Autor: guersonjr
Juízes brasileiros
A esta altura já correu pela rede a sentença do juiz Manoel Maximiano Junqueira Filho em que o togado escreveu:
5. Já que foi colocado, como lastro, este Juízo responde: futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Há hinos que consagram esta condição: “OLHOS ONDE SURGE O AMANHÃ, RADIOSO DE LUZ, VARONIL, SEGUE SUA SENDA DE VITÓRIAS…”.
6. Esta situação, incomum, do mundo moderno, precisa ser rebatida…
7. Quem se recorda da “COPA DO MUNDO DE 1970”, quem viu o escrete de ouro jogando (FÉLIX, CARLOS ALBERTO, BRITO, EVERALDO E PIAZA; CLODOALDO E GÉRSON; JAIRZINHO, PELÉ, TOSTÃO E RIVELINO), jamais conceberia um ídolo seu homossexual.
8. Quem presenciou grandes orquestras futebolísticas formadas: SEJAS, CLODOALDO, PELÉ E EDU, no Peixe; MANGA, FIGUEROA, FALCÃO E CAÇAPAVA, no Colorado; CARLOS, OSCAR, VANDERLEI, MARCO AURÉLIO E DICÁ, na Macaca, dentre inúmeros craques, não poderia sonhar em vivenciar um homossexual jogando futebol.
9. Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas, forme o seu time e inicie uma Federação. Agende jogos com quem prefira pelejar contra si.
10. O que não se pode entender é que a Associação de Gays da Bahia e alguns colunistas (se é que realmente se pronunciaram neste sentido) teimem em projetar para os gramados, atletas homossexuais.
11. Ora, bolas, se a moda pega, logo teremos o “SISTEMA DE COTAS”, forçando o acesso de tantos por agremiação…
12. E não se diga que essa abertura será de idêntica proporção ao que se deu quando os negros passaram a compor as equipes. Nada menos exato. Também o negro, se homossexual, deve evitar fazer parte de equipes futebolísticas de héteros.
13. Mas o negro desvelou-se (e em várias atividades) importantíssimo para a história do Brasil: o mais completo atacante, jamais visto, chama-se EDSON ARANTES DO NASCIMENTO e é negro.
14. O que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro, porque prejudicariam a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal…
15. Para não falar do desconforto do torcedor, que pretende ir ao estádio, por vezes com seu filho, avistar o time do coração se projetando na competição, ao invés de perder-se em análises do comportamento deste, ou daquele atleta, com evidente problema de personalidade, ou existencial; desconforto também dos colegas de equipe, do treinador, da comissão técnica e da direção do clube.
16. Precisa, a propósito, estrofe popular, que consagra:
“CADA UM NA SUA ÁREA,
CADA MACACO EM SEU GALHO,
CADA GALO EM SEU TERREIRO,
CADA REI EM SEU BARALHO”.
17. É assim que eu penso… e porque penso assim, na condição de Magistrado, digo!
18. Rejeito a presente Queixa-Crime. Arquivem-se os autos. Na hipótese de eventual recurso em sentido estrito, dê-se ciência ao Ministério Público e intime-se o querelado, para contra-razões.
É vergonhoso que um juiz de direito possa escrever tamanha bobagem, e mostra simplesmente uma falha grotesca de todo nosso sistema judicial. Como pode uma pessoa dessas ser juiz? Como pode um juiz ignorar as leis em vigor para assinar uma aberração destas?
O pior é que não é o único. Este é apenas um caso conhecido.
Um que não ficou conhecido da imprensa mas que chegou ao meu conhecimento aconteceu no ano passado.
A Academia Militar das Agulhas Negras excluiu um Cadete por prática de cola. Prática que deveria ser seguida por toda universidade que se preze, fato corriqueiro no mundo civilizado. Mas o próprio juiz que julgou o processo movido pelo Cadete deixou claro que não é concebível no Brasil. Escreveu o nobre magistrado que não poderia concordar com a exclusão de um aluno por cola pelo simples motivo de dever a esta seu diploma de direito.
