

Nos primeiros dias do ano li este pequeno grande livro do C S Lewis. Antes de falar dele, vamos a algumas citações:

“Enquanto aquele que diz “isto é bom” tem sido depreciado, o que diz “eu quero” permanece.”

“A natureza Humana será a última parte da Natureza a ser render ao Homem.”

“Deste ponto de vista, o que chamamos de poder do Homem sobre a Natureza, revela-se como o poder exercido por algumas pessoas sobre as outras.”

“Nunca houve e nunca haverá um juízo de valor radicalmente novo na história do mundo”.

“O instinto é o nome dado para aquilo que desconhecemos.”

“A tarefa do educador moderno não é derrubar florestas, mas irrigar desertos.”

“Para o homem sábio do passado, o problema crucial havia sido como conformar a alma à realidade, e a solução encontrada foi o conhecimento, a autodisciplina e a virtude. Tanto para a magia, quanto para a ciência aplicada, o problema é como subjugar a realidade aos desejos dos homens: a resposta é a técnica; e ambas, na prática dessa técnica, estão prontas para fazer coisas até agora consideradas nojentas e impiedosas __ como desenterrar ou dissecar os mortos.”

Vitamina D: Por que falam tão pouco dela?

Desde ontem estou assistindo vídeos e lendo artigos sobre a vitamina D.

Ao contrário do que pensava, não se trata de uma vitamina, mas de um hormônio. Ela é o regulador do sistema imunológico e segundo alguns médicos, praticamente 90% da humanidade está com níveis críticos de vitamina D, muito pela concentração nas grandes cidades e na demonização do sol feita pela própria medicina por conta do câncer de pele (uma realidade).

A alimentação pode fornecer vitamina D, mas não suficiente. Recentemente minha esposa e filha fizeram exames e verificaram que estavam em níveis críticos.

Há correlação de níveis críticos de vitamina D com o agravamento de casos de covid 19, mas a coisa vai muito além disso e pode chegar até nas doenças auto-imunes. A humanidade está se tornando cada vez mais vulneráveis aos micro-organismos e o covid é apenas um dos múltiplos exemplos.

Por que isso não é divulgado e por que não existe campanha mundial pela reposição da vitamina D.

Um dos médicos é direto: interesses. Há muita gente lucrando com a desregulação de nosso sistema imunológico. Não tenho como saber se é verdade, mas uma coisa é fato: saúde é um negócio bilionário. Temos que sempre desconfiar dos consensos nesta área. Principalmente quando o consenso é contra um medicamento ou tratamento baratos.

Não precisam acreditar em mim, apenas pesquisem o assunto.

Foto por Pavel Danilyuk em Pexels.com

Por que celebrar o natal, mesmo nos momentos mais difíceis

Este natal vi muitas pessoas sem ânimo para qualquer tiro de comemoração. Realmente foi um ano bem difícil para os padrões de nossa época; mas não é esta justamente a questão? Nossa época? Não quero aqui fazer pouco das famílias enlutadas, dos amigos queridos que se foram, mas creio que precisamos colocar as coisas em perspectiva. O ano foi ruim, mas até que ponto? Como nos colocaríamos na história? Temos o direito de transformar o natal em uma espécie de velório universal?

Fico pensando no natal de 1918. A guerra tinha terminado há poucas semanas e uma pandemia já percorria o mundo. Para termos uma idéia, ajustado para a população de hoje, teríamos cerca de 200 300 milhões de mortos ao invés do 1,5 milhões do momento. Sim, haveriam covas coletivas. O que dizer de 1917, de 1915? E a II Guerra mundial? O genocídio dos judeus? A grande marcha para frente de Mao? As diversas epidemias na Ásia? Os massacres no México? Genocídio nos balcãs, terremoto no Haiti e no México, tsunamis e por aí vai, Seriam anos também sem natal?

