Noche Oscura

Também conhecida como a Noite Escura da Alma, este poema de São João da Cruz, do século XVI, é um primor de beleza e musicalidade. Na verdade é também uma canção.

O místico espanhol escreveu esta poesia com profundo sentido religiosos para cativar nossas almas. Para explicá-la, escreveu um livro. Resolvi memorizar os versos antes de ler a explicação. Acho que foi uma boa medida.

Como são só oito estrofes, fui memorizando um pouco, uma por dia. Agora já consigo recitá-la inteira.

A noite escura refere-se a adormecer nossas paixões materiais e nossos sentidos para que possamos contemplar a Deus e Amá-lo. Pelo menos foi minha primeira impressão. Pode ser lido inteiramente como um poema de amor, ignorando completamente o sentido religioso. Coisa de mestre. Fica a primeira estrofe para terem uma idéia:

Voltei!

Duas semanas que não escrevo aqui. Tempo demais.

Por um lado, andei viajando, com pouco tempo para sentar e dedicar um pouco do meu tempo para este espaço. Mas não foi só isso.

Andei muito atarefado também, sinal que as coisas, especialmente na vida profissional, andaram se intensificando nas última semanas e parece que permanecerão assim por um bom tempo. Bom sinal.

Por fim, andei sem muita coisa para dizer. Acontece. São fases que estamos menos menos inspirados ou mais meditativos, mas voltados para nosso interior.

No post seguinte, falo de uma poesia que memorizei neste período.

O caso do Amarelinho

Soube esta semana que o Amarelinho, um restaurante-bar tradicional do Centro do Rio fechou as portas. Mais de 100 anos de idade.

Isso porque no Rio o lockdown não foi nem perto da radicalidade dos outros estados, especialmente na prefeitura passada.

No entanto, o própria dinâmica da pandemia, em que muitas pessoas estão trabalhando em casa e evitando sair está arrebentando com o setor de serviços, particularmente bares e restaurantes.

E assim se perde um negócio centenário.

E não acredito nem um pouco que seja pelas vidas como dizem. Sobra hipocrisia, um terreno fértil para políticos sem nenhum escrúpulo.

Em defesa do absurdo

O absurdo é uma manifestação legítima do que está além de nossa compreensão:

O erro dos existencialistas, particularmente gente como Camus, não foi em enxergar o absurdo, mas não enxergar senão o absurdo. Para ele, a existência inteira era sem sentido, uma das conclusões do pressuposto da morte de Deus. Lendo Chesterton, entendo que o absurdo não é uma resposta e nem um princípio. É a constatação que existem coisas no mundo que não fazem sentido para nós, ou seja, que seu sentido está além de nossas capacidades de compreensão. A razão pode muito, mas não pode tudo.

Leia mais aqui.

O poder dos pequenos prazeres

Estou em viagem de trabalho, como tem sido frequente em meu job. Hospedado em Petrópolis, em um quarto que tem banheira de hidromassagem. Não sou muito de ligar para estas coisas, mas já que tem…

Aproveitar uma viagem de trabalho para curtir um hora numa hidro é um destes pequenos prazeres. Mas tem ainda menores, como fazer um barquinho de papel e brincar com ele.

Chesterton estava certo. Passamos parte de nossa vida adulta tentando recuperar os prazeres de nossa infância, a época em que éramos mais s sãos. E por que éramos mais sãos? Porque respeitávamos a realidade.

Sabíamos nos espantar com a beleza, desconfiávamos do mal mesmo sem saber direito do que se tratava, tínhamos uma curiosidade sadia pelo mundo.

A cultura moderna, e sua educação, nos ensinam a duvidar de tudo isso. Querem colocar idéias em nossas cabeças ao invés de colocar nossa cabeça no mundo. Um desastre. Passamos a vida adulta tentando recuperar nossa sanidade, voltarmos a sermos como crianças.

Pensando bem, talvez seja este o grande sentido de uma das máximas de Jesus, de sermos como crianças para chegar no reino dos céus. Talvez o que ele tenha nos dito, para quem tiver ouvidos para escutar, foi que temos que recuperar nossa sanidade, aquela que temos na mais remota infância.

