Autor: guersonjr
Sem vergonha de mentir
Lula ontem:
“Alguns senadores que não querem que o país dê certo querem abolir esse imposto, que é justo porque é distributivo, que só atinge 13 milhões de pessoas. É o famoso imposto do cheque. E 80% do povo brasileiro não tem cheque.”
É uma mentira deslavada, por um único motivo: a CPMF incide na movimentação financeira das empresas, que naturalmente repassam para o preço dos produtos. Quem compra pão, paga CPMF. Simples assim.É só fazer uma conta, a arrecadação da CPMF é de 40 bilhões, como corresponde a 0,38%, quer dizer que incidiu sobre uma base de 10 trilhões de reais. Para ter uma idéia, o PIB brasileiro é de cerca de 2 trilhões. Dizer que só rico paga CPMF é uma mentira deslavada, própria de um mentiroso deslavado.
“Os que são contra são aqueles que adorariam sonegar, como sonegaram a vida inteira.“
Uma vez me falaram que ao invés de ficar criticando o presidente, deveríamos ser construtivos, torcer para dar certo. É claro que a pessoa que falou comigo estava falando de Lula, porque de FHC nunca economizou adjetivos impróprios. O vagabundo(ver definição no aurélio, no sentido de vadio) me chama de sonegador e não tenho o direito de criticá-lo? Em um país mais ou menos civilizado, só essa frase já seria motivo para convocação do presidente para se justificar no congresso. Como não somos, e nem nosso congresso tem essa moral toda, fica por isso mesmo. Pergunta: se o FHC falasse a mesma coisa, o que estaria dizendo a imprensa?
“Sabemos que a hora em que tirar R$ 40 bilhões [do Orçamento], quem vai sofrer são prefeitos e governadores. Na hora de cortar R$ 40 bilhões, vamos ter que tirar de algum lugar“.
Isso nada mais é do que chantagem explícita aos governadores do PSDB, que deveriam estar convocando entrevistas coletivas para perguntar, retoricamente, ao presidente o que quer dizer com a afirmação. Mas, como cordeirinhos, estão pressionando os senadores do seu partido a votar a favor da CPMF, um papelão, principalmente por parte de Serra e Aécio. A posição contra a CPMF é o único ato de oposição real em 5 anos de desastre petista e sua majestade reage dessa forma. O que quer? Nada mais do que uma oposição que não faça oposição. Isso tem nome, já foi testado no século XX, e os resultados falam por si só.
Novela da CPMF chegando ao fim
Está chegando ao fim a novela da CPMF, a única vez em que a oposição conseguiu, com as tucanadas de sempre, fazer a sua parte. Vai vencer? Improvável. Existem 53 senadores na base governista, o bufão brasileiro precisa de 49 votos. A tática de colocar com a oposição a responsabilidade pela aprovação do imposto (vamos chamar as coisas pelo nome) é mais uma tática guerrilheira de Lula II, no padrão rasteiro de sua forma de fazer política.
A investiga do governo em cima da oposição é devido a um único motivo: é mais barato conseguir um voto lá do que em seu bando. Os senadores governistas sabem que essa é a única lei que interessa nesse segundo mandato, aprovado a CPMF não vão arrancar mais nada de importante, daí estarem esticando a corda ao máximo para conseguir que o planalto pague o maior custo possível.
A oposição tem que votar unida contra o tributo. Do jeito que a coisa ficou, os 4 senadores que necessitam aderir à CPMF que o fizerem no fim de semana ficarão marcados por terem vendido caro seus votos. Que o governo pague o preço político por ser governo, é do jogo. Se fosse o contrário, como já foi, o plenário do senado já estaria uma balbúrdia com os apitadores de plantão. Como ficou evidente na semana, Lula (e o PT), são uma metamorfose ambulante.
Na espera
Coisas que não entendo
Hoje fui na comemoração de fim de ano da escola de minha filha. Ela está quase fazendo 4 anos, está no jardim I. A apresentação reuniu todas as crianças da chamada pré-escola, de 2 a 6 anos de idade. Apresentaram o tema do semestre: aquecimento global.
Durante uma hora fiquei vendo as crianças dançando coreografias sobre a camada de ozônio, desmatamento da amazônia, reciclagem, extinção de espécies, etc.
Devo ser um cara muito reacionário mesmo, pois não vejo o menor sentido de colocar crianças desta idade trabalhando um assunto que não conseguem ainda entender. E nem vou entrar no mérito que o aquecimento global está me parecendo mais religião do que ciência.