Temos que lembrar do significado do natal. Trata-se de uma festa cristã, um tanto amenizada, mas com um significado bem claro. O nascimento de Jesus Cristo. Ele não nasceu em uma sociedade contemporânea, nem em povo que vivia confortavelmente. Pelo contrario, nasceu em um judéia ocupada, no meio de um povo nobre, em condições de vida duríssimas. Por isso mesmo sua vinda representou uma esperança não só para aquele povo sofrido, mas para qualquer povo sofrido de ontem e de hoje. A Igreja celebra o natal mesmo em seus momentos mais duros, mesmos com seus santos martirizados. Sim.. lamentamos profundamente relas vidas ceifadas pela gripe chinesa, mas esta não é a única. Há o câncer, os infartos, os acidentes, a violência. Mesmo assim precisamos celebrar o natal pelo mesmo motivo que os soldados nas trincheiras de 1917 celebraram, temos que celebrar a esperança que esta data representa. Mais que isso, que não pertencemos a este mundo. Todo este período é efêmero, e um dia passaremos. Todos nós.

Para sobreviver neste mundo precisamos da esperança. Precisamos acreditar que dias melhores virão. Perder a esperança é viver no inferno. Por tudo do isso temos que celebrar o natal, mesmo com todos os poréns que o ano nos trouxe. Lembremo-nos que esta data se deve a uma pessoa que viveu e morreu para nos redimir.

Feliz 2021!

Chegamos ao fim de 2020, este ano tão diferente.

Sim, tivemos a pandemia, mas não foi ela que marcou o ano para mim. Foram algumas reações que ela provocou.

Primeiro a extrema hipocrisia de artistas, jornalistas, comunicadores, que em sua maioria usou as redes sociais para sinalizar falsas virtudes e agir como bedel da vida alheia.

Segundo pela postura da maioria dos governos, aqui e pelo mundo, que usaram a pandemia como desculpa para exercer a tiraria sobre cidadãos assustados, em uma covardia que poucas vezes vi em vida.

Mas 2020 não foi só isso. Foi também da solidariedade, do carinho uns com os outros. Duvida? Olhe para as pessoas que você conhece em vez do que é noticiado pela mídia. A imprensa, em geral, só quis gerar o caos para combater o governo que consideram inaceitável. Mas não foi só isso. Eles aproveitaram para exercer o desprezo que possuem pelas pessoas comuns, retratando-as sempre pelos exemplos ruins, ao invés de mostrar os que estas pessoas tem de melhor.

Enfim, 2020 foi o ano da hipocrisia e do autoritarismo. E não foi dos chamados “fascistas”. Foi justamente dos espíritos progressistas, os que se consideram iluministas da modernidades. Mas foi também um ano para repensarmos nossas vidas e dar mais valor ao que realmente importa.

Que 2021 desmascare os ruins e coloque luz nos que realmente se importam.

Feliz 2021 a todos!

Uma palavra rápida sobre Felipe Neto

Eu não tenho nada contra o sucesso e o rapaz demonstrou sua competência na atividade que se dedicou: youtuber. Também não vejo demérito nenhum nesta atividade. Como gosto de dizer, o youtube está cheio de gente boa e aprendo uma enormidade com estas pessoas. Nunca teria este acesso sem a rede; é bom lembrar disso quando parece que rede social virou sinônimo de porcaria, o que é absolutamente falso.

Só que o cartaz que deram para este rapaz fora de seu campo de atuação, como se ele tivesse algo de relevante a contribuir para o debate público, é um sintoma da doença da burocracia cultural brasileira (jornalistas, intelectuais, comentaristas em geral). Se fizessem um roda viva com ele para discutir seu sucesso, o rapaz ficou milionário com vídeo para pré-adolescentes, tudo bem, mas para comentar a cultura e política brasileira? Sua única autoridade no assunto é seus milhões no banco, que não tem nada a ver com entender qualquer coisa que seja sobre o mundo real.

Felipe Neto diz muito mais sobre este pessoal que vive falando em promover a qualidade do debate do que sobre ele mesmo. Ele é apenas um dos sintomas de uma profunda doença do espírito que acometeu nossas elites intelectuais. O Brasil não tem qualquer chance enquanto ela der as cartas na vida pública deste país. Sonho com o dia que estas pessoas serão solenemente ignoradas.

Festival de hipocrisia

O youtuber jogando futebol, mas no gol, claro, porque tem pouco contato.

