Coisas do Brasil

A última notícia plantada pelo governo na Imprensa diz que Dilma Rousseff está se fortalecendo eleitoralmente devido aos ataques da oposição. É a mesma tese idiota que acabou com as possibilidades de Alckmin em 2006.

Na ocasião, depois de um excelente primeiro debate onde massacrou o candidato-presidente, foi divulgada uma pesquisa onde Lula havia aberto vantagem. Pronto, logo apareceram gênios para dizer que era uma reação ao discurso agressivo do candidato. Balela. O crescimento devia-se a dois fatores, o esfriamento do caso do Dossiê Serra e a desastrosa primeira semana de campanha do Tucano que conseguiu sumir dos noticiários quando era vitorioso, adiar o início da campanha do segundo turno dando tempo ao governo e reaparecer para subir no palanque com Garotinho.

O resultado é que Alckmin abandonou a postura combativa e passou a dar mensagens cada vez mais confusas, com a ridícula foto com logomarcas de estatais.

O mesmo acontece agora. Acho natural que a próxima pesquisa mostre que Dilma subiu, mas não devido à exposição no caso do Dossiê (como estes bandidos gostam disso) e sim pela exposição junto com Lula nos comícios __ ops, desculpe, não são comícios mas inaugurações __ pelo país a fora.

Só no Brasil que pode prosperar a tese que acusar alguém de corrupção é benéfico para sua candidatura a presidente. E que pode fortalecê-lo.

É por teses estúpidas como essa que Lula nada de braçadas e a oposição bate cabeça e encolhe.

Cota na TV por assinatura

Está em fase final de tramitação no Congresso Nacional a famigerada lei que inclui cotas na programação da TV por assinatura. Mais uma vez o estado está ser articulando para se meter onde não deve, no caso no contrato entre particulares.

Já não basta as TVs por assinatura terem que transmitir aquele conjunto de canais que praticamente ninguém vê (TV Brasil, Senado, Câmara, Judiciário), agora querem impor uma cota de programação nacional para cada canal de TV a cabo. É um absurdo. Na prática inviabiliza a retransmissão de canais de notícias internacionais (que não vão montar uma estrutura só para atender ao Brasil) e inviabiliza a própria TV por assinatura, pois os custos serão repassados para a já salgada conta do assinante.

Não se trata de uma proteção para a cultura nacional, que diga-se de passagem sou radicalmente contra, não a cultura, mas a proteção. Trata-se simplesmente de acabar com a TV por assinatura. Faz parte da estratégia de domínio cultural do Gramcismo que está na raiz do Partido dos Trabalhadores, é preciso monopolizar a cultura.

Novamente aqui se mostra a extensão do alerta de George Orwell em 1984. O controle da mídia era essencial pois era preciso que não houvesse padrão possível de comparação do governo com os passados e com outros países. Era preciso que se acreditasse que o governo totalitário de 1984 era o melhor possível.

Não há um só programa na TV por assinatura que faça oposição ao governo, embora os chapas brancas existam as pencas. O problema é que existem muitos que tratam de valores universais, o que é um problema para uma força que deseja substituir os valores de uma sociedade pelos seus próprios. É melhor uma televisão que ninguém assiste do que uma que pode levar o indivíduo a pensar.

O comunismo não morreu em 1989 como demonstrou Jean François Revel em A Grande Parada. Ele se transformou, assumiu outra face, esta muito mais perigosa. Ele se revela por esta escalada lenta em direção ao controle hegemônico do pensamento humano para depois se instalar como realidade política.

Estamos assistindo a cada dia a diminuição das instituições brasileiras. Não há uma única que esteja mais forte hoje do que em 2002, muito pelo contrário. Os sinais estão evidentes para quem “tem olhos para ver”. A atuação do governo petista na questão das comunicações é exemplar.

Primeiro tentou emplacar o conselho de Jornalismo para controlar jornalistas, fui uma passo muito longo, acabou recuando. Depois conseguiu criar a TV pública, agora quer acabar com a TV por assinatura. Age para fundir empresas de telecomunicações e formar monopólio no setor, tendo para isso que mudar as próprias leis do país. Será que ninguém enxerga o rumo que estamos tomando? Será que ninguém enxerga onde vamos parar?

