The Economist

A câmara dos deputados vai processar o jornal britânico The Economist por ter comparado a casa legislativa brasileira a uma pocilga. O jornal afirmou que na eleição de Chinaglia a Câmara perdeu mais uma chance de melhorar sua imagem ao adotar a liberação de verbas e cargos para conseguir votos. Nada que nenhum jornal brasileiro não tenha noticiado no período. Até mesmo o nosso comunista de araque Aldo Rebelo denunciou o que estava acontecendo. Engraçado que não disse o mesmo em 2005 quando era o beneficiado pelo “poder” do planalto.

Alguém precisa avisar ao presidente da pocil… quer dizer da Câmara que não é com processo que vai mostrar que o jornal está errado, até porque a opinião dos brasileiros é ainda pior do que retratou o periódico britânico. Que tal vir a público e afirmar que é mentira que tenha oferecido cargos e verbas para angariar votos? Que tal lançar um desafio: se algum deputado recebeu qualquer promessa desse tipo dele que venha a público e denuncie? Que tal processar Aldo Rebelo por difamação?

Não?

Então presidente vai trabalhar que é para isso que está em Brasília. Francamente!

Estão de brincadeira

Depois de dias lendo os noticiários pelo Brasil chega-se às seguintes conclusões:

  1. Não podemos discutir a violência sobre o “calor da emoção”
  2. Os fascínoras que mataram João são vítimas da sociedade, ou seja os culpados somos nós que o oprimimos com o “capitalismo selvagem”
  3. Redução da maioridade é uma espécie de crime contra os direitos humanos

Não! Eu me recuso a aceitar a culpa pela incopetência do Estado (os 3 poderes) na garantia da minha segurança. O regime de progressão penal é uma vergonha. Um dos assassinos de João já tinha sido internado 4 vezes e condenado 2 vezes. A última por assalto a mão armada rendeu-lhe 4 anos e meio e lógico, foi solto com 1 ano. Por que o Estado deixa este animal na rua? Vejam que o termo animal não está entre aspas. Não esqueci delas.

A esmagadora maioria dos moradores de favelas não participam de crimes (graças a Deus) e mostra claramente que não é o meio que nos define. Aliás as principais vítimas da violência são pobres, que vivem a margem destes criminosos. A pobreza não é motivo para uma pessoa tornar-se um criminoso. Vejam que boa parte dos crimes são por motivos fúteis e ligados ao tráfico de drogas. O que se quer é o velho e bom dinheiro fácil. Trabalhar? Nem pensar.

Daqui a pouco o Chico Buarque vai colocar a culpa na classe média, aquela que paga os olhos da cara para vê-lo cantar. Já aviso de antemão: pago meus impostos em dia para, entre outras coisas, garantir dinheiro para a segurança pública. Também pago para garantir educação de base para os brasileiros. Não tenho culpa se o Estado gasta a maior parte deste dinheiro para manter seu gigantismo e alimentar a corrupção. Portanto, antes de mais nada Chico, vá te catar!

Fernando Gabeira vai a cada dia ganhando minha admiração. Foi um dos únicos que falou algo de coerente nesta corrente de “não vamos discutir sobre impacto da emoção”. Disse que isso pressupõe que haverá uma situação de normalidade após o impacto da barbárie cometida. Não há normalidade. Basta passar numa banca e ler a capa de qualquer jornal como o dia: tem sempre um crime bárbaro e muito sangue. Quando se discutirá então a violência?

Por último se alguém souber por favor me indique uma ONG que defenda a sociedade contra a violência. Que defenda um menino como João. Uma só. Please!

Petição contra a anistia de José Dirceu

Já corre na internet uma petição contra a anistia de José Dirceu. O objtetivo é atingir 1,5 milhões de assinaturas. Não sei o que Dirceu quer com esta anistia, já manda no PT e no governo sem direitos políticos. Se expor para que? Mas é próprio dessa gente transformar crime em perseguição política, visto o que aconteceu na ditadura. Só falta além de ser anistiado receber mais uma indenização do Estado! Pelo sim pelo não já assinei e aqui vai o link. Diga não ao Rasputin brasileiro!

Não a José Dirceu

Maioridade Penal

Está começando uma intensa discussão nos meios de comunicação, particularmente na internet, sobre a maioridade penal. Faz bem. Temas como esse devem ser discutidos pela sociedade e não ficar apenas restritos aos cabinetes de Brasília. Infelizmente nós temos deputados, mas não representantes. Eu “adotei” os meus e mandei e-mail perguntando a posição deles. Estou aguardando respostas.

Não é uma questão simples e existem bons argumentos de parte a parte. A redução pura e simples da maioridade ainda não me convenceu. Li um argumento muito bom ontem. Era dirigido aos que defendem a redução devido a utilização de jovens de 16 anos como membro de grupos criminosos para assumir a culpa em caso de imprevistos. Pois reduzir a maioridade para 16 fará os bandidos recrutarem meninos de 15. Tem lógica, embora ache que estatisticamente o mercado fornecedor de menores ficaria menor.

Pelo que tenho lido estou inclinado a defender a maioridade onde está. No entanto alguns crimes, principalmente os de caráter hediondo, deveriam alcançar todas as idades. A legislação deve proteger os menores, mas não apenas os menores delinquentes. E não apenas os menores. Atualmente nossa estrutura jurídica não está protegendo a sociedade. O ECA não serviu de nada para João Hélio Fernandes, este de 6 anos.