Nesta fase, ainda não tem consciência crítica, e nem poderiam ter. Minha filha chegou em casa cantando uma musiquinha sobre as virtudes dos ecologistas, sobre a corrupção e guerras… qual o sentido disso tudo? Fazer lavagem cerebral? Por que não esperar estas crianças terem um mínimo de entendimento para apresentar-lhe semelhantes “reflexões”? Qual o sentido de ficar repetindo para minha filha, de três anos!, que o mico leão dourado está em extinção? Que o homem está destruindo o meio ambiente?
Sei lá, não sou pedagogo, longo disso. Mas imagino que deveriam ter com tema coisas como as cores, a natureza, a água, os animais, qualquer coisa que estivesse no entendimento delas.
Reclamam que as crianças estão amadurecendo cedo demais, que desenvolvem sintomas de stress e nervosismos. O que vi hoje foi colocarem minha filha como uma espécie de “mini-adulto”. Teve até uma turma dançando um “rap da periferia”, que por sinal achei de um mau gosto terrível. Devo ser muito errado mesmo, foi a hora que a platéia mais aplaudiu!
Sinceramente, espero que os estudiosos estejam certos e eu errado, odeio pensar que estão fazendo um mal para um filho meu. O problema é constatar que temos uma das piores ensinos do mundo. Os resultados desta semana mostram com clareza espantosa a nossa miséria na área; estamos nas últimas posições dos países avaliados.
Para refletir.
Tudo muito tedioso na Banânia
O acordo foi fechado.
Renan Calheiros teve que renunciar, pois os valentes petistas não aceitaram sua palavra desta vez.
Horas depois foi absolvido no segundo processo, selando o acordo.
Agora vai ajudar na prorrogação da CPMF.
Tudo muito tedioso. E profundamente ético.
Esse Josias é uma comédia
Blog do Josias de Souza:
Pesquisa realizada pelo Datafolha constatou que 65% dos brasileiros rejeitar a idéia de alterar a Constituição para permitir que Lula concorra a um terceiro mandato consecutivo em 2010. O que mais chama atenção no levantamento, porém, é a revelação de que 31% dos brasileiros com direito a voto apoiariam a idéia.
Não é pouca coisa. Sobretudo considerando-se que Lula diz, em público, que não deseja permanecer no Planalto.
O que Josias não diz, é que Lula sempre teve um eleitorado cativo de 33% que votam nele em qualquer cenário. Existem outros 33% que nunca votam nele, e um terço restante que flutua. O que a pesquisa mostra, é que neste eleitorado que flutua, ele não tem praticamente nada. E dizer que Lula diz em público que não deseja permanecer no cargo é petismo puro. Nem vou dizer “petismo da pior espécie” porque isso implicaria na existência de um petismo da melhor espécie… o que é uma falácia.
A pesquisa é contundente: a tese da re-re-eleição é rejeitada pelo brasileiro. É um bom sinal, pois indica que apesar da popularidade de um presidente (que continua alta), não se aceita o solapamento das regras do jogo.
Outro sinal claro é a virada que Hugo Chávez está levando na Venezuela. Pode ganhar? Claro que sim, ainda mais com o controle da apuração de votos… mas ficou evidente que o país rachou. Para desespero de Marco Aurélio Garcia e seu séquito. O Foro de São Paulo vê a aventura chavista como o início da “socialização” da América Latina. Ela não virá por aclamação, como se imaginava. Parece que a Venezuela resolveu acordar e perceber que a democracia não é negociável.
TV Lula vem aí
A tal TV pública nem estreou e já está mostrando que de pública não tem nada, é do governo mesmo. Esta semanas vários fatos sucederam-se em seqüência:
- Franklin Martins, revoltado com a pergunta de um jornalista, afirma que ninguém pode dar-lhe lição de democracia. E, logicamente, não responde à pergunta. Martins lutou para instalar uma ditadura comunista no Brasil, mas na versão dos perdedores, é um democrata.
- Duas diretoras da TVE pedem demissão ao verem a emissora invadida por um grupo grande de gente da nova TV. Logicamente sem concurso, e provavelmente com muito pouca qualificação. Em nota, a diretora executiva da TV pública(?), Beatriz Sussekind afirma que as duas foram demitidas. Era um recado para quem fica.