Só um detalhe

Alguém sabe quanto o Paraguai gastou na construção de Itaipu? Não. É um número fácil de guardar:

0,00

De novo:

0,00

Se quer receber valor de mercado, que tal começar a pagar por sua metade?

Com a palavra o teólogo da escatologia da libertação.

Em tempo: Não tenho nenhum pré-conceito sobre o tal Lugo, mas ao vê-lo rezando ao lado de Frei Betto já tenho um pós-conceito bem definido…

Imprensa no caso Isabella

Estou acompanhando bem de longe o caso da menina Isabella. Existem coisas que me revoltam, e o assassinato de uma criança inocente é uma dessas.

Não comentei nada aqui até hoje porque se trata de um problema de ordem humana, do mal que habita o coração de algumas pessoas. Não há um componente social como foi visto no caso do menino morto ano passado; este sim, uma expressão da violência urbana e o descaso das autoridades brasileiras.

O que aconteceu com Isabella poderia ter acontecido, e acontece, em qualquer lugar do mundo. Sei que a televisão não noticia outra coisa, mas o fato é que o público quer acompanhar todos os detalhes e é melhor que se horrorize com o que está assistindo do que se mostre indiferente.

Chama-me a atenção, entretanto, o teor das críticas que estão sendo feitas à mídia pela cobertura, especialmente contra a Rede Globo. Acho injusto tentar acusar as emissoras de condenar o casal antecipadamente, o que está sendo mostrado é a posição das investigações. Quer dizer que o delegado encarregado diz que está convencido da culpa dos dois e a emissora não deve noticiar este fato? Deve esperar o que? O transitado e julgado? Isso é com a justiça, pelo menos até onde eu entendo.

A comoção popular e as coberturas mais intensas são uma realidade em todos os países do mundo, basta lembrar do seqüestro da menina inglesa ou do caso de O. J. Simpson. As emissoras mostram porque é interesse popular, quando deixar de sê-lo, irão parar. Querer colocar nelas a responsabilidade pelo que foi feio com a menina é absurdo.

O pior é que a Globo se deixou pautar e mostrou uma entrevista com o casal em que eles de defendiam da perseguição da imprensa. Não foi permitido nenhuma pergunta sobre as provas encontradas até agora, o que seria da maior relevância. Afinal, se são inocentes, devem ter uma explicação. Ou não?

Sou contra o sensacionalismo da imprensa, mas ao contrário de muitos, não responsabilizo a imprensa por isso. Responsabilizo quem assiste. Ao invés de atacar a cobertura da imprensa, os sociólogos de plantão deveriam estar estudando e tentando entender o que leva uma pessoa a querer assistir a esta tipo de cobertura.

Talvez começamos a ter alguma respostas e não apenas chutes a esmo.

Mais sobre alimentos

Ainda tentando entender a alto do preço dos alimentos e suas conseqüências, o site Mídia Sem Máscara apresenta um artigo de João Luiz Mauad apontando a relação do ambientalismo com o preço dos commodities agrícolas.

Ano passado o IPCC (leia-se ONU) apresentou um relatório que enfatizava a necessidade de se substituir os combustíveis fósseis pelo etanol. Governos, principalmente o americano, passaram a conceder subsídios para a produção do etanol, principalmente a partir do milho.

Mauad lembra a mais básica lei da economia, o sentido de sua própria existência que é solenemente ignorado. Os recursos são escassos. A economia trata da utilização destes recursos para atender a demandas infinitamente superiores. Quando se planta milho para produzir combustíveis, deixa de plantar para produzir alimentos. Até Fidel Castro entendeu a implicação da cruzada pelo etanol.

Alguns dados apresentados por Mauad:

Demanda de Milho para produção de etanol nos EUA:
Safra                 Demanda (milhões ton)
2005/06                    40,7
2006/07                    53,8
2007/08                    81,3
2008/09                    104

Fonte: Departamento de Agricultura dos EUA

No período de 4 anos a destinação do milho para produção do Etanol mais que duplicou. Por isso na semana passada um dos burocratas da ONU afirmou que a produção do Etanol era um “crime contra a humanidade”. No fundo a ONU quer que esqueçamos que foi ela própria que incentivou esta pantomina.