As atrizes em festa privada em uma ilha.

O governador que se mandou para miami.

O ex-governador do Ceará beijando prefeito em festa bem aglomerada.

A apresentadora e marido “candidato dos sonhos” reunindo a família.

Esta gente me dá asco.

Notas soltas de um louco

Recebi um email de alguém que se denominou observador louco. Resolvi reproduzir.

Corte, 28 de dezembro.

  1. Bolsonaro participou de um jogo beneficiente em Santos. O foco da mídia, claro, ficou em uma falsa violação das medidas de afastamento social pois seu único interesse, e obsessão é derrotar o presidente eleito. O jogo não teve público, mas não importa. Ele está dando mau exemplo. Já até esqueceram daquele governador que foi para Miami enquanto deixou seu estado em lockdown. Aliás, este gravou um vídeo dizendo quejá tinha retornado. Pode até ser, mas muita gente não acreditou.
  2. No vídeo, este governador disse que tinha ido para Miami para participar de duas conferências pré-agendadas. Esta ninguém acreditou mesmo. Conferências no meio da pandemia? Que tipo de idiota ele acha que nós somos?
  3. Sobre a Flórida, uma curiosidade: é um dos estados americanos que menos utilizou medidas de lockdown e tem um dos menores índices de mortalidade. O que mais adotou, a Califórnia, é o de maior mortalidade. Significa que lockdown não funciona? Não sei. Mas também não comprova que funciona.
  4. Olhando os números pelo mundo, observo que os países mais afetados são os países ocidentais, especialmente a Europa. O que explica este fenômeno?
  5. Voltando ao Bolsonaro, acho que o que mais incomoda a mídia é sua autenticidade. O sindicalista precisou colocar terno armani e fingir ser o que não é para ser eleito. Bolsonaro não é muito diferente do que sempre foi. Em um mundo em que só vale a falsidade, ser autêntico incomoda toda essa classe de pilantras que ganha dinheiro com opiniões tão verdadeiras quanto notas de 2 reais.
  6. Vieram falar comigo sobre o jornalista preso pelo STF. Sim, o perseguidor está abusando de seu poder, mas não significa que o perseguido seja um santo. Parece-me que ele quis forçar uma cena no Ministério que demitiu sua esposa e comprometer a Ministra. Sob aplausos de uma certa mídia que se intitula independente.
  7. Aliás, não pensem que todos que elogiam Bolsonaro estão com ele realmente. Tem um herói que sonham ver governador que nunca me enganou. Vi de perto que o whiskey não é tão puro quanto imaginam. Ele falou muita coisa que gostaríamos de ouvir, mas na segunda camada tinham interesses bem mais mundanos.
  8. O espírito moderno (outro nome para o progressismo) é facilmente conquistado pelas aparências. Se a pessoa fala a coisa certa, do jeito certo, está aprovado. Mas se recebe o selo “um dos nossos”, nem precisa se esforçar muito nas aparências. Aí vale qualquer barbaridade.
  9. O dia que as feministas de última geração defenderem uma mulher que discordam, começo a prestar atenção. Por enquanto, coincidentemente, só defendem as que tem o “discurso correto”. O mesmo vale para os movimentos anti-racistas.
  10. Não é que tenha sido roubada. Foi muito roubada, mas reconhecer isso seria um atestado jamais visto de incompetência, inocência e estupidez. Por isso vemos a mídia tão empenhada em esconder toda a sujeira.

Um observador louco.

Os Bancos

Houve um tempo em que as praças tinham bancos; mas veio a pandemia e foram arrancados. Retiraram as placas de pedra, que formam o assento, e ficaram apenas os pés. Tudo para evitar que as pessoas fiquem sentadas na praça. Aparentemente não há problema em sentarmos no ônibus ou no avião; mas na praça? Proibido.

__ Estamos em pandemia, ninguém deve ficar à toa em uma praça pública _ me diz um destes fiscais amadores do covid.

__ Mas e no ônibus?

__ Neste caso, a necessidade justifica pois a pessoa precisa trabalhar…

O problema, parece-me, não é exatamente sentar ou não, mas ocupar um espaço público sem motivos. A cruzada está voltada para estas coisas prosaicas que fazemos sem aparente utilidade nenhuma, como sentar numa praça e contemplar o horizonte.