- Um jornalista e professor da UFF, Felipe Pena, debatedor do programa Espaço Público, no intervalo de um dos blocos do programa, é confrontado pela apresentadora, Lúcia Leme, que o pede para “maneirar” nas críticas ao governo porque a TV Pública “vem aí”, e ela seria demitida.
- No primeiro dia de programa, uma ode a uma personalidade histórica. Don João VI? D Pedro II? Caxias? Jucelino? Nada disso. Trata-se de Che, o porco fedorento. Tudo em nome da tal pluralidade.
É tudo tão previsível que chega a ser tedioso. São os mesmos métodos que Stalin implantou na União Soviética. O clima na TVE é de terror, quem não se alinhar vai para a rua. É hora das oposições fazerem seu papel e denunciar. É hora do conselho curador começar a trabalhar.
Antes que seja tarde.
Nossa república
A ameaça nuclear
Estudando a história parece incrível que a Europa não imaginou, em 1914, que estivesse as vésperas de uma carnificina humana. Mas estava.
Estudando a história, parece incrível que o mundo não imaginou, em 1939, que se envolveria no maior conflito bélico da história. Mas se envolveu.
Os indícios estavam todos presentes, a conclusão parece óbvia hoje, décadas depois. Alguns homens perceberam, tentaram fazer o alerta, foram ignorados.
Não tenho explicação para o que aconteceu. Acredito que a humanidade fechou os olhos diante de uma realidade que não desejava encarar. Preferiu ignorar os alertas, chamar de loucos homens como Churchill, que já apontava para o desastre eminente. Mas existiu sim uma seqüência de fatos que apontavam para a destruição, bastava abrir os olhos para ver.
Quando explodiram as bombas nucleares, não foi mais possível esconder o pessimismo. A guerra terminara com uma realidade ainda mais assustadora, um país, os Estados Unidos, dispunham de uma arma de destruição nunca antes imaginada, um verdadeiro prenúncio de um apocalipse.
Logo a União Soviética tinha a sua, seguido da China.
Desta vez não houve espaço para dúvidas, o perigo era real. Soviéticos e americanos basearam sua defesa em um ponto em comum: se atacados, a reação seria devastadora. Era o que ficou conhecido como doutrina da Destruição Mútua Assegurada. Não havia como evitar um primeiro ataque, garantiam-se com a certeza do segundo.
Com a queda do muro de Berlim, e fim da União Soviética, o mundo suspirou aliviado. Acabara a ameaça. Os Estados Unidos já não tinham o gigante do leste como adversário, agora seriam aliados em uma nova realidade de um mundo globalizado.
Seria este o fim da ameaça? Alguns indícios parecem preocupantes.
A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, possuem a bomba. Pior, são vizinhos, e o segundo encontra-se em convulsão social.
A Rússia começa a dar sinais de totalitarismo renascente. Putin está armando uma forma de se perpetuar no poder, agora como primeiro ministro, com um presidente fraco. Acreditar que o governo russo está satisfeito com um papel menor na política global é ir longe demais no otimismo.
A China sempre será uma incógnita. Apesar de um capitalismo controlado, em áreas específicas, ainda é um regime totalitário, e socialista. Um regime que aponta por uma busca do lugar hegemônico hoje ocupado pelos americanos.
Regimes delinqüentes estão avançando, o Coréia do Norte já possui um artefato. O Irã busca desenvolver sua tecnologia, até a Venezuela quer entrar no jogo. O que será do mundo quando os loucos possuírem tecnologia nuclear?
De que serve a doutrina da Destruição Mútua Assegurada para um fundamentalista? Para quem acredita no suicídio como forma de santa de guerrear?
Outro ponto importante, que pouco foi falado até aqui, é lembrado por Jeffrey Nyquist, um sociólogo americano, especialista em geopolítica. Com a proliferação das armas nucleares, como saber de onde partiu um ataque? Como saber se a Rússia ou a China, ou ambos, realizaram um ataque a Nova Iorque contando com a provável culpa dos fundamentalistas? Impossível? São nações pacíficas? Não existe isso no totalitarismo, terá a humanidade esquecido as lições de Hitler, Lênin e Stalin? Terão os milhões de cadáveres caídos no esquecimento da história?
O ocidente está hoje muito mais vulnerável do que durante a Guerra Fria. O inimigo é incerto, a ameaça difusa. O próprio americano não acredita na hipótese nuclear, em uma futura destruição.
Os indícios estão aí, e novamente vejo a humanidade fechando os olhos para uma ameaça real. Assustadoramente real.