Segundo Mauad a alta do preço dos alimentos tem duas virtudes:

1. Tornará a produção de grãos para o consumo novamente atrativa, o que provocará o equilíbrio entre oferta e demanda.

2. Fará aumentar o investimento na produção e comercialização de grãos para o consumo, contribuindo para o equilíbrio a médio prazo.

Conclui:

Como se vê, quem melhor sabe o que produzir, como produzir, quanto produzir e como produzir – da forma mais eficiente – é o produtor, guiado pelo infalível mecanismo de preços livres do mercado, que por sua vez é comandado pelas demandas dos consumidores. Se os políticos e os burocratas deixassem a sua arrogância e “sapiência” de lado e entendessem isso, o mundo economizaria bilhões, jogados fora todo ano, graças às nefastas intervenções dos governos (aí incluída a maldita ONU) nesse processo.

Íntegra aqui.

Mais um avanço do Foro

O Foro de São Paulo, aquele que não existe, conseguiu mais uma avanço no continente ao eleger Lugo para a presidência do Paraguai. Aos poucos a América Latina vai se tornando vermelha; na verdade restava pouca opção para os Paraguaios que tiveram que escolher entre o ex-bispo e o General Oviedo.

A prova da degeneração e o sucesso do Gramscismo é justamente o fato do pensamento conservador ter que ser associado a uma pessoa como Oviedo. Os longos anos de conquista da intelectualidade pelo socialismo está levando a uma situação em que a população é obrigada a escolher entre opções de esquerda, como aconteceu no Brasil em 2002 com o confronto entre Serra e Lula.

É claro que o novo presidente vai renegociar o contrato da energia e o presidente brasileiro ficará ao lado do Foro e contra os interesses brasileiros, igual ao que aconteceu na Bolívia. Os brasileiros pagarão a conta com aumento nas já caras tarifas de energia. O pior é que grande parte da população e da mídia acredita ainda que temos um presidente nacionalista.

Alta dos alimentos e o etanol

Andei procurando me informar sobre as causas e conseqüências da alta do preço dos alimentos.

Pelo que entendi, a causa principal está no crescimento da China e Índia que está urbanizando suas populações e aumentando sua renda. É um gigantesco contingente populacional que está mudando seus hábitos e passando a comer carne.

O que tem a ver o consumo de carne com os grãos? O gado. A gado precisa principalmente de milho e soja para se alimentar, e consome muito mais do que o homem. Desta forma, parte da produção está sendo desviada para os rebanhos e a área de outros grãos está sendo revertida em milho e soja. É um problema que tem na demanda sua essência principal.

Outra faceta é o declínio americano que se manifesta na queda do dólar. Esta desvalorização reflete no preço dos produtos agrícolas aumentando ainda mais a pressão inflacionária.

A alta do preço dos alimentos não é passageira nem do momento. A tendência é ficar ainda pior pois o fenômeno que a está causando, o crescimento chinês e indiano,  se manterá por muito tempo, daí a preocupação mundial.

O etanol entra como uma das causas secundárias. Ao mesmo tempo que ocorre este aumento da demanda por comida, o petróleo chega a preços recordes tornando o uso do etanol economicamente viável. Parte da produção do milho americano passa a ser destinado para este fim.

O Brasil não está totalmente fora deste problema por obter seu álcool da cana de açucar. Como qualquer plantação, ocupa espaço que poderia estar sendo utilizado para produzir alimento.

A questão é complexa mas trará desdobramentos sérios. Logicamente os mais afetados, de início, serão os mais pobres, particularmente o continente africano.

Não adianta agora ficar colocando a culpa uns nos outros, é preciso estudar soluções, e urgente.

BB e MST

Não tem muito o que comentar o BB colocando dinheiro no MST. Mostra apenas que acertei ao deixar este “banco dos brasileiros”. O BB pode ser dos brasileiros, mas como tudo que um socialista coloca as mãos vale a máxima “alguns brasileiros são mais brasileiros do que os outros”.

Afinal, para um banco que patrocinou o mensalão, o que são alguns trocados a mais para um movimento que afronta a lei mas faz parte do plano de poder do atual governo?