Os grupos organizados da sociedade já se apresentaram à defesa. Não de João. Mas da Maioridade aos 18. Não se iludam, existem trocentas ONGs recebendo uma grana preta para programas de “socialização” de menores. Quando o presidente falou ao seu partido no final de semana sobre o menino houve silêncio. Quando falou contra a redução da maioridade foi aplaudido entusiasticamente. O que me deixou em dúvida sobre a maioridade aos 18. Se o PT defende a atual legislação é quase certo que seja ruim para a sociedade.

Educação

Está chovendo dados por todos os lados comprovando o que muita gente já sabia: o sistema educacional do Brasil além de ser falido consegue ainda ser um dos piores do mundo. Está no nível da África subsaariana o que é incompatível para o PIB do país. É lógico que esta estrutura é mantida de propósito, não interessa à nossa classe política a educação de nossa população. E a grande prova está a caminho. O ministro da educação troca a cada ano, e é um dos ministérios considerados descartáveis na distribuição do poder. Tanto que já foi ocupado até por Tarso Genro. Rumores indicam que o próximo deverá ser Marta Suplicy. Só por aí já se imagina a “vontade” do governo em tentar melhorar a situação.

Não precisam muitos dados estatístico para descobrir que a educação de base é o que temos de pior em termos de educação, principalmente na escola pública. O grande motivo, para variar, é a constituição que colocou-a sob responsabilidade das prefeituras. A grande questão aí é falta de recursos. O Brasil é altamente centralizador em termos de arrecadação e os municípios vivem dependendo de esmolas dos governos federal e estaduais. Se for de oposição então o prefeito está virtualmente ferrado. Que federação, hein?

Já o governo federal, que tem a maior parte dos recursos investe fundamentalmente no ensino universitário. Fica difícil imaginar como vai resolver o problema no topo da pirâmide. Testes mostram que a esmagadora maioria de nossos alunos no ensino médio não conseguem entender o texto que leêm. O que vão fazer na universidade então é uma incógnita. O fato é que pagamos para que quem tem condições de pagar estudem (?!). Nessa hora os defensores das universidades públicas afirmam que existem uma boa porcentagem de alunos oriundos de escola pública nestas mesmas universidades. Só esquecem de dizer os cursos: letras, pedagogia, geografia, etc. Nada contra estes cursos, em qualquer país sério deveriam ser muito valorizados por lidar com o principal fator para o desenvolvimento: a educação. Só que no Brasil são cursos desprezados pela elite (odeio usar este termo mas não encontrei outro), que preferem medicina, direito e engenharia. Qual é a porcentagem de alunos oriundos de escola pública na medicina da USP? E na UFRJ?

O próprio sistema educacional está ultrapassado e não funciona. Ainda utilizamos técnicas de ensino de 50 anos atrás, e nesta tiro toda a culpa dos professores que não possuem condições, em geral, de se atualizar e buscar novas soluções. Mostram sim uma persistência e um amor à profissão invejável considerando as condições a que estão submetidos.

Tudo isso na visão de um leigo. Procure um texto ou um artigo de um especialista, de preferência sem viés político socialista (são raros) e o diagnóstico é ainda muito mais assustador. O mais triste é que não se vê melhoras, apenas a deterioração do que está aí.

Enquanto isso o governo gasta o tempo preparando cartilhas. Parece brincadeira de mal gosto. Infelizmente é.

Barbárie no Rio

Não dá nem para comentar muito o que aconteceu com o menino João, morto arrastado por um carro em assanto no Rio de Janeiro. Os criminosos foram presos mas como sempre um menor confessou a autoria para livrar os menores. O presidente desta Banânia já disse que não se pode tomar medidas no “calor” do acontecimento, bem como seu advogado (que também responde pelo Ministério da Justiça). É a mesma coisa que sempre falam por anos quando algo desta natureza acontece, só que quando serena fica tudo na mesma. Um “grande” protesto foi feito na Cinelândia com 100 pessoas. 100 pessoas! É o retrato de um povo que não possui capacidade de se indignar mais com nada, se é que um dia teve. Nosso bravos “movimentos sociais” só servem para a verborrogia de sempre, culpando a globalização e a exploração internacional por nossa mediocridade. E as ONGs já se apresentaram para defender o direito dos criminosos. O direito do João? Nem uma viva alma.

Todos estes atores se unem para defender justiça social. Pois que vão todos a merda! E com M maiúsculo. E ainda têm a coragem de dizer que os fascínoras são vítimas. Que “entendem” a revolta dos pais, que é a reação de uma pessoa “emocionalmente” envolvida. Pois não conheço o menino, nem a família, mas tenho humanidade suficiente para ficar REVOLTADO e INDIGNADO com o que aconteceu.

Odiar os criminosos? Não, bárbaros como eles existiram em toda a história da humanidade. Mas fico perto disso ao ler declarações de um monte de gente que deveria estar agora ao lado da família da verdadeira vítima, e não da violência.

Mas não é só isso. Também resta um sentimento de vergonha gigantesco de meu povo. Acho que mereçemos o destino que estamos vivendo. Só lamento que tantos inocentes tenham que pagar por isso.