Então temos um juiz que admite que se não fosse pela cola não teria se formado e, em conseqüência, não estaria na posição de juiz. É um escárnio. Uma verdadeira vergonha e mostra que, no Brasil, um juiz é realmente capaz de qualquer sentença.
Infelizmente.
Vídeo
Excelente o vídeo produzido pelo movimento A Grande Vaia, reflete bem em poucos minutos o sentimento de indignação que levou ao acontecimento histórico no Maracanã.
Política e Religião
Mais uma vergonha
Esta vergonha pode ser dividida entre governo e grande parte da imprensa brasileira.
Esta preocupada em demonizar os protestos contra o atual estágio de civilização que chegou o Brasil simplesmente se calaram diante de um ato vergonhoso do atual governo: a extradição dos dois cubanos presos pela polícia federal.
Podem notar: silêncio. Nem mesmo os porta vozes do petismo se manifestaram desta vez, a tese não permite uma defesa com um mínimo de coerência.
Depois de fugirem da delegação e se esconderem os dois cubanos foram presos e extraditados em tempo recorde. A PF afirma que eles manifestaram desejo de voltarem para Cuba, que haviam sido enganados.
Claro que foram. O fato de estarem escondidos e não terem se apresentado em qualquer embaixada de um país democrático para solicitar asilo já mostra que os promotores alemães não queriam correr riscos… de perder seus lutadores! Vejam que o asilo deveria ser em uma embaixada, já que o Brasil não concederia proteção aos dois.
E eles sabem disso, o que é bem pior.
O que temos até agora é a afirmação da PF que não desejavam voltar. Por que então a pressa para embarcá-los? Por que isolá-los da imprensa? É claro que Fidel pode até mostrá-los curtindo a vida numa praia da ilha. Faz parte da propaganda do regime. Mas os dois sabem que não há mais garantias para a vida de nenhum deles.
A coisa toda fica ainda mais nojenta quando se sabe que o Brasil concedeu asilo político em definitivo para o terrorista das farc, Camilo Collazzos, também conhecido como Padre Olivério Medina. Este seqüestrou e matou. Só que por um grupo terrorista com ligação fortes com o PT, pelo Foro de São Paulo (outro assunto ignorado pela mídia).
Assim temos um governo que fica contra um presidente que conseguiu enfrentar a violência de frente e colocar seu país no rumo de um futuro melhor, a Colômbia, e fica do lado de um ditador que já destruiu o futuro do seu, Cuba.
Sobre o silêncio cúmplice da mídia nacional.
Infraero: nada se aprendeu
Nada se aprendeu da crise aérea que tomou conta do Brasil. Todos os especialistas que opinaram nos diversos periódicos concordaram em um ponto: a infra-estrutura do setor deve ser tratada por profissionais, como em qualquer lugar civilizado.
A raiz da crise está, entre outros fatores, na gestão política do petista Carlos Wilson no comando da Infraero. Gastou 3 bilhões de reais em reforma cosméticas (e suspeitas) no aeroporto de Congonhas. Quando lembrado por Alckmin no debate presidentical Lula saiu-se com um agora famoso: “o povo de São Paulo deveria me agradecer por Congonhas…”.
Depois, já com a crise escancarada veio o Brigadeiro José Carlos Pereira. Mas este é do ramo!, exclamam alguns. Não, nunca exerceu nenhum cargo na força ligado à área. Mas se “converteu” ao petismo ainda na campanha presidencial de 2002. O resultado fala por si só.
O novo presidente da infraero é o ex-deputado do PSB Sérgio Gaudenzi cuja principal credencial é sua atuação política pela esquerda. Justamente quando se espera uma solução técnica, como foi prometida pelo presidente, aposta-se novamente em solução(?) política. Vejam o que disse o novo burocrata:
O que o senhor conhece do setor aéreo?
Nessa área não conheço nada, porque nunca trabalhei em empresas desse setor. No entanto, não considero isso um impeditivo porque tenho minha formação em engenharia civil, o que dá muita flexibilidade a qualquer pessoa para conhecer as áreas de infra-estrutura.
