Bispo Barron: um diálogo com a cultura contemporânea

Católico que não assiste os vídeos do Bispo Barron, não sabe o que está perdendo. Infelizmente, quem não sabe inglês está perdendo não só este conteúdo, mas grande parte do melhor que se encontra na internet, em praticamente todos os campos do conhecimento.

E os não católicos? Perdem ainda mais, pois Robert Barron faz algo que quase ninguém consegue fazer nos dias de hoje, estabelecer um diálogo. Por isso seus vídeos são bastante assistidos por ateus e agnósticos. Eles ficam, em geral, intrigados com a argumentação clara e elegante que ele consegue fazer, levantando pontos que surpreendem seus seguidores (no sentido das redes sociais e não de crentes).

Aqui um breve artigo sobre quem é o Bispo e por que ele é fundamental nos dias de hoje.

ISAIAS 41,10

Por isso não tema, pois estou com você;
não tenha medo, pois sou o seu Deus.
Eu o fortalecerei e o ajudarei;
eu o segurarei
com a minha mão direita vitoriosa.

Este foi o versículo da Bíblia mais lido em 2020. Aliás, o último ano bateu recordes em acesso às Bíblicas online, o que não deve espantar já que as grandes dificuldades levam muitos a se reconectar com a fé.

Em um ano em que mais do que o covid, talvez tenha sido o medo o grande protagonista, este versículo cai como uma luva. O Covid foi uma realidade imposta sobre todos nós, mas a forma como reagimos não era, de maneira nenhuma, obrigatória.

O medo dominou as sociedades e com ele veio a histeria, falta de bom senso, ressentimento. Nos tornamos inimigos uns dos outros e não faltaram dedos apontados de parte à parte.

Podemos até vencer o covid, como dizem por aí, mas temo que a principal batalha já foi perdida.

Estamos nos tornando cada vez mais filhos do medo.

E o medo é a porta para o mal, como já dizia o Mestre Yoda.

Manaus: tudo de novo?

Não sei se estamos começando o ciclo da desgraça tudo de novo, mas lendo as redes sociais, entramos novamente no espiral da guerra de narrativas.

Políticos tentando faturar sobre a morte, usando a pandemia para avançar seus projetos pessoais.

Mesquinharia e ódio para tudo que é lado.

Estou enojado.

Cansado de toda essa podridão.

Duas catedrais, duas visões de mundo

As imagens abaixo é da Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, que já foi catedral imperial, com a coração de D Pedro I e casamento da Princesa Isabel, e depois foi, por muito tempo, Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. Uma das belezas do centro do Rio.

Em 1976, ela deixou de ser a catedral metropolitana, sendo substituída por esta que chamo de abacaxi descascado. Dizem que foi inspirada no Projeto Apolo, como símbolo para o futuro, e outros dizem que foi inspirada nas pirâmides maias.

A conclusão deixo para o leitor.

Uma palavra sobre o Papa Francisco

Tenho lido muitas críticas ao Papa Francisco com base em notícias e citações indiretas feitas pela mídia. Faço aqui uma mea culpa, embora nunca tenha falado publicamente nada contra o Papa, também nunca me interessei em saber o que realmente ele pensa.

Só sei que não podemos nos basear na mídia, que tem aquele apreço pela verdade que bem conhecemos, para tirar nossas conclusões sobre ele. Outro dia vi um vídeo do Bispo Robert Barron em que afirma que a chave para entender o pontificado de Francisco é a exortação evangélica A Alegria do Evangelho, escrita em 2013. Este seria o plano para seu papado.

Comecei ontem a ler o documento. Antes de querer criticar uma pessoa, é preciso entendê-la. Para um católico, em especial, se tratando do Papa, é uma obrigação.

Depois de algumas página, já adianto que ser cristão e ser triste o tempo todo é um baita problema. É não acreditar verdadeiramente na promessa do Cristo. É não entender a promessa de salvação.

Quando a política falha

Acostumamos a pensar que o bipartidarismo é uma coisa boa, muito pela tendência de considerar os Estados Unidos como exemplo de democracia, como eles mesmos se consideram. A estabilidade política do país, que nunca sofreu revolução, e a constituição duradoura, eram evidências desta condição.

As cenas do capitólio na semana passada demonstram que algo se rompeu no equilíbrio bipartidário que sempre existiu por lá.

