Brasil colapsando?

Ontem conversei com uma fonte bem qualificada da indústria brasileira. A situação é bem pior que imaginava. A indústria está colapsando, e não é apenas por causa do covid, já vinha assim pelo custo Brasil, a baixa inovação tecnológica e um certo desprezo de vários governos, que vêem no agro-negócio o grande motor do Brasil. O paradigma, chegou a dizer a ele um ex-ministro da fazenda, é a Austrália.

Isso é sintoma de um país sem a menor visão estratégica. Austrália? A única coisa que temos em comum é o tamanho continental e talvez o clima. Só que lá não precisam gerar emprego para uma população de 200 milhões de habitantes. Agricultura tem por característica gerar poucos empregos, especialmente se altamente tecnológica como a nossa, e pagar pouco imposto também. Quem paga boa parte dos impostos neste país é justamente a indústria, especialmente a de transformação.

O Brasil precisa da sua indústria. Não somos Canadá e nem Austrália. Não temos um território gigantesco e pouco habitado. O que vamos fazer com nossas metrópoles? Com nossas imensas massas hurbanas?

Mesmo que se suspendesse todo lockdown agora, o que não vão fazer, o estrago já está feito. A população empobrecida não tem como consumir e boa parte da classe média, que sempre impulsiona a atividade econômica, está escondida em casa apavorada pelo terrorismo mediático que fizeram.

O Brasil é um barril de pólvora pronto para explodir e os agentes do caos acreditam piamente que a população se manterá pacata apesar de tudo que estão fazendo. Será?

O senso comum incomum de Aristóteles

Quando ouvimos falar da Aristóteles na escola, geralmente em aula sobre a história antiga, temos uma impressão de ser um gênio acima de nossa capacidade de entender, o que se confirma na maioria das aulas de filosofia, que costumam se prender muito na abstração de seu pensamento ao invés de priorizar a enorme relação com a realidade.

Aristóteles, assim como seu mestre Platão, partiu sempre do mundo real, de algo que podemos chamar de experiência comum. Ele tratou sobretudo do que é comum a todos nós e que pode ser expresso através de uma linguagem comum. Por isso a maior parte de seu pensamento será sempre atual. Ele não estava certo em tudo, mas em grande parte do que disse.

O que não significa que seu pensamento tenha parado no comum. Sim, ele partia do senso comum, mas nos apresentou uma forma de pensar que ia além da experiência comum e nos fazia compreender melhor estas experiências. O professor Mortimer Adler chamou esta capacidade de Aristóteles de censo comum incomum. Há um algo a mais em sua filosofia que ilumina tudo o mais.

A filosofia é, na essência, compreender o que já se sabe. Pelo menos era para Sócrates, quem a inventou. Foi na modernidade que assumiu, para muitos, um caráter quase exotérico, de conhecimento especializado para especialistas, praticamente uma anti-filosofia. Por isso que um diploma de filósofo geralmente significa um anti-filósofo. E por isso que digo sempre, muito seriamente, que há mais filosofia no Snoopy (e Calvin e Haroldo) do que toda filosofia moderna somada.

Exagero? Posso errar em um ponto ou outro, mas tirando algumas raras exceções, é isso mesmo. Charlie Brown e Calvin parte da experiência comum e fazem especulações bastante incomuns sobre elas. São espíritos realmente filosóficos. Já os que chamamos de filósofos criam sistemas ou teorias abstratas e tentam encaixar toda a realidade em um mundo imaginário que criaram.

Querem pensar bem? Se não conseguimos ler Aristóteles (ou Platão, Tomás de Aquino, Agostinho,…), leiam Calvin e Haroldo. Por via das dúvidas faço os dois.

Vacina para a impostura: Aristóteles

Ninguém aprende a pensar. Isto é uma das falácias da educação moderna, industrial, que pretende ser algo que não é. Se precisássemos aprender a pensar, nos comportaríamos como bebês a vida inteira e sequer aprenderíamos a nos comunicar. (Alguns bem que tentam continuar bebês durante toda a vida, mas isto é outra estória).

O que precisamos é aprender a ter clareza no objeto de nosso pensamento e fugir do falso entendimento da verdade. Muito do que Aristóteles nos ensinou tem a ver com isso. O grande problema é que nossa herança do filósofo são notas de aula, o que podem ser bem áridas de ler e entender.

