MENGO!

Que sufoco!

Ano passado o Flamengo foi campeão no ônibus, em jogar. Este ano foi parecido. Também não jogou, mas ganhou assim mesmo.

O Internacional teve a chance de ouro para ganhar seu Brasileirão que persegue há 40 anos. Precisava ganhar em casa do péssimo time do Corinthians. Faltou pouco. Impedimentos milimétricos, defesas do Cássio e ainda teve a última bola do campeonato. Acabou que dependeu só dele, mas acho mesmo que perdeu o título naquele jogo com o Sport.

O Flamengo jogou mal o campeonato inteiro. Conto nos dedos de uma mão as boas partidas. Excepcional mesmo só o segundo tempo contra o Grêmio. De resto, algo entre razoável e péssimo. O que mostra o desequilíbrio do futebol brasileiro hoje.

Mas temos que lembrar também que foi o campeonato do Covid. Isso mudou tudo. Quatro meses dos times parados e subitamente, sem preparação adequada, entram em campo. Contusões, jogadores e treinadores contaminados, muita irregularidade. Não dava para ser diferente. Ninguém conseguiu ser regular.

Enfim, terminamos campeões e espero que ao longo do próximo campeonato comecemos a retomar a normalidade. Um ano sem torcedor no estádio é triste demais.

Bora, Flamengo!

Chegou o dia. Acho que para compensar a forma como ganhamos ano passado, com os jogadores bêbados dentro do ônibus, sem precisar entrar em campo, desta vez teremos que vencer o último jogo. Não acredito que o Inter perca pontos para o Corinthians.

Não dá para ficar tranquilo, especialmente após a derrota do São Paulo para o Botafogo, que colocou em risco a vaga direta na Libertadores. Eu já não achava que o tricolor facilitaria por conta da rivalidade e do fator Ceni, agora então, virou jogo de vitória para eles também.

Um dos problemas dos pontos corridos é enfrentar times que não disputam nada na última rodada, como acontece no jogo do Internacional, mas já tivemos esta sorte em outras ocasiões também. Uma pena que tenham abandonado os clássicos na última rodada, achava a solução ideal.

Enfim, hoje termina o Brasileirão 2020. O campeonato que foi disputado inteiro de portas fechadas. O próximo também começará assim, mas vamos torcer que tenhamos alguma flexibilidade ao longo do caminho.

Título está longo de estar ganho.

Bora, Mengão!

Afinal, quem é o Papa Francisco?

“Talvez Francisco seja o menos compreendido das personalidades atuais, criticado justamente por aqueles que teriam a obrigação de pelo menos compreendê-lo. Como será isso possível? Como este homem se tornou tão odioso a alguns membros da Igreja do Cristo? O que teria ele feito ou dito para torná-lo tão combatido por alguns católicos, muitos fervorosos, crentes autênticos? O que estariam vendo ele que eu não percebo?

Uma das lições preciosas que aprendi com G. K. Chesterton foi que os ataques à Igreja normalmente não são ataques realmente a ela, mas a uma imagem distorcida. Isso vale tanto para quem está atacando-a de fora, quanto aos que a atacam de dentro. Seria possível que estivessem atacando um Francisco que não existe de fato? Afinal, quem é o Papa? O que pensa? São perguntas que me fiz recentemente e que estou apenas começando a investigar.”

Texto completo aqui.

Poesia, Enigma e Paradoxo

Uma dica sobre como ler G K Chesterton.

Ele acreditava firmemente que as grandes verdades da transcendência não conseguem ser expressas pela linguagem racional humana. Sempre há um limite até onde nossa razão alcança.

Mas estas verdades existem, e surgem a nossa frente todos os dias.

As formas como nós humanos, mesmo que de forma imperfeita, conseguimos expressá-las é pela poesia, um enigma ou um paradoxo.

Não deixem de ler Chesterton. O mais alegre dos sábios da modernidade.

Jejum de opinião

Em um mundo em que já ocorreu a rebelião das massas, conforme previra Ortega y Gasset, com a ascensão fulminante do idiota não só ao poder, mas também aos postos culturais que lhe permitem ditar as narrativas, e considerando que todos nós temos algo deste espírito de massa, desta idiotia que nada mais é que uma expressão de uma certa ignorância, talvez um bom jejum para esta quaresma, mais até do que de alimentação, seja um jejum de opinião.