Pois eu também tenho formação em engenharia e se me convidassem para ser presidente da Infraero só me restaria perguntar se meu interlocutor perdeu completamente o juízo.
E por estas atitudes que o governo é sim responsável pela crise aérea. E seus desdobramentos. E não para por aí. A cada dia anuncia-se uma futura crise energética. Quem o governo nomeou para presidente de furnas? Luis Paulo Conde, para garantir a aprovação da prorrogação da CPMF.
E ainda me espanto quando defendem que a solução para todos os nossos problemas é… mais estado!
E assim vamos contando nossos mortos…
Os objetos do acidente da GOL
Levantaram na imprensa o problema sobre o desaparecimento de objetos pessoais das vítimas do acidente do avião da GOL no ano passado. Lembrei do relato de um colega meu do Exército que participou das buscas.
Ele contou que os militares ficaram especialmente revoltados com os indígenas do local, que segundo ele teriam saqueado tudo o que foi possível no meio dos destroços, sem demonstrar o menor sinal de remorso.
O ministro da defesa afirmou hoje não acreditar na culpa da Aeronáutica, já que outros órgãos tiveram envolvidos na busca. Esqueceu que os habitantes do local também estiveram por lá. Cabe uma investigação também.
Por fim, segundo relato deste colega, quem pegou pesado nas buscas e recolhimento de cadáveres e tal foi, para variar, o Exército. Os outros “atores” citados pelo ministro da justiça, recusaram-se a sujar as mãos.
São partes de uma tragédia que ninguém conta.
verdade
Divulgando…
Diogo Brilhante
A coluna de Diogo Mainardi na Veja desta semana é simplesmente brilhante. Confesso que foi a melhor que já li, e bate com algumas coisas que já vinha falando e escrevendo.
Trata da posse de Nelson Jobim no Ministério da Defesa. Parecia um ato de rotina. O clima era festivo, com risos soltos e um Lula soltando suas piadas como sempre. Em dado momento, como já tinha comentado aqui, ele disse era preciso ter “momentos de descontração para tornar uma vida menos sofrível”.
Qual o problema? O problema é que o novo Ministro estava sendo empossado pela absoluta incapacidade do anterior de resolver o caos que tomou conta do espaço aéreo brasileiro. Não era uma ocasião para festa, à rigor não deveria nem ter cerimônia de posse. Publique-se e comece a trabalhar porque os aviões estão no céu. Era na verdade um momento que deixava claro que o governo era sim responsável pelas 200 mortes de Congonhas. Se não fosse não precisaria trocar seu ministro (faço questão do “m” minúsculo).
Aquela cerimônia só estava acontecendo por causa desta tragédia, e portanto não havia nenhum motivo para o riso do presidente. E não era só ele. Havia também, entre outros, Guido Mantega (o que disse que a crise se devia ao sucesso da política econômica), Celso Amorim (o que tenta a todo custo nos aproximar da Venezuela) e Marco Aurélio Garcia (top top top). Aliás a presença deste último demonstra toda a consideração que o presidente tem pelas famílias arrasadas de Congonhas. Em qualquer país com um mínimo de decência estaria demitido.
Mas Mainardi toca em outro ponto, que também tenho comentado. A falência da sociedade brasileira, e infelizmente não é no sentido econômico. Quem me conhece sabe que ando repetindo para quem quiser ouvir: não acredito mais no futuro do Brasil. Acho que já fracassamos como nação, como sociedade, como grupo humano.
O colunista defende que o espetáculo mostrado na posse de Jobim seria o momento em que o país se perdeu definitivamente. Naquele momento o presidente (também minúsculo) profanou os corpos de 200 brasileiros e o “triunfo da boçalidade predatória que caracteriza Lula e sua gente”.
O Brasil perdeu o resto de civilidade que possuía. Não há mais nada. Apenas o fracasso total e irrestrito de uma sociedade. O Brasil já era.