Como fazer um barquinho de papel para brincar na banheira mesmo com 47 anos de idade.

Se o Brasil fosse um país sério…

Volta e meia aparece esta frase dita por alguém, sempre para nos depreciar como sociedade. Sim, temos inúmeros problemas, e nossas falhas morais, evidentemente. Só que ninguém é perfeito nesta vida, muito menos as nações. Eu vi nesta pandemia muitos países considerados sérios cometendo verdadeiras barbaridades, como fizeram ao longo da história, diga-se.

Quando vamos ao nível individual, tem barbaridade em tudo que é país. Pode colocar Suiça, Holanda, Inglaterra, Autrália, o que quiser. Todos possuem corrupção, todos tem desumanidade. Só ver o que as empresas destes países fazem quando instalam uma fábrica em um país onde a legislação trabalhista e ambiental é frouxa. É exploração na veia. Olhem como muitos estrangeiros se comportam quando visitam os países “tropicais”! Se entregam a tudo que é vício sem o menor pudor.

Se o Brasil fosse um país sério. Pois este tal de país sério só existe na abstração. Todos possuem seus graus de loucura e tem muito país considerado top com loucuras maiores que as nossas. No entanto, temos nossas qualidades também, muitas até admiráveis. Vamos tratar de corrigir nossos erros, mas não acho que devemos entrar nesta auto-depreciação (que é sempre dos outros, né?) que só nos afunda ainda mais na lama. Geralmente quem usa esta frase considera o brasileiro os outros, nunca ele mesmo.

Uma visão de Indiana Jones à luz da teologia cristã

Ontem no vôo para Belo Horizonte, deparei-me com este artigo que apresenta uma tese interessante sobre a simbologia na série Indiana Jones.

Em resumo, o primeiro filme na ordem cronológica dos acontecimentos (e segundo a ser feito) é Indiana Jones e o Templo da Perdição. Trata-se do ambiente pagão, em que o próprio Indiana Jones está em busca de “fama e glória” como ele afirma no início do filme. Bem mais cínico, ele está no início de uma jornada de crescimento espiritual.

O segundo filme na ordem cronológica é Os Caçadores da Arca Perdida. Jones sai do ambiente do paganismo e entra no judaísmo, na busca pela arca da aliança. Sua luta agora é contra o mal (o nazismo) e quando retorna para salvar Marion, mostra uma atitude diferente do Templo da Perdição. Ele é o próprio símbolo de Israel, que desce até o Egito, e luta pela libertação no meio de um Império, deparando-se com a manifestação da força de Deus.

Por fim, chegamos na Última Cruzada, em que Indiana Jones entra no universo do cristianismo. Sua busca agora é pelo Santo Graal e seu motivo é muito mais nobre, a reconciliação com o pai que nunca compreendeu (uma simbologia bem explícita para se ignorar). Para isso, ele terá que passar por um processo de purificação, enfrentando as três provas da penitência, palavra de Deus e um salto de fé. Só assim ele poderá escolher a taça correta, aquela que conduz à vida eterna.

O artigo completo está aqui: https://theimaginativeconservative.org/2016/01/theological-theory-indiana-jones-dwight-longenecker.html

Os dois grandes problemas no Brasil

O Brasil tem dois grandes problemas que está na base da loucura coletiva que isso aqui se tornou. Se eles fossem resolvidos, não tenho dúvidas que o país seria diferente. Seria um paraíso? Não. Mas teríamos um começo, pois são dois problemas cruciais, que travam tudo, desde reformas até o comportamento das pessoas.

São eles: regra de três e interpretação de texto.

Filme de sexta: Sapatinhos Vermelhos (The Red Shoes, 1948)

Que baita filme!

Uma história construída à perfeição, que o drama só se revela na parte final, com cenas belíssimas, inclusive um ballet de 17 minutos no meio do filme!

Que bela atriz a Moira Sherear. Pena que fez poucos filmes (era bailarina de verdade).

Escrevendo um texto sobre o filme, que este merece. Aliás, este ano estou vendo filmes sensacionais.

Já que Hollywood desaprendeu o que é cinema, estou me refugiando no passado, onde não existia a subordinação da arte à ideologia, ainda mais uma ideologia de quinta categoria como o progressismo.