Tirando coisas banais como discos e filmes, vou tentar a partir de hoje segurar minha opinião sobre assuntos da sociedade, política ou mesmo da fé. Vou usar este espaço, nesta quaresma, para colocar perguntas, minhas dúvidas sinceras, sobre o que vejo no mundo. Não sei se ajudará alguém, mas certamente me ajudará, o que já é um baita ganho, convenhamos.

Por um mundo com menos opinão e mais entendimento da própria ignorância.

Jesus de Nazaré: novo projeto dos domingos

Hoje começo um novo projeto de domingos, como preparação para a Páscoa reler Jesus de Nazaré, do Papa Bento XVI.

Este livro foi escrito no contexto dos vários estudos sobre Jesus feitos utilizando o método histórico-crítico, ao longo do século XX. Bento XVI alerta que muitas vezes estes estudos levaram a uma separação do Jesus dos Evangelhos do Jesus histórico, quase como se fossem duas pessoas diferentes.

No prefácio ele explica que não se trata de combater o método histórico. Jesus de fato existiu na história e deve ser estudado também por esta dimensão, mas deve-se levar em conta que não se trata do único método e que ele possui limitações. Por exemplo, o método histórico deixa a palavra no passado, o que não alcança uma palavra que faz parte de um sujeito vivo, que participa da história e do presente. A Bíblia foi escrita para o homem de todas as épocas e não apenas para o tempo que foi redigida. A percepção que o conjunto de livros da Bíblia tem uma unidade também ultrapassa o método histórico, faz parte da fé.

O que Bento XVI propõe em seu livro é reaproximar o Jesus dos Evangelhos do Jesus histórico, ou seja, mostrar que o Jesus que lemos na Bíblia é um Jesus real, que participou da história, que a encarnação é de fato uma verdade fundamental. Seu livro dialoga com os diversos métodos de estudo e defende a unidade de seu objeto, que é Jesus de Nazaré.

O Trabalho Intelectual: uma maravilhosa analogia

Prosseguindo o projeto de relar, aos sábados, o precioso pequeno livro de Jean Guitton, O Trabalho Intelectual. O Capítulo 3 chama-se O Esforço Profundo.

O ponto de partida são as imensas distrações que ameaçam o trabalho intelectual sério, seja ele de qualquer natureza. Para superar estas distrações é necessário o tal esforço profundo, mas não é só isso.

O trabalho intelectual é um vai e vem entre o fato e a idéia, entre o particular e o universal. O fato só tem realmente valor quando está iluminado por uma idéia e a idéia só tem seu valor quando se “encarna” na realidade. Perceber esta relação é fundamental para quem se dedica a entender a realidade e expressar este entendimento.

Um dos problema, nos alerta Guitton, é que a preguiça de pensar nos pode levar a nos manter na superficialidade. Não adiante entender Platão simplesmente lendo tudo que ele escreveu e o que escreveram sobre ele. É preciso identificar as citações mais frequentes, os textos fundamentais e se aprofundar neles. Os restante se dará a partir deste entendimento profundo, do conhecido para o desconhecido. Guitton condena o conhecimento do tipo enciclopédico e termina o capítulo com uma maravilhosa analogia.

Supondo que desejemos entender um círculo. A forma que aprendemos na escola, da superfície, é percorrer toda a circunferência, muitas vezes. Tudo nos parecerá tão diferente e pouco entenderemos no círculo em verdade. Já o pensador profundo, ficará um tempo sobre um pedaço do círculo e caminhará pelo seu centro, entendendo o raio, ou seja, o princípio que forma o círculo. Terá então condição de traçar o círculo por si mesmo e tudo lhe parecerá coerente e unificado.

O esforço profundo é justamente buscar este centro, buscar os princípios de qualquer conhecimento ou ciência.

A ordem no homem

Na Suma, São Tomás tratando da graça no primeiro homem, nos dá a receita para a ordem no indivíduo:

  1. A razão se sujeita a Deus
  2. As virtudes inferiores se sujeita à razão
  3. O corpo se sujeita à alma

Considerando a formulação de Platão que a sociedade é o homem escrito com “h” maiúsculo, temos, por dedução, a fórmula para a ordem na sociedade.