Sempre é bom lembrar

“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Martin Niemöller (1892-1984)

Cretinice intelectual

Um grupo de professores da UNB resolveram hipotecar sua solidariedade com o reitor da UNB, aquele de nome de filme americano e que gastou dinheiro público para reforma luxuosa em apartamento funcional. É isso aí, demonstra que não vêem nada demais na gastança __ coisa que o ministério público não concorda. Imagino se o reitor não fosse um deles, se fosse um convervador, um de “direita”. O mínimo seria uma greve geral para forçar seu afastamento, mostrando como a posição ideológica vem antes de qualquer julgamento. Isso no pensamento dos professores universitários de uma das maiores escolas do país me parece muito grave. Com mestres assim o que estaria sendo formado lá?

Esses são os mesmos que acham Fidel um humanista e que a Venezuela tem democracia “até demais”.

Presidente do povo

Enviado por e-mail por um amigo:

QUINZE PERGUNTAS EXTREMAMENTE DIFÍCEIS DE SEREM RESPONDIDAS.

1. Por que o presidente do povo usa terno Armani?

2. Por que o presidente do povo pode ter ensino fundamental incompleto e um gari necessita de ensino fundamental completo?

3. Por que o presidente do povo acumula aposentadoria por invalidez, aposentadoria de dep. federal, pensão vitalícia de’perseguido político’ isento de Imposto de Renda, salário de presidente de honra do PT e salário de presidente da república?

4. Por que o presidente do povo é perseguido político, sendo que passou apenas UMA noite no DOPS?

5. Por que o presidente do povo comprou um avião da concorrente da Embraer?

6. Por que o presidente do povo se aposentou por invalidez apenas por ter um dedo a menos e hoje trabalha como presidente do Brasil?

7. Por que o presidente do povo protege seus amigos comprovadamente corruptos e nunca aconteceu nada com ele?

8. Por que o presidente do povo se vangloria de não ter estudo e ser filho de mãe analfabeta e acha normal ter filhos estudando fora do Brasil?

9. Por que o presidente do povo quando do seu mandato de Dep. Federal, não participou da vida parlamentar do Congresso?

10. Por que o partido do presidente do povo tem ligação com a FARC e ninguém comenta isto?

11. Por que a mulher do presidente do povo não faz absolutamente nada?

12. Por que o presidente do povo não sofreu impeachment’ como o Collor sofreu?

13. Por que a candidata Heloísa Helena foi expulsa do PT e o José Dirceu dep.cassado) e Antonio Palocci (indiciado por quebra ilegal de sigilo bancário e outros crimes) não o foram?

14. Por que o presidente do povo nunca soube das coisas do partido e do governo dele, MAS SABE DE TUDO SOBRE OS GOVERNOS ANTERIORES?

15. Finalmente, a pergunta mais difícil de todas: Por que tantos intelectuais, cientistas, professores universitários, reitores e outros membros da nata do país continuam apoiando o presidente do povo?

Do que reclama o PSDB?

Por que reclama o PSDB do vazamento da informação de que teve sua imunidade tributária suspensa e foi autuado em R$ 7 milhões pela Receita Federal, acusado de usar notas fiscais frias emitidas por uma empresa fantasma e por outra inidônea em 2002, durante a campanha presidencial do hoje governador José Serra (PSDB)? O valor total das notas é de R$ 476 mil.

O chamado distinto público tem o direito de saber, sim. Assim como soube que a ex-ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, usou cartão corporativo para pagar o que não devia. E que com cartão corporativo o ministro dos Esportes pagou uma tapioca de R$ 8,00. As notas frias do PSDB foram descobertas quando a Receita investigou a contabilidade dos partidos. Tem mais é que investigar.

Noblat escreveu um post hoje defendendo que o PSDB não tem direito de reclamar do vazamento da investigação sobre a campanha de Serra em 2002. Segundo ele, o povo tem tanto o direiro de saber desta investigação quanto da tapioca do ministro dos esportes.

Toda vez que um jornalista fala em tapioca para se referir ao cartão corporativo é bom abrir o olho. O que o Noblat fez neste post é tentar igualar os desiguais.

Não morro de amores pelo PSDB, mas daí a dizer que é igual ao PT a distância é larga. O que os tucanos estão reclamando, com toda razão, é do vazamento pela receita federal de dados em investigação para a imprensa com a finalidade única de atingir um adversário político. Isso é inadmissível em uma democracia; foi uma das razões para a queda de Nixon há 30 anos atrás. Disputa partidária é uma coisa, governo é outra completamente diferente. Usar o estado para atingir rivais políticos é muito grave, é coisa de criminoso mesmo, e uma das razões que o PT deveria ser varrido não da presidência, mas da própria política.