Talvez a pandemia tenha dado um motivo para que o Estado conseguisse banir do convívio estas pessoas perigosas que cometem este intolerável crime de dedicar-se à uma atividade contemplativa. Vivemos no mundo em qualquer coisa que fazemos tem que ter um fim considerado útil. Assim, não podemos caminhar despreocupadamente pelas calçadas; temos que realizar caminhadas, o que é bem diferente. Caminhar pode significar andar a esmo, talvez refletindo sobre estas coisas grandiosas mas consideradas inúteis, como nosso papel no universo. Já realizar uma caminhada significa vigiar o relógio gps para ver se atingimos a frequência cardíaco de trabalho. Temos que focar as metas, sejam elas em calorias ou minutos. De preferência com um fone de ouvido para aproveitar e escutar um podcast. Precisamos, insistem, aproveitar o tempo _ seja lá o que esta expressão signifique.

Quanto lembro do romance Admirável Mundo Novo, recordo que tudo era feito para as pessoas não pensarem. Foi uma das coisas mais assustadoras que li no livro. Não pensar, viver de sensações. Pensar é um expediente muito perigoso se queremos um mundo onde todas as pessoas sejam felizes. Carpe diem é a regra, mas não no sentido original, mas no sentido de aproveitar a vida como se não houvesse amanhã. Não pense, aja.

Por efeito de uma cirurgia, nada muito complicada, não estou podendo fazer caminhadas, apenas caminhar. Sem máscara, pois entendo que alguma rebeldia é necessária para manter a sanidade. Na pequena praça ao lado do prédio que moro, termino estes passeios (fazia tempo que não me dedicava a esta esquecida atividade!) com meus exercícios respiratório, herança de um covid que já foi. Olho para os pés dos bancos, sem os assentos, e penso na incompletude do que vejo. Se simplesmente tirassem os bancos por inteiro, talvez não pensasse muito. Mas do jeito que está, resta um certo desconforto, de algo que está faltando, de um mundo em que partes foram retiradas para atender uma certa histeria sanitária e tentar mostrar que estão fazendo algo, mesmo que este algo não funcione para nada.

__ Você tem que entender __ diz o sanitarista amador __ que não dava pra tirar o banco inteiro.

__ Talvez por isso __ retruquei __ não se devesse ter tirado nada.

No fundo, talvez seja como me sinto em relação a este ano tão terrível para todos. Sem poder resolver o problema, optou-se por tentar demonstrar que pelo menos se tentou, mesmo que o único efeito seja acalmar os mais apavorados. Não que não tenhamos motivos para recear esta doença maldita, mas aprendi anos atrás, escalando uma montanha, com minhas pernas tremendo, que o mais importante é como lidamos com o medo e não o que fazemos para evitá-lo. O mundo não suporta a inação, muito menos a resposta “não sei”. É preciso fazer algo, nem que seja o inútil.

O mundo se tornou um imensidão de bancos sem assentos. Bases sem nenhuma utilidade além de nos lembrar que alguém está cuidando de nós. O problema é que cada dia fica mais claro que este alguém não tem a menor idéia do que está fazendo. Sob aplausos dos sanitaristas amadores que tomaram o globo.

Rock/pop este ano

Resgatando alguns comentários que fiz ao longo do ano:

  1. Finalmente The Smiths me conquistou. Baita banda.
  2. A Forest é a melhor música do The Cure.
  3. Os discos do Uriah Heep nos primeiros anos sem David Byron são excelentes. Inclusive a sonoridade é melhor que a fase clássica.
  4. Cindy Lauper era muito melhor que a Madonna.
  5. Tina Turner é um monstro.
  6. Rock anos 80 é mais legal de ouvir que anos 70. Aceitem.
  7. Simple Minds dá coro no U2.
  8. Kanye West: tentei. Zero chances.
  9. Dead Kennedies: idem.
  10. O último ao vivo do Iron Maiden está um espetáculo.