Eu não conheço um livro melhor para introduzir o pensamento do grande filósofo do que o do grande educador Mortimer Adler chamado Aristóteles Para Todos. Esta sim é uma obra que faz jus ao título. Quer entender Aristóteles para ter mais clareza nos objetos do pensamento? Adler é a solução.

Um dia tenho que escrever sobre Mortimer Adler. Um verdadeiro educador.

3 músicas que ando escutando em 2021

1. Seventh Son of a Seventh Son (Rory Gallagher). O nome da música chamou minha atenção por causa da homônima do Iron Maiden. Um poderoso blues rock do Gallagher, com um riff hipnotizante.

2. Fall On Me (R. E. M.). Acho o ritmo desta música uma delícia.

3. Fly Me to The Moon (Frank Sinatra). Desafio qualquer um a não passar o dia cantarolando a melodia desta bela canção do “coolest singer” da história.

Não se esforçar é às vezes o melhor esforço

Há todo um paradigma moderno de vencer pelo esforço, o que muitas vezes é louvável. A persistência rende seus frutos. Mas será o único caminho? Um dos problemas que vejo na modernidade é uma certa fixação por fórmulas prontas, uma solução que encaixa em qualquer problema. No fundo, o homem quer se livrar do fardo de ter que pensar.

O esforço em uma determinada direção costuma gerar uma reação contrária no próprio espírito. Quanto mais um gago tenta falar, mas ele vai gaguejar. Quanto mais você tenta não ter medo de avião, mais parece que este medo se intensifica. Acredito que o grande esforço seja, pelo menos em várias ocasiões, não se esforçar. É preciso saber colocar um problema de lado para que possa retomá-lo depois, com uma solução mais amadurecida pelo próprio inconsciente. É preciso deixá-lo trabalhar esquecendo que ele existe.

Parece misterioso, eu sei, e falta-me ainda clareza para trabalhar estas idéias. Para isso serve um blog, para lançar alguns pensamentos desconexos e fazer uma primeira tentativa de colocar para si mesmo o problema. A filosofia, já disseram, é compreender o que já se sabe.

Seguindo estes fragmentos de pensamentos, vou deixar esta questão inteiramente de lado para que, se for o caso, tenham frutos.

Confuso, reconheço, mas quantas vezes grandes verdades se descobrem a partir de pensamentos inicialmente obscuros e conflitantes?

Barroso e o Homem que Não Vendeu sua Alma

Quando se abrem mãos de princípios para se conseguir o que deseja, mesmo que o objetivo seja nobre, abre-se o caminho para toda sorte de arbitrariedades. Não vou entrar no mérito de nenhuma decisão específica do atual STF, mas cada vez mais se acredita que a constituição pode ser interpretada da maneira que a corte bem entender se o motivo for “justo”. O movimento não é novo, só ganhou força bem maior com a pandemia. Lembro, por exemplo, lá trás quando o STF mudou todo o rito do impeachment, beneficiando a presidente que passou a ter uma comissão de ética favorável pois o supremo entender que eleger os membros da comissão era a mesma coisa que escolher uma única chapa indicada pelas lideranças dos partidos, uma interpretação no mínimo soviética das coisas.

Sempre que se fala em torcer as leis para condenar alguém, lembro do soberbo filme O Homem que não vendeu sua alma (A Man for All Seasons), que conta a estória de Thomas More, que se tornaria o santo protetor dos políticos. Em uma cena, um certo William pede que o chanceler More prenda um corrupto, mesmo que contrariando as leis. O diálogo que se segue é de uma atualidade impressionante.

“William Roper: “So, now you give the Devil the benefit of law!”

Sir Thomas More: “Yes! What would you do? Cut a great road through the law to get after the Devil?”

William Roper: “Yes, I’d cut down every law in England to do that!”

Sir Thomas More: “Oh? And when the last law was down, and the Devil turned ’round on you, where would you hide, Roper, the laws all being flat? This country is planted thick with laws, from coast to coast, Man’s laws, not God’s! And if you cut them down, and you’re just the man to do it, do you really think you could stand upright in the winds that would blow then? Yes, I’d give the Devil benefit of law, for my own safety’s sake!”