A partir do momento que o estado é colocado à disposição de um partido político, a luta torna-se desigual. A própria investigação é criminosa pelo origem. Existe um processo de fiscalização, definido por lei, para as campanhas políticas. Em virtude do mensalão, os partidos que foram flagrados com caixa dois, PT, PL, PP e PR, deveria ser devassados. Um gênio do planalto colocou os partidos de oposição e o PMDB na mesma barca. Por que? Única e exclusivamente para achar podres para que se iguale os desiguais.

Estou aqui se defendendo que não se investiguem partidos? Claro que não; estou defendendo algo muito mais importante que a corrupção em si: as leis e a democracia. O jornalismo deveria estar cobrando esta utilização da máquina pública para atingir a oposição. Isto é inadmissível. A confiança nas instituições é destruída quando o estado vira refém do partido no poder. Basta ver o que aconteceu na Caixa Econômica no episódio do caseiro. E agora a Receita Federal entra na mesma dança.

Cadê a coragem da mídia para cobrar a separação do estado com o partido político?

Quer dizer que o governo não pode lutar? Tem que ficar na defensiva? Exatamente. Governo tem que dar explicações sobre tudo que coloca as mãos. É direito do cidadão acompanhar a atuação dos seus governantes. E o papel de fazer a cobrança é da oposição. Podem ver nos Estados Unidos. Bush apanha de tudo quanto é lado, mas em nenhum momento acusa os democratas de nada. Este jogo não é permitido a um presidente da república. O dia em que a Receita de lá fizer algo parecido com o que aconteceu esta semana, cai o governo.

Fora do previsto no processo de prestação de contas, só se deve investigar sobre denúncias concretas. Não houve no caso da campanha de Serra. Usar a força do estado para devassar as contas de um adversário é perigoso e grave. Se fazem isso com o governador do maior estado da federação, o que poderão fazer contra nós? A justificativa de combater a corrupção não pode atropelar as leis e a própria democracia. Não vale o preço.

Que vergonha Juca!

Juca Kfouri apelou desta vez, mostrando que seu lugar é como comentarista esportivo. Conseguiu comparar Fidel com Pelé. Segundo ele, Fidel apenas não soube a hora de parar. Deveria ter feito junto com o rei do futebol. Quando estava ganhando.

Ganhando? O que? Campeonato de execuções sumárias? O Fidel velho não é melhor ou pior do que o novo, são a mesma pessoa. O monstro que permitiu o extermínio de mais de 15 mil pessoas que jurou defender.

Juca costuma dizer que Pelé deveria se limitar ao futebol, que suas opiniões sobre tudo mais são desastres. Pode até ser. Mas acho que Pelé pode dizer o mesmo de seu crítico, que Juca deveria comentar apenas sobre futebol, porque seu pensamento no caso de Fidel foi lamentável.

Comparar Pelé com Fidel, nem nossos mais iludidos ou aproveitadores são capazes de fazer. Repetindo o bordão: é uma vergonha!

O fim da era Fidel

Estou curioso pelas manchetes de amanhã. Chega ao fim, após 49 anos, a mais longa ditadura existente, a Cuba de Fidel Castro. Sai do poder o herói de muito intelectual de miolo mole do lado de cá do equador. Será que os periódicos terão coragem de chamar a coisa pelo nome? A Folha Online começou bem, em sua chamada se refere a Fidel como ditador. O portal da UOL levanta o legado ambíguo de Castro. Fico pensando, ambíguo em que sentido? O homem é o maior assassino vivo, a prova de que o estado totalitário, nas mãos de uma facínora, é capaz de números assustadores. Perto deles, monstros como Jack estripador e Mason não dão nem para saída. Não, o lugar de Fidel é ao lado de Hitler, Stalin, Mao, Ho Chi Min e tantos outros.

O argumento usado é que Fidel teria melhorado a vida em Cuba. Melhorou tanto que é preciso manter a população presa na ilha para não ficar sozinho com seus burocratas. Aliás, este para mim sempre foi o argumento definitivo contra o comunismo, a necessidade de evitar a fuga em massa de sua população. O homem é capaz de aguentar o diabo em sua terra, mas o socialismo foi bem além do que imaginava ser seu limite.

Amanhã é dia de dar nome aos bois. É simples. Chamou Fidel de monstro, está do lado da humanidade. Tentou pintá-lo com as cores da ambiguidade, é  comprometido idologicamente. Chamou-o de democrata, é caso de hospício ou um perigo.

É simples assim.

Cristovão Buarque, o baluarte da educação

Na eleições de 2006 escutei de muita gente boa que o único candidato bom mesmo era o senador Cristovão. Pelo menos era um homem dedicado à educação, tanto que seu discurso só girou em torno disso. Eu, por outro lado, estava desconfiado. Ainda não me saía da cabeça a desmontagem do exame nacional de cursos, o provão. A despeito da oposição da UNE (para que serve esta estrovenga afinal?), o exame estava dando bons resultados. As universidades particulares estavam a caça de professores com currículo e incentivando-os a se aprimorarem cada vez mais. Começavam a se preocupar com o aprendizado dos alunos, e a população passava a ter um termômetro de qualidade.