Pergunto-me se a raiz do problema não está justamente neste bipartidarismo, que conduz a uma polarização, e vice-versa, o que evidentemente só piorar com as redes sociais.

Não vou entrar no mérito de quem está com a razão; possivelmente ninguém. Só constato que para um republicando, nada vai convencê-lo que a eleição não foi roubada. Para um democrata, nada vai convencê-lo que tenha existido qualquer irregularidade. Sem espaço para um compromisso, nenhuma argumentação racional serve para nada. Estamos lidando com sentimentos e não com a razão, embora as duas partes se achem perfeitamente racionais.

Aprendi no montanhismo que o equilíbrio só existe com 3 apoios. A mesma lição aprendia na engenharia, basta observar um teodolito ou um tripé de câmera fotográfica. Sem um terceiro ente para apelar, a tendência é sempre existir uma polarização.

Conheço muitas famílias com 3 filhos, em que um deles sempre acaba fazendo o papel de fiel da balança, levando os outros dois a conversarem e chegarem em um ponto comum. Talvez seja exatamente o que falta em uma polarização que vemos na política americana e que tende a só piorar (e neste sentido o banimento do Trump das redes sociais parece-me algo bem temerário, reforçando a narrativa de perseguição).

Não sei o que vai acontecer, mas acredito que a política falhou. E quando ela falha, é preciso ir além, é preciso ir na cultura. É preciso resgatar os valores que formaram a nação americana e refazer o compromisso entre as gerações e entre as pessoas. Se isso não foi feito, não será a política que evitará o desastre.

O Batismo de Jesus

Um bom guia para entender o batismo de Jesus é o Papa Emérito Bento XVI. Em sua maravilhosa obra Jesus de Nazaré, ele tem seu primeiro capítulo tratando deste tema.

O ministério de Jesus começa com o seu batismo no rio Jordão por João Batista” inicia Ratzinger o capítulo. Ele nos lembra que São Lucas coloca com precisão a data do acontecimento, ressaltando sua historicidade. Jesus não é uma lenda mística, mas uma presença material de Deus em nosso mundo. O papel de João Batista já estava enunciado em Isaías: “Uma voz clama no deserto: preparai o caminho para o Senhor! Endireitai para Ele os caminhos!“.

Em todos estes textos do Velho Testamento trata-se de uma intervenção salvadora de Deus, o qual sai de seu lugar escondido para julgar e para salvar: é para Ele que a porta deve ser aberta, que o caminho deve ser preparado. Com a pregação de João Batista, todas estas antigas palavras de esperança se tornaram realidade: era algo novo que se enunciava”.

Bento XVI nos lembra o simbolismo do Batismo: morte e vida. O mergulhar nas águas é um símbolo da morte, mas emergir destas mesmas águas o símbolo da ressurreição. Assim, ao aceitar ser batizado, Jesus está nos antecipando o mistério da cruz, onde ele se colocará no lugar de todos os pecadores e será sacrificado para renascer ao terceiro dia. “Assim, o batismo de João na água torna-se pleno e perfeito como o batismo de Jesus na vida e na morte.”

O sacramento __ o batismo __ a partir daqui aparece como participação na luta de Jesus pela transformação do mundo na mudança da vida que acontece com esta descida e na subida.

O Batismo de Jesus (Perugino, 1481-1483, Capela Sistina)

Quem você adora?

O homem tem a fome por um bem final, algo desejável por si mesmo. A grande questão, já levantavam os antigos, era que bem era esse.

São Tomás apresenta, na sua Suma Teológica, os quatro principais candidatos a este posto, segundo os antigos, e que, curiosamente, permanecem até hoje: riqueza, honrarias, poder e prazer.

Ele mostra a insuficiência de qualquer um deles ser este bem final, ou bem universal. Mais ainda, ele mostra que este bem não pode ser deste mundo.

A resposta de Tomás é clara: o bem universal ou final é Deus. Só nele poderemos ser realmente felizes.

Se você não adora Deus, certamente adorará um ídolo deste mundo. Por isso o Gênesis começa com Deus dando não a todos os falsos deuses. Como ele faz isso? Dizendo que são criaturas suas. Assim, a luz, o caos, os planetas, as árvores, os animais e, por fim, o homem, todos são criaturas de Deus e por isso mesmo não podem ser adorados. Os primeiros versículos do Gênesis é Deus dizendo: não, não e não. Tudo isso é bom, mas não é Deus.

Bom sábado a todos.