Pandemia e A Montanha dos Sete Abutres

Neste clássico do Billy Wilder, de 1951, o jornalista Chuck Tatum (Kirk Douglas) está preso na pequena cidade de Albuquerque, no Novo México, sonhando com uma oportunidade de voltar aos grandes jornais, depois de ser despedido várias vezes por seu mal comportamento.

Um dia, um desabamento em uma mina abandonada, deixa um homem preso nos escombros. Chuck percebe que é sua oportunidade. Com exclusividade, ele vai narrar o drama desta pessoa. Só que para isso ele precisa que o resgate demore alguns dias. Ele consegue persuadir a autoridade local, o xerife, preocupado com sua re-eleição, a utilizar uma escavadeira no alto da mina, que levaria 7 dias, ao invés do escoramento das paredes, que resgataria o homem em menos de 24 horas.

Para Chuck, apenas a má notícia é notícia. Para manter o interesse do público, ele interfere nos acontecimentos e convence o xerife elogiando-o nas matérias. A esposa do homem também passa a ganhar um bom dinheiro explorando o acesso do público ao local. É um esquema perfeito, em que todos ganham.

O que é a pandemia se não uma versão desta corrupção? O jornalismo boicota qualquer tipo de tratamento que possa levar ao fim do circo que ela se formou. Conta para isso com as autoridades, que são elogiadas constantemente nos jornais como abnegados interessados em salvar vidas. A esposa infiel, como parte dos grandes empresários, especialmente na área farmacêutica, explora toda a situação economicamente. Só quem se importa realmente com aquele homem preso são seus pais, vistos quase como malucos, e o editor do jornal, que defende a estranha tese de que o jornalista deve “dizer a verdade”. Não por acaso é tratado como alguém ultrapassado, sem lugar no mundo moderno.

Uma cena curiosa é quando aparece um homem sensato, que já trabalhou em minas, dizendo em uma entrevista da rádio que o melhor a fazer seria chegar no homem escorando as paredes, de forma bem mais rápida, que já tinha feito isso antes. Sentindo o perigo Chuck pergunta se ele conseguiu salvar a vítima. O homem responde que infelizmente não conseguiram chegar a tempo. É o suficiente para destruir sua reputação. Como acontece com os médicos que acreditam no tratamento do covid desde o início dos sintomas.

Um filme perfeito para os dias atuais.

Os ditadores de araque, abençoados pelo jornalismo criminoso brasileiro

Cada vez estou mais convencido que lockdown não funciona, especialmente em países em desenvolvimento. As grandes cidades do Brasil estão fechadas e os números só sobem. Países que adotaram lockdown não mostraram ainda nenhuma evidência que funcione, podem olhar nos casos na América do Sul e na Europa.

O que a maioria dos governadores e prefeitos estão fazendo é manter o lockdown até que os casos caiam para que possam dizer que foram eles que venceram o covid. Não importa se durar 30, 60, 90 dias. Quando caírem as mortes, e um dia vão cair, os méritos vão para estes corajosos políticos que fizeram o sacrifício (dos outros, claro) para “salvarem vidas”.

Se eles abrirem qualquer coisa e depois caírem os números, toda retórica cai por terra. Não vai acontecer. Seria admitir a inutilidade do que fizeram.

Infelizmente eles vão gerar uma tragédia ainda maior para poderem dizer que estavam certos o tempo todo e vamos pagar a conta, todos nós, por gerações.

Infelizmente falta jornalismo para cobrar destes ditadores de araque suas responsabilidades. Ao contrário, sobram aplausos. Boa parte financiada com dinheiro dos pagadores de impostos.

Tudo é vaidade, já dizia o Eclesiastes.

Canção de Bernadette (1943)

O filme de Henry King é um dos clássicos do cinema. Venceu 4 oscars, incluindo o de melhor atriz para Jennifer Jones.

Assisti neste domingo, para terminar a semana santa com chave de ouro. Conta a estória da jovem Bernadette, que por vários dias viu Nossa Senhora em uma gruta da cidade de Lourdes.

A fidelidade dela é o grande tema do filme. Sofre todo tipo de pressão, desde as autoridades civis, policiais e até da própria Igreja, mas mantém sua firmeza. Ela viu a senhora, como diz. Ela não clama que a aparição seja Nossa Senhora. Somente na penúltima aparição esta se declara como sendo “a imaculada concepção”.

Fico me perguntando se a hollywood de hoje daria espaço para um filme desses.