Claro que como todo projeto novo, ainda possuía falhas e distorções, mas a idéia era muito boa. Pois Cristovão, como ministro da educação, acabou com ela e criou a versão inútil que vigora hoje. Tudo para atender o corporativismo das universidades.

Ontem, mostrou de que lado está. Diante dos indenfensáveis gastos do atual magnífico reitor da UNB, afirmou que não havia dolo, apenas “equívocos de prioridades”. Ora, senador, foram meio milhão de reais em decoração de um apartamento. Com esse dinheiro se constrói um excelente apartamento em quase todo o lugar do país; se é assim que defenderia o recurso público, ficou muito bem com os minguados votos que recebeu.

Voto aliás que não dei. E agora dou-lhe uma banana. E não é a fruta.

Valor mínimo para ética

O artigo de Marcos Nobre, na Folha hoje, vai no mesmo caminho de Marcelo Coelho. Considera a cobertura do uso dos cartões corporativos desproporcional, tendo em vista os valores envolvidos. É a defesa do governo, que insistiu em rotular a tapioca na estória. Segundo eles, ao que parece, existe uma valor mínimo para ética no gasto público; o mais importante seria discutir a reforma tributária que envolve bilhões.

Não posso concordar com uma posição dessas. E a questão não se resume a uma tapioca, vai além disso. O que se apurou, baseou-se no portal de transparência, onde apenas 10% do total dos cartões foram lançados; mesmo assim o governo considerou que a “transparência” ameaçou a segurança do presidente.

Vivemos em um regime presidencialista, não uma monarquia. Nem nesta existe algo remotamente parecido com o que a corte lulista vem fazendo com o recurso público. O presidente da república deveria ser o primeiro a esclarecer os gastos de seus assessores diretos a fim que não haja dúvida. Ao esconder os gastos sobre a rubrica de “segurança de estado” coloca a instituição da presidência da república sob suspeita.

Marcos Nobre e Marcelo Coelho advogam uma causa estúpida. O dinheiro gasto de forma irresponsável e, em muitos casos, criminosa não é do estado, é da população brasileira. É preciso combater a idéia de que dinheiro público não tem dono, tem sim, e de todos nós. Isso inclui cada real. Eles gostam de se referir à tapioca, por que não usam o mesmo argumento com a picanha argentina da presidência? Ou o meio milhão de reais do reitor da UNB? Ou os gastos com a primeira-filha? Ou a hospedagem de ano novo no Copacabana Palace por Márcio Thomaz Bastos?

Os dois artigos são um atentado ao bom senso e uma amostra do alinhamento ideológico dos articulistas. O fim justificam os meios. Não estão roubando o erário, estão garantindo o “novo mundo possível”.

Sobre a pesquisa CENSUS

A última pesquisa CENSUS, divulgada hoje, mostra o que já se sabia. A popularidade de Lula é indiscutível, a maior desde 2003 e José Serra é o favorito para sucedê-lo.

Cada dia fica mais evidente que a natureza do discurso político no Brasil é eminentemente econômico. Entra eleição, sai eleição, tudo se resume a reduzir desigualdades, gerar empregos, diminuir os juros, etc. Não é surpresa portanto, que em um cenário de crescimento econômico razoável, o governo suba na avaliação, ainda mais com um presidente de evidente apego popular.

A oposição parece não perceber isso, e se afunda cada vez mais em seus próprios erros. Falta ao PSDB e DEM um projeto para o país que vá além da mesmice do discurso econômico. É preciso confrontar Lula em um cenário de estabilidade econômica, e não apostar, como o PT sempre fez, em uma crise econômica para conseguir espaço.

Falta a discussão de problemas crônicos dos quais a economia é apenas uma parte, como a saúde, a educação e a segurança pública. Em todos estas áreas o governo Lula é um desastre completo, mas estas questões passam a largo da discussão política no Brasil. Questões de valores então, é assunto proibido. Gostaria de saber o que pensam estes partidos sobre a questão do aborto por exemplo, ou da Universidade pública para ficar mais fácil. Gostaria de saber, por exemplo, se o partido acha justo que se retire recursos da sociedade para pagar uma universidade gratuita para quem anda de Corola. Ou se é justo que um trabalhador assalariado pague inteira no cinema enquanto que o mesmo universitário  do Corola paga meia para ver o último enlatado americano.

Gostaria de ver toda essa gente defendendo abertamente seus pontos de vista, como faz, por exemplo, Hilary Clinton ao defender seu projeto de saúde universal ou o direito de casamento entre homossexuais; ou John McCain ao defender o envio de mais tropas para o Iraque. Obama não vale; não vi nenhuma proposta concreta do “novo” político americano, este “só” quer um cheque em branco para mudanças.

Mas aí é preciso cidadania, né?